Treze

Quando acordei de manhã cedo para ir à aula, toda a lembrança do dia anterior voltou. Senti que não conseguiria levantar para assistir mais cinco aulas somente pela manhã.

E ter que aguentar aqueles olhares... era difícil para mim.

Peguei o celular na cômoda e vi mais de dez ligações perdidas e algumas mensagens. Gelei. Eu havia dormido e deixado o celular no silencioso.

Entre tantas mensagens, a última havia sido mandada perto das duas da manhã:

Eu sei que foi repentino tudo isso, entendo que queira seu espaço e vou dá-lo. Só não me odeie por isso.

Eu não o odiava. Meu Deus, longe disso. Eu só estava chateada, magoada e... apaixonada. Era a verdade. E eu estava realmente perdida quando ele disse que precisaria se afastar.

Não responderia aquela mensagem e nem as outras. Tomaria um banho e iria me recompor para assistir às aulas e pensaria no que falar depois.

Após um café da manhã silencioso com Magda, saí em direção à universidade sentindo que, a cada olhar, eu perdia um pouco da coragem. As pessoas falavam mesmo, apontavam, riam, olhavam com desdém. Com muito esforço, cheguei em sala de aula onde já haviam alguns alunos que não prestaram atenção em mim.

Peguei meu caderno e o livro de introdução e comecei a ler o capítulo daquele dia. Tentaria não me deixar atingir por aquelas coisas, tentaria continuar meu plano.

A aula correu normalmente, embora ouvisse alguns cochichos próximos a mim. Ignorei todos, inclusive os olhares estranhos que recebia.

Após o final da aula, um grupo de garotas chegou até mim enquanto arrumava minha bolsa e me vi cercada de umas cinco delas.

— É verdade? Você é namorada do príncipe?

— Ele é fofo assim como parece?

— Como é conhecer os Orléans e Bragança?

Estava paralisada ouvindo todas aquelas perguntas. Elas não pareciam ser meninas más, apenas curiosas.

— Sinto dizer, meninas, mas o jornal mentiu. Eu sou amiga dele somente. Ele ainda procura uma princesa. — Sorri vendo os seus rostos um alívio até cômico. — Preciso ir.

Ao sair da sala, dei de cara com Rafael. Ele parecia muito nervoso quando me viu. As meninas saíram da sala e pararam bem atrás de mim vendo a cena. Olhei para elas que deram alguns risinhos e saíram pelo corredor. Alguns segundos se passaram até que Rafael falasse:

— Oi...

— Oi. — Respondi firme. Precisava parecer firme ou desmontaria ali mesmo. — O que faz aqui?

— Estava preocupado com você. Não me responde desde ontem...

— Eu dormi pouco depois de falar com você e me atrasei para aula, não tive como responder. — Menti. Menti descaradamente. Estava cansada, não queria discutir aquilo. Se fosse para se afastar, que acontecesse logo!

— Ah, certo.

— Eu tenho aula agora, Rafael. Podemos conversar mais tarde?

Andei pelo corredor passando por ele. Sentia seus olhos me acompanhando e também meu arrependimento pelas palavras. Mas eu precisava ser forte. Não iríamos conseguir nos afastar ou acabar o boato se encontrando em público.

O restante do dia passou lentamente, como um dia de luto. Só trabalhei três horas na biblioteca por causa das provas que teria na semana seguinte. Estava atolada de conteúdo e realmente não queria desperdiçar meu tempo pensando em Rafael ou em tudo que aquilo parecia horrível. Ainda tinha o trabalho das constituições que agora teria que me virar sozinha.

Magda pareceu perceber meu humor e não reclamou quando cheguei em casa dando apenas um "oi" sério e apressado. Entrei no quarto e me foquei no máximos de leitura que pude. Foi quase como um milagre, mas consegui passar boa parte da tarde e da noite focada.

Quando percebi, já eram quase dez da noite e meu celular estava no silencioso. Pude ver duas ligações de Rafael. Suspirei. Realmente não era justo fazer tal coisa com ele, porém eu não conseguia. Eu não saberia o que falar é muito menos sabia como lidar com meus sentimentos malucos.

Não entraria no MSN também já que ele deveria saber que poderia entrar ali também.

Só faria isso naquele dia. Somente naquele dia. Precisava de um tempo, teria duas provas e Rafael não podia mesmo ser meu foco.

Tomei um banho demorado e me joguei embaixo das cobertas. Olhei para o celular que estava em cima da cômoda. Quis pega-lo para ligar, mas não deveria. De repente vejo o celular acendendo e começando a vibrar. Fechei os olhos alguns segundos e, num momento de impulso, olho a tela. Era ele.

— Oi. — Atendi tentando manter o controle sobre minha voz.

— Será que podemos conversar?

— Me desculpe... eu estava tão focada nos estudos que perdi a hora.

— Foi isso mesmo, Diana?

— Em partes sim. — Suspirei. — É difícil para mim.

— Eu sinto muito. Falei aquilo em um momento impensado. Eu estava chegando em casa e fui abordado pelo meu pai.

— Eu também sinto muito que tenha que passar por isso por minha causa.

— Não sinta. Diana, você foi a melhor coisa que me aconteceu nesses tempos. Não haveria nenhum problema eles pensarem que você é minha namorada. Mas insultaram você...

Fechei os olhos quase sentindo as lágrimas descerem.

— E eu não queria que passasse por isso. E foi exatamente esse o motivo que fez meu pai falar aquilo. Não tem nada a ver comigo e sim com sua imagem.

— Seu pai não me odeia? — Estava surpresa.

— Claro que não, Diana! Meu pai te adora. Assim como nossa família. Eu me fiz entender mal...

— Eu pensei que fosse por causa da sua condição...

— Meu Deus, Diana. Sério que pensou isso?

Ele parecia realmente magoado.

— Bom, se eu passei esse sentimento para você, a culpa é minha.

Não sabia o que dizer. Uma parte de mim estava aliviada.

— Eu estava errado. Eu não quero que nós... nossa amizade acabe por causa disso. Eu não saberia como lidar vendo você passando todo dia pela faculdade e fingindo não me reconhecer.

— Eu não faria isso. — Falei, mas sabia que poderia fazer aquilo.

— Então vamos fingir que isso tudo não aconteceu? Que aquela conversa sobre se afastar não existiu. Almoce comigo amanhã. Poderá vir aqui em minha casa ver a coleção de constituições que meu pai tem. Melhor, almoce aqui.

— Você sabe que preciso pensar nisso, não sabe?

— Eu sei que vai pensar. Mas pense em como deixaria todo mundo fez se você trouxesse sua alegria para cá? Inclusive a minha.

Sorri timidamente. Estava mais tranquila.

— Amanhã de manhã eu te aviso. — Falei suspirando. — Desculpa pela confusão.

— Eu quem peço desculpas. Eu não quero que nada fique entre nós dois.

Parecíamos um casal pós briga. Mas não me importei. Senti como se o ar voltasse aos meus pulmões. Tive vontade de me despedir com um "eu te amo". Cheguei a pronunciar em mente, porém estragaria tudo. E eu não poderia jamais colocá-lo em tal situação.

Dei boa noite e quando desliguei, pude sentir meu coração aquecer.

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