17- Baile III

Se passou algum tempo e nós estávamos nos divertindo muito, dançamos diversas músicas, conversamos e rimos bastante, mas... No meio de tanta diversão pude perceber que havia um garoto ruivo e alto me encarando de uma forma certamente ameaçadora, ele fez isso diversas vezes e já estava me deixando desconfortável e irritada.

Todos estavam rindo de alguma piada da qual eu não havia prestado atenção; tudo por conta do garoto ruivo que continuava a me encarar.

- Seu sem graça!- Disse Olívia dando um soco fraco no ombro de Josh.

- Admita que você riu!- Respondeu o mesmo.

- Tudo bem eu ri sim, mas a Scarlett não riu.- Olívia direcionava sua fala a mim; porém eu não prestava atenção.

- O que está olhando?- Perguntou Sophie tocando meu ombro.

- Hum? Nada demais, acho que só estava dormindo de olhos abertos.

- Credo.- Disse Sophie me fazendo rir.

Conversamos por mais dez minutos até que a próxima música a tocar era aquela triste do "Crepúsculo"; nunca entendi o motivo de todos usarem aquela música para coisas tristes ou românticas, em todos os casamentos e festas de quinze anos é sempre a mesma coisa, e sinceramente essa música me causa ânsia de vômito, não por sentir nojo ou algo do tipo, mas sim por ela ser repetida várias vezes.

Experimente ouvir a mesma música repetidas e repetidas vezes, isso resultará em enjôo. Resumindo, eu realmente não gostava dessa música.

Mas... Por desventura do destino, Sophie queria dançar aquela música. Eu deixaria ela dançar sozinha se não a amasse tanto.

- Vamos lá amor.- Ela me pediu segurando em minha mão já me arrastando para a pista de dança, ou seja, eu não tinha escolha.

- Claro!- Esbocei um sorriso no rosto para esconder minha insatisfação.

Começamos a dançar calmamente, e obviamente, como toda a dança clichê de casal, uma mão de Sophie repousava em minha cintura e a outra em meu ombro, já minhas mãos estavam atrás de seu pescoço, coçando levemente suas costas com minhas grandes unhas tingidas de vermelho.

A música estava até causando um clima bom, que foi cortado por um forte empurrão que me fez cair no chão e ouvir gritos.

Minha visão estava meio embaçada e minha cabeça doía, em alguns segundos me levantei e percebi minha visão se reajustar.

Logo a raiva e a dúvida se instalaram em mim ao ver o garoto ruivo, aquele mesmo, que havia me encarando a noite toda.

O garoto estava claramente alterado, gritava e empurrava Sophie, que devolvia os empurrões e gritava com o dedo apontado para o rosto do mesmo, ela estava claramente com problemas.

Minha raiva era ainda maior em ver que nossos "amigos" não haviam nem se mexido para ajudá-la. Eu pensava que eles eram como meus outros amigos, mas estava completamente enganada.

- QUEM VOCÊ PENSA QUE É!?

- POIS SABE QUEM EU SOU!? SOU SOPHIE ELLIS, NAMORADA DE SCARLETT HALLP E LIVRE PARA FAZER O QUE EU QUISER DA MINHA VIDA!

- ENTÃO VOCÊ ACHA QUE PODE ME TROCAR POR ESSA MAGRELA FEIA!? SUA LÉSBICA NOJENTA!

Aquilo foi a gota d'água para mim, (ou talvez só para meu ego mesmo) ele acabara de me chamar de "magrela feia" e de chamar a Sophie de "lésbica nojenta", foi aí que resolvi entrar na briga, mesmo não entendendo o que estava acontecendo, eu só sabia que ela precisava ser defendida.

- A SEU...- Sophie foi interrompida pela minha fala.

- SEU NÍVEL É TÃO BAIXO! NÃO CONSEGUE NEM ARGUMENTAR, PRECISA SE REBAIXAR E OFENDER OS OUTROS! EU NÃO TE CONHEÇO! MAS JÁ POSSO VER QUE É UM MACHO ESCROTO HOMOFÓBICO! QUE ALÉM DISSO TEM A MASCULINIDADE FRÁGIL!- Gritei alto olhando fundo nos olhos do garoto e me colocando ao lado de Sophie.

Ela estava estática ao ver minha atitude, era algo totalmente novo. Sophie nunca havia me visto levantar a voz para brigar com alguém.

- NÃO SE META ONDE NÃO FOI CHAMADA! QUER LEVAR OUTRO EMPURRÃO!?

- Você pode me empurrar e me machucar o quanto quiser, porque se for pela Sophie, vale a pena.- Respondi já deixando de gritar e segurando forte a mão de Sophie, entrelaçando nossos dedos.

A expressão do garoto ainda desconhecido era de raiva. Parecia que iria atacar a qualquer momento, se eu disser que não fiquei com medo estaria mentindo, a expressão dele era assustadora e levemente psicopata.
Ele abriu a boca para começar a falar, mas foi interrompido por Sophie.

- JÁ CHEGA! Você não vai mais encostar um dedo nela e nem direcionar uma palavra sequer a ela! Aceite que tudo acabou e que você não têm controle sobre mim!- Disse Sophie sem gritar, mas em um tom firme.

- SENÃO!?- O idiota ainda gritava.

- Não faça uma pergunta da qual você não quer saber a resposta.

- Você está fodida Sophie! E você também magrelinha!- Disse o idiota indo embora empurrando todos que estavam a sua frente.

Depois que ele já estava bem longe, praticamente arrastei Sophie para a parte de trás do ginásio, onde eu sabia que ninguém nos procuraria.

- Quem era ele?- Perguntei firme.

Sophie me olhou como se dissesse " por favor, não me obrigue" e seus olhos se encheram de lágrimas silenciosas enquanto ela abaixava a cabeça com sua mão sobre seus olhos.

- Por favor meu amor. Se você não me contar o que aconteceu eu não vou poder ajudar.- Disse eu abraçando-a forte, a mesma repousou seu rosto em meu ombro ainda derramando algumas lágrimas.- Eu estou aqui, está tudo bem.- Sussurrei e deixei um beijo em sua cabeça, sentindo o cheiro suave de lavanda em seus cabelos loiros de pontas cacheadas.

Em alguns segundos Sophie suavemente se soltou de meu abraço e levantou a cabeça limpando suas lágrimas.

- Tudo bem. Eu acho que uma hora você teria que saber mesmo.

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