Capítulo Dois
Victor Decker:
Cheguei finalmente ao ponto de ônibus, pois até agora não consegui economizar o suficiente para comprar meu próprio carro. Como meus pais estavam ocupados no trabalho, Zack estava me enchendo para irmos ao parquinho. Mesmo assim, lá estava eu, sentado no banco do ponto de ônibus, com Zack no meu colo, aproveitando o sorvete de unicórnio que eu havia comprado em um carrinho de sorvetes próximo ao parque.
Eu já esperava que fosse demorar, mas fui pego de surpresa quando um carro parou bem na nossa frente. A janela se abaixou e lá estava o rosto de Mark.
— Precisam de uma carona? — Mark perguntou com um sorriso. — Sabia que vocês estariam aqui no parque, afinal, o seu irmão adora este lugar.
— Obrigado por lembrar do gosto do meu irmão. — Respondi, enquanto entrava no banco de trás com Zack. — Vamos para casa, pois sei que minha mãe deve estar chegando em breve!
Mark partiu em direção à minha casa, que ficava a apenas vinte minutos do parque. Assim que chegamos, vi o carro da minha mãe estacionado em frente à casa. Mark parou o carro e Zack e eu descemos. Minha mãe estava pegando as chaves dela na bolsa e acenou para Mark.
— Onde vocês estavam? — Ela me perguntou, franzindo a testa.
— No parque. — Respondi, colocando Zack no chão. — Agora, tenho que pegar minha mochila e uniforme e ir trabalhar.
Minha mãe me olhou confusa.
— Mas hoje não é o seu dia de folga. — Ela disse, enquanto eu assenti.
— Uma funcionária chamada Fiona sofreu um acidente e não poderá ir hoje. — Expliquei, abrindo a porta de casa. — E nem me pergunte o que aconteceu, pois eu não sei.
Entrei em casa e subi as escadas para pegar minha mochila e uniforme. Meu quarto era o último do corredor do segundo andar. Abri a porta e fui até a estante de livros, onde coloquei um livro de volta. Depois, peguei minha mochila no guarda-roupa e o uniforme e fui fechar a porta.
Por algum motivo, senti como se alguém estivesse me observando. Olhei ao redor, mas não havia ninguém na porta do quarto. Balancei a cabeça para afastar a sensação, fechei a porta e coloquei a mochila, junto com o uniforme, dentro dela. Saí do quarto, mas a sensação de estar sendo observado ainda persistia.
— Tchau, mãe! — Gritei enquanto descia as escadas. — Até mais tarde!
Ouvi as respostas dela e de Zack, e então fechei a porta de casa e corri para o carro de Mark, entrando rapidamente.
— Pisa fundo, cara! Meu pai não vai me pagar se eu chegar atrasado! — Falei enquanto colocava o cinto de segurança e jogava minha mochila no banco de trás.
O motor roncou, e Mark acelerou o carro pela rua, indo em direção ao restaurante da família dele.
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O caminho até o restaurante foi uma jornada tranquila, com Mark mergulhado na atmosfera musical da rádio e uma concentração palpável pairando sobre ele. Cada nota que fluía dos alto-falantes parecia ter a capacidade de despertar uma nova ideia, e seu olhar estava fixo em algum ponto distante, perdido em pensamentos.
Finalmente, quando paramos diante de um sinal vermelho, Mark quebrou o silêncio, virando-se para mim com um olhar ansioso. Seus olhos encontraram os meus, e ele falou:
— Victor, posso pedir um conselho?
Sorri, apreciando a súbita quebra da seriedade em sua expressão.
— Claro, meu amigo. Estou aqui para isso. Mas se for sobre pintar os seus cabelos de azul, já te aviso que não combina com você — brinquei, e Mark soltou uma risada, balançando a cabeça em negação.
— Ah, não, definitivamente não! Lembro bem do que aconteceu da última vez.
— Sim, você ficou parecendo um Smurf — concordei, recordando o desastre capilar de Mark. — Mas me diga, qual é o conselho que você precisa? E que não seja algo relacionado ao amor, por favor!
Mark coçou a cabeça, pensativo, enquanto o sinal à nossa frente finalmente virava verde, dando-nos a permissão para continuar.
— Bem, na verdade, é sobre o amor — Mark admitiu, ligando o carro e seguindo adiante. — É que finalmente tomei coragem e convidei a Blue para sair!
Empolgado, dei um tapinha no ombro dele.
— Isso aí! Finalmente! Já faz dois anos que vocês dois têm um interesse mútuo, mas nenhum de vocês deu o primeiro passo. Agora, me conta, qual é o conselho? E espero que não sejam várias perguntas!
Mark riu e continuou dirigindo. Enquanto pensava em como ajudar meu amigo, desviei o olhar para fora do carro por um momento e juro que vi pequenas criaturas perambulando pela calçada. Sacudi a cabeça para afastar essa visão e, quando voltei a me concentrar em Mark, a realidade estava de volta.
— Bem, leve-a a um lugar que ambos gostem, afinal, vocês têm gostos muito parecidos em quase tudo — sugeri após um breve momento de reflexão. Mark assentiu, parecendo satisfeito com a ideia.
— Isso faz sentido.
— E seja você mesmo, Mark. Não mude quem você é por nada nem por ninguém, afinal, é isso que a Blue gosta em você — aconselhei, com sinceridade. — E, por último, mas não menos importante, não se esqueça de me trazer uma barra de chocolate!
Mark riu, aliviado.
— Posso fazer isso! E pode deixar que vou comprar o seu chocolate.
— É bom mesmo! — respondi, satisfeito, enquanto continuávamos nossa jornada em direção ao restaurante. O entusiasmo de Mark pelo encontro com Blue era contagiante, e eu estava torcendo para que tudo desse certo para ele.
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Chegamos ao estacionamento do restaurante, e eu não perdi tempo, adentrando o estabelecimento de imediato. Deixei minha mochila em um cantinho e, ao observar o ambiente, percebi que estava completamente lotado. Era difícil acreditar que havia apenas cinco garçons trabalhando, enquanto hoje havia pelo menos três vezes mais clientes do que o normal.
— Mark, você não estava brincando! — Exclamei quando meu amigo surgiu em seu uniforme impecável. — Esqueci de perguntar, qual foi o acidente da Fionna?
Mark suspirou antes de responder:
— Ela bateu o dedinho do pé em um tijolo — Mark falou, balançando a cabeça. — E não conseguiu andar hoje.
Deslizei a mão pelo rosto, era óbvio que Fionna estava se aproveitando da gentileza do pai de Mark e dele próprio para não precisar trabalhar naquele dia.
— Depois, vou ter uma conversa com você e o seu pai — Falei com um olhar sério e me dirigi para ajudar os outros funcionários.
De fato, eu estava muito ocupado ajudando a equipe, e quando finalmente consegui dar uma olhada, percebi que a situação havia se acalmado e os clientes estavam desfrutando de suas refeições. Permiti-me relaxar e me sentei em um pequeno banquinho próximo ao caixa, enquanto observava o calendário pendurado ali, lembrando que minhas aulas estavam prestes a começar.
Fiquei ali por um tempo, perdido em pensamentos, até que ouvi o sino da porta da frente tocar. Levantei-me rapidamente e amaldiçoei mentalmente quando vi a pessoa que acabara de entrar.
— Olá! — Disse o garoto ruivo com um sorriso travesso no rosto. — Então você trabalha aqui.
Revirei os olhos internamente, mas mantive um semblante profissional.
— Sim, é aqui — Respondi, me virando para guiá-lo até uma mesa vazia.
Comecei a caminhar em direção a uma mesa no fundo do restaurante, e o garoto ruivo me seguiu, sentando-se prontamente. Entreguei-lhe o cardápio e fiquei ao seu lado, aguardando que ele fizesse seu pedido. Após alguns momentos, ele me encarou com um sorriso nos lábios.
— Vou querer um hambúrguer vegetariano e um suco de maçã orgânico — O ruivo disse.
Anotei o pedido em meu bloquinho e peguei o cardápio de volta.
— Pronto, vou levar seu pedido para a cozinha — Falei e me virei para sair.
Antes de me afastar, ouvi o garoto ruivo dizer:
— Você deveria sorrir mais!
Ignorei seu comentário provocativo e entrei na cozinha, entregando o pedido ao cozinheiro. Esperei cerca de vinte minutos até que a refeição estivesse pronta, e então fui entregá-la ao ruivo. Conforme me aproximava da mesa, observei que suas orelhas pareciam pontiagudas e suas feições tinham uma delicadeza incomum.
Pisquei os olhos rapidamente, e tudo parecia normal novamente, o que me fez questionar minha própria sanidade. Entreguei o pedido à mesa, o garoto me encarou com um sorriso e voltou a sua atenção para a refeição, começando a comer.
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À medida que as horas avançavam, Mark e eu finalmente decidimos encerrar nossa noite agradável, e ele gentilmente me acompanhou até em casa. Ao adentrar a residência, minha surpresa foi imensa ao deparar com meu irmão Brian, cuja presença era inesperada, considerando que ele reside no campus da faculdade durante a maior parte do tempo. Cumprimentei-o calorosamente, troquei algumas palavras com ele e com o restante da nossa família, que estava igualmente surpresa com a sua visita inesperada.
Após essas breves interações, tomei a decisão de me recolher para descansar, uma vez que o cansaço da noite começava a fazer-se sentir. Enquanto me preparava para dormir, uma luz suave filtrava-se através das cortinas, lançando padrões dançantes no quarto. Fui até a janela e olhei para o céu estrelado, sentindo uma tranquilidade profunda.
No entanto, à medida que me aconchegava na cama e fechava os olhos, uma sensação inquietante começou a se instalar. Uma sensação sutil, mas inegável, de que algo estava fora do lugar. Era como se um olhar invisível estivesse fixado em mim na escuridão do quarto, observando-me silenciosamente. Mesmo após minha breve conversa com Mark sobre o acampamento na próxima semana, aquela sensação persistente de ser observado me deixou inquieto enquanto eu mergulhava no mundo dos sonhos.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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