Onze

Música para acompanhar o capítulo na mídia.

Acordei com a luz em em cima do meu rosto. Já devia ser tarde já que o sol estava super no céu. Olhei para o relógio na cômoda que marcava onze horas. Havia chegado tarde em casa e ainda havia ficado conversando com Rafael até altas horas. Eu realmente precisava maneirar no final de semana.

Olhei o celular e havia uma mensagem:

"Passo as seis horas aí."
Rafael.

Sim, iríamos à missa. Tinha esquecido desse pequeno ponto. Olhei o horário da mensagem e ele havia mandado as seis da manhã. Como conseguia acordar tão cedo em um domingo?

Levantei da cama a arrumando logo em seguida. Saí do quarto e vi Magda na mesa lendo um jornal enquanto tomava um café.

— Bom dia, flor! Resolvi não te acordar já que hoje é domingo.

— Estou uma droga. Você não dormiu?

— Ainda não. Farei isso depois do almoço. Tem café na cafeteira.

Agradeci com um sorriso e coloquei café na caneca e caminhei até a mesa, sentando logo em seguida.

— Chegou tarde ontem?

— Sim. Fui jantar com a família do Rafael.

— O que tá rolando entre vocês dois, hein?

— Nada! Somos apenas amigos.

— Ah, Diana... ainda nessa? É nítido que vocês se gostam! Ele não para de olhar pra você. E sinto dizer que é recíproco.

— O Rafael não tem o direito de escolher quem ele gosta. Ele tem as obrigações dele sendo quem é. Decidimos que o que temos é amizade.

— Como se isso se escolhesse. — Ela disse rindo. — Eu acho tudo isso uma grande besteira. Vocês se gostam, conhece até a família dele, o que poderia ter de errado ele namorar uma plebéia?

— Eu não vou namorar com o Rafael. Pode tirar essa ideia da cabeça.

Ela deu os ombros.

— Quer almoçar frango assado hoje?

— Qualquer coisa, pra ser honesta. Estou tão acabada que poderia passar o dia dormindo. Só não faço isso porque vou à missa mais tarde.

— Deixa eu adivinhar... com o príncipe não é?

— Não me enche, Magda. — Levantei da mesa enquanto ela ria. — Vou voltar pra cama.

Quando voltei para o quarto, deitei na cama olhando para o teto. Realmente estava saindo muito com Rafael. Mas ele realmente era o amigo que sempre estava disposto a sair.

Peguei o celular e li novamente a mensagem. Eu estava perdida. Completamente perdida. Era óbvio que eu estava apaixonada por ele, afinal eu não contaria minha história para qualquer um. Mas ele era meu amigo e eu não podia pensar em nada além disso. Ele provavelmente casaria com uma princesa francesa que o faria muito feliz e lhe daria vários filhos.

O celular começou a tocar. Era óbvio que era ele.

— Hello, prince!

— Hey, darling! O que está fazendo?

— Acabei de acordar! — Falei rindo. Eu era uma idiota. Estava rindo porquê mesmo? — E você?

— Acordou de bom humor, foi? Estou saindo da igreja agora. Meus pais vão almoçar com meus tios e minhas irmãs vão pra algum show com as amigas. Liguei pra saber se quer fazer algo hoje?

— Tipo o quê?

— Ir ao cinema. Não sei.

— Bom... eu ainda vou tomar banho, arrumar o cabelo e essas coisas todas. Devo demorar.

— Tudo bem. Almoçamos no shopping?

— Acho melhor não. Magda vai pedir comida.

— NÃO VOU PEDIR NADA, PODE SAIR!

Magda gritou do quarto ao lado. Óbvio que Rafael ouviu e começou a rir.

— Bom, acho que almoçar no shopping é uma opção. — Falei rindo.

— Te pego em uma hora. E de lá vamos pra missa.

— Ok.

Saí da cama me arrastando para o banheiro. Tomaria um banho longo e demorado, precisava lavar o cabelo e uma boa limpeza de pele. Mas só teria tempo para lavar e secar o cabelo.

Enquanto tomava banho, algo passou pela minha cabeça: será mesmo que Rafael gostava de mim ou tudo não passava de ideia doida da Magda? É claro que tinha rolado um clima, porém ele mesmo pediu desculpas. Eu mesma havia ficado um pouco chateada.

Fechei os olhos e tentei materializar meu sonho. Terminar a faculdade, voltar ao Ceará e tirar minha mãe e Kate daquele inferno. Era esse meu objetivo. Eu não tinha medo do Adriano, eu temia mesmo pelas duas.

Saí do banheiro embrulhada no roupão e fui até a pequena penteadeira onde eu tinha um secador. Coloquei qualquer roupinha para poder me livrar das toalhas e sequei todo meu cabelo, tendo a certeza de que seria difícil me livrar das olheiras que havia adquirido naqueles dias.

Rapidamente sequei o cabelo, finalizei com a pranchinha e comecei a me maquiar. Pensei que não havíamos lido nada de Guerra e Paz. Olhei para o livro que estava na comida ao lado da cama. Levantei rapidamente e mandei uma mensagem para Rafael:

Esquece o cinema. Vamos ler Guerra e Paz. Conhece algum lugar tranquilo?

Esperei alguns segundos e meu celular apitou:

Boa ideia!
Conheço sim, pode deixar. Não esquece de levar o livro e os marca textos.

Liguei o pequeno som que Magda havia me emprestado e coloquei qualquer CD para ouvir. Não conhecia a música, mas era uma coletânea que Kate havia feito pra mim. Sorri lembrando o gosto musical da minha irmã. Ela conseguia achar músicas de tudo quanto era lugar.

Definitivamente seu gosto era melhor que o meu.

Procurei alguma roupa no guarda-roupa que desse para passar o dia e ir para igreja logo depois. Escolhi um vestido vermelho cheio de florzinhas que havia comprado em um bazar aqui perto de casa. Usaria um all star também. Coloquei meu medalhão de São Bento no pescoço. Estava pronta. E quase que imediatamente, pude ouvir uma buzina do lado de fora.

Peguei meu livro, os marca páginas e coloquei dentro da bolsa.

— Estou saindo, Mag!

— Se divirta!

Saí de casa e desci as escadas que davam acesso à pista. Vi Rafael arrumado, como sempre. Mas agora estava com uma blusa branca de mangas compridas e uma calça jeans. Impecável.

— Good afternoon, prince!

— Good afternoon, darling!

O único cumprimento ali era o abraço. Mas me senti confortável, diferente do que achei ser possível.

— Vamos? Estou morrendo de fome e ainda passei em casa pra pegar o livro.

Entramos no carro e ele deu a partida.

— Vamos almoçar num shopping qualquer e depois podemos ir pra algum lugar tranquilo.

— A ideia é essa. Pensei no Parque Cremerie, conhece?

— Ainda não.

— Lá é bem legal pra fazer piqueniques, já fui algumas vezes com minhas irmãs. Trouxe até uma toalha de casa.

Olhei para trás e tinha uma toalha mesmo.

— Já gostei.

Ele sorriu e olhou pra mim.

— Como você está?

— Confesso que bem, embora tenha acordado querendo morrer. Mas faz parte, né? Finalmente consegui falar sobre minha mãe e... enfim.

— Fiquei feliz que tenha confiado em mim para isso. É claro que não é um assunto fácil, mas... eu me sinto honrado.

— Somos amigos, não somos?

— Somos. — Ele sorriu. — Queria dizer que você causou uma boa impressão em toda minha família. Todos, sem exceção, gostaram de você.

— Eu os adorei. Eles são uns queridos. Foram tão simpáticos e receptivos.

— Minha mãe pediu para te lembrar que você é bem-vinda em todo momento.

Sorri e peguei no medalhão.

— Sua mãe é um doce de pessoa.

Chegamos ao shopping e tudo que eu queria era alguma comida rápida e gordurosa. Optamos pelo MacDonalds. Era rápido e prático. Nada nutritivo.

***

Ele tinha razão. O parque era incrivelmente lindo. Tinham crianças correndo por todos os lados, brincando nos parquinhos, de tirolesa e nos pedalinhos. Por um momento quis largar tudo e correr com eles.

Escolhemos um lugar mais calmo por causa da leitura. Esticamos a toalha na grama e sentamos. Ele havia levado alguns lanches que havia comprado no shopping.

— Bom, vamos continuar do quinto capítulo ainda da primeira parte. Pode ser? — Perguntei e ele assentiu.

"Mas que me diz dessa última comédia da sagração de Milão? — observou Ana Pavlovna.— E a nova comédia dos povos de Génova e Luca, que iam apresentar as suas homena homenagens ao senhor Bonaparte sentado no trono e recebendo as homenagens das nações! Adoráveis! Não, mas é de endoidecer! Dir-se-ia que o mundo inteiro perdeu a cabeça!
O príncipe André pôs-se a sorrir olhando nos olhos Ana Pavlovna."

Ele pôs-se a ler. Fiquei observando-o enquanto mexia seus lábios. Era tão fácil gostar dele, ele nem se esforçava.

— Tudo bem, Diana? — Ele parou a leitura e olhou para mim.

— Sim, tudo sim. Estou só observando como se tornou mais fácil para você ler.

Ele sorriu e assentiu, continuando logo em seguida.

Dedicamos nossa tarde à leitura, conversamos sobre os personagens e já um pouco depois das cinco, pegamos nossas coisas e fomos rumo à Catedral São Pedro de Alcântara assistir à missa.

Entramos naquela igreja antiga, linda por dentro e por fora. Estava emocionada. Nada se comparava àquele sentimento.

— Vamos procurar um lugar?

Quando a homilia começou, rezei baixinho para que Deus falasse em meu coração. E ele falou da forma mais bela já vista.

Eu estava em sua casa.

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