11. Barganha (p.3)

— Eu não sei como poderemos chegar até Londres — disse Arthur. — Se formos por canais de água, vão nos rastrear de Alexandria.

Estava sentado na beira da cama de Miguel enquanto os outros procuravam por roupas para vestir. Exceto Delwen, que permanecia em seu lugar na cama de Zac, examinando Arthur com tanta atenção que até o deixava desconfortável.

— Poderia pedir a Diana — sugeriu Zac. — Agora ninguém poderia te dizer que foi só um sonho, ja que ele te ligou.

— Diana se esgotou quando nos trouxe aqui — disse Miguel. — Duvido que já esteja cem por cento, e se estivesse, não sabem se ela colocaria a si mesma e Arthur em risco.

— Por que essa Diana hesitaria? — questionou Delwen, pela primeira vez entrando no assunto.

— Ela namora com Arthur — disse Miguel.

— A gente não namora! — rebateu Arthur constrangido.

— Perdão — Miguel pôs uma mão sobre o coração com ironia, e virou-se para Delwen afim de corrigir sua resposta: — Eles tem um caso tórrido, porém indefinido.

— Narcisa — disse Zac, enquanto vestia uma camisa cinza com mangas pretas. Sua voz saiu abafada pelo tecido, mas não incompreensível.

— Eu não sei se ela ajudaria. — disse Arthur. — Por que ela faria isso?

— Ela já ajudou uma vez — apontou Miguel.

— A pedido de Diana, mas ela claramente não vai com a minha cara.

— Não custa tentar — disse Miguel, e suspirou.

***

Tamela Okorie bateu suas unhas compridas sobre o tampo da mesa. Ela quase não entrava no assunto da conversa que Diana mantinha com Jack, e sua impaciência era óbvia.

A Marina apenas restava observa-la, já que não entendia o idioma no qual falavam. O cabelo crespo de Tamela estava preso em um coque atrás do pescoço, usava brincos de argola dourados tão grandes que chegavam a tocar seus ombros. Sua boca era carnuda, seu nariz largo e ligeiramente curvo para cima. Os olhos verde-fluorescente eram circundados por uma grossa massa de cílios negros e as sobrancelhas levemente falhadas, sendo uma delas dividida por uma pequena cicatriz.

Ela percebeu que estava sendo observada ao olhar para o lado e se deparar com os olhos de Marina fixos em seu rosto. Seu constrangimento estava explícito, embora ela tenha tentado disfarçá-lo.

I think they might be late, it would be better if I settled in while I wait and we set the meeting when they all arrive — disse ela, afinal, e mais uma vez, Marina não entendeu uma palavra sequer.

Of course — disse Jack — As you wish, Tamela. Under other circumstances I would offer my house, but the rooms are occupied.

Don’t worry, Jack. — ela levantou-se, empurrando a cadeira para trás ao fazê-lo, e gerando o ruidoso som da madeira rangendo sobre o piso. — I'm sure I'll find a hotel nearby. — Ela olhou para Diana e Marina com simpatia. — It was a pleasure to meet you. — Ela olhou para Jack outra vez. — Would you accompany Me to the exit?

Ele assentiu e se levantou, estendendo o braço para ela. Marina olhou para Diana confusa, e a feiticeira pôs o dedo indicador em frente a sua boca, pedindo silêncio.

Diana bateu duas vezes em uma de suas orelhas. A magia brilhou enquanto ela amplificava a própria audição, afim de ouvir a conversa.

Is something wrong? — Jack perguntou.

She's just a girl — respondeu Tamela. — A child, Jack. She can't imagine what she's getting involved in. Maybe that's a mistake.

We'll talk about this later. — respondeu Jack, em tom sério, e, depois disso, nada mais foi dito.

Diana retirou a magia que havia feito enquanto Marina sussurrava para ela:

— O que eles estão dizendo?

— Tamela te acha jovem demais pra se envolver nisso. — Diana pareceu pensativa. — Estou predisposta a confiar mais nela do que em Jack, se for preciso.

— E o que isso significa?

— Não se preocupe, apenas confie em mim, e em mais ninguém.

***

Arthur encerrou a ligação e olhou para Miguel, que estava sentado próximo ao pé de sua cama. Pouco antes, fora decidido que seria melhor falar com Narcisa sem Zac e Delwen por perto, e considerando o fato de que não dava pra simplesmente sair deslocando o garoto fada sorrateiramente pela casa de Jack sem correr o risco de serem vistos, estavam agora no quarto de Arthur.

— Ela não ficou muito feliz em ouvir minha voz — disse Arthur, coçando a nuca. — Mas disse que vem.

Miguel riu suavemente.

— Ah! Eu entendo ela perfeitamente.

Arthur se sentou sobre uma cadeira no canto. Passou os dedos nos cabelos, jogando para trás os fios escuros que teimavam em pender sobre os olhos.

Observou Miguel sentado no chão, descalço. As mãos morenas arrancando as bolinhas que o algodão gasto de sua camisa havia formado. Os cachos de seus cabelos já estavam tão compridos que assim, de cabeça baixa, até cobriam parte de seu rosto.

— Eu queria que tivesse outra opção — disse Arthur. — Eu não queria que você fosse embora, mas imaginar meu irmão nas mãos do seu pai... Ele é só uma criança.

Miguel ergueu a cabeça em sua direção, sustentando um olhar sério e determinado.

— Sei disso.

— Eu nunca te odiei — Arthur engoliu em seco. O que estava falando? — Pelo menos, não de verdade. É só que...

— Você tem ciúme da Chloé e não sabe se controlar — completou ele, voltando a atenção novamente para as bolinhas de sua camisa, como se tivesse entediado.

Arthur balançou a cabeça incrédulo.

— Até quando eu tento ser legal, você não ajuda.

— Sentimentalismo agora, Arthur? — Miguel ergueu a cabeça para ele e sorriu, entretanto, não parecia verdadeiramente feliz. — Se estiver prestes a admitir que esse tempo todo você tinha uma quedinha por mim, já aviso que você não faz meu tipo.

— Você é como o Tony Stark — Arthur disse. — e eu sou o Steve Rogers. Sabe, em Guerra Civil, quando eles brigam por ter pontos de vista diferentes.

Recebeu um olhar entediado como resposta.

— Não gosto muito da Marvel, prefiro DC. Não espere que eu saiba exatamente do que você está falando. — Ele deu de ombros. —  Ou talvez eu saiba, e simplesmente não me importe o suficiente pra dar atenção.

Arthur não conseguiu segurar o riso.

— Você é desagradável, mas tenho certeza de que não me odeia também.

— Seu ego te ilude.

Arthur estava prestes a responder quando foi interrompido por batidas na porta. Ele se levantou para abri-la e Narcisa invadiu o quarto, estalando seus saltos no piso enquanto andava.

— Bom, eu estou aqui — ela disse. — E não tenho o dia inteiro a disposição. O que querem?

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