cap 03° Adeus☔


Jeon Jungkook:

Eu havia reconhecido os dois caras que estavam me procurando no hospital, com certeza eles vieram terminar o que começaram. Só que para eles não me verem eu puxei o rapaz loiro para ficar em minha frente. Não foi minha intenção puxá-lo com tanta força, mas ao fazer isso notei em seus olhos lindos o quanto ele se assustou com meu ato.

Bem o que eu não esperava era que naquele corre corre para atender paciente, uma enfermeira fosse empurrar ele sobre mim e com isso nossos lábios se tocaram.

Sim eu sei que foi rápido o que eu senti, porém foi tão diferente, seus lábios eram quentes, macios e volumosos tinha um sabor tão gostoso e exótico, diferente de todos que já provei. É incrível como em tão pouco tempo eu percebi tudo isso!

Porém o que eu não esperava era que ele me desse um tapa. Bem, é o que eu lembro até aí.

Ao acordar me deparo com ele me olhando com o mesmo sorriso diabólico, me assustei pois estava com medo de levar outro tapa daquele baixinho, ao tentar me ajeitar na cama, ele me alertou e pediu para que eu não me mexesse por causa da minha perna, e foi aí que eu olhei na direção e vi que ela estava engessada, olhei para ele com raiva, pois isso foi tudo culpa dele.

O médico entrou e veio e perguntou como estava me sentindo, eu disse que só estava um pouco tonto, o baixinho puxou o médico para perguntar algo. Mas pelo quarto ser pequeno eu escutei tudo.

O doutor disse a ele que eu apresentaria um quadro de perda de memória temporária. E isso foi o xeque mate para mim, ele saiu para fazer o pagamento, eu fiquei sozinho no quarto pensando quem estaria por trás desse atentado, logo eu que nunca fiz nada de errado para ninguém, até onde eu sei nem inimigo eu devo ter aliás eu tinha.  Porque depois dessa noite eu já não sei mas o que pensar.

Vou continuar fingindo que não me lembro de nada até eu descobrir tudo, até lá ficarei escondido, quero que todos pensem que eu realmente estou morto, só peço a Deus que meu avô resista e segure firme até eu voltar e não coloquei Jung Hoon na presidência, na primeira oportunidade voltarei.

Eu exigi ao loiro que ele arcasse com todas as minhas despesas se não eu iria denunciar ele para a polícia. Eu sei que isso que eu estou fazendo é errado, mas eu não me importo. O loiro ficou apavorado dizendo que iria cuidar de mim até a minha recuperação, ele disse que iria ser meu enfermeiro particular. 

Isso vai ser divertido. — Pensei.

 Assim que chegamos em sua residência, minha vontade foi de falar que não precisava mais do seus cuidados. Eu não irei sobreviver aqui, nunca estive em um lugar assim, não estou menosprezando, mas isso é novo pra mim. 

Perguntei a ele onde ficava o elevador, e ele gargalhou alto, sua risada saiu tão gostosa, posso está exagerando mas ela me fez ter vontade de sorrir também. Ele me ajudou a subir os degraus. Mesmo eu sendo maior e pesado ele continuou subindo.

Querem saber de  uma coisa que eu descobri? Eu odeio escadas, nunca tive tanta certeza disso em minha vida!

O apartamento é pequeno, perfeito para uma pessoa só, e aconchegante, limpo e principalmente organizado, bom pelo menos aqui não sei os quartos né, ele deixou suas coisas sobre o balcão enquanto foi para o quarto arrumar, eu fiquei aqui na sala, não a nada que eu podia fazer a não ser esperar até porque eu sou o hóspede, meu pé começou a incomodar, a dor estava voltando e eu precisava tomar meu remédio, abri a sacola que ele deixou sobre o balcão tirei de lá os comprimidos e tomei dois logo de uma vez.

Precisava tomar um banho para tirar esse cheiro de hospital do meu corpo, fui até onde o loiro estava, fiquei ali parado no meio da porta o observando. Jimin arrumava tudo cantando uma música que eu realmente não entendia a letra, assim que ele notou minha presença perguntei onde era o banheiro, ele sorriu abriu uma gaveta tirou de lá uma toalha limpa e me guiou até o banheiro, depois de banho tomado voltei até o quarto, cheguei perto de uma escrivaninha em cima dela havia bastantes desenhos muito realistas, mas o que me chamou atenção foi o porta retrato, era uma foto onde tinha uma criança abraçando uma senhorita muito bonita, seus olhos pareciam com os dela, bem suponho que ela seja mãe dele, peguei o retrato para olhar melhor e ele veio parecendo um gavião tirando rapidamente da minha mão e disse que não era para mim mexer em seus tesouros, eu perguntei se ela era sua mãe, ele respondeu grosseiramente dizendo que isso não era da minha conta.

Jimin preparava nosso jantar, notei que quando ele cortava os legumes ele fazia um bico que o deixou fofo, eu nunca deixei ninguém cozinhar para mim. Não demorou para o jantar ficar pronto ele me chamou para sentar junto a ele na mesa, e logo perguntou se eu precisava de ajuda para me locomover eu como sempre não querendo dar o braço a torcer disse que não precisava, só que ao me levantar senti bastante dor, acabei deixando ele perceber o incômodo então ele serviu um prato e veio até mim e se sentou ao meu lado me fazendo companhia, ao provar o sabor da sua comida me fez lembrar do tempero da minha vó, e isso foi tão gostoso pois ninguém cozinhava igual a ela, mas Jimin sim e estava saboroso demais se duvidar até melhor que o dela.

Ele me olhava tão impressionado, seus olhos brilhavam igual duas estrelas, eu sei que eu fui rude quando disse a ele que já havia comido comida melhor, eu me repreendi por dentro, ele ficou tão chateado que nem comer ele quis mais, me senti mal por isso mas não irei pedir desculpa, até porque Jeon Jungkook não pede desculpas. E também Park estava exagerando.

Levei um susto quando ele pulou e se sentou ao meu lado me dando um sorvete de chocolate de sobremesa, logo em seguida ligou a TV, ele se deliciava com seu sorvete, tentei evitar olhar para ele mas isso era impossível ele chupava seu sorvete com tanta vontade que me fez ficar hipnotizado, imaginando o que aquela boquinha faria. Meu corpo começou a esquentar imaginando tantas coisas, seus lábios são tão chamativos e provocantes que fiquei olhando para ele de boca aberta, passei minha língua em meu lábio inferior, ele me pegou olhando para ele, isso foi constrangedor demais, tanto para mim quanto para ele.

O loiro se levantou dizendo que já iria se deitar, eu nada falei, apenas virei meu rosto para o lado. Já era tarde da noite eu não conseguia dormir, estranhei bastante, queria estar deitado em minha cama. 

Mas preciso de um tempo até organizar tudo, pretendo voltar na hora certa e até porque isso não irá demorar, amanhã entrarei em contato com Yoongi, a chuva passou, e o clima esquentou estava suado, e o gesso começou a incomodar muito e isso é irritante, não tinha precisão foi só uma pequena lesão, o que os médicos não fazem para arrancar dinheiro dos mais necessitados.

Estava quase conseguindo dormir, quando escuto gritos vindo do quarto ao lado, tentei levantar rapidamente sem pensar firmei o pé machucado e isso me fez cair e bater a costa na cama, puxei minha respiração e aguentei a dor calado, mas  deixei sair alguns palavrões por está sentindo tanta dor.

Me apoiei na cama e levantei devagar, me sentei esperei passar um pouco, e novamente Park começou a gritar e chorar, então eu fui até seu quarto, fiquei com receio dele achar que sou um tarado por entrar em seu quarto sem sua permissão, mas os gritos era apavorante, então resolvi entrar e ele estava na cama gritando pedindo socorro, eu segurei em meus braços tentei acorda-lo mas nada adiantava, me assustei com a cena que estava presenciando, meus batimentos começaram a acelerar, eu não sabia por onde começar, depois de uns minutos ele abriu os olhos que só transmitiam medo e desespero.

Depois de me certificar que ele estava bem, sai do seu quarto, mas antes pedi desculpa pela invasão. Eu sei que falei que Jeon Jungkook não pede desculpas,  mas ao vê-lo com tanto medo me senti mal, ainda mais quando ele me agradeceu. 

Me pergunto o que fizeram de tão ruim para ele agir assim? Já em meu quarto puxei a cadeira e me sentei próxima a porta não sei o porquê mas depois do que vi eu quis proteger sua noite para que ele pudesse dormir. 

Escutei ele abrir a porta e ir em direção a varanda, eu o segui sem fazer um único ruído queria ver o que ele iria fazer.  Ao ver ele sentado chorando igual uma criança doeu bastante e olha que eu sou do tipo de homem que não deixo nada me comover. Mas olhar para ele era diferente, não sei o que isso quer dizer, mas por um momento senti vontade de proteger e cuidar de alguém pela primeira vez que não seja eu mesmo.

Entrei no meu quarto bem eu iria respeitar esse momento dele, até porque eu no seu lugar iria querer o mesmo. 

O dia amanheceu, ele estava deixando tudo pronto antes de ir para o seu trabalho, ao me ver ele abriu o seu sorriso, confesso que Park é o dono do sorriso mais belo que eu já havia visto. Ele estava tranquilo nem parece que teve uma noite de cão. Ao terminarmos nosso desjejum ele me explicou onde estava tudo, que se acontecesse qualquer coisa era para ligar para seu número que estava pendurado na porta da geladeira, ele havia deixado meu almoço pronto que quando eu sentisse fome era só esquentar no microondas, mas eu não sei fazer nada, sempre tive quem fizesse para mim.

Jimin saiu e eu fiquei sozinho, eu olhava tudo em minha volta e fui até a janela me certificar que ele tinha ido mesmo para não ser pego no que iria fazer, o viu saí em sua moto. Então caminhei até seu quarto, olhei novamente a moça da foto, e tudo começou a se encaixar. Liguei o seu computador mas infelizmente tinha senha, e eu não sabia.

— Droga. — Suspirei.

Voltei para sala e liguei a TV para assistir as notícias.

— Ainda continua as buscas pelo corpo do vice-presidente da Cisco Systems, o jovem milionário Jeon Jungkook, uns dos herdeiros da família Jeon. — A jornalista do jornal impacto informava.

— O atual presidente, o senhor Jeon Jung-seo ainda se encontra internado, seu quadro clínico está  estável, mas tivemos informações que ele está sedado.

Ao escutar a notícia que meu avô precisava ser dopado, minha vontade era de ir até o hospital e dizer que estou bem e vivo mas eu não posso fazer isso não agora.

— O senhor Jeon Do-yun pai de Jeon Jungkook irá fazer uma coletiva de imprensa hoje no final da tarde junto com seu filho mais velho, Jung-hoon que logo hoje pela manhã nos deu uma pequena entrevista onde mostrou-se está muito abalado com o desaparecimento do seu irmão. Em sua entrevista ele nos comunicou que a família Jeon ainda está com esperança de  encontrar seu irmão com vida.

Com raiva desliguei a TV, isso e inacreditável como existe ser humano assim. Pensei em comunicar Yoongi, achei melhor não. Bem sei que para alguns isso que estou fazendo é desumano. Mas não no meu ponto de vista. Deixarei passar mais alguns dias e só assim entrarei em contato com Yoongi. Mas por outro lado eu preciso que ele seja meus olhos e ouvidos e fique por dentro de tudo.

As horas se passaram, estava com fome, caminhei até a cozinha, meu almoço estava em cima do fogão, só que estava frio, então resolvi ligar para Jimin, afinal ele prometeu que iria me ajudar caso eu precisasse dos seus serviços.

Liguei a primeira vez ele não atendeu, liguei novamente e só iria parar quando ele me atendesse. 

| Não me diga que você ateou fogo na minha casa? — Foi a primeira coisa que ele perguntou.

| Que horas você vem, estou com fome. 

Ao escutar minhas palavras, Jimin ficou furioso e começou a falar tão rápido que eu quase não entendi nada. Ele falou que não poderia vir porque estava no trabalho. 

Só na minha cabeça que ele iria cumprir com suas palavras, mas isso não vai ficar assim. Estava deitado quando escuto barulhos de chave sobre o balcão, olhei rapidamente e o vi parado me olhando furioso. Me senti mal depois do sermão que ouvi dele, Jimin foi em direção ao seu quarto e não demorou para voltar.

O convidei para me fazer companhia eu não queria comer sozinho, mas ele disse que não poderia ficar, pois se ficasse iria se atrasar, eu nada falei, e ele saiu, sempre fiz minhas refeições sozinho e nunca me importei com isso, não sei o que me deu, perdi até o apetite, fiquei brincando na comida quando a porta é aberta novamente.

— Esqueceu alguma coisa? — Perguntei olhando para ele.

— Sim de almoçar com você! — Jimin respondeu. Assim que escutei sua confirmação algo dentro de mim começou a bater fortemente.

Park se sentou de frente para mim e se serviu um pouco de salada, o clima era estranho mas ao mesmo tempo agradável. Park terminou e foi para a empresa me deixando sozinho novamente. Ele me avisou que só voltaria depois das seis pois iria fazer hora extra.

Eu olhava quase toda hora no relógio para verificar as horas, mas parece que elas hoje resolveram passar em câmera lenta. Ficar sem fazer nada estava me deixando muito irritado, eu precisava de um celular urgente para ficar por dentro de tudo o que estava acontecendo na Cisco e precisava saber sobre o meu avô. Eu sei que eu disse que não iria entrar em contato com Yoongi mas mudei de ideia. Disquei o número, chamou, a primeira, a segunda, eu rezava para ele atender.

| Alô.  

Fiquei em silêncio para ouvir se ele estava sozinho. 

| Se não responder, irei desligar! — Yoongi não muda nunca esse seu jeitão.

| Não desligue sou eu Jungkook, não dei bandeira se afaste de todos agora.

| Olha aqui se isso for uma brincadeira de mal gosto eu vou descobri quem é, e vou até o inferno e te acho.

| Preciso que rastreie esse endereço e venha até mim, mas cuidado para não ser seguido, Yoongi.

| É claro senhor irei fazer isso imediatamente.

Desliguei o telefone, me sentei e esperei por ele, não demorou trinta minutos para Yoongi atravessar a cidade e bater na porta. Caminhei devagar para abrir. Olhei para os lados para ver se alguém estava vendo, então mandei ele entrar rapidamente.

— Eu nem acredito. — Yoongi me abraçou chorando creio que seja de felicidade. 

— Vaso ruim não quebra não é mesmo! — Falei apontando para meu pé

— O que fizeram com você, Jungkook-ah?

— Não temos muito tempo, ok. Sabotaram meu carro, perdi o controle, tentei frear mas tudo aconteceu tão rápido eu estava sendo seguido Yoongi, os mesmos caras  foram até o hospital terminar o serviço, quero que investigue quem foi o desgraçado. Ninguém pode saber que estou vivo, na hora certa voltarei nem o Namjoon está me ouvindo. — Yoongi apenas acenava com a cabeça confirmando.

— Você será meus olhos e meus ouvidos dentro da Cisco. Preciso saber de todos os passos do Jung hoon.

— Mas Jungkook Namjoon está sofrendo muito com tudo isso que está acontecendo.

— Eu sei e sinto muito por isso. Mas não quero arriscar preciso de um celular. 

— Pegue fique com o meu, Jungkook. O que houve com sua perna?

— Irei te explicar tudo mas não agora, no momento em que eu estiver completamente recuperado da lesão irei voltar, e esteja preparado. Me mantenha  informado sobre o estado de saúde do meu avô. Agora vá.

— Sim, Jungkook.

Me despedir do Yoongi, me senti mais leve, não demorou muito para Jimin chegar, e nossa se Yoongi demorasse mais um pouquinho Jimin nos pegava. A expressão do seu rosto não estava muito boa, preferi não perguntar nada.

— Jeon, amanhã tenho que te levar ao médico para ele analisar sua perna. Vou trocar de roupa e venho fazer nosso jantar! — Acenei com minha cabeça.

Jimin foi para seu quarto, depois de alguns minutos ele voltou, ele continuava chateado.

— O que houve? — Perguntei.

— Nada! — Jimin respondeu, puxou sua respiração, eu sabia que logo ele iria falar que nem um rádio velho.

— Quer saber hoje a galera da empresa me convidou para comemorar o aniversário de um colega do trabalho. E não vou poder ir!

— Entendi, se o problema e eu, pode ir não se preocupe comigo eu me viro. — Jimin parou de cortar as verduras e me olhou.

— Pode ir eu me viro aqui não se preocupe já disse.

— Tem certeza? — Jimin se aproximou e pôs a costa de sua mão em minha testa. 

— Estou me sentindo muito bem se quer saber. 

Jimin preparou o jantar para mim, e foi tomar banho e se arrumar, estava sentado na mesa jantando quando ele saiu do seu quarto e nossa, como estava lindo eu piscava lentamente olhando para aquele homem maravilhoso em minha frente, então ele sorriu para mim.

— Então como estou? — Jimin deu um giro. 

— Tá legal.

— Legal, só isso. — Jimin mudou seu olhar, eu não entendi. Ele bateu a porta com raiva e saiu.

— Garoto estranho.

Já se passava das 11:00 horas da noite, a TV estava ligada em um canal qualquer passando um documentário do qual eu nem prestava atenção, quando começou a ventar frio caminhei até a janela para fechar e quando olho para baixo vejo Jimin sair de dentro de uma BMW de cor preta, fiquei olhando por trás da cortina, e logo atrás saiu um homem bem vestido, os dois ali pareciam muito íntimos, mas pelo jeito do Jimin o cara estava sendo invasivo demais tipo forçando contato, o cara abriu o porta mala do carro e tirou um buquê de rosas vermelhas e a deu para Jimin. Aquela cena de alguma forma me incomodou, me afastei quando os dois olharam em minha direção, voltei e deitei no sofá. Escutei barulhos de chaves na porta, fingi estar assistindo, Jimin entrou e deixou o buquê em cima da mesa e foi até a geladeira pegou uma lata de refrigerante e tomou.

Ele procurava algo e eu sabia muito bem o quê, andava de um lado para o outro, então veio em minha direção mas eu fingia que não estava dando a mínima para ele.

— Jeon por acaso você não viu dois vasos, eu não me lembro onde eu os coloquei mas eu sei que eu tenho. — Eu nada respondi, continuei assistindo, Jimin se sentou no braço do sofá e me olhou.

— Você voltou de bom humor, é sinal que a noite foi boa. — Comentei e Jimin me olhou  sem entender parando de tomar seu refrigerante.

— O quê? 

— São 11:30 da noite, você atrapalhou meu horário de dormir. 

— Você irá pagar por todas as noites que tem tirado o meu sono Jeon. — Jimin respondeu irritado. Me aproximei do seu rosto segurando em sua nuca.

— Eu não sabia que pensava em mim antes de dormir Park! No que pensas tanto para ficar sem sono? — Jimin ficou vermelho.

— Boa noite, senhor mal-humorado vou dormir e você deveria fazer o mesmo. — Jimin respondeu já se afastando.

Esperei Jimin entrar em seu quarto, para eu poder soltar a respiração, e colocar os vasos que eu estava escondendo. Me levantei e olhei para o lado e vi o buquê de flores em cima da mesa, ignorei e fui em direção ao meu quarto tentar dormir.

Hoje estava completando três semanas, Jimin bateu na porta me perguntando se eu já estava pronto para irmos ao médico novamente, eu disse que já estava saindo. Passou alguns minutos saí do quarto, Jimin estava na sala distraído cantando uma música, ele brincava em sua pulseira. Me aproximei.

— Porque brinca tanto nessa pulseira feia. — Ele se assustou com minha voz.

— Ela não é feia. — Ele me olhou sério mas logo ficou triste. — Foi presente do meu Hyung quando éramos crianças, ele me disse que toda vez que eu estivesse com medo era para contar quantas bolinhas tinha que o medo iria embora.

— Isso e mentira! — Park me olhou chateado.

— Ele é importante para você assim?

— Ele é a única família que eu tenho.

Porra eu fiquei sem saber o que falar para ele, Jimin sorriu, e eu baixei minha cabeça como pude ser tão insensível com ele.

Estávamos sentados esperando chamarem meu nome para entrar na sala, olhei pelo canto do olho para Jimin ele brincava com a pulseira novamente.

— Paciente Jeon. 

Park entrou comigo na sala para escutar o que o médico iria falar, já sentado na cama, o doutor me examinou e tirou o gesso, mas disse que meu pé precisaria ficar imobilizado, enquanto a enfermeira fazia todos os procedimentos, Jimin falava com o médico mas eu não tirava os olhos de cima dele.

— Você precisará de uma enfermeira particular. — A enfermeira puxava assunto comigo mas eu nem dava importância, pois meus olhos estavam vidrados no Jimin com o médico, e ela notou.

— O doutor Min-ho é solteiro, pois não temos tempo para relacionamento. — Olhei para ela não sei onde ela queria chegar com esses comentários.

—  Você tem namorada? — Ela perguntou toda envergonhada.

— Seu irmão é lindo, acho que o doutor Min-ho se interessou por ele, é a primeira vez que o vejo dar tanta atenção a alguém assim.

— Ele não é meu irmão! E meu namorado. — Respondi, Jimin me olhou e eu sorri.

— Mas na sua ficha consta que ele é seu irmão!

— Hoje em dia é bastante comum chamarmos de irmão para o nosso namorado.

— Me desculpe senhor, eu não sabia.

Saímos da sala do médico, Jimin me perguntou o que eu cochichava tanto com a enfermeira eu disse que era nada demais, Park disse que precisamos passar no mercado para comprarmos as coisas para casa, eu apenas acenei com a minha cabeça, se eu dissesse que não levantaria suspeitas, eu andava ao seu lado sempre se cabeça baixa com medo de ser reconhecido, mas acho difícil isso acontecer. Park escolhia as frutas e legumes atentamente, eu nunca tinha ido ao mercado em minha vida. Finalizamos as compras e fomos para o terminal esperar o ônibus, de repente começou a chover forte.

— Está chovendo muito, Jimin é melhor chamar um táxi. — Jimin olhou para seu celular e viu o valor que havia em sua conta.

— Chama o táxi que eu pago. — Park me olhou todo envergonhado e chamou um táxi.

— Onde você conseguiu dinheiro? — Ele perguntou.

— Eu pedi! — Park me olhou desconfiado.

— Você é muito engraçadinho, Jeon.

Chegamos em casa, deixamos as coisas em cima do balcão, estava cansado e meu pé estava inchado. Esperei ele guardar todas as compras. E só assim o chamei.

— Jimin! — Ele me olhou

—  O que foi agora?

 — Me dá banho! — Na mesma hora que ouviu minhas palavras, Jimin, deixou o copo com água cair de sua mão.

— E por acaso você é alejado? — Park retrucou. — Que eu saiba você machucou seu pé e não suas mãos.

— Eu sei que não sou alejado, Jimin mas o chuveiro está quebrado e como quer que eu entre na banheira com o pé desse jeito preciso de apoio. — Jimin ficou parado sem dizer nada, parecia que sua mente estava longe, imaginando outra coisa.

— Espera por acaso você pensou que iria me ensaboar!

Park ficou todo sem jeito, entrou no banheiro e colocou a banheira para encher, eu sorria pois tenho certeza que ele pensou, sacanagem. Bem, quem não pensaria não é mesmo? 

Entrei no banheiro, tirei toda a minha roupa ficando somente de cueca, e chamei por ele. Park entrou no banheiro de olhos fechados ele passava suas mãos pela parede até chegar perto de mim, eu sorria vendo sua reação, me apoiei em seu ombro e entrei na banheira. Park estava de costas para mim mas de olhos abertos.

— Poderia me passar o sabonete? — Pedi, ele caminhou sem se virar, pegou um sabonete líquido e caminhou de costa até chegar próximo de mim novamente.

— Aqui por favor você poderia pegar. 

— Você está longe da minha mão, chegue mais perto. — Jimin aproximou sua mão, eu poderia muito bem pegar, mas eu queria ver até onde ele iria, assim que tocou em meu peito ele jogou o vidro de sabonete, e saiu rapidamente do banheiro, eu sorri. Se passaram alguns minutos então eu o chamei.

— Jimin, eu já terminei, poderia entrar para me ajudar. — Ele entrou e caminhou até mim, virou de costa para que eu me levantasse. Só que ao me segurar em seu ombro escorreguei e acabei o puxando com força,  e ele caiu dentro da banheira comigo, quanto mais Jimin tentava sair, mas se enrola em meu corpo que estava liso pelo sabão, ele olhou para sua mão ela estava em meu peito, Park ficou vermelho, ele não conseguia sair, então eu segurei em sua cintura e o ajudei a sair de dentro da banheira.

Depois da confusão no banheiro fui para meu quarto, já vestido vou para a cozinha, Jimin estava terminando de preparar  nosso jantar, é melhor fingir que nada aconteceu para não deixar ele mais constrangido do que deve está. A tempestade que caia nessa noite era fortíssima, o clima estava agradável. Minha convivência com Jimin foi melhorando a cada dia, já estávamos acostumados um com o outro.

Ao acordar Jimin já havia saído para o trabalho, me sentei em frente a TV e a liguei para ver as notícias, estava chovendo muito nessa manhã.

— Hoje está completando um mês e meio desde que o corpo do vice-presidente do Grupo J caiu no mar, New Bang, a filial da empresa está enfrentando grandes problemas desde que Jeon Jungkook sumiu. As quedas das ações despencaram. E os dados da sua tecnologia quase foram divulgados. Saiu rumores que o Grupo J está preparando um funeral secretamente. Nosso repórter foi até o responsável da New Bang para confirmar. — Ao ver Namjoon na TV joguei todo o café da minha boca.

— Sobre as notícias falsas que estão rolando, nosso advogado tratará delas, usaremos meios legais para defender nossos interesses, só peço aos amigos da mídia por favor, não espalhem essa Fake News. —  Declarava Namjoon.

Desliguei a TV e fiquei pensando, preciso retornar e assumir a presidência, Jimin chegou foi direto para seu quarto trocar de roupa e deixar seus pertences, e em seguida veio até mim com o celular na mão, ele começou a tirar várias fotos do meu rosto.

— Eu sou bonito? —  Perguntei

— Convencido. — Park se sentou ao meu lado e começou a mexer o celular. 

— Porque tirou tantas fotos minhas?

— Estou te ajudando a encontrar sua família, quando eles virem sua foto entraram em contato comigo, então você voltará para casa. — Peguei o celular da mão dele e apaguei todas as fotos.

— Não faça isso Jeon, não apague. Pare. — Jimin tentou pegar o celular da minha mão e mais uma vez ficamos com nossos corpos colados, ficamos nos olhando, meu coração bateu acelerado, fiquei nervoso eu queria tocar tanto seus lábios.

— Você está muito próximo. Parece que quer me beijar. — Perguntei olhando  para seus lábios e Jimin nada falou. Então rapidamente ele saiu de cima do meu corpo.

— Não viaja, Jeon, eu apenas queria pegar meu celular. — O clima ficou estranho, eu devolvi seu celular. Jimin ficou pensativo.

— Espere, isso foi suspeito. — Ele se virou rapidamente para mim.

— Tem algo errado com você? Vamos apenas me diga a verdade. Por acaso você é um criminoso procurado pela polícia? E está se escondendo justamente em minha casa.

— E se eu for um homem procurado? Você seria meu primeiro alvo.  — Jimin arregalou os olhos.

— Afinal você está morando sozinho comigo, e você tem um rosto lindo.

— Você não ouse me machucar! — Jimin falou apavorado.

— Até porque se me machucar, você  não vai conseguir o seu dinheiro de volta.

— Jimin, você ainda nem pagou sua dívida, como eu poderia te machucar?

— Eu sei que ainda não, mas eu vou te pagar, só que ultimamente está difícil as coisas. Por favor, me deixe tirar uma foto sua? — Segurei em seu braço, ele me olhou.

— Então, você realmente quer que eu vá embora? — Perguntei.

No instante que Jimin iria responder a luz apagou, ele gritou se agarrando em mim. Nem precisei perguntar pela forma como ele estava tremendo, com certeza tem fobia de lugares escuros.

— Jeon liga a lanterna do celular agora eu tenho medo do escuro. 

— Jimin o celular tá na sua mão. Você pagou a conta da luz? — Perguntei.

— Sim, espera hoje o síndico disse que iríamos ficar sem energia durante três horas. — Olhei para Jimin suas mãos estavam tremendo.

— Me deixa contar uma história. — Park sorriu e se ajeitou no sofá ficando próximo de mim. Foi a forma que eu encontrei para deixá-lo mais calmo, para que ele não pensasse no escuro.

— Em um pequeno vilarejo, havia um rei que estava muito doente, ele precisa encontrar o seu sucessor, então ele mandou chamar seus três filhos, para vê-lo, assim que os seus três filhos entraram em seu quarto o viram deitado sobre a cama. 

Então o rei disse: 

— Estou velho e doente. E quero que um de vocês assuma o trono para governar o vilarejo em meu lugar. Mas para isso acontecer vocês terão que lutar, um contra o outro e o vencedor será o herdeiro do trono.

Quando a luta começou, o filho mais novo largou sua espada, ele não queria lutar contra seus irmãos, não achava isso justo.

— Porque você está desistindo antes mesmo de lutar? — Perguntou o príncipe mais velho.

— Porque entre nós três eu não estou apto para herdar ou governar o vilarejo. Eu escolho desistir. — Disse o príncipe caçula ao jogar sua espada ao chão, ele caminhou para perto do rei, que o olhava com desprezo.

Agora só resta o príncipe mais velho é o segundo príncipe.

A luta começou os dois eram ágios, os melhores guerreiros do reino, mas no decorrer da luta, a espada do segundo príncipe, arranhou o braço do príncipe mais velho, mas ele hesitou naquele momento, pois seu amor fraterno falou mais alto. Porém o príncipe mais velho fez um ataque rápido e atingiu o segundo príncipe.

Fiquei calado, e Jimin notou.

— Então o que aconteceu? — Jimin perguntou.

— O príncipe mais velho venceu!

— Isso é triste, como pode um rei, assistir os próprios filhos matar um ao outro! — Jimin estava em crédulo.

— Bem o rei criou seus filhos com a lei da selva. — Respondi.

— Ele nem ligou para a vida do segundo filho! — Olhei para Jimin ele estava chorando.

— Eu acho que ele não amava o segundo filho, é o que deu para entender.

— Talvez, o nascimento dele tenha sido um erro. — Abaixei minha cabeça e entrelacei meus dedos.

— O que quer dizer com isso? — Jimin perguntou ao segurar meu braço e me fazendo olhar para ele.

— Porque ele foi adotado. — Ao olhar para ele meus olhos se encheram de lágrimas, mas as segurei para que elas não caíssem.

— Adotado? — Jimin perguntou novamente, mas sua voz saiu baixa e abafada.

— O que foi? — Perguntei 

— Nada!

— Parece que a história mexeu com você?

— Sim. — Jimin ficou calado parecia que estava procurando as palavras corretas.

— Eu também fui adotado por uma família rica quando eu tinha quatorze anos, mas eles me abandonaram, me deixando novamente no orfanato. — Jimin sorriu ao me responder e saber disso me tocou muito.

— Vamos, Jeon está tarde. — Jimin se levantou, eu segurei em seu braço.

— O que foi?

— Pegue não esqueça disso. — Dei seu celular para que ele seguisse seu caminho.

— Estou aqui se precisar de qualquer coisa, é só bater no quarto.

Jimin entrou em seu quarto e eu fui para o meu, não demorou para a luz voltar, ao me deitar fiquei pensando nas palavras dele. A história que contei a ele me fez lembrar da minha infância, desde criança Jin-hoon me maltratava, fazia bullying comigo e eu não podia fazer nada e nem contar para nossos pais, lembro quando ele me empurrou na piscina mesmo sabendo que eu não sabia nadar. 

Não entendo porque eles me adotaram então, se não fosse meu avô me tirar daquela casa eu nem sei se estaria vivo, desde então eu tenho fobia a água, meu pai me deu amor carinho mas era rígido demais comigo, ele sempre faz tudo o que minha mãe quer, exatamente por isso que nada adiantaria se eu falasse alguma coisa para ele.

Eu tinha que mostrar para eles o quanto eu era capaz, então eu estudei bastante, ouvi muita coisa, morar com meu avô não foi fácil, se hoje eu me tornei o vice-presidente da Cisco Systems e por mérito meu, não precisei passar por cima de ninguém para chegar até aqui.

O dia amanheceu, e não dormi quase nada, estava sentado no sofá era domingo, Jimin saiu do seu quarto. 

— Bom dia! 

— Bom dia, Jeon, por acaso você viu minha escova de dente?

— É claro que não. 

Eu só vi Jimin na hora da refeição, ele ficou praticamente o tempo todo dentro do  quarto, eu precisava entrar no email da New Bang, me levantei ainda estava manco, bate na porta do quarto do Jimin, entrei, perguntei se eu podia usar seu computador, mesmo não querendo ele me deixou usar, enquanto ele foi até a cozinha eu aproveitei para entrar em contato com Min Yoongi para saber como estava indo as coisas, e aproveitei para informar que dentre de alguns dias eu iria retornar. Assim que o email foi enviado apaguei o histórico e saí do seu quarto.

Jimin agora vinha todos os dias almoçar em casa, porém hoje notei ele triste alguma coisa o estava incomodando, eu perguntei o que havia acontecido, ele apenas respondeu que nada só estava cansado.

Senti falta do sorriso lindo estampado em seu rosto. O sorriso do qual eu adoro ver todos os dias. Estávamos jantando mas ele não comeu nada, apenas brincava com a salada em seu prato, então chamei sua atenção.

— Jimin olha só, hoje eu ganhei dois ingressos para o cinema. Está marcado para às 20:00 horas, engraçado né porque é nesse horário que você está largando seu turno não é mesmo?

— Sim! E por acaso você quer que eu vá com você? — Jimin perguntou fazendo um bico fofo.

— É claro.

As horas se passaram, a noite chegou eu me arrumei e chamei um táxi para me levar até o shopping, estava ansioso olhei em meu relógio eram 20:00 horas e nada do Jimin aparecer.

— Como sou idiota. — Olhei  para o lado Jimin vinha correndo em minha direção, ele sentou ao meu lado.

— Me desculpe, tive que ajudar um amigo. — Jimin abaixou sua cabeça e se sentia mal por ter se atrasado.

— Tanto faz deixa pra lá. Eu vou para casa. — Me levantei mas Jimin segurou meu braço.

— Espera só um minuto. — Jimin foi até a moça da bilheteria, e voltou com um sorriso lindo em seus lábios, e dois ingressos que ele mesmo havia comprado.

— Vamos assistir é pra isso que me esperou né.

O filme começou e na sala só havia eu e ele, eu nunca me diverti tanto assistindo um filme, como me diverti nessa noite. Voltamos para casa, Jimin estava com o brilho no olhar, ficamos conversando um pouco ele me falou como foi o seu dia no trabalho. Já era tarde da noite, Park estava bocejando muito, ele se levantou e foi para seu quarto. O chamei antes que ele entrasse.

— Jimin.

— Oi, Jeon. 

— Nada não, bom descanso. — Ele apenas acenou com a cabeça.

Eu fiquei esperando ele entrar, e só assim fui até meu quarto pegar minha mochila pois Min Yoongi já estava lá embaixo me esperando. Eu não conseguiria me despedir dele, eu já estava tão acostumado com sua companhia. Antes de sair olhei tudo em volta.

Dizer adeus a ele, me faz sentir uma angústia dentro do peito, porém eu preciso pensar e entender tudo o que está acontecendo, olhei novamente para trás.

— Adeus, Park Jimin..... — Fechei a porta...












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