07| Anéis de papel

"Eu gosto de coisa brilhantes" - Taylor Swift

Encaro minha xícara de café e olho para o adoçante que está ao seu lado. E encaro o olhar julgador de um pássaro, me observando pelo lado de fora da cozinha. Sua penugem não era uniforme, e intercalava entre tons de cinza e bege. Pousara em um galho de laranjeira que crescia ao lado de nossa casa.

Suspirei. Que saco, esse lugar é lindo. A luz de nove horas da manhã reflete pelo vidro da janela da cozinha e brilha no balcão de madeira e nos azulejos amarelados, clareando ainda mais o cômodo. Minha caneca de café aguarda resposta — se vou colocar adoçante ou não — e eu acabo decidindo por não colocar e tentar algo diferente. Tomei um grande gole de café. O gosto amargo desceu pela minha garganta me acordando. Não foi tão ruim.

Respirei fundo e coloquei Taylor Swift para tocar, aproveitando que mamãe a Frida saíram mais cedo e eu estava sozinha em casa. Pego um fone de ouvido e encaixo no meu celular, me dirigindo para a varanda.

Uma brisa bate em minhas pernas descobertas, e aí que percebo que ainda visto meu pijama do Nascimento de Vênus. Sento na cadeira de balanço que fica na parte de fora da casa e coloco a caneca na mesa do meu lado. Hoje eu posso demorar para sair de casa, já que minhas aulas só começam de tarde.

Sinto a brisa outonal no meu rosto enquanto bebo da minha xícara e fecho meus olhos para apreciá-la. Esqueço do mundo, esqueço que estou de pijama, esqueço que estou na Itália e esqueço de meus problemas. Toca "Paper Rings" no meu fone e balanço minha cabeça no ritmo da música, murmurando alguns versos.

Abro meus olhos, dando de cara com aquela vista estonteante de Villa Bella. As colinas, subindo e descendo, o mais longe que você olhasse ao horizonte e o farol, vermelho e branco, ao longe.

Saio da varanda e vou para o meu quarto para me trocar. Enquanto "cardigan" toca no celular e eu danço escolhendo minha roupa, lembro do dia anterior e um sorriso inconsciente surge no meu rosto.

Catherina é uma garota muito legal. E Francesca é maravilhosa.

No caminho para a cafeteria, eu encontrei algumas coisas em comum entre mim e a ruiva. Ela tem a mesma idade que eu e adora teatro. Descobri também que sua mãe é a professora de coral da escola e que ela tem um pastor alemão, que ela apenas chama de Alemão, já que sua família nunca escolheu o nome para o bicho. Catherina gosta de Taylor Swift e isso é o suficiente para eu me interessar por ela.

Não sei se acho fofo que Fran pediu meu número com uma intenção totalmente diferente da que ela disse. Eu sei que gosto de passar meu tempo com ela. E hoje combinamos de estudar italiano juntas.

Saio de casa com a mochila pesada de materiais e tento pegar um caminho diferente hoje, mesmo sem conhecer a cidade direito. Ele tem menos subidas do que eu pego e a vista de Villa Bella fica um pouco mais escondida atrás das árvores e arbustos.

Devo ter me perdido umas três vezes antes de esbarrar em Gia e Nina. As duas sempre passavam pelo caminho alternativo que eu escolhi hoje e dei sorte de encontrá-las. Gia vestia um vestido marrom, de um tom mais claro do que seu cabelo longo, contrastando em sua pele avermelhada e seus olhos levemente puxados. Nina estava de rosa, como eu imaginava. Sua saia midi camurça e sua blusa com mangas bufantes e estampa de gatos combinavam perfeitamente com seu estilo romântico de ser. Seguimos até o colégio conversando sobre nossas vidas beem superficialmente, mas o suficiente para saber um pouco sobre cada uma. Elas me perguntaram sobre Londres, sobre o que gosto de fazer em meu tempo livre e qual era minha cor favorita. Roxo, sempre gostei de roxo.

Chegamos no pátio do colégio e eu não pude evitar de procurar por Francesca. Avistei-a conversando com Athena e rindo da cara da Ofélia. Fran optou por um vestido azul, solto da cintura para baixo. Começava a entender o estilo da garota. Ela sempre parecia ter saído de um conto de fadas.

Acenei para ela, que acenou de volta com um largo sorriso em seu rosto, mas logo senti o peso em meus ombros aumentar (e não era a minha mochila, já que eu a coloquei no chão, para descansar). Vi uma mão em meus ombros e quando olhei para trás, Catherina estava apoiada em mim, ajeitando seus tênis. Sorri sem graça com a falta de jeito da garota, mas ignorei aquilo.

Bianca chegou por trás, expulsando a ruiva com "Bad Reputation" da Joan Jett tocando em seu celular, alto e claro. Catherina pareceu se incomodar com o som pesado e a outra garota aproveitou a chance, me arrastando para mais perto do grupinho.

Com um braço apoiado no meu ombro, ela pega um fone com a outra mão e oferece um lado para mim. Ouço de longe "Feels Blind" e pego o fone, colocando-o no meu ouvido. Ela parece gostar de punk rock dos anos 80. Imediatamente ganhou meu respeito.

Ofélia e Francesca acenam para mim de longe e Athena parecia estar perdido no espaço-tempo, enquanto amarrava seus cadarços. Tento acompanhar o passo da garota ao meu lado, mas no meio do caminho, tropeço em mim mesma.

Bianca me segura, querendo muito segurar a risada. Desaprovo aquilo com o olhar, mas rio com ela.

— Foi mal, novata. — Ela diz, pegando um chiclete no seu bolso e mascando-o. — Vou mais devagar agora.

— Tudo bem. — Respondo, vendo que estávamos mais perto de Athena agora. — Já chegamos mesmo.

Francesca olha para cima quando ouve minha voz. Olho para ela também. Sinto meu rosto esquentar e fito o chão, envergonhada. Ouço um riso leve vindo dela e olho para longe.

— Ursula. — Ofélia me chama, me obrigando a olhar para ela.

— Uhm? — Pergunto, olhando para a garota. Ofélia vestia um vestido preto com a logo do Guns n' Roses estampada em todos os cantos. Seu cabelo crespo estava em tranças coladas em seu couro cabeludo e preso em um rabo de cavalo alto.

— Acho que Francesca tem algo para você. Não é, Fran? — Athena entra na conversa, chamando atenção da de azul.

Parece que uma lâmpada se acende acima da cabeça de Fran, que pega rapidamente sua mochila no chão e tira algo de uma bolsinha de pano.

— É da turma. — Ela diz, mostrando o que tinha na bolsinha.

Anéis de papel.

Pequenas tiras de papel coladas na ponta, com meu nome no meio.

— E é provisório. — Ela adiciona. — Todos nós temos um, viu? — Ela diz mostrando suas mãos cheias de anéis. — Representa nossa amizade.

— Você tem vários. — Eu rebato, ela vira os olhos num sorriso sarcástico.

— O meu é esse, da constelação de Leão. Sou leonina e adoro astronomia. — Diz, apontando para a sua mão esquerda. — Athena tem um de costela de adão porque adora plantas e Bianca usa um de orelhas de gato, pois tem três. Ofélia tem uma guitarrinha porque adora rock e Nina carrega um anel de rosa porque ama a flor e a cor. É simbólico, Ursula, e nossa forma de dizer que você pode contar com a gente.

— Você é nossa amiga, mesmo que tenha chegado agora. — Bianca esclarece. — E você é meio maneira, então isso é legal.

— Valeu, galera. — Dou um sorriso, olhando para a garota de tranças francesas. Sei que isso foi esforço dela, e eu nem a conheço a tanto tempo. Ela se importa. — Sabe? Eu sempre gostei da lua.

— Ursula acontece de ser o nome da deusa eslava da lua. — Fran diz. — Talvez seja um sinal.

— Talvez seja.

O dia transcorreu tão naturalmente que eu nem percebi quando acabou. Corremos para o auditório, eu, Francesca, Athena e Bianca, a tempo para darmos de cara com nossa professora de línguas, que se ofereceu para ajudar nas audições.

Ela é a única legal o suficiente para isso. Não é como se toda a escola apoiasse o clube.

Depois de uns dez minutos de ensaio, nos reunimos para começar as audições. Disse que ficaria de fora dessa vez, mas Athena insistiu para eu ser ao menos substituta em algum papel.

Um burburinho começou e logo percebemos que aquilo viraria uma briga: Francesca e Catherina discutiam sobre como os testes deveriam começar.

— Principais primeiro. Única coisa lógica a se fazer! — Cat exclama, Francesca vira os olhos e a ruiva fica ofendida.

— Que lógica? A de você sempre querer aparecer por conta de papéis que você não dá conta?

Aquilo pareceu o limite para Catherina. A ruiva ficou boquiaberta e completamente chocada. Francesca falou a última frase tão tranquilamente, que parecia ser planejado. Catherina exclamou algum palavrão em italiano e Ariana presta atenção na briga, mandando as duas para fora.

Alguns minutos passam e elas continuam discutindo. A porta do auditório se abre, e nossa professora passa, com uma larga xícara de café e segura a porta para as duas passarem. Catherina está vermelha de raiva e braços cruzados, enquanto Francesca esboça um leve sorriso em seu rosto.

— Coadjuvantes primeiro, galera. Depois faremos os principais e substitutos. Vamos começar. — Ariana anuncia, fazendo a ruiva bufar. Vejo Bianca esboçar outro sorriso e Athena olha para longe da cena, rindo bem baixinho.

Trio caótico.

— Quer saber? Vou ficar de fora dessa peça. Se quiserem, eu ajudo com o roteiro, mas eu não quero mais atuar com vocês. — Catherina diz, chamando atenção da turma e sai pela porta, bem chateada.

— Só porque ela não conseguiu o que queria? — Gia questionou, colocando seus braços na cintura. Todos pareciam chateados com a ruiva e tinham motivo para isso. Que menina...

— Mimada. Ela é apenas mimada. — Bianca completa meu pensamento, sabendo que o resto das pessoas que estão ali pensam o mesmo.

Catherina Pavarotti é totalmente desprezada pela turminha.

— Vamos continuar. Não tem o que fazer, se ela não quer participar. — Francesca diz.

O resto do ensaio pareceu ser mais leve do que o início. Encerramos as audições e esperamos um pouco para podermos sair. Os resultados seriam colocados no auditório amanhã.

Nossa turma saiu de lá, alguns indo para a sorveteria perto de nosso colégio e outros se despediram, indo para suas casas. Fiquei esperando Francesca pegar sua mochila para podermos escolher um lugar de estudo.

— Podemos passar na minha casa primeiro? — Ela pergunta, enquanto caminhamos em direção à saída da escola. — Preciso pegar os livros dos outros anos.

— Claro.

Silêncio constrangedor. Caminhamos até a casa da Fran, que coincidentemente, não é muito longe da minha. Fiquei do lado de fora, esperando ela pegar as coisas e decidirmos um lugar para estudar.

Sentada no degrau da porta da frente da casa da garota, fiquei olhando para os anéis no meu dedo. Lembrei de um anel muito antigo que pertencia à minha mãe, que eu não sei aonde foi parar, mas poderia fazer o trabalho.

Hoje é um dia ventoso. Uma brisa leve sopra em meu rosto e eu aproveito aquele refresco, pegando meu caderno de rabiscos e esboçando a vista.

Por algum motivo, desenhar paisagens sempre foi fácil para mim. Não me preocupo quando eu faço isso. Virou costume.

Bel disegno. — Uma miniatura de pessoa falou comigo. Ela usava um vestido rosa e florido e se eu me levantasse, ela passaria alguns centímetros do meu quadril. Seu cabelo acastanhado e cacheado, e sua pele dourada brilhavam com a luz do pôr-do-sol. Acho que ela disse algo como "desenho bonito" para mim e eu sorri para a garotinha. — Chi sei?

Carissa, dove sei? — Uma voz madura e feminina chamou a garotinha, que se virou rapidamente e se escondeu atrás de um dos grandes vasos de flores do jardim da casa de Francesca. A figura da voz madura se revelou e olhou para mim com um leve sorriso e um pouco de surpresa. — Scusa, mia figlia è molto curiosa.

Non parle italiano muy bien. Meu Deus, por quê? Como que eu faço isso?

— Você misturou três idiomas numa frase? — Ela perguntou, com um ar risonho. Seu sotaque era carregado e bem presente. A mulher usava calças jeans e uma blusa colorida de bolinhas. Seu cabelo era da cor do da garotinha, além de ser curto e ela segurava uma jaqueta de couro e um capacete de moto em suas mãos.

— Italiano, francês e espanhol. Fiquei nervosa.

Ela deu uma risada.

— Te entendo. É "parlo" e não "parle". — Aceno, concordando. — Desenho bonito. Você é boa.

— Valeu.

Ela sorri e ficamos em silêncio. A voz de Francesca soa dentro da casa, chegando cada vez mais próxima de nós. Ouço a porta abrir atrás de mim e ela murmura alguma coisa para a irmã, que ri. Essa família parece ser muito risonha.

— Vão estudar, meninas? — A irmã de Fran perguntou para nós e eu vi o rosto de Francesca corar. — Acho que mamãe e papai estão saindo, e Nico está com Capri. Vou levar Carissa para brincar no parque, então não devo voltar em menos de duas horas. Dá bastante tempo para vocês estudarem. — Ela diz, fazendo com que Francesca core e derrube um dos cinco livros em seus braços. Acho que a mulher dá ênfase na palavra sem querer, mas causa uma reação engraçada em Fran.

Dou uma leve risada.

Rosetta, vattene! — Francesca exclama com a irmã, nervosa.

Ciao, Francesca. — Rosetta diz, rindo do nervosismo da irmã. — E ciao, você. — Ela continua, incerta. — Qual seu nome?

— Ursula.

— Certo. Ciao, garotas!

Fran dá um suspiro, aliviada com a saída da irmã.

— Me desculpa por ela. — Ela fala, chateada e balançando seu vestido, sentando no degrau comigo. — Rosie não tem limites.

— Você não precisa se desculpar, ela estava sendo amigável. — Respondo, rindo. Francesca vira os olhos, junto de seu corpo e por um momento estamos perto demais uma da outra.

Seu rosto está tão perto do meu. Tento desviar.

Meus olhos me traem.

Sua boca é tão bonita. Nunca notei. Observo-a, calmamente. Seus joelhos estão dobrados, e ela apoia a cabeça em sua mão direita, mas tenta se ajeitar. Engole em seco. Minha respiração fica pesada e meu rosto todo esquenta.

Ela notou. Seu rosto inteiro fica vermelho e tenho certeza que o meu ficou também. Meu Deus.

Seus olhos cor-de-mel encaram meus lábios, retribuindo meu ato. Minhas bochechas esquentam. Nós mal nos conhecemos. Eu me aproximo mais, sem nem perceber.

Então, algo faz barulho. Nós saímos de nosso transe e nos afastamos, olhando para uma criatura de pelos negros e olhos azul-esverdeados. Um gatinho.

Ele se esfrega na minha perna e mia, pedindo algo. Pego-o no colo e faço carinho em sua cabeça. A criaturinha ronrona, fechando os seus olhos pequeninos. Tão minúsculo, que se ele deitasse em minhas palmas, poderia carregá-lo assim. Solto ele no degrau e ele sobe nas minhas pernas.

Logo, o gato se assenta em meu colo.

— Ele gosta de você. — Francesca diz, depois de minutos de silêncio. — Bom gosto.

Rio, levantando meu olhar. Ela 'tá certa.

— Vou pensar num nome para ele. E se eu encontrá-lo de novo? — Digo, fazendo carinho no gato. — Hades. Por causa do olho azul. Me lembrou da animação.

— É um bom nome. Gatos pretos são analogias à Hades, sabia? Começou com o conto do Edgar Allan Poe e se estendeu.

Nossa, que legal. Acho que Francesca é o tipo de pessoa que sabe várias coisas e quando tem a chance, joga no meio da conversa. Ou talvez ela só esteja tentando quebrar o climão que ficou agora.

Acenei a minha cabeça, como se dissesse "que interessante" e ela sorriu.

Mais silêncio. Ainda mais constrangedor do que antes.

— Nós devíamos... — Interrompo o constrangimento, com o olhar focado nela. Por que eu estou tão afetada?

— Estudar. É. — Ela completa, desviando o olhar para longe. Continuo olhando para a garota.

— Aqui... ou...

— Biblioteca! — Ela exclama, exasperada. — Tem uma biblioteca, descendo algumas ruas. É perto daquela praça que estávamos naquele primeiro dia do teatro. Sabe do que eu estou falando?

Seguro uma risada. Ela também ficou afetada. Concordo com um aceno de cabeça e ela levanta, ajeitando seu vestido azul. Tiro o gato do meu colo e batos os pelos que ficaram na minha calça jeans. Levanto, ajeitando minha blusa xadrez e pego minhas coisas.

— Vamos?

Francesca passa na minha frente, escondendo o rosto entre os livros.


Io sono, não Io sone. Tenta de novo. — Ela diz, apontando para o livro na minha frente.

— Mas eu escrevi Io sono. — Eu mostro, tirando o dedo dela do caminho. — Aqui. Isso é um "o", não um "e".

— Parece um "e"! — Francesca exclama. — Tem certeza que isso é um "o"?

— Sim, Francesca, eu tenho certeza que é um "e"! Olha!

Ela observa a palavra atentamente. E então, escreve as palavras para comparar.

— Isso não pode ser um "o". Olha a diferença!

— Você tem a letra de professora de fundamental! A minha letra é de um médico com problemas de raiva e Parkinson!

Ela olha para mim e ri. Não aguento e caio na gargalhada com ela. Um coro de "shh" soa pela biblioteca e Francesca continua rindo, mais baixo.

— Isso foi bem específico.

— É basicamente o meu pai. Tirando a parte do Parkinson. Mas a família inteira dele tem, então ele pode ser o próximo.

— Uau.

— Eu sei. Muita lixo pessoal de uma vez.

— Você não viu nada, Ursula.

Que audácia.

— Quer apostar? — Pergunto, com a sobrancelha levantada. Fran toma um gole do copo ao seu lado e fecha o livro na minha frente. — Eu sou lésbica e minha família toda é homofóbica. Meu pai e tios inclusos! Só a minha mãe que está relativamente confortável com minha sexualidade e minha irmã não se importa muito.

— Pansexual com irmão homofóbico, irmã que aparece de vez em nunca e pais com filho preferido que não dão valor a nada que eu faço.

— Sinto muito.

— Eu também. Acho que acabamos por hoje, não é?

— É. Quer que eu te leve para casa?

— Não precisa. Mas eu posso te levar.

— Mãe! Cadê o anel da Jaci? — Grito, do quarto dela, procurando pela caixinha de joias.

— Que anel, filha? — Mamãe grita da cozinha. — O de madeira?

— Isso! — Respondo. — Cadê?

— Espera, Ursula, 'tô indo aí!

O barulho do seu salto plataforma soa nas escadas, e logo minha mãe abre a porta, aparecendo em sua saia lápis de tons azuis e um terno branco. Seu cabelo cacheado está solto e ela coloca seus óculos de grau, para procurar.

— É o de lua, filha?

— É. Eu queria saber se posso ficar com ele. Acho que ele combina comigo. Descobri hoje que eu tenho o nome de uma deusa da lua.

Mamãe sorri.

— Combina mesmo, Ursula. E para mim você sempre teve o nome da vilã de "Pequena sereia". Se eu soubesse disso, ia ser mais significativo.

— Mas é legal que eu tenho o nome das suas personagens de filme favoritas. — Argumento rindo.

— Sempre gostei das vilãs, querida! — Ela ri. — Aqui, querida. Não perde. É uma das únicas coisas que eu ainda tenho do Brasil.

Agradeço, dizendo que eu não vou perder e saio de lá, descendo para ficar na varanda e ver o final do pôr-do-sol.

O sol foi embora, mas eu fiquei aproveitando a vista noturna da cidade. Aos poucos, as luzes dos postes e do farol se acenderam, iluminando a noite.

Um barulhinho agudo surge por detrás da cadeira em que estou sentada e olho para baixo, para ver o que é.

— Oi Hades. — digo para o gatinho. — Você meio que me atrapalhou hoje, sabia?

Ele não responde. Só se esfrega na minha mão e eu o pego no colo. Hades deita na minha calça de novo e ronrona alto. Faço carinho na cabeça dele.

— Quem é esse? — Frida pergunta, vindo para frente da cadeira e sentando no banquinho que tem ao lado. — Podemos ficar com ele?

— Chama a mamãe e pergunta. — Respondo e Frida sai correndo atrás da nossa mãe.

Depois de vários minutos com a minha irmã convencendo-a, ela deixou. Eu disse que escolhia o nome e todas concordamos em cuidar do bichinho juntas.

Meu bolso vibra e pego meu celular.

JANE:

oi amiga, como foi seu dia?

EU:

Eu adotei um gato.

Aprendi italiano

E quase beijei a Francesca.

BOA TARDE QUASE NOITE COM GAY PANIC DA URSULA E DA FRAN

e qm era catherina stan, tenho certeza q desistiram kk

desculpa a demora😶 mas queria avisar q eu provavelmente não vou fazer a maratona agora 😭 talvez outro dia, mais p frente, qm sabe...

Queria também perguntar o que vcs estão achando dos capítulos, da hist, etc ksksks

não esqueçam de votar se gostaram e até o próximo capítulo🧚🏼‍♀️

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