10. Feridas Abertas (p.3)
Zac estava deitado na cama, ainda quebrando a cabeça sobre para quem deveria contar sobre os filhos de Jack serem híbridos, quando ouviu três batidas na janela do quarto. Levantou-se rápido, achando que poderia ser Delwen, e estava certo.
Ele pulou para dentro e se encostou em Zac para um beijo. Zac sentiu alguns pingos de água escorrerem do cabelo dele e molharem sua pele, e imaginou que estava chovendo lá fora.
— Estava sentindo sua falta — sussurrou Delwen, enquanto o fazia dar passos para trás, até que ambos caíram juntos sobre a cama.
Zac rolou até que ficasse sobre ele, e o prendeu entre seu corpo e o colchão apenas com o próprio peso. Baixou a cabeça para beija-lo outra vez e sentiu o gosto doce e delicado de bebida de fada. Passou a mão pelo cabelo dele, para sentir a textura diferente que tinha. Gostava da sensação de pequenas folhagens entre os dedos.
Delwen tinha ambas as mãos sob sua camisa e eles se beijavam intensamente quando a porta do quarto se abriu. Zac se sentou em um pulo e Delwen se apoiou nos cotovelos para ver quem tinha chegado.
— Sinto muito por interromper, apesar de ser muito grato por chegar antes que vocês começassem a tirar a roupa — disse Miguel. — Mas acho que encontrei a solução pro seu problema, Zac.
— O quê? — perguntou ele, escorregando as pernas para fora da cama e tentando arrumar os próprios cabelos, que não paravam de cair sobre o rosto.
— Vai haver uma reunião com os principais líderes dos híbridos aqui. Eles virão para ver Marina, provavelmente.
— Quando? — perguntou Delwen, que permanecia deitado. Ele estava de lado, com a cabeça apoiada na mão esquerda para que pudesse olhar para Miguel enquanto falava.
— Ainda não sei, Fadinha, mas em breve, ao que tudo indica. Não vão querer perder tempo. Eles vão fazer uma reunião e você — Miguel apontou para Zac — vai invadi-la pra contar tudo o que sabe.
Zac levou as mãos a cabeça, enterrando os dedos em seus fios de cabelo loiro.
— Jack vai me matar.
— Não — disse Delwen balançando a cabeça, seus olhos amarelos olhando-o fixamente. — Eu vou te tirar daqui antes que isso aconteça.
***
Arthur acordou as cinco horas da manhã. Ele olhou para o lado, mas Diana já não estava mais lá.
Passou a mão pelos cabelos e suspirou. Ainda podia sentir o cheiro doce dela ali, e quando imaginava o toque macio de sua pele sob seus dedos, era quase palpável. Ele fechou os olhos e suspirou mais uma vez.
Ouviu o barulho da chuva que caía lá fora e imaginou se não seria um bom dia para ficar na cama o dia inteiro, porém, lembrou-se de que precisava conversar com Miguel sobre o pai dele. Sobre a proposta de troca.
A contragosto, caminhou até o banheiro, sonolento, bocejando duas vezes antes que chegasse lá. Despiu-se de sua cueca, a única peça que usava naquele momento, e abandonou junto do monte de roupa molhada da noite anterior.
Arthur abriu o registro e o chuveiro cuspiu água gelada, na qual ele entrou sem pensar duas vezes. Ensaboou-se e usou um shampoo que já estava ali no box para lavar os cabelos. Sentiu algumas pontadas de dor no peito e na barriga, mas já haviam diminuído significativamente.
Desligou o chuveiro e usou uma toalha para se secar, enrolando-a em sua cintura por fim, antes de voltar para procurar uma roupa no quarto. E ainda bem que ele fez isso, pois havia alguém esperando por ele lá.
— Não pode entrar assim no quarto das pessoas — disse para Narcisa. — Eu poderia estar totalmente pelado, considerando que a porta estava trancada.
Ela estava deitada de bruços sobre sua cama, usando um vestido roxo escuro exageradamente justo — ainda que ele tivesse que confessar que tal cor caía-lhe muito bem. O batom vinho era um destaque sobre a pele pálida de seu rosto.
— Não seria o primeiro homem que eu veria nú na vida. — Ela deu de ombros, enquanto brincava com uma mecha de seu cabelo loiro. — Depois de um tempo, a visão em si perde até a graça.
Ele olhou com uma careta para ela e pegou sua mochila próxima à cabeceira da cama. Ajeitou a toalha na cintura, para ter certeza de que ela não cairia acidentalmente, e começou a procurar por uma roupa para vestir.
— O que está fazendo aqui? — perguntou ele, enquanto puxava uma calça jeans para fora da bolsa.
Ela balançou um frasco de vidro que tinha em sua mão. O recipiente continha um líquido de cor âmbar.
— A segunda, e última, dose da poção Costura-Alma.
— Essa coisa nojenta outra vez? — Arthur fez uma careta.
Narcisa apenas deu de ombros e ele pegou a poção que ela lhe oferecia. Ele desenroscou a tampa e tomou de uma vez, antes que perdesse a coragem, suprimindo o intenso desejo de vomitar que causava.
Jogou o frasco de volta para ela e voltou para o banheiro com suas roupas e uma escova de dentes. E quando ele saiu, dessa vez vestido, ela já não estava mais lá.
Arthur pegou seu celular debaixo do travesseiro e o enfiou no bolso antes de sair do quarto.
Ainda não havia movimentação na casa, e, ao que parecia, todos ainda estavam dormindo.
Ele andou pelo corredor onde ficavam os quartos, sem saber qual das portas o levaria ao de Miguel. Pensou em bater, mas sentiu vergonha. E se acabasse acordando justamente um dos filhos de Jack? Não, isso seria constrangedor.
Ele andou de um lado para o outro até que viu uma das portas se abrir. Bárbara White saiu em suas tradicionais roupas pretas, com um par de fones pendurados sobre os ombros. Ela não pareceu vê-lo, então Arthur aproximou-se dela a passos largos, antes que ela alcançasse a escada.
— Bárbara — ele chamou em um sussurro alto. Estava tentando não fazer escândalo. — Bárbara!
Ela virou-se para ele levemente surpresa, como se não esperasse ver alguém acordado tão cedo.
— Sim?
— Você sabe qual é o quarto de Miguel?
— É o terceiro à partir daqui. — Ela apontou na direção da porta, e Arthur já ia se afastar para entrar lá, quando ela interrompeu: — Espera! — disse ela. — Não quer tomar café da manhã comigo? Tenho que ir tomar conta da cafeteria, e seu amigo deve estar dormindo ainda.
Arthur deu de ombros e a seguiu. A conversa podia esperar, ainda mais porque ele ainda não estava com tanta coragem assim.
Desceram até o andar de baixo em silêncio. Bárbara destrancou a porta que dava acesso ao Café com Tequila — nome que Arthur achara estranhíssimo. O bar cheio de luzes da noite anterior havia se transformado em uma cafeteria, com uma decoração que remetida a doces e pães. Imaginou que Jack usava um toque de mágica para efetuar as mudanças.
— Por que acordou tão cedo? — perguntou Bárbara enquanto abria a porta da frente. Lá fora ainda estava escuro e chuviscava.
— Não sei dizer — respondeu ele e deu de ombros. — Eu simplesmente acordei.
— Deve ser por ter dormido cedo ontem — sugeriu ela. — Você sumiu desde que terminou o jantar.
Arthur conteve um sorriso. Não tinha dormido cedo, na verdade, mas preferiu não comentar sobre isso, e apenas assentiu.
— Você toma café? — perguntou Bárbara, buscando um par de xícaras.
— Sim.
— Ainda bem — disse ela, enquanto começava a prepara-lo. — Pessoas que não tomam café são estranhas.
Arthur riu. Chloé odiava café.
— Não tão estranhas assim — disse ele, ao mesmo tempo em que o celular começava a vibrar no bolso de sua calça. Quem estaria ligando para ele depois de todo o tempo que ficou sem usar o aparelho?
O número exibido na tela era desconhecido.
— Alô? — ele disse ao atender.
— Até que enfim — disse uma voz grave do outro lado da linha, e Arthur sentiu os pelos de sua nuca se arrepiarem. Quase poderia sentir o hálito fedendo a uísque atravessar o telefone.
Era Morselk.
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