11. Barganha (p.4)

Narcisa sentou-se em uma cadeira, com as pernas cruzadas. Uma das mãos fora pousada sobre a coxa, e a outra segurava seu celular. Ouviu com atenção o que Miguel e Arthur tinham para lhe dizer, e agora uma de suas sobrancelhas encontrava-se erguida, enquanto os lábios carnudos, coloridos com batom vermelho escuro, estavam comprimidos, formando uma careta de ceticismo.

— Ok, vocês estão indo encontrar Morselk — ela disse afinal —, mas estão pensando que eu sou Diana? Não faço favores a troco de nada.

— E o que você iria querer em troca? — indagou Miguel.

Ela deu um sorriso torto, e seus olhos azuis encararam Arthur.

— Você tem algo que eu quero.

Arthur se surpreendeu, e enrugou a testa, confuso.

— O que eu tenho?

Ela olhou de volta para Miguel. Estava bem claro que a negociação acontecia entre eles, e que Arthur era apenas um mero figurante naquele momento.

— Eu aceito ajudar vocês, porém, em troca, eu quero a espada e a bainha dele.

— Tudo bem — respondeu Arthur, sem hesitar. Se era o necessário para tirar seu irmão das mãos de Morselk, pagaria o que fosse preciso.

Narcisa sorriu satisfeita, mas sua animação se desfez quando Miguel se intrometeu.

— Não — ele disse. Seus olhos escuros estavam semicerrados, analisando a feiticeira com cuidado. — Por que você iria querer?

— Não interessa — ela rebateu. — É o meu preço, ou vocês aceitam, ou nada feito.

— Existe algum motivo especial para você querer a espada e a bainha? — Miguel sorriu confiante. — Algo me diz que valem mais do que imaginamos.

Arthur, que olhava para Miguel com o cenho franzido, intrometeu-se:

— Ela não vale nada — ele disse. — Eu mandei forjar, e Diana enfeitiçou, mas certamente é algo que poderia ser feito até por ela mesma — ele indicou Narcisa com a cabeça.

— Ele tem razão — disse Narcisa.

— Não, não tem — insistiu Miguel. — E a sua insistência só me faz ter mais certeza. E eu acho que você devia ter mais atenção, não reparou quem é o garoto? Irmão do Arthur e da Chloé.

Arthur não entendeu o motivo, mas Narcisa olhou para o Anjo de Terra com uma carranca, e empinou o nariz antes de falar:

— Meça suas palavras, e não se atreva a me ameaçar.

Miguel sorriu.

— Ora, não estou ameaçando! Só queremos sua ajuda para tirar Dean das mãos do meu pai.

O clima tenso permaneceu por alguns segundos, até que Narcisa respondeu a contragosto:

— Tudo bem, mas não pensem quem eu ajudaria de graça em outras circunstâncias. — Ela fixou seus olhos em Miguel. — E você, garoto, não se atreva a brincar comigo.

Miguel assentiu.

— Só preciso de mais uma coisa — ele adicionou. — Pra segurança deles, a minha memória precisa ser apagada, e eu suponho que você possa fazer isso.

Arthur pensou que ela protestaria, mas a feiticeira apenas assentiu.

***

Marina estava deitada em sua cama. As mãos debaixo do travesseiro enquanto ela encarava o teto. Chloé não estava no quarto naquele momento, e a garota pensou em talvez procurá-la para conversar. Tentar aliviar um pouco da tensão que pressionava seu peito.

Alguém bateu na porta e Marina se levantou rapidamente — rápido até demais, considerando que sua visão escureceu e ela precisou se apoiar na parede por um momento, fechando os olhos até que aquela sensação passasse. As batidas se repetiram com a demora.

— Só um minuto — disse ela, se desprendendo da parede e indo até a porta com uma das mãos na cabeça.

Bárbara estava de pé do outro lado. Sua cabeça estava baixa, enquanto ela digitava algo no celular, o brilho da tela iluminava sua face, deixando sua pele ainda mais branca. Ela ergueu o rosto quando a porta foi aberta, dando a Marina a visão de um par de olhos cristalinos e seus cabelos loiros curtos pendendo sobre a testa.

— Meu pai pediu pra avisar que a reunião com os líderes híbridos foi marcada para amanhã às oito da noite. — Bárbara a olhou criticamente, e Marina achou que isso perecia um pouco ofensivo, porém logo se deu conta de que a garota parecia tratar a todos assim. — Eu não sei porque ele mesmo não veio falar com você, mas o recado está dado. Tchau.

E assim ela deu-lhe as costas e seguiu pelo corredor em direção às escadas. 

Marina esperou que ela desaparecesse completamente para fechar a porta e sair pelo corredor em direção ao quarto de Miguel, já que ele havia dito que queria saber quando a reunião fosse marcada.

***

Os dedos longos de Delwen desembarcavam os fios da cabeça apoiada em seu colo, enquanto o garoto, esticado na cama, se enrolava em um edredom.

— Pra que sair da cama — disse Zac —, se não temos absolutamente nada pra fazer?

— Temos que pensar sobre como vai contar sobre as crianças — corrigiu Delwen. Suas costas estavam apoiadas na parede, a as folhagens que formavam seus cabelos pendiam sobre Zac quando o garoto fada baixava a cabeça para falar com ele.

— Você tem razão. — Zac se remexeu, virando o corpo e ficando de barriga para cima. — Eu estou nervoso com isso.

Delwen ofereceu-lhe um sorriso torto.

— Acho que talvez precise relaxar um pouco. — Os dedos morenos da fada deslizaram pelo braço de Zac. — Aliviar essa tensão.

— Acho que não dev... — Zac começou a falar, mas foi interrompido. Os lábios de Delwen foram pressionados contra os dele e, um segundo depois, seu corpo já estava sob o corpo da fada, as mãos dele tocando sua pele por debaixo da camisa.

Beijos foram distribuídos pelo seu queixo, seguindo o caminho de sua mandíbula até o pescoço. Zac fechou os olhos, e ao entreabrir a boca, ele suspirou, enquanto sentia os pelos de seu braço se eriçarem.

— Eu amo você — Delwen sussurrou próximo ao seu ouvido.

Zac riu e falou baixinho:

— Acho que posso confiar que está falando a verdade. — Ele beijou a pele morena do pescoço de Delwen, sentindo o calor da superfície ao ser tocada. — Ouvi dizer que fadas não mentem.

Ele se afastou alguns centímetros, apenas o suficiente para olha-lo nos olhos, e sorriu.

— Ouviu certo.

Foi enquanto Delwen brincava com o cós de sua calça que quatro batidinhas sequencias foram dadas na porta. Ele encarou Zac com o cenho franzido e sussurrou:

— Quem pode ser?

— Eu não sei, mas é melhor você se esconder.

Delwen se sentou, olhando ao redor.

— Onde?

Zac já se levantava da cama, se aproximando da porta. Apontou para debaixo da cama, e Delwen escorregou para lá, desaparecendo sob o colchão.

As batidas na porta se repetiram, e ele a destrancou e girou a maçaneta para abri-la apenas parcialmente.

Marina estava do outro lado, usando um vestido verde que dava uma grande visão da parte superior de seus seios.

— Eu preciso falar com Miguel.

— Ele não...

— Eu estou aqui. — Miguel surgiu do lado esquerdo dela, vindo do quarto do Arthur. Zac moveu a cabeça de um lado pro outro minimamente em uma discreta negação, e o garoto sabia o motivo. — Chloé está no quarto? Podemos nos falar lá?

— Ela não tá — respondeu Marina.

— Vamos então — Miguel pôs uma das mãos no ombro da garota, e virou o rosto para dar uma piscadela de cumplicidade para Zac antes de sair.

Ele trancou a porta novamente e suspirou aliviado enquanto Delwen deslizava pelo chão, saindo de seu esconderijo.

— Está cheio de poeira — disse Zac, limpando sua bochecha.

O garoto fada deu um sorriso torto.

— Então acredito que um banho cairia bem agora.

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