14. A Câmara dos Cinco Túneis (p.2)

Ao chegar na sala de treinamento, Lívia percebeu que não estava realmente afim de treinar. Ao invés disso, pôs-se a analisar uma das paredes, que era coberta por uma série de armas em exibição.

Tentou puxar uma espada curta, mas ela estava presa. Todas as armas estavam firmemente coladas a parede, porém, em um canto, Lívia viu uma porta, e ao abri-la encontrou um verdadeiro arsenal.

Algumas das armas estavam dispostas sobre prateleiras, e outra parte jogada em uma pilha no canto. Lívia imaginou que as que estavam arrumadas eram mais importantes, então pôs-se a analisar o monte de instrumentos pontiagudos.

Ela não sabia nomear os objetos, mas gostou de um deles. Tinha um cabo de madeira e uma longa corda de couro, com uma ponta de metal afiada.

Separou a arma e voltou a analisar. Achou algumas facas de arremesso — sabia o que eram, pois eram muito semelhantes a que havia recebido de Diana. Catou algumas dessas lâminas e voltou para a sala de treinamento com um punhado delas em uma mão, e a arma que havia separado enrolada na outra mão.

Abandonou tudo no chão, mantendo apenas uma das facas em sua palma. Girou a cabeça ao redor, procurando um alvo de madeira que já havia visto por ali. Estava em um canto, e ela foi até lá.

Tomou alguma distância é tentou se lembrar do que Miguel havia dito. Segurar pela lâmina e deixar a faca escorregar entre os dedos.

Ela arremessou, mas ela apenas bateu contra a tábua e caiu no chão, emitindo um som metálico.

Lívia buscou as outras facas no chão, fazendo várias tentativas de acerto, mas no fim, todas as lâminas estavam espalhadas à sua frente, e nenhuma chegou nem perto de se cravar na madeira, que dirá acertar o alvo.

— Pensei que fosse mais fácil — disse, fazendo careta. —o Miguel realmente faz parecer fácil.

***

— Vamos — Chloé sussurrou próximo do ouvido de Arthur e o puxou pelo braço.

Eles recuaram sorrateiramente pelo túnel. Quando chegaram às escadas, Arthur se lembrou de parar o vídeo.

Enquanto subia os degraus, usava a mão que não estava apoiada no corrimão para enviar o vídeo para Diana. Ela precisava ver isso imediatamente.

No entanto, mal apertou enviar, e tropeçou. Conseguiu amenizar a queda se apoiando no corrimão, mas seu celular não teve a mesma sorte, e despencou escada abaixo, trincando a tela e fazendo barulho ao bater no chão.

O som ecoou pelas paredes de pedra, e com o silêncio do lugar, Arthur teve certeza de que todos na câmara central deviam ter ouvido.

— Corre — ele sussurrou para Chloé.

Eles se apressaram, correndo e saltando alguns degraus, Chloé ia na frente, quando houve uma grande explosão de luz, que os cegou momentaneamente, e no instante seguinte, ela pareceu dar de cara com uma parede e caiu pra trás.

Arthur a agarrou pela cintura e se firmou para não despencar escada abaixo, mas seu corpo girou, e ele bateu com as costas contra o corrimão. Fez uma careta, pressentindo a dor, no entanto a mochila e a espada amenizaram o impacto.

— Eles estão vindo — disse Chloé.

Ele girou a cabeça rápido para ver o Grão-Mestre e os líderes dos Anjos subindo a escada apressados. Airan fez uma pausa no meio do caminho somente para pegar o celular de Arthur no degrau onde havia caído. Enquanto isso, os outros já estavam bem próximos a eles.

— Chloé? — Morselk falou, parecendo confuso. — O que faz aqui?

Camila lançou-lhe um olhar de dúvida.

— Conhece a ela?

— É amiga do meu filho — justificou Morselk.

Yara apontou para Arthur, mas ainda olhava para o pai de Miguel.

— E quem é o rapaz?

— Não o conheço — respondeu ele e o encarou. — Quem é você?

— Will Herondale — respondeu Arthur, com a primeira coisa que veio à sua cabeça.

— O que você tem aí, Airan? — perguntou César, fazendo com que todos os olhares se voltassem para o feiticeiro.

— Um celular — ele respondeu, virando o objeto na mão —, mas está quebrado.

— Não pode consertar? — Camila perguntou com impaciência.

— Não. Essas coisas não se relacionam bem com magia.

Arthur precisou suprimir um suspiro de alívio. Ele tinha perdido o celular, e isso era terrível, mas ainda era melhor do que eles verem o vídeo que ele havia gravado. E descobrirem para quem ele tinha enviado.

— O que estão fazendo aqui? — Morselk perguntou rispidamente.

— O que acha que jovens fazem em lugares escuros e escondidos? — Arthur falou, e se arrependeu no segundo seguinte, quando percebeu que só estava os irritando mais.

— Moleque atrevido! — Camila disparou.

— Espera — intrometeu-se Airan, chegando mais perto para vê-los melhor. — Vocês são os garotos que estavam me espionando na Biblioteca há alguns dias!

— Esses dois viram você entrar? — César perguntou, claramente irado.

— Não — Airan respondeu.

— Aparentemente — Camila falou gesticulando amplamente, para indicar o lugar onde eles estavam. — Eles viram sim.

Airan tinha manchas vermelhas no rosto.

— O que vão fazer com eles?

— Diga-nos você, grão mestre. — disse Yara, com a voz cheia de veneno.

— Levem eles para a minha casa — interrompeu Morselk, pondo fim na discussão. — Airan, apague eles.

Depois de um estalar de dedos, o túnel inteiro escureceu.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top