Capítulo Onze
Victor Decker:
No beco sombrio, meus olhos perspicazes detectaram uma escada de metal que se erguia majestosamente até uma porta vermelha, parecendo convidar-me a explorar o mistério que se escondia atrás dela. Decidi, com um misto de curiosidade e apreensão, seguir esse caminho intrigante e, com passos silenciosos, subi a escada, surpreso com a calmaria que envolvia o local.
Ao alcançar a porta vermelha, ela se abriu suavemente, revelando uma mulher de beleza hipnotizante. Seus cabelos rosados caíam em cascata pelos ombros, e seus olhos dourados pareciam conter segredos insondáveis.
— Aí está você — ela proferiu, sua voz carregada de uma autoridade inesperada. — Estava quase atrasado para o seu turno.
Antes mesmo que eu pudesse articular uma resposta, ela me agarrou pelo braço e me puxou para dentro, fechando a porta atrás de nós. Seu aperto firme deixou claro que não havia espaço para objeções.
— Espero que esteja com tudo preparado — disse a mulher, com um tom de impaciência palpável. — Se não, vai ficar sem o pagamento.
Tentei explicar que havia um engano, mas ela me interrompeu com um olhar penetrante.
— Não me importa quem você é — declarou ela, irritada. — Contanto que você agrade aquele cara!
Concluí que discutir não seria produtivo diante de sua determinação.
— Agradar com o quê? — ousei perguntar, sem saber exatamente o que estava me esperando. — Vou ter que usar o corpo?
Um revirar de olhos expressivos da mulher indicou o quão absurda era minha suposição.
— Não quero saber, só faça ele se divertir! — ela ordenou com firmeza. — Se não, o clube estará acabado e possivelmente destruído. Essa pessoa é um grande influenciador, e qualquer comentário desfavorável dele pode nos levar à ruína.
Compreendi que era hora de agir. Sem mais palavras, permiti que ela me arrastasse mais fundo para o interior do clube. O som ensurdecedor da música ecoou em meus ouvidos quando passamos por uma porta, revelando uma multidão de pessoas que dançavam como se nada tivesse acontecido minutos antes.
— É aquele ali — a mulher de cabelos rosados apontou para uma área VIP, onde um rapaz loiro parecia entediado e desinteressado.
Fixei meus olhos no alvo indicado.
— Vá até lá e faça-o se divertir! — ela ordenou, empurrando-me na direção de uma escada. — Vai logo, garoto!
Não hesitei, afastando-me dela e descendo as escadas em direção à pista de dança, determinado a cumprir minha missão e esperando que não encontrasse obstáculos intransponíveis pelo caminho.
***********
Na pista de dança, o caos reinava absoluto. Era uma experiência totalmente inédita para mim, alguém que nunca havia colocado os pés em um clube antes. Fui momentaneamente atingido por uma onda de choque diante do espetáculo sensorial que se desenrolava diante dos meus olhos. Afinal, tudo o que eu sabia sobre esse lugar vinha apenas dos relatos animados de Mark e Brian.
O chão estava coberto por uma névoa espessa de gelo seco, que se arrastava como a névoa misteriosa que se vê nos filmes de suspense. As luzes coloridas, em tons de rosa, azul e dourado, transformavam a pista de dança em uma verdadeira fantasia eletrizante. Elas piscavam freneticamente, criando uma atmosfera de pura magia.
A música, alta e vibrante, martelava em meus ouvidos, fazendo com que minha cabeça e meu peito vibravam em sintonia com o ritmo pulsante. Era impossível não se deixar levar pela batida contagiante, mesmo que eu me questionasse como as pessoas conseguiam se comunicar em meio a essa cacofonia ensurdecedora.
Com um olhar perdido na multidão dançante e um sorriso incerto no rosto, eu sabia que estava prestes a embarcar em uma jornada de descoberta e aventura naquela noite tumultuada.
Via Algumas pessoas giravam e se contorcem e seduziam umas às outras, saltando no tempo da música que trocava, suor e energia saíam de seus corpos conforme dançavam. Alguns dançavam sozinhos, outros em pares que não poderiam manter suas mãos longe um dos outros, sua energia virando paixão.
Acho que após ver a verdadeira face que as fadas escondem, não me engano, mas, sobre as fadas que ali estavam e lembrei da palavra que Lea disse que ele chama a Magia de Glamour, consegui ver que algumas pessoas se derramaram em glamour, e ficar encarando ele me dava um pouco de dor de cabeça.
Fiquei surpreendido ao ver algumas Fadas usando calças de couro e roupas brilhantes que estavam meio rasgadas. Vi uma garota, com garras de pássaros e plumas para cabelo, que flutuava no meio da multidão, cortando uma pele jovem e lambendo o sangue. Um menino magro com braços triplos os envolvia em volta de um casal dançando, longos dedos entrelaçados em seus cabelos. Duas meninas com orelhas de raposa dançavam juntas, um mortal entre elas, seus corpos pressionados contra ele. O rosto do humano estava jogado para trás em êxtase, inconsciente que tinha mãos correndo sobre seu bumbum e entre suas pernas.
Naquele agitado ambiente, avistei meus conhecidos e uma onda de urgência me inundou. Sentia a necessidade premente de me ocultar, ainda mais no meio daquela multidão que se movia freneticamente. Com uma calma aparente, tracei meu caminho em direção ao garoto de cabelos loiros, mantendo-me cuidadosamente afastado das fadas que rodopiavam ao meu redor em suas danças etéreas.
À medida que me aproximava da área onde o jovem de cabelos dourados estava, um imprevisto me fez desabar ao chão, desejando fervorosamente que ninguém tivesse notado, sobretudo as pessoas do meu círculo social que estavam ali presentes. Com cuidado, comecei a me erguer, mas uma mão gentil surgiu diante de mim. Levantei os olhos e deparei-me com o garoto loiro, que exibia um sorriso divertido em seu rosto. Percebi, então, um colar em seu pescoço, ornamentado com asas negras que capturaram minha atenção.
Um súbito questionamento invadiu meus pensamentos: Será que tudo isso será tão fácil como parece?
***********
A música pulsava no fundo, um ritmo frenético que fazia as luzes coloridas dançarem pelo recinto. Entre a multidão que se movimentava na pista de dança, um jovem de cabelos loiros estendia sua mão em minha direção com um sorriso simpático.
— Tudo bem? — ele perguntou assim que aceitei sua mão, o som alto quase abafando sua voz.
— Sim, obrigado — respondi, soltando sua mão com um alívio visível. — Eu estava tentando sair do meio da pista de dança!
Ele riu, um som caloroso que se misturava ao batuque da música.
— Deu para perceber. Também não gosta de lugares lotados?
— Não, gosto. Só vim por causa de alguns amigos — expliquei. — Minhas desculpas por não ter vindo antes.
— Não tem problema — ele disse — Eu também vim por causa do meu amigo, Jonas Lewis.
— Victor Chase — apresentei-me, sabendo que não adiantaria mentir sobre meu primeiro nome. — Cadê seu irmão?
Ele apontou na direção de um garoto no meio de duas garotas, que passavam a mão por todas as partes dele. Virei-me e vi o rapaz em questão.
— E os seus amigos? — ele perguntou.
— Eles estão em algum lugar por aqui — respondi, desviando o olhar para o colar que ele usava. — Que colar lindo!
Ele tocou o colar com a mão, e notei um olhar distante em seu rosto.
— É um presente do meu pai ausente. Ele deu para mim no meu aniversário de dezenove anos.
Houve uma estranha tensão no ar, e senti algo emanando do colar. Eu sabia que não seria fácil obtê-lo.
— Quer sair daqui? — Jonas perguntou de repente.
— Vamos! — concordei prontamente.
Ele pegou minha mão e me puxou para longe, correndo em direção aos fundos do clube. Eu tentei acompanhá-lo, mas ele corria rápido demais. Enquanto tentava não olhar para os dançarinos que pareciam não humanos, rodopiando entre a multidão de pessoas, chegamos perto do bar.
Uma pequena porta com a inscrição "Somente Pessoas Autorizadas" ficava próxima aos fundos do bar. Eu podia ver uma aura difusa de glamour ao redor dela, tornando-a difícil de encarar. Meus olhos queriam escorregar, queriam ver a verdade que as fadas escondiam dos humanos casualmente. Nós nos aproximamos da porta, e Jonas entrou sem hesitar. Fiquei surpreso ao perceber que não havia ninguém vigiando a porta.
Do lado de dentro, uma escada descia cinco ou seis lances, terminando em outra porta que ostentava as palavras "Perigo! Afaste-se!" pintadas em vermelho brilhante.
— Aqui! — Jonas exclamou, abrindo a porta e acendendo um interruptor. A sala que se revelou era enorme, cheia de prateleiras contendo objetos estranhos, incluindo até mesmo a casca de uma árvore. — Que tal uma bebida?
Eu examinei o ambiente lentamente, percebendo que tudo ali era completamente diferente de qualquer coisa que já tinha visto. Jonas soltou minha mão e se dirigiu a um jarro cheio de alguma substância estranha.
— Não, obrigado. Não sou muito de beber — disse eu, e seu sorriso desapareceu.
— Que pena — ele murmurou, virando-se para mim. Por um breve momento, sua expressão mudou, revelando um rosto mais sombrio.
Lentamente, ele começou a se transformar à minha frente. Vi o momento exato em que ele cresceu em tamanho e o colar caiu no chão. Jonas se transformou em um ogro, parecido com aqueles que eu já havia visto em ilustrações, porém muito mais feio e repugnante. Sua pele exibia feridas roxas, e quatro presas amareladas cercavam sua mandíbula.
Instintivamente, dei um passo para trás, compreendendo finalmente o que a mulher de cabelos rosas havia tentado me alertar, com o clube prestes a ser destruído e Jonas sendo um grande influenciador.
— O que vai fazer comigo? — perguntei, recuando ainda mais enquanto mantinha um olho no colar.
— Vou devorar você, um simples humano — Jonas respondeu com uma voz mais grave. — É por isso que o trouxe aqui.
De repente, ele formou um punho com suas mãos e avançou na minha direção. Eu me joguei de lado, já que ele era grande e a sala não era muito espaçosa, fazendo-o bater no teto. Ele se virou e rastejou em minha direção enquanto eu tentava escapar.
— Não! — gritei quando vi minhas mãos começarem a brilhar e um escudo de energia se formou ao meu redor, afastando a mão do ogro com um estrondo. — Magia!
Jonas rosnou de dor e sacudiu a mão queimada.
— Magia antiga! Então você não é apenas um humano comum. Você será uma boa refeição!
Ele formou punhos com as mãos e investiu contra o escudo de energia que eu havia criado. O impacto me fez cair no chão, e o escudo se desfez em pedaços.
— Adeus, garoto — Jonas falou, avançando com os punhos em minha direção, prestes a me esmagar. — Você será uma boa refeição!
Eu fechei os olhos, aceitando que esse seria o meu fim. Então, uma rajada de ar surgiu e, quando abri os olhos, vi o vento empurrando os punhos do ogro para longe. Olhei para o lado e vi o colar brilhando. Lentamente, me afastei e me aproximei do colar.
Ouvindo Jonas se libertando da rajada de vento, ele socou o chão e eu caí. Meus dedos se estenderam centímetros em direção ao colar. Uma poderosa energia emanou dele, e vi Jonas começar a gritar. Levantei a cabeça e vi pernas negras cortando o ar.
— Então é você!— Jonas disse, com desdém.
Eu não entendi o que estava acontecendo, mas peguei rapidamente o colar e saí daquela sala, ouvindo o rugido furioso do ogro ao fundo.
***********
Subi os lances de escadas com passadas determinadas, o coração batendo apressado em antecipação, pois não podia me dar ao luxo de pensar que algumas penas obstinadas poderiam atrasar Jonas. Finalmente, alcancei a porta ao lado do bar e, com um gesto decidido, a fechei com um estrondo satisfatório.
Exausto, me inclinei contra a porta, permitindo-me respirar fundo, enquanto uma sensação de triunfo se espalhava por mim. Finalmente, eu havia conseguido pegar o que vim buscar, e a sensação era incrível.
— Victor! — Dois tons de voz me chamaram, quebrando meu momento de contemplação.
Levantei a cabeça lentamente e me deparei com Mark e Blue, ambos com expressões de espanto estampadas em seus rostos. Um arrepio de nervosismo percorreu minha espinha enquanto eu pensava: Sério, isso?
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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