15. Um Preço Alto (p.3)

Diana encarou o garoto fada que havia encontrado mais cedo no banheiro de Miguel. Ele entrava sem ser convidado, sob a mira de todos os presentes naquela sala, exceto por ela mesma e Marina.

— Delwen, para! — Zac vinha logo atrás dele, tentando segura-lo pelo braço.

Não tão distante deles, Diana viu Chloé, que encarava a confusão com o cenho franzido.

— As crianças de Jack White são filhos de César Veter e Grian — disse o garoto fada, se desvencilhando de Zac.

Diana ajeitou sua postura, ficando imediatamente interessada no que Delwen tinha a dizer.

— Quem é você? — perguntou Jack. O líder dos híbridos americanos apontava um revólver engatilhado para o garoto.

— Eu explico! — Zac passou à sua frente, claramente tentando evitar que Delwen fosse abatido antes que dissesse mais uma palavra.

— Estamos esperando — disse Bernardo, que apesar de não apontar a arma em sua direção, segurava-a firme em suas mãos.

— Eu entrei no País das Fadas e descobri que o líder dos Anjos de Ar e a Rainha dos Elfos têm um caso. E a Rainha das Fadas me contou que Bernardo, Barbara e Bianca são filhos deles.

Jack riu com escárnio.

— Você só pode estar brincando com a minha cara, garoto — disse ele.

— Não creio que seja uma brincadeira, Jack — intrometeu-se Diana, aproveitando a situação para abalar o cerco dos híbridos. Seria sua oportunidade de conseguir uma brecha para fugir dali. — Faz sentido, não é?

— Você sabia disso, Jack? — perguntou George. — Parece uma ótima oportunidade para minar o grupo deles.

— Não vão envolver meus filhos nisso! — disse Jack. Seu rosto estava completamente vermelho e as mãos ainda seguravam com força o revólver em suas mãos. — Ben, por favor — ele falou para o filho —, leve esses dois para o meu escritório. Estarei lá em alguns minutos.

Bernardo apontou sua arma em direção a eles, e Jack lhe entregou a própria, para que ele acompanhasse ambos os garotos sob sua mira.

Chloé permanecia de pé perto da porta e Marina aparentemente em choque ainda em sua cadeira. Só teria uma chance para sair dali com elas.

Diana moveu suas mãos por debaixo da mesa, iniciando o feitiço. Enlaçou seu braço direito com Marina, e estendeu a outra mão para Chloé, que entendeu a deixa para vir em sua direção, entretanto, não foi rápida o suficiente.

Um feitiço de Kylie a arremessou contra a parede, fazendo suas costas estalarem com a pancada. Ficou presa ali, sem conseguir se mexer, a raiva fervilhando dentro de si, fazendo a desejar ver o sangue daquela mulher.

Herman Tedjo agarrou Marina, para que a garota não tentasse fazer nada, enquanto Chloé estava agora sob a mira do revólver de George MacMhata.

— É uma pena que não esteja conosco — disse Jack se aproximando dela. Seus dedos se enrolaram no colar em seu pescoço, roçando suavemente em sua pele. O pingente de rubi escorregou para fora de seu decote. — Mas se você não está comigo, então está contra mim.

Ele puxou a correntinha de ouro, que se partiu e desprendeu-se do pescoço da feiticeira. Jack guardou a joia no bolso de sua calça, e em seguida moveu os dedos no ar, preparando-se para lançar um feitiço contra ela.

— Vai se arrepender por isso — sentenciou Diana.

Quando a magia de Jack a atingiu, sentiu seu corpo atravessar o vácuo antes de desabar no chão sujo de um lugar desconhecido.

Não demorou para que Chloé também fosse materializada ali, completamente atordoada.

— Onde estamos? — perguntou a garota.

Diana fervilhou de ódio, seus punhos se fecharam e ela socou o chão de pedra duramente, sem se importar com a dor.

Sobre suas cabeças, um bilhete surgiu no ar, e caiu ao seu lado. Diana sequer se moveu, mas Chloé o tomou nas mãos e leu em voz alta:

— Sempre desconfiei que você não me apoiaria — entoou a garota. — Então criamos esse lugar à prova de magia especialmente para você. Aproveite as férias. Com amor, Jack White.

***

— Abra a porta e entre — ordenou Bernardo, na frente do escritório.
Zac apenas obedeceu, ainda sob a mira do garoto. Sua mão segurou a maçaneta e girou, empurrando a porta. Podia sentir a presença de Delwen ao seu lado, mas não ousava virar a cabeça para olha-lo.

Os três entraram e Bernardo empurrou a porta com o pé, fazendo ela se fechar sozinha ao bater. Eles se viraram com cuidado para Bernardo, temendo que ele acabasse atirando.

Ele segurava firmemente ambas as armas, e Zac não duvidava de que ele tivesse aptidão pra usar as duas ao mesmo tempo.

— Eu não queria que tivesse sido desse jeito — Zac tentou explicar.

— Cala a boca — foi o que recebeu como resposta.

— Eu fui obrigado a isso...

— EU DISSE PRA CALAR A DROGA DA BOCA — ele gritou.

Seu rosto estava vermelho, e a mandíbula cerrada. Ele respirava tão pesadamente que tornava seu ódio palpável, duro como uma pedra sobre a consciência de Zac.

— Vocês sabem o que fizeram, não sabem? — disse Bernardo. — Conseguiram expor minhas irmãs. E a mim também. E vocês sabem o que eu queria fazer com vocês agora?

— Nos matar — respondeu Delwen. Às vezes Zac desejava que ele guardasse a sinceridade pra si mesmo.

— Eu sequer acredito que confiei em você — disse Bernardo, dessa vez se referindo a Zac. Sua expressão demonstrava todo o seu asco em tê-lo ali na sua frente. — Pensei que fossemos amigos.

— Eu não queria...

— CALA A SUA BOCA! — ele gritou novamente.

Delwen deve ter notado um leve vacilo, pois antes que Zac pudesse entender o que estava acontecendo, o garoto fada arrancou de supetão uma das armas da mão dele e a descartou, ao mesmo tempo em que chutava a outra para longe de seu alcance.

Delwen avançou sobre Bernardo e o derrubou de costas no chão, começando a dar socos repetidamente em seu rosto.

— NÃO! — Zac gritou, e começou a tentar separa-los. — PARA, DELWEN!

Zac o puxou com força, jogando o corpo do garoto fada a um metro de distância. No mesmo instante, sentiu uma ventania varre-lo para longe, derrubando objetos dentro da sala e os espalhando pelo chão.

Todo o ar foi forçado para fora de seus pulmões enquanto Bernardo ficava de pé perto dele. Zac tentava, sem sucesso, inspirar, mas tudo o que conseguia era engasgar. Apoiou ambas as mãos no chão, sentindo sua visão escurecer. O coração batia descompassado dentro do peito e as lágrimas desciam de seus olhos sem que ele pudesse controlar.

Foi quando Delwen se levantou pelas costas de Bernardo, apontando uma arma em sua direção. Zac tentou gritar, mas nenhum som saiu de sua garganta. O único barulho foi o do estampido causado pelo disparo.

Bernardo caiu de joelhos, segurando a lateral do corpo que havia sido atravessada pela bala. Para a sorte dele, Delwen nunca havia atirado antes.

Com a distração de Bernardo, Zac conseguiu voltar a respirar, engasgando ao fazer isso, como se tivesse acabado de se afogar.

Estava pronto para se jogar sobre Bernardo e tentar curar seu ferimento quando foi agarrado pela cintura por Delwen e tirado do chão.

— Me solta!

— Não — respondeu o garoto fada enquanto abria a janela. — Vamos embora.

A visão de um Bernardo pálido pela perda de sangue foi a última coisa que Zac viu antes que Delwen pulasse a janela.

O garoto fada aterrissou suavemente sobre a grama, permanecendo de pé e seguindo andando como se nem tivessem saltado do segundo andar.

— ME SOLTA, DELWEN! — Zac se debatia, mas ainda era segurado com firmeza. — Ele pode morrer! Você viu o que você fez? Como você pôde?

Delwen ignorava o que ele dizia. As raízes da mangueira no quintal de Jack se afastaram e ele se jogou no vão entre elas, trazendo Zac consigo e o segurando firmemente, ainda que ele tentasse se soltar a qualquer custo.

Foram sair à beira de um monte no País Das Fadas, onde Delwen finalmente colocou o outro garoto no chão, dando-lhe então um abraço apertado.

Entretanto, a resposta de Zac foi empurrá-lo para longe, e em seguida dar-lhe as costas e sair andando a passos largos.

Delwen correu em seu encalço e o segurou pelo braço, mas Zac o puxou com força para fora de seu alcance.

— Tire suas mãos de mim! — disse ele. Seus olhos estavam marejados e as mãos cerradas em punhos. — Seu monstro! Selvagem!

E assim ele foi embora, correndo para o mais longe que conseguia.

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