capítulo 21
Jorge Baggio
Os corredores vazios e escuros, os ecos de minhas pegadas ecoando em minha mente. O ar está pesado, e um sentimento opressor me envolve enquanto me aproximo do quarto de minha mãe.
A porta se abre lentamente, como se estivesse me convidando a entrar. Hesito por um momento, mas uma força misteriosa me empurra para dentro. O quarto é iluminado apenas por uma luz fraca, e lá está ela, sentada na cadeira ao lado da janela.
—Mãe? minha voz sai em um sussurro carregado de emoção.
Ela se vira lentamente para me encarar, e seus olhos estão cheios de tristeza e desapontamento. Meu coração se aperta ao ver a expressão em seu rosto.
—Por que me matou, Jorge?— ela diz em um tom acusatório.
O pânico toma conta de mim, e tento me explicar, mas as palavras parecem presas em minha garganta.
—Eu não quis que isso acontecesse, mãe. Eu era uma criança.— digo com desespero.
Minha mãe balança a cabeça com tristeza.
—Você tinha escolhas, meu filho. Escolhas que levaram a essa tragédia.
Sinto-me sufocado por suas palavras. Tento me lembrar dos acontecimentos que levaram à morte dela, mas tudo parece embaçado, como se as lembranças estivessem escapando de minhas mãos.
—Eu tentei, mãe... Eu tentei te salvar—luto contra as lágrimas.
—Tentou? Meu filho, você é um covarde
—ela responde desapontada.
—Eu sinto muito, mãe. Eu sinto tanto— digo com a voz trêmula.
Minha mãe se levanta da cadeira e se aproxima de mim. Ela me abraça com ternura, mas a sensação é fugaz, como se ela estivesse desaparecendo.
—Vai mesmo destruir nossa família? você nunca fara algo bom, meu filho?
Acordo em sobressalto, meu coração batendo descontroladamente. O suor escorre de minha testa, e me sinto completamente exausto. O peso da culpa ainda está presente em meu peito.
Um alarme insuportável dispara acompanhado com a voz irritante de uma mulher qualquer.
—Que barulho é esse? —A jovem pergunta seminua ao meu lado.
Eu vou até a mesa de cabeceira e vejo o comunicador, reconheço a notificação e pulo da cama para poder desfrutar da cena.
A câmera escondida que coloquei no quarto do meu pai havia me notificado da chegada dele, que já estava seminu, beijando a puta da Sophia, sua esposa.
—Sim, porra. —Comemoro alegremente por ser corno, isso é patético, mas eu não posso deixar de comemorar. —Eu consegui. —Sigo em meio às gargalhadas.
—O que foi? —A mulher do meu lado pergunta sorridente, sendo contagiada pela minha alegria.
—Ué, quem é você? —Pergunto, tentando me lembrar de onde ela saiu.
—Eu sou a Vivian, da mansão dos Vasquez. —Ela diz sem se sentir ofendida por eu não me recordar por que estava dormindo com ela.
—Nossa, desculpa, te contratei para a noite, né? Já acertei tudo? —Vestindo a minha roupa.
—Sim, senhor. —Ela diz se deitando novamente para dormir.
—Obrigado pela noite. —Digo me retirando do quarto.
A mansão dos Vasquez era o melhor entretenimento da cidade, bar, show e puta, tudo que um homem podia pedir, e como éramos sócios, podia aproveitar as regalias que o lugar proporcionava.
Desço as escadas e me deparo com um salão onde alguns homens estavam reunidos.
—Já vai, Jorge. —A voz do meu sócio interrompe a minha retirada.
Juan Vasquez era um jovem negro que cuidava das coisas da família, era sobrinho de Marco Vasquez, o lorde que comandava o tráfico da Europa, cuidava dos negócios em Zagreb.
—Tenho algumas coisas para resolver. —Digo, torcendo para a conversa terminar ali.
—E uma delas é comigo. —Ele diz presunçoso, pegando em meu ombro. —As épocas dos festivais estão chegando, e preciso de novidades, tem muitas coisas novas no mercado, e meus clientes esperam que eu tenha.
—Falta dois meses para o festival.
O maldito festival acontece todo mês de abril e outubro na cidade, pessoas do mundo todo vêm curtir as festividades de duas semanas de duração, tendo festival de músicas, bebidas, drogas, esportes, corridas de carro, moto e cavalo, e muitas outras coisas que me fogem à mente.
—Não quero saber, Jorge.
—Tá bom, eu vou no final de semana para Genebra, me encontrar com o Walter, e vou encomendar algumas coisas para a gente.
—Quero dizer exatamente o que eu quero. Sente-se.
—Como eu disse, estou ocupado. —Digo olhando para o comunicador, que mostrava que era uma hora da tarde. —Quatro horas, eu venho aqui, e fazemos uma reunião, pode ser?
—Como quiser, meu amigo. —Ele diz se retirando. —Quatro horas em ponto, quero você aqui.
Saio da mansão em direção à casa de Samantha, pronto para acabar com ela de todas as formas possíveis.
Tenho que ver sua cara, puta. Penso, dirigindo em toda velocidade, em direção ao apartamento.
Chego no prédio e subo para a cobertura de Samantha, e lá espero para que ela me atenda.
—Oi, meu bem. —A loira me atende sorridente. —Tava com saudade. —Ela avança para me beijar, mas eu me esquivo e adentro o apartamento. —Aconteceu alguma coisa? —Ela diz fechando a porta.
—Muita coisa. —Digo, olhando no fundo de seus olhos azuis. —Sinto muito. —Digo, mexendo em meu comunicador e enviando para ela os vídeos.
—O quevocê tá falando? —Ela diz, olhando as mensagens no comunicador.
O primeiro vídeo mostrava Samantha tendo relações com um bombado latino que trabalhava no prédio onde ela morava.
—Você grampeou o meu quarto? —Ela diz assustada.
—Olha os outros vídeos, você não vai se arrepender. —Digo, sereno.
—O que você fez, Jorge? —Ela diz se assustada se voltando para o vídeo.
O próximo vídeo tem agora o meu pai comendo a puta da Samantha, e seu semblante apavorado à beira do choro me alegrava.
—Agora, para fechar com chave de ouro, veja o último vídeo.
Ela obedece sem questionar e assiste agora o meu pai com a sua mãe, dentro da minha casa. Antes do vídeo acabar, envio um laudo que decretava sua sentença de morte.
—Me perdoa, meu amor. —Ela diz, suplicando entre lágrimas.
—Sabe por que eu fiz tudo isso? —Digo, segurando o seu rosto para poder ver aquela cara de desespero. —Eu quero só que você saiba que eu tenho prova da sua traição.
—Se você mostra isso para o seu pai, ele vai te matar.
—Não. —Digo sorrindo. —Meu pai assassinou as últimas duas amantes dele, ele fez parecer que foi um acidente, isso porque traiu ou mentiu pra ele. Agora eu me pergunto. —Faço uma pausa e controlo o meu sorriso. —O que ele vai fazer com a mulher que passou AIDS pra ele?
O choro falso se transforma num olhar perplexo.
—O que?
—Sabe esse primeiro cara do vídeo, ele tem AIDS, eu paguei ele para vir seduzir você, e você caiu direitinho.
—Não, não, não pode ser.
—Você passou AIDS pro meu pai e ele passou para sua mãe, essa é a moral da história.
—Eu te odeio. —Samantha tenta me socar e eu seguro os seus braços. —Eu tenho nojo de você, Jorge. Eu desejo que você apodreça no inferno.
—Ufa, achei que só eu que pensava assim. —Digo debochando da cara dela. —Agora eu vou dizer o que eu quero, não vai mudar nada entre a gente, tá bom, amor? Nosso relacionamento continua o mesmo.
—O que você quer de mim?
—Vamos namorar de fachada, mas você não vai se meter na minha vida, eu fico com quem eu quiser e não vou vir aqui mais te ver, iremos se encontrar apenas em momentos de socialização, pode ser?
—Acabou, Jorge. Nós não temos mais nada. —Ela diz, pateticamente.
—E isso ou você morre, essas são suas opções.
—Você tá blefando.
—Já cheguei até aqui, você tem dúvida disso?
—Seu pai vai saber que foi armação sua.
—E foi armação, eu vou dizer a ele que eu estava desconfiado de você e descobri que você me traiu com um latino doente. Aí ele vai ligar os pontos e vai mandar alguém pra te matar, simples assim.
—Então é só isso, você quer fingir que a gente ainda namora pra me deixar viva.
—Exatamente, alguma dúvida?
—Você é um doente, eu nunca te amei, eu sempre preferi o seu pai, ele fode muito melhor que você, ele é perfeito, você nunca vai chegar aos pés dele.
—Você tá mentindo, quem é doente aqui é você. —Digo debochando. —Sua mãe também, meu pai e seu amante que eu dei um fim.
—O que você fez com ele?
—O que você acha, mortos não falam. —Digo, dando um piscadela pra ela. —Acho que eu não tenho, mas nada pra fazer aqui. Tchau, meu amor.
Vou para a porta sob as ameaças de Samantha.
—Isso não vai ficar assim. Eu vou acabar com você e tudo que você ama.
—Um conselho, não seria assim que eu gastaria meus últimos dias de vida, porque quando eu estala os dedos, você morre.
Sai do quarto, sem um peso nas costas, sabia que não duraria muito a chantagem, mas teria um tempo pra pensar, agora posso cuidar dos meus negócios e focar na mulher que eu realmente quero, Ellen será minha, isso é uma promessa.
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