Prólogo

"E aí? Vc vem?" dizia a mensagem de Lara no celular de Felipe.

Ele selecionou desligar no computador e começou a apertar os interruptores enquanto enviava uma resposta "tô d saída, t encontro lá 20h"

Felipe trabalhava em uma loja de eletrônicos fazendo manutenção e como atendente. O movimento do dia estava fraco e ele estava aproveitando para ir embora mais cedo para encontrar-se com Lara Gomes, sua mais nova namoradinha. Seus pais provavelmente o condenariam por sair com garotas tão novas, porém tinha sido exatamente por isso que saíra de casa.

Passou a língua nos dentes onde o aparelho incomodava um pouco. O PC já estava desligado e ele deu a volta no balcão, agarrando a chave para sair justo quando alguém entrou pela porta.

Maldição. Ele praguejou mentalmente. Depois do dia inteiro, um cliente precisava chegar justo agora? Olhou-o dos pés a cabeça, um homem negro e alto, de rosto barbado, com cara de quem tinha algo muito fedorento debaixo do nariz.

Felipe tirou o celular do bolso para olhar a hora. 19:37. Daria tempo de atender bem rápido e correr para encontrar Lara.

— Posso ajudar? — ele perguntou, voltando mal humorado para trás do balcão.

O homem se aproximou silenciosamente e tirou algo do bolso.

— Preciso que conserte isso — disse colocando um celular sobre o balcão.

Felipe o tomou nas mãos, e o problema era visível: tela quebrada. Tentou ligar, mas apenas um canto se iluminou, sem nenhuma imagem identificável, sinal de que o Display também tinha dado perda total.

— Vai custar bem caro — Felipe falou, tentando desanima-lo. — Se eu fosse o senhor, compraria um novo.

O homem espalhou sua mão sobre o balcão, apoiando a palma e inclinando o corpo pra frente de forma ameaçadora.

— Não quero um celular novo, preciso que conserte esse. Agora.

Não precisou falar duas vezes para que Felipe entendesse o recado. Mal humorado, ele tirou suas ferramentas da gaveta e procurou no estoque a peça que iria precisar substituir. Por sorte, o celular era de um modelo bastante popular, do tipo que sempre tinham peças disponíveis.

Voltou para o balcão e olhou a hora antes de começar. 19:43. Droga. Começou a trabalhar cada vez mais carrancudo, pensando que Lara iria ficar bastante irritada com seu atraso. Terminou de montar de qualquer jeito e ligou-o.

Na tela de bloqueio estava a foto de uma menina de cabelos loiros cacheados ao lado de uma ruiva de olhos azuis, e Felipe pensou que adoraria conhecer qualquer uma delas. O relógio na tela marcava 19:58.

— Aqui está — disse ele, estendendo o celular para o homem.

Ele pegou o aparelho na mão desconfiado, e ao tentar desbloqueá-lo, percebeu que solicitava uma senha.

— Preciso que o desbloqueie. — Ele recolocou o celular sobre o balcão.

Irritado, Felipe apenas começou o processo para formatar o telefone. Até conhecia outro jeito de fazer isso sem restaurar o padrão de fábrica, porém ele precisaria ligar o PC novamente, e demoraria ainda mais.

Dez minutos depois, entregou o aparelho de volta ao homem, que ao ligar o celular, o olhou irado.

— O que você fez? — ele falou apertando os dentes.

— Eu formatei — Felipe disse, dando de ombros indiferente.

— Seu imbecil! — o homem disse, e agarrou seu pescoço por cima do balcão.

Ele apertou com muita força, fazendo Felipe perder completamente o ar. Por mais que tentasse bater e se livrar do homem, não conseguia, seus punhos pareciam rocha pura. O mundo começou a girar, e Felipe perdeu a consciência.

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