Capítulo Dezoito
Victor Decker:
Com determinação, envolvi meus dedos firmemente ao redor da adaga, sentindo seu peso reconfortante na minha palma enquanto encarava o desafio iminente.
— Estou indo, Puck — declarei com determinação, levantando-me da cama. Sem hesitar, alcancei a mochila posicionada ao lado e, de forma instintiva, deslizei a adaga para dentro dela. Ao chegar à porta do meu quarto, liberei um suspiro lento antes de girar a maçaneta e adentrar o corredor, surpreendido pela ausência de guardas. Um pensamento inquietante me invadiu:
Por que continuo me sentindo como um prisioneiro aqui?
Sacudi a cabeça para afastar essa sensação e dei início à minha missão em direção ao local onde os planadores estavam estacionados, sabendo que esta seria minha rota até a fronteira de Nevernever e o Reino de Ferro.
Caminhei ao longo do corredor por um tempo considerável, ainda sem vislumbrar a presença de qualquer guarda. Novamente, a dúvida sobre minha própria condição aqui me assaltou.
— Por que continuo me percebendo como um prisioneiro?
Balancei a cabeça e dobrei em um corredor, onde uma escada se estendia diante de mim. Subi a escada, seguindo um trajeto em linha reta antes de virar, começando a notar a familiaridade do caminho que eu tinha percorrido anteriormente até meu quarto. Finalmente, cheguei diante de uma imensa porta de metal e, determinadamente, a abri.
Os planadores estavam ali, imóveis, com suas pernas metálicas firmemente seguradas por um corrimão. Aproximei-me de um deles, erguendo os braços. Pouco depois, senti as pernas articuladas arrepiantes agarrando minhas roupas enquanto um dos insetos mecânicos rastejava sobre minhas costas. Apesar do choque momentâneo, superei rapidamente.
Cerrei os dentes e me esforcei para não me sacudir enquanto as pernas se enredavam abaixo de mim, formando uma espécie de rede. Acima de mim, as asas dos planadores zumbiam e agitavam-se, prontas para a decolagem, mas eu permanecia imóvel.
Olhei para baixo, encarando a vertiginosa queda, sentindo meu estômago revirar violentamente, como da primeira vez que experimentei aquilo, prestes a vomitar a qualquer momento. Inspirando profundamente, eu sabia que precisava contar para superar o medo.
— Um, dois, três! — declarei, e então saltei, sentindo-me cair abruptamente para frente. Mantive meus olhos cerrados, com receio de que tudo desse errado, temendo que pudesse encontrar a morte. O vento uivava ao meu redor, um rugido ensurdecedor em meus ouvidos enquanto parecia despencar em direção à minha própria perdição.
Então, o planador se inclinou para cima, nivelando-se enquanto aproveitava as correntes de ar. À medida que meu coração diminuía sua agitação e meu aperto nas pernas do planador relaxava um pouco, com cautela, abri meus olhos e examinei o cenário noturno do Reino de Ferro se desenrolando diante de mim.
************
Em questão de minutos, minha jornada me levou à fronteira, e o sol daquele lugar peculiar começou a surgir no horizonte. Com a ponte se aproximando, libertei-me do planador com um gesto decidido, mergulhando graciosamente em direção à densa floresta que se estendia à minha frente. A distância revelou um grupo de cavaleiros vestindo armaduras negras, encostados descontraidamente em árvores, como se a espera fosse um mero aborrecimento.
Um dos cavaleiros, imponente em sua armadura negra, dirigiu-se a mim com um sorriso irônico.
— Finalmente, resolveu se entregar — disse ele, sua voz carregada de sarcasmo. — Vejo que é inteligente.
Respondi com firmeza, mantendo meu olhar fixo neles.
— Só quero saber se o rei sombra cumprirá sua parte do acordo — afirmei, desafiando sua confiança. — Prove que posso confiar em vocês!
O cavaleiro de armadura negra com um sorriso intrigante e estalou os dedos, fazendo um ruído de galhos quebrando se aproximar. Virei a cabeça para o lado e me deparei com o majestoso gato de pelagem cinza e olhos amarelos, amarrado com cordas extraordinariamente fortes.
— O que farão com ele? — Curioso, perguntei.
O cavaleiro, agora revelando cabelos brancos com pontas de cinza ao remover o elmo, se apresentou.
— Sou Conrad Nightwish, o príncipe do reino das sombras — anunciou com um gesto amplo. Sua voz assumiu um tom mais suave quando ele explicou. — Vou libertá-lo do feitiço que meu pai lançou sobre ele.
Meus olhos permaneceram fixos no animal em apuros enquanto Conrad Nightwish estendeu a mão, emitindo um brilho sombrio que gradualmente acalmou a criatura e a fez perder sua agressividade. No lugar do felino aterrorizado, surgiu um gato maior que a média, mantendo as características distintas de antes.
Com um olhar de triunfo, Conrad dirigiu-se a mim.
— Aqui está a prova de que pode confiar em meu pai e em mim — declarou. — Agora, sigamos em direção ao nosso portal.
Um dos cavaleiros gentilmente pegou o gato em seus braços e entregou-o a mim.
— Cuide bem dele — acrescentou Conrad, lançando-me um olhar de deboche. — Pode considerá-lo seu bichinho de estimação. — Ele pegou meu queixo com dedos gélidos, forçando-me a encará-lo. — Em breve, descobrirei o que meu pai tanto deseja de uma criatura como você.
Enquanto ele se afastava, os outros cavaleiros assumiram uma postura protetora em torno de algo inestimável, deixando-me abraçar o gato fada, a única presença que parecia verdadeira e confiável em meio àquele mundo sombrio e misterioso.
*************
Caminhamos ainda mais profundamente na densa Wyldwood, cada passo aumentando a sensação de ser uma presa acuada em território hostil. Nossa jornada nos levou através de um trajeto sinuoso que parecia não ter fim. Finalmente, chegamos a um local mais adiante, onde me deparei com um tronco de árvore morto, destacando-se com uma porta meticulosamente esculpida em sua superfície, adornada com intrincados detalhes de pedra negra. No centro da porta, um emaranhado de espadas se cruzava artisticamente, e acima dela, uma pedra negra ricamente trabalhada com padrões complexos.
Conrad, virando-se para mim, perguntou com um tom misterioso:
— Preparado para conhecer o seu novo lar?
Ele se aproximou da porta, e de repente, um brilho sombrio começou a irradiar dela, formando um redemoinho de trevas que se espalhava pelo ambiente, engolindo implacavelmente a vida selvagem e a flora ao nosso redor. Fiquei paralisado pelo choque, mas Conrad agiu com determinação, agarrando meu braço com firmeza.
— É agora ou nunca! — exclamou Conrad, me empurrando em direção ao portal. — Nos veremos do outro lado!
Com um empurrão vigoroso, atravessei a escuridão aterrorizante do portal, deixando para trás a Wyldwood e tudo o que conhecia.
*************
A sensação de atravessar aquele brilho rodopiante foi intensa, como se inúmeras lâminas afiadas cortassem minha pele, enquanto a escuridão espreitava constantemente, tentando consumir não apenas meu corpo, mas também minha alma. Quando finalmente a agonia passou, desabei de joelhos sobre um chão áspero de pedras, murmurando irritado, uma vez que não havia solicitado a intervenção de alguém do misterioso Reino de Ferro para curar seus ferimentos.
Subitamente, uma figura emergiu das sombras ao meu lado, e ao erguer a cabeça, deparei-me com Conrad, cujo sorriso sombrio iluminava o ambiente sombrio.
— Seja bem-vindo ao Reino das Sombras — disse Conrad com uma voz repleta de mistério. — Este é o lar das Fadas das Sombras, que residem nas profundezas de Nevernever, o lugar onde as verdadeiras Fadas vivem.
Ele gentilmente segurou meu braço e me ajudou a levantar do chão, enquanto um gato sonolento remexia-se em meus braços, mas permanecia adormecido.
— Eu vou levá-lo até onde os prisioneiros estão — continuou Conrad, sua voz sussurrante. —E depois, vou informar o rei de sua chegada e fazer os preparativos necessários para apresentá-lo às fadas do nosso reino. Finalmente, ele revelará o grande plano que tem para você.
Permaneci em silêncio, consciente de que palavras não fariam diferença naquele momento. Assim, entreguei-me ao guia sombrio, mas antes de seguir em frente, permiti-me observar o cenário ao redor. Um imponente castelo negro erguia-se à minha vista, e a certeza de que ali encontraria meu destino final se fez presente.
____________________
Gostaram?
Até a próxima 😘
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top