4. Escrito nas Estrelas (p.3)

Arthur havia saído novamente, e Chloé não tinha voltado, Lívia estava deitada na cama do quarto quando Diana invadiu, seguida por uma pilha flutuante de roupas, que pousaram em cima da cama.

— Mas, o que...

— Vamos lá! Você precisa de roupas novas, então arrumei algumas pra você.

Lívia olhou pra si mesma.

— O que tem de errado com essas?

— Você está usando roupas de menino, o que significa que essas roupas devem ser emprestadas da Chloé, certo?

Lívia assentiu. Diana pegou um vestido vermelho de tecido macio que estava logo no topo da pilha de roupas e o estendeu na frente.

— Vista. Ainda tem várias roupas para você provar — disse Diana animadamente.

Lívia teve que vestir roupa por roupa e Diana usava magia para ajustar cada uma perfeitamente em seu corpo. Foi quase torturante. Não que Lívia tivesse outra coisa pra fazer, mas já estava se cansando de trocar de roupa. Ao contrário da feiticeira, que parecia pensar que estava brincando de boneca.

Lívia mudava de roupas no banheiro do quarto, e nesse momento, trocava um macacão preto que Diana havia deixado excessivamente decotado por um shorts e uma blusa azul. Graças a Deus, já estavam no final da pilha de roupas, e Lívia apenas esperava que ela não arrumasse mais peças.

Ao voltar para o quarto, encontrou Arthur de bruços na cama, brincando com o cabelo de Diana, que estava sentada na ponta da cama rindo e lhe dizendo alguma coisa. Interrompeu-se com a chegada de Lívia.

— O shorts parece um pouco largo — disse a feiticeira e balançou os dedos, que se iluminaram em vermelho momentaneamente. Lívia sentiu o jeans ajustar-se em sua cintura e suas pernas. — Acho que o resto está bom. — Ela olhou para Arthur. — O que acha?

Arthur a olhou avaliativo.

— Acho que seria melhor se a blusa fosse verde escuro — opinou ele. — Adoro verde. E ficaria bem com o cabelo dela.

Diana pensou por um instante e assentiu em seguida.

— Tem razão. — Ela estalou os dedos e mudou a cor da blusa. — Realmente, verde cai muito bem, apesar de azul realçar os olhos dela...

Lívia revirou os olhos e suspirou.

— Poderiam não falar de mim como se eu fosse um objeto?

Arthur lhe deu um sorriso encantador.

— Olá Lívia, você está linda, verde combina com seu cabelo. E eu adoro verde.

Lívia fez uma careta para ele.

— Que horas nos vamos sair? — ela perguntou para Arthur.

Ele tirou o celular do bolso da calça e consultou as horas.

— Dentro de... duas horas e meia. Vamos ter que caminhar alguns minutos até chegar a clareira onde marquei o encontro — ele respondeu.

— Onde está sua irmã? — perguntou Diana.

— Em casa. Chamei pra vir comigo — ele fez uma careta —, mas ela disse que não tinha nada pra fazer aqui e que não estava com paciência pra olhar pra você.

— Previsível — disse Diana com desdém e deu de ombros. — Mas ela tem razão, não teria nada pra ela fazer aqui, além de encher minha paciência, é claro. — Ela pegou mais um vestido da pilha de roupas, a qual Lívia já havia se esquecido da existência. — Vamos terminar com isso. Vista.

Lívia teve que aturar pelo menos mais seis rodadas de troca de roupa e comentários de Arthur, que parecia achar que tudo combinava com verde. Usava o argumento de que as folhas das flores eram sempre verdes e que combinavam com as cores de pétalas, independente de quais fossem.

Por fim, foi liberada para um banho e os três jantaram juntos em seguida.

* * *

Faltavam quarenta minutos para meia-noite quando Arthur e Lívia deixaram a casa de Diana, o que garantia que os dois chegariam ao destino com tempo de sobra.

Arthur não entendeu por que Diana não quis vir junto. E ela de uma hora para outra também pareceu um pouco mais distante com ele, mas não achou que fosse algo com que devesse se preocupar. Ela certamente estava com os pensamentos na afilhada.

Caminharam em direção a floresta que ficava do lado norte de Alexandria. Sabia-se que era a mais habitada por Centauros, mas também pelos elfos, o que era um pouco arriscado demais para o seu gosto.

Elfos não podiam mentir e diversas vezes também tinham o péssimo hábito de fofocar. O ruim disso é que todos acreditam na fofoca de um elfo. Apesar de Arthur sempre ter pensado que isso é um pouco idiota.

Só por que elfos não podiam mentir, não significava que não podiam omitir. E confundir também. Arthur havia namorado uma elfa uma vez, e não cometeu o mesmo erro duas vezes.

A lua era cheia e iluminava parcialmente o caminho, ventava bastante, a ponto de deixar o clima um pouco frio, mesmo em pleno verão. Tanto Arthur quanto Lívia haviam vestido casacos antes de sair. Lívia vestia um moletom que Arthur insistiu até que Diana o tornou verde. Lívia ficava muito bonita de verde.

Logo estavam adentrando a floresta, que Arthur conhecia bem, pelos passeios que sempre deu por ali, sabia o caminho exato para a clareira onde macaram o encontro. Quanto mais andavam, mais fechada a mata se tornava.

A cada passo, sentia o peso de Excalibur em suas costas. Diana havia entregado a espada a ele, agora precisava acostumar-se a levar a espada sempre consigo. O que não era nenhum sacrifício, a bainha parecia adaptar-se às suas costas. Era como se nem estivesse ali.

Estava tudo extremamente quieto, Lívia e Arthur não conversaram desde que saíram da casa da feiticeira. Arthur olhou para a menina ao seu lado. Com os recentes acontecimentos, quase não havia parado para observar-la. Ela parecia mais confiante agora que sabia o que estava acontecendo, não mais a menina que teve medo quando o conheceu. A determinação conferia a ela uma postura forte, que a deixava — se é que era possível — ainda mais bonita. E Arthur nunca escondeu que sempre admirou beleza.

— Algum problema? — perguntou Lívia, quando notou que estava sendo observada.

Arthur balançou a cabeça. Os cabelos caíram sobre o rosto com o movimento e ele passou os dedos, jogando-os para trás. Precisava corta-los.

— Nenhum. Nos já estamos bem perto.

E estavam mesmo, não demorou muito para que a floresta se abrisse em uma clareira, onde haviam grandes pedras no centro.

— É aqui? — perguntou Lívia.

Arthur assentiu.

— Agora só temos que esperar — Ele sentou-se em uma das pedras mais baixas e consultou as horas no celular. — Ainda estamos quinze minutos adiantados, e centauros costumam ser pontuais.

— Então vamos esperar — respondeu Lívia se sentando em outra pedra, próxima de Arthur. Ela passou os dedos pelo cabelo, jogando-os para trás, e os amarrou em um nó. Uma mecha ruiva ficou solta em sua nuca e Arthur a puxou para enrolar no coque. Lívia estremeceu e encolheu o pescoço.

— Cócegas — informou ela.

— Hmm... Que interessante — disse Arthur rindo e cutucou a barriga dela, que tentou te esquivar e proteger o corpo com os braços enquanto ria.

— Não faça isso — Lívia pediu em meio a um sorriso — Você sente?

— Não — mentiu Arthur.

O sorriso de Lívia se alargou.

— Posso tentar?

— Também não! — respondeu ele imediatamente.

— Mentiroso! — acusou ela. — Aposto que você sente cócegas.

— Vá em frente então — desafiou Arthur, abrindo os braços. — Tente.

Lívia ficou de pé na sua frente e logo alcançou a zona sensível que era mais acessível no momento: seu pescoço. Passou os dedos suavemente, como se fossem plumas enquanto Arthur tentava, em vão, conter o tremor que percorreu seu corpo.

Segurou com firmeza as mãos da garota e as afastou de seu pescoço.

— Você venceu — disse ele afinal. — Sinto cócegas.

— Tenho a impressão de que mulheres sentem mais cócegas do que homens — comentou Lívia reflexiva sentando-se de volta em sua pedra.

Arthur ergueu as sobrancelhas.

— Está dizendo que sou afeminado?

— Não! — disse rindo. — é só que eu acho que mulheres sentem mais. Pelo menos as personagens de livros.

Arthur refletiu por um momento.

— Acho que não tem nada haver com sexo. Por exemplo, Chloé não sente — disse ele. — Ela adora me cutucar, mas nunca sente nada quando eu tento revidar. — Ele fez uma careta. — É sem graça... Mas agora tenho você pra cutucar!

— So não se esqueça que agora sei que você também sente — rebateu ela.

— Essa é a desvantagem.

— O que há entre você e Diana? — perguntou Lívia derrepente, deixando Arthur estarrecido com a mudança brusca de assunto.

Graças a Deus, não precisou responder, pois naquele instante Fausto, o jovem centauro com quem havia marcado o encontro apareceu por entre as árvores, com sua postura solene e o típico arco e aljava dos centauros presos às costas.

— Boa noite, Marina Ignis — cumprimentou Fausto educado, primeiramente à dama. Virou seu rosto em seguida para Arthur e acenou com a cabeça antes de repetir o cumprimento. — Boa Noite, Raphael Paeon.

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