7. Um Novo Aliado (p.3)
Diana invadiu o quarto de Lívia enquanto ela continuava focada no livro. A menina ergueu os olhos para a madrinha que parecia irritada.
— O que aconteceu? — Lívia perguntou.
— Eu vou matar Arthur e Chloé.
— Você o que?
— Eles estão trazendo o namoradinho de Chloé pra cá, e você vai ter que fingir que é feiticeira, e minha filha. — Ela passou as mãos pelo cabelo. — O garoto ainda é justamente o filho do representante dos Anjos de Terra no conselho.
— Quem? O que isso significa?
A feiticeira suspirou.
— O líder dos Anjos de Terra. Uma das pessoas que gostariam de te ver morta.
Lívia ergueu as sobrancelhas.
— É Miguel, não é? O namorado da Chloé. Pelo que eu entendi, Arthur detesta ele.
— Eu não sei o nome do garoto — disse Diana impaciente, indo ate o guarda roupas de Lívia e começando a remexer nas roupas sem pedir permissão. — Mas agora vamos ter que tentar ficar parecidas. Acha que consegue tentar agir como uma feiticeira?
— Bom, você é a única feiticeira que eu conheço, mas acho que consigo te imitar. — Lívia sorriu para a madrinha. — Pode me arrumar, Mãe.
— Acho que faremos um joguinho juntas hoje, filha — disse Diana com um sorriso torto, trazendo para ela um de seus vestidos, o azul escuro decotado de seda, com uma saia solta e uma faixa que marcava a cintura.
Em quinze minutos Lívia já certamente parecida com Diana. Unhas compridas, o vestido, anéis nos dedos, seu colar de agua marinha, o cabelo trançado e o rosto maquiado, incluindo o batom vermelho idêntico ao que Diana usava.
Lívia olhou-se no espelho e gostou do que viu. Já tinha pensado em pedir a Diana para ajuda-la a se arrumar, mas não imaginava o quão diferente ficaria. Ela parecia mais velha.
O vestido fazia seu corpo parecer mais curvilíneo do que realmente era. Seus cabelos continuavam como sempre, extremamente longos e escorridos, que enrolavam nas pontas, mas se destacavam sobre o azul da roupa. Seu colar de água-marinha aparecia sobre o decote do vestido e ela jogou o cabelo pra trás afim de deixa-lo exposto. O batom vermelho engrossava seus lábios, tornando-os o foco do rosto.
— Eu adorei — disse Lívia para Diana. — poderia me vestir assim todos os dias.
Diana deu de ombros.
— Você pode. Qualquer coisa que quiser é só me pedir.
Nesse momento ouviram o som de batidas na porta.
— São eles — disse Diana se levantando. — Prepare-se. Vou atender a porta.
— Não — interrompeu Lívia passando na frente dela. — Eu atendo.
Lívia viu Diana assentir as duas foram para a sala, onde a feiticeira esticou-se no sofá enquanto Lívia adiantava-se até a porta.
Ela endireitou a postura e abriu.
* * *
Arthur e Chloé conseguiram enrolar Miguel falando que Lívia era realmente filha de Diana. Fizeram-no jurar segredo, e isso despertou a curiosidade dele, que insistiu em conhece-la se quisessem que ele realmente ficasse calado. Isso não agradou a Arthur, mas Chloé aceitou. E foi Arthur quem teve que dar a notícia a Diana, que agora provavelmente estaria muito irritada com ele.
Arthur estava aflito. Não confiava em Miguel, ainda mais depois de descobrir que ele e filho de Morselk.
Era uma péssima ideia, ele sabia, mas negar leva-lo ate Lívia só o deixaria ainda mais desconfiado.
Já estavam à porta de Diana, e Arthur bateu tentando parecer casual. Pôs as mãos nos bolsos e esperou para ver se recebia um comentário sarcástico de Miguel, e não se descepcionou.
— Você ainda não me disse se prefere a morena ou a ruiva — disse ele e riu.
Arthur se segurou para não responder. Logo a porta estava sendo aberta, para a surpresa de Arthur, por Lívia.
Ele não conseguiu conter a reação de surpresa e ergueu as sobrancelhas. Ela estava incrível, e de alguma forma, Diana aparentemente conseguiu fazer a afilhada parecer com si mesma.
— Olá, meu amor! — cumprimentou Lívia e beijou Arthur levemente na boca enquanto ele continuava estarrecido. — Chloé! — Ela a beijou nas bochechas e virou-se para Miguel franzindo o cenho. — Olá. Perdão, nos conhecemos?
— Esse é meu namorado, que eu te falei — disse Chloé entrando no jogo de Lívia. — Arthur disse que vinha te ver, então achei que seria legal se passássemos o dia juntos. Fiz mal?
— De jeito nenhum! — Lívia exclamou. Ela estava sendo extremamente simpática e charmosa. — Você deve ter ouvido falar de mim, sou Lívia Hervon. — Ela estendeu a mão para ele beijar, um gesto muito típico de Diana. — Você deve ser Miguel.
— Miguel Bellator — ele respondeu, sendo educado de uma forma que Arthur não achava que Miguel fosse capaz.
Arthur não estava esperando por toda essa atuação, mas resolveu entrar na brincadeira. Puxou Lívia para perto e a beijou no rosto. Ela cheirava a flor de macieira, o que significava que ela também estava usando o mesmo perfume que Diana.
— Ah, que mal educada! — disse Lívia. — Não convidei vocês pra entrar. Venham... — Ela puxou Arthur pela mão incentivando os outros. — Minha mãe está na sala, vou apresentar vocês pra ela.
Eles entraram e como dito por Lívia, Diana estava esticada no sofá com um livro nas mãos, que fechou imediatamente quando viu os adolescentes.
— Mas o que é isso? — questionou ela olhando feio pra Chloé e Miguel. — Quem são vocês?
— Mãe, essa é Chloé, minha cunhada — informou Lívia, ainda sem soltar a mão de Arthur, apesar de parecer completamente tranquila, o toque frio e úmido deixava transparecer seu nervosismo. — e Miguel, Anjo de Terra, o namorado dela.
Diana fez cara de nojo para Miguel.
— Anjo de Terra, é? Interessante.
— Você deve ser Diana Branwen. Satisfação em conhece-la — disse ele educadamente.
— Não queremos incomodar sua leitura, mãe — Lívia disse e estalou os dedos da mão livre, que surpreendeu Arthur ao soltar faíscas, como se ela realmente pudesse fazer magica. Ele olhou rapidamente para Diana e viu uma expressão quase imperceptível de diversão passar por seu rosto. — Vamos para o meu quarto.
Arthur foi o primeiro a se jogar na cama e Lívia sentou-se ao lado do seu corpo. Chloé sentou-se em um sofá com dois lugares recém colocado no canto, mas Miguel permaneceu de pé, olhando o lugar com curiosidade.
— Por que não se senta? — sugeriu Lívia com um tom autoritário e o cenho franzido, indicando mais uma ordem do que uma sugestão.
E Miguel acatou, sentando-se ao lado da namorada, parecendo desconfortável com a tensão no ar.
— Então... — Lívia falou descascando o esmalte vermelho do canto de uma das unhas. — O que faz da vida, Miguel?
Ele ajeitou a postura antes de responder.
— Treino, basicamente. Estudo também, faço viagens, conheço e aprendo sobre outros lugares, tenho lições de luta com humanos. No geral é o suficiente pra ocupar meu tempo.
Lívia lançou-lhe um olhar de desdém.
— Interessante, mas por que?
— O que? — Miguel parecia sinceramente confuso, o que deixava Arthur consideravelmente satisfeito.
— Está esperando uma guerra?
— A guerra não é uma expectativa, é uma realidade. Você mais do que ninguém deveria saber disso.
Arthur ficou tenso, e ao olhar para a irmã viu que ela também estava, mas Lívia continuava a mesma.
— Por que eu devo saber mais do que ninguém? — perguntou ela arqueando as sobrancelhas.
Miguel pareceu exasperado.
— Porque sua mãe é feiticeira. Quantas guerras você acha que ela já viu? Não morro de amores por vocês feiticeiros, mas tenho certeza de que são inteligentes o suficiente para saber que sempre há guerra — respondeu ele enquanto Chloé deitava a cabeça em seu colo e colocava as pernas sobre o braço do sofá. Ele imediatamente soltou o elástico do cabelo dela e começou a desmanchar os cachos delicadamente com os dedos. — Você tem um cabelo bonito — comentou ele. — Seu pai é ruivo como você?
— Minha mãe me contou que minha avó e minha tia eram ruivas como eu — comentou distraidamente, brincando com as pontas do cabelo. — E você tem razão, meu cabelo é realmente lindo.
Miguel deu um sorriso torto.
— Você é linda como um Anjo, não só o cabelo.
Então era isso, Arthur pensou, foi por isso que ele insistiu tanto em vir. Miguel não estava flertando, ele certamente desconfiava que ela fosse hibrida.
— Está flertando com minha namorada com a sua do lado? — Perguntou Arthur se sentando, a abraçando de lado e beijando no rosto. — Chloé, bata nele!
Chloé o beliscou e Miguel riu. Arthur ergueu as sobrancelhas em surpresa, jaz que nunca havia o visto rir sem que fosse sarcasmo.
— Não estou flertando. Só sendo gentil — justificou Miguel. — Além do mais, não sou como você. Não tenho a necessidade irracional de ter um punhado de namoradas.
— Lembre-se que é do meu namorado que esta falando — alertou Lívia.
Miguel deu um sorriso torto que não agradou Arthur.
— Ah, mas você deve conhecer a fama do seu namorado. Parece que metade das meninas que encontro na rua estão o xingando porque são suas ex.
— Que exagero! — exclamou Arthur.
Lívia riu.
— Eu poderia dividi-lo se fosse preciso. — Ela olhou para Arthur e deu um sorriso malicioso. — Desde que ele me dividisse também.
— Que isso! — Chloé riu ainda deitada.
— Não me surpreende — Miguel deu de ombros — vindo de uma feiticeira.
— Não gosta de feiticeiros, não é? — Lívia disse. — Não me surpreende. Vocês Anjos só gostam do próprio umbigo.
— Eí, não vamos brigar — Chloé falou se sentando. A quantidade de cabelo parecia ter triplicado, com os cachos loiros desarrumados. Ela devia usar o cabelo assim, pensou Arthur, já que ela ficava incrivelmente bonita.
— Tudo bem — disse Miguel. — Mas e então, Lívia, por onde esteve todos esses anos?
— O que? — Lívia parecia confusa.
Miguel ergueu as sobrancelhas para ela.
— Onde você morava antes de vir pra cá? Nunca te vi nem ouvi falar de você, e pelo que eu sei, Diana sempre morou sozinha aqui.
Lívia não teve tempo de responder, já que a porta do quarto escancarou-se e bateu forte na parede quando Diana entrou por ela.
— O que você quer, Miguel Bellator, o que veio fazer na minha casa? — Diana parecia realmente irritada. — Está aqui interrogando, Lívia. Será que perdeu a noção e resolveu brincar com a paciência de uma feiticeira?
— Calma, Diana — pediu Arthur.
— Tudo bem — falou Miguel. — Tem razão, não comprei a história que me contaram. — Ele fez cara de nojo. — Tenho certeza de que ela é híbrida.
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