Capítulo Treze
Victor Decker:
Desesperei-me e irrompi pelas ruas em disparada, ansiando alcançar o local onde a porta estava, incrivelmente, já aberta por algum milagre invisível. Atravessei apressadamente e, em um piscar de olhos, a porta se fechou atrás de mim. Naquele instante, deparei-me com Lea, vestindo uma indumentária deslumbrante, ainda mais reluzente do que em minhas memórias anteriores.
Lea me saudou com seu sorriso venenoso de sempre.
— Onde está o colar? — Ela indagou prontamente.
— Aqui! — Respondi, entregando-lhe o colar, que começou a crepitar em suas mãos, forçando-as a recuar abruptamente. — Você está bem?
— Sim, não deixará marcas — Lea assegurou, embora o colar tenha deixado claro que não seria fácil de manipular. — Mas pelo visto, ele não se separará de você tão facilmente.
Era exatamente o que Pink havia previsto, e eu já sabia que não seria uma tarefa simples.
— O que vamos fazer? — Perguntei, desesperado. — Se eu não te entregar o colar, você não vai me ajudar.
Lea sorriu maliciosamente.
— Há outra maneira! — Ela disse. — Você me deve um favor, e quando eu precisar de você, você virá até mim!
Ponderei por um momento, compreendendo que essa era a única forma de obter ajuda para encontrar Puck e salvá-lo.
— Tudo bem, e como saberei quando você precisar de mim? — Questionei.
— Revelando seu nome verdadeiro, o que me permitirá chamá-lo — Lea explicou, enquanto eu ficava confuso. — Nomes têm poder, meu querido, e assim poderei convocá-lo.
Ela me encarou por minutos, enquanto eu considerava a proposta.
— Eu posso fazer isso — Decidi, e Lea sorriu amplamente. — Dou-lhe o direito de usar meu nome para me chamar e pedir um favor, contanto que não me coloque em perigo.
Seu sorriso diminuiu por um momento, mas ficou claro que ela planejava me envolver em algo perigoso no futuro.
— Excelente, meu querido! — Lea exclamou. — Agora, vou ajudá-lo a buscar assistência!
Ela estalou os dedos e o mesmo rapaz de antes surgiu, carregando uma mochila cinza.
— Isso vai te auxiliar em Nevernever — Lea explicou, enquanto eu colocava o celular na mochila. — A terra das fadas. Como eles estão vigiando os portais convencionais e a minha entrada para o labirinto de espinhos ainda está sob o olhar atento de um dragão, você terá que seguir por outro caminho.
— Por que um dragão está de olho nela? — Indaguei, colocando a mochila nas costas e o colar em volta do pescoço. — E existem dragões lá?
— É uma longa história! — Lea suspirou. — Perdi até alguns servos por causa disso.
Engoli em seco e observei enquanto ela puxava uma alavanca na parede, fazendo um espelho surgir. No entanto, este espelho não refletia nossas imagens.
— Este é o seu caminho — Lea declarou dramaticamente, parando ao lado do espelho. — E uma dica: se você não sair rapidamente do Labirinto Espelhado, sua mente e corpo serão destruídos! Quando chegar em Nevernever, procure por um gato cinza chamado Grimalkin e peça-lhe que o leve até Meghan Chase!
Engoli em seco mais uma vez, mas reuni minha coragem e avancei em direção ao espelho, atravessando-o, enquanto ouvia a voz zombeteira de Lea ecoar:
— Boa sorte — Lea disse, antes que a escuridão me envolvesse por completo.
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Quando finalmente senti o chão sob meus pés, perdi momentaneamente o equilíbrio, caindo de joelhos com um impacto que fez um espelho estilhaçar sob mim. Olhando para baixo, percebi que o chão era feito inteiramente de vidro. Com cuidado, comecei a me erguer, observando meu reflexo refletido em todas as paredes e no próprio chão do lugar. Uma sensação arrepiante percorreu minha espinha ao perceber que tudo ao meu redor consistia em espelhos.
Enquanto eu caminhava lentamente, tentando me afastar do espelho quebrado no qual havia caído, os reflexos começaram a me observar atentamente. Suas bocas se abriram e suas vozes ecoaram em uníssono:
— Você é fraco — proclamaram os reflexos. — Desista, você não pode salvá-lo!
Confuso e perturbado, questionei a mim mesmo:
— O que está acontecendo?
Os reflexos continuaram:
— Você destrói tudo o que toca e afasta todos que entram em sua vida. Eles sempre sofrerão em suas mãos.
Desesperadamente, corri, tentando abafar suas vozes perturbadoras. No entanto, a fuga parecia inútil, pois as vozes dos reflexos cresciam em intensidade. Subitamente, senti um puxão em meus pés, levando-me ao chão. Outro espelho se quebrou, cortando meus joelhos.
— Parem! — Gritei em desespero para os reflexos, que agora sorriam para mim com olhos castanhos cheios de ameaças.
— Idiota! Burro! — Os reflexos continuaram a falar. — Você nunca será como seu irmão, pois é fraco!
— Não, não quero mais ouvir isso! — Lutei para me libertar, mas várias mãos invisíveis me seguraram e me puxaram para baixo.
— Por que você não é o Brian? — Os reflexos provocaram. — Não é inteligente como ele, nem consegue fazer nada direito. Ainda bem que não tem amigos; quem seria amigo de um idiota, um fraco, alguém sem talento?
Os pensamentos negativos inundaram minha mente, e comecei a considerar desistir de lutar contra os reflexos.
— Deixe o labirinto levar você — eles sussurraram. — Ninguém se importará se você desaparecer.
Senti as mãos se apertando ao meu redor, e meu corpo afundando no vidro do espelho.
— Não, chega! — Gritei, lágrimas ardendo nos olhos.
— Desista, deixe tudo ir embora — os reflexos insistiram. — Deixe o labirinto te absorver!
Fui puxado ainda mais profundamente para o espelho, convencido de que não valia a pena lutar e que ninguém sentiria minha falta.
Quase totalmente submerso, uma mão agarrou a minha, tentando me puxar de volta à superfície.
— Lute, Victor! — Escutei uma voz distante, que parecia estar em todos os lugares ao mesmo tempo.
— Não lute! — Os reflexos zombaram. — Desista de uma vez por todas!
Os reflexos redobraram seus esforços para me afundar, mas a voz distante continuou:
— Lute, você não pode desistir, não pode perder a si mesmo. Lute, por você!
Um aperto cresceu dentro de mim, e uma aura azul brilhante irrompeu à minha volta, mostrando que eu não poderia me render.
— Não posso perder minha mente — murmurei para mim mesmo. — Vou lutar por mim!
A mão que me segurava puxou-me vigorosamente para cima, e eu me debati para afastar as mãos dos reflexos que ainda tentavam me prender.
— Victor, lute! — A voz insistiu. — As pessoas que se importam com você nunca iriam querer te perder!
Memórias inundaram minha mente, e, quando me dei conta, os reflexos se afastaram de mim, temendo a luz que irradiava do meu ser.
— Reflexos, eu não vou permitir que me dominem! — Afirmei com determinação. — Vou lutar por mim!
A mão me puxou uma última vez para cima, e escapei do espelho em que estava afundando. Olhei para cima, incrédulo com quem estava diante de mim.
— Vovô! — Exclamei, vendo meu avô, agora transparente em uma aura azul, à minha frente.
— Olá, meu querido — disse meu avô, seus olhos castanhos brilhando com alegria por trás dos óculos.
Ele me abraçou, e aos poucos, foi desaparecendo.
— O que você está fazendo aqui? — Perguntei atônito. — Você é um espírito.
— Você me chamou — explicou meu avô. — Não importa como, mas você precisa ser forte. Há um longo caminho à sua frente.
Antes que eu pudesse fazer mais perguntas, ele me abraçou com mais força e desapareceu completamente, deixando apenas uma chama azul em seu lugar.
— O que foi isso? — Perguntei a mim mesmo. No entanto, não tive muito tempo para refletir, pois logo comecei a ouvir o som de vidro se quebrando. Virei-me e vi o vidro atrás de mim se fragmentando rapidamente. Levantei-me às pressas e comecei a correr, mantendo os olhos fixos adiante.
Tropeçando, avistei um espelho à minha frente que não refletia nada, sabendo que era a minha única saída. Corri em sua direção, enquanto o som de espelhos quebrando aumentava em intensidade e as vozes dos reflexos sussurravam:
— Não vá! Fique aqui ao nosso lado!
Continuei correndo, pegando impulso nos pés, e quando cheguei perto o suficiente do espelho, pulei em sua direção, atravessando-o de olhos fechados. Senti-me passando pelo espelho e perdi a consciência.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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