7. Um Novo Aliado (p.4)

Chloé olhou surpresa para ele.

— Como?

— É obvio, não é? — falou Miguel. — Metade feiticeira e metade anjo de fogo.

Arthur quase suspirou. Miguel ainda acreditava que Lívia fosse filha de Diana.

— São proibidos aqui — continuou Miguel. — Por isso tanto segredo.

— E o que vai fazer sobre isso, anjinho? — perguntou Diana franzindo o cenho.

Miguel deu de ombros.

— Nada. Eu prometi que se me trouxessem aqui não contaria nada. Além do mais, não tenho nada haver com isso.

— Então por que quis tanto vir? — Arthur perguntou.

Miguel recostou-se no sofá, a boca curvada em um sorriso torto.

— Digamos que eu gosto de saber das coisas.

— Saber é poder — concluiu Diana.

O sorriso de Miguel se alargou.

— Exato.

— Mas de que adianta saber se não pode contar? — Lívia perguntou.

— Sempre é bom saber das coisas, Lívia. — Foi Diana quem respondeu. — Nunca se sabe quando uma informação vai ser útil. — Ela virou-se para Miguel. — Inteligente, estrategista. Gosto disso.

Arthur ficou realmente surpreso com o comentário. E não só ele, aparentemente Lívia, Chloé e Miguel também estavam.

— Não que me agradem os elogios de uma feiticeira — rebateu ele.

Mas Diana apenas riu, com aquele sorriso debochado que indicava que apesar de tudo ela estava se divertindo com a situação.

— Bom, Chloé confia o suficiente em você pra me desafiar e traze-lo ate aqui. — Diana censurou Chloé com o olhar. — Espero não me decepcionar com você. Não vai gostar de ver uma feiticeira irritada, ainda mais por mexer com a minha filha.

Miguel empinou o nariz ofendido.

— Eu não sou perjúrio.

— Ótimo! Não teremos problemas então. — Diana encaminhou-se para a porta. — Continuem com a conversa. Finjam que não estive aqui.

Arthur ficou olhando enquanto ela saiu, sem entender muito bem.

— Isso foi estranho — disse Miguel e quando Arthur olhou para ele viu que ele também olhava confuso para a porta por onde Diana havia acabado de sair.

— Só um minuto — disse Arthur e foi atrás dela.

A alcançou em um corredor a caminho de seu quarto.

— Então esta tudo bem um Anjo de Terra saber que Lívia é hibrida — perguntou ele.

Ela virou-se para olha-lo antes de responder.

— Não, não está. Ele é muito ardiloso e não vai se deixar enganar por qualquer mentira — ela disse caminhando em direção a Arthur —, mas se parar pra pensar, ele pode ser util. Ouviu o que ele disse, não ouviu? Miguel gosta de saber de coisas que outras pessoas não sabem. Gosta de estar um passo a frente de todo mundo.

— Mas ele não é confiável, Diana — falou Arthur passando uma das mãos pelo braço descoberto da feiticeira.

Ela arqueou uma das sobrancelhas.

— Sua irmã parece considera-lo suficientemente confiável.

— Diana...

— Olha, Arthur — ela interrompeu pondo a mão suavemente na lateral de seu rosto —, é melhor tê-lo conosco do que contra nós. Já ouviu a frase "se não pode com o inimigo, junte-se a ele"?

— Já, mas tem uma outra que diz "É melhor ter mil inimigos fora de casa do que um único dentro dela".

Ela sorriu, ficou na ponta dos pés e o beijou rapidamente nos lábios.

— Mas só se ele for um inimigo.

* * *

— Agora que os dois saíram, vamos nos entender por aqui — disse Chloé quando os passos de Arthur já não podiam ser ouvidos. Ela arrancou um elástico do pulso e começou a prender o cabelo de volta em um coque — Livy, apenas ignore qualquer coisa que Arthur tenha dito sobre Miguel. Esses dois — ela deu um tapa de leve no braço do namorado — tem uma implicância sem sentido um com a cara do outro.

— Apenas não gosto de pessoas que agem como idiotas todo o tempo — justificou Miguel.

— Arthur não é um idiota — defendeu Lívia.

Miguel deu um sorriso torto.

— Certamente não para você, é claro, afinal, ele é seu namorado. Apesar de eu achar estanho ele ter corrido atrás da feiticeira ha apenas alguns instantes.

— Lá vem você de implicância de novo — repreendeu Chloé. — Arthur é impulsivo.

— Tudo bem. — Miguel ergueu as mãos em desistência. — Certo, você não tem culpa pela pessoa retardada que Arthur é. Então acho que podemos nos dar bem.

— Acho que sim — disse Lívia com um leve sorriso. De fato, Chloé tinha razão, Miguel não parecia tão ruim quando você parava de vê-lo pelo ponto de vista de Arthur.

— Desculpe falar sobre isso agora — disse Chloé para Miguel meio embaraçada. — Achei que não gostasse de híbridos.

Miguel balançou a cabeça.

— É meio complicado...

— Complicado por que? — perguntou Lívia, começando a pensar que poderia estar enganada sobre ele. Ela ergueu as sobrancelhas. — Ou você gosta, ou não gosta.

— Eu não tenho nada contra. O problema é meu pai, que detesta híbridos e feiticeiros. Os outros ele apenas ignora. Digamos que eu tenha que fingir na frente dele — ele fez careta. — Se ele souber que não estava treinando hoje porque vim até a casa de uma feiticeira ele vai enlouquecer comigo.

— Então o maior problema é que você tem medo do seu pai? — disse Chloé, parecendo sinceramente surpresa.

— Eu tenho respeito pelo meu pai — corrigiu ele. — O fato de eu não concordar com ele não quer dizer que eu vá discutir por isso. Tenho certeza de que ele tem os próprios motivos.

Lívia o olhou com as sobrancelhas arqueadas.

— Então você aceita isso sem nem ao menos tentar descobrir quais são os motivos dele?

— Ela tem razão — disse Chloé. — Pode ser que seja pura implicância, igual a você e Arthur.

Ele balançou a cabeça.

— Ele têm motivos reais, eu tenho certeza — ele afirmou e começou a apertar os próprios dedos, de um jeito que incrivelmente lembrava Arthur quando estava nervoso. Talvez as pessoas frequentemente tivessem reações parecidas. Não que Lívia conhecesse muitas pessoas. — Eu só não sei quais são.

— Se você diz — disse Chloé, dando de ombros antes de apoiar novamente a cabeça no colo do namorado.

A porta se abriu e Arthur estava de volta, parecendo aturdido por todos estarem olhando para ele.

— O que foi?

— Nada, só estamos te olhando — respondeu Chloé.

— Admirando minha beleza? — perguntou ele sentando-se na beira da cama.

Miguel balançou a cabeça incrédulo.

— É por esses comentários inúteis que você me irrita.

Lívia riu.

— Calma, Miguel — ela disse. — É só uma brincadeira, leva nunca boa.

Chloé balançou a mão como se estivesse espantado um mosquito.

— Nem tenta, já tentei fazer esses dois conversarem. Acredite não dá. Eles parecem duas crianças.

A resposta veio em dobro quando os dois disseram ao mesmo tempo "Eu não sou criança."

— Tá vendo! Já estão até falando igual — Chloé apontou. — Se tivessem um pouquinho de força de vontade poderiam ser melhores amigos.

— Eu tenho uma proposta — disse Lívia e os outros olharam interrogativos para ela. — Temos um segredo em comum agora, somos aliados. Por que vocês dois não apertam as mãos e tentam pelo menos conviver sem ofender um ao outro constantemente?

Eles entreolharam-se considerando a possibilidade, e por fim Arthur estendeu a mão para o outro.

— Trégua?

Miguel assentiu e apertou firmemente a mão de Arthur.

— Feito.

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