14- Encontro

Acordei no mesmo horário de sempre e fui a escola, minha mãe não quis acordar cedo aquele dia.

Na escola não foram passadas muitas atividades, apenas revisões para as provas.

Durante o intervalo eu e meus amigos não conversamos muito, apenas estudamos, por mais populares e divertidos que eles fossem, ainda assim eram estudiosos.

Durante a volta para casa, pude perceber um comportamento diferente vindo de Sophie, ela estava estranha, parecia distante e talvez nervosa, ela evitava o contato visual o máximo que podia.

Assim que chegamos, por força do hábito eu já iria me despedir como sempre fazíamos, mas, fui interrompida pela fala de Sophie.

- Scar... Antes de nos despedirmos eu queria te perguntar... Você quer ir jantar comigo hoje a noite em um restaurante?- Ela dizia me encarando séria, não me lembro o nome do restaurante, apenas que ele era conhecido por receber principalmente casais.

- Tipo... Um encontro?- Perguntei já corada.

- É.- Disse Sophie com a cabeça baixa também corada, parecia estar com medo de minha resposta.

- Sim! Que horas?

- Pode ser umas 19:30.- Sua expressão já não era de medo, e sim de alegria.

- Então até 19:30.

- Até.

Corri para dentro de casa, eu estava tendo um surto interno, não conseguia desfazer o sorriso que estava em meu rosto, minha mãe notou isso.

- Por que está sorrindo igual um bobo alegre?

- Eu tenho um encontro!- Quase gritei de tanta alegria e ao mesmo tempo nervosismo.

- Hum, que é o garoto?- Ela fazia cara de malícia.

- Garota.

Ela arregalou seus olhos e abriu um pouco a boca antes de dizer.

- Finalmente! Sempre soube que você era lésbica.- Ela não parecia mais surpresa.

- Eu não sou lésbica mãe!

- Bom, hetero você não é.

Ela estava certa, não havia como eu ser hetero gostando de uma menina, e se ela estivesse certa, será que eu sou lésbica? Bissexual? Eu realmente não sabia o que era, nunca estive tão confusa minha vida toda.

- Que horas você vai?

- 19:30.

- E que horas volta?

- Na verdade eu não sei, eu vou te mandando mensagem.

- Ok.

Subi as escadas e fui para meu quarto separar minha roupa, ainda estava muito cedo, era por volta de meio dia, mas eu queria deixar tudo perfeito.

Depois de um bom tempo decidi qual roupa iria usar, seria uma calça jeans clara, com uma camiseta branca, um blazer preto e um salto também preto que roubei da minha mãe; decidi usar o salto para tentar me adequar a altura de Sophie, não me preocupei em usar roupas muito quentes, afinal em todos os estabelecimentos haviam aquecedores. Também separei alguns poucos acessórios, uma pulseira simples e o colar que comprei em meu último dia nos Estados Unidos.

Eram cerca de duas da tarde quando resolvi lavar meu cabelo, fiz isso cedo também, pois secar meu cabelo seria um processo demorado, afinal ele era bem grande.

Já eram 16:40 quando desci para comer alguma coisa.

- Eu vi que você roubou meu salto.- Disse minha mãe se sentando a mesa para comer também.

- A mãe! Deixa eu usar por favor.- Tentei fazer uma carinha fofa.

- Ok, só não vai quebrar o pé com aquele negócio. Eu não vou levar ninguém até o hospital.

- Nossa, tá bom.

Após terminarmos de comer voltei para meu quarto e já vesti a roupa do jantar, também me maquiei um pouco, nada muito exagerado, apenas um corretivo, blush e rímel, queria parecer o mais natural possível.

Passei o resto do tempo que havia sobrado contando aos meus amigos sobre todas as novidades e conversando sobre coisas aleatórias como "Vocês sabiam que existe um miojo sabor frango com alho?" ou coisas do tipo.

Assim que a hora chegou, me despedi de minha mãe e a assegurei de que Sophie era uma pessoa confiável.

Assim que saí pude ver que ela estava em frente a sua porta apenas me esperando sair. Ela estava linda, vestia uma calça jeans preta, uma blusa de manga comprida também preta, jaqueta jeans e tênis brancos.

Eu estava tão perdida em seu olhar que nem percebi ela atravessar a rua e que agora estava frente a frente comigo, eu estava de saltos então Sophie não precisou abaixar sua cabeça para me encarar.

- Uau! A anã de jardim resolveu crescer.- Como sempre fazendo piada com minha altura.

- Idiota.- Revirei os olhos.- Vamos?

- Sim, vamos usar o carro dos meus pais.

- Quer que eu dirija? Eu tenho carteira.- Disse eu enquanto ela abria a garagem, minha habilitação foi tirada nos Estudos Unidos, mas aparentemente ela valia aqui também.

- Não, deixa que eu vou.

- Você tem carteira?- Perguntei a encarando com os braços cruzados.

- Não.- Disse ela rindo.

- Meu Deus, você é doida menina.

Não demorou muito até chegarmos ao restaurante, Sophie não dirigia muito bem, insisti muito para que ela me deixasse tomar a direção, porém ela insistiu mais ainda que não era necessário. Era engraçado ver como ela era desajeitada no trânsito, um cara até buzinou para nós porque Sophie estava impedindo sua passagem.

Assim que chegamos fomos a uma mesa perto do grande painel de vidro que mostrava um jardim, ele não estava tão bonito quanto estaria na primavera, mas ainda assim aceitável.
Sophie e eu abrimos nossos cardápios e escolhemos o que queríamos, logo um garçom veio e nos atendeu.

- O que o casal vai querer?

Aquela palavra "casal" me fez corar, diferente de Sophie que agiu normalmente e explicou seu pedido.

- E a senhora?- O garçom direcionava sua fala a mim.

- Quero a carne de cordeiro com batata e uma água gelada por favor.- Haviam muitos pratos que eu nunca havia ouvido falar, então peguei um que me pareceu conhecido e saboroso.

- O que está achando do nosso encontro?- Perguntou Sophie.

- Muito legal, todos pensam que somos um casal.

- E não somos?

Aquelas palavras me fizeram corar intensamente, como resposta apenas dei um sorriso e assenti com a cabeça.
Conversamos e rimos bastante, mesmo estando lá como um "casal" ainda assim nos comportamos e conversamos normalmente, naquele momento eu percebi que realmente estava apaixonada.

-O que está achando da comida?- Perguntou Sophie.

- Muito boa.

- Você mal tocou no seu prato.

- Não tem como rir das suas gracinhas e comer ao mesmo tempo.

- A sim, eu realmente sou muito engraçada.- Disse ela rindo.

Passamos mais um tempo alí conversando e comendo até que resolvemos ir embora. Novamente Sophie insistiu em dirigir e tornou o caminho levemente turbulento, mas nada que causasse muito incômodo, ela já estava mais calma do que no começo da noite.

Assim que chegamos Sophie estacionou o carro na garagem.

- Quer que eu te acompanhe até em casa?- Perguntou Sophie enquanto fechava a garagem.

- Claro, me acompanhe pelo "longo" caminho até o outro lado da rua.

Atravessamos a rua e ficamos um tempo paradas em frente a minha porta apenas nos encarando, até que Sophie selou nossos lábios em um beijo calmo e lento, minhas mãos foram até seus ombros, e as mãos delas foram até minha cintura, me puxando para mais perto de si.

Ficamos nisso até a falta de oxigênio ser mais necessária do que manter nossas bocas juntas.

- Até amanhã.- Disse eu ainda meio ofegante.

- Até.- Respondeu Sophie me dando um selinho rápido e se afastando.

Entrei em casa eufórica, fui até a cozinha e pude ver minha mãe jantando.

- Como foi?- Perguntou minha mãe.

- Muito bom.

- Agora vá dormir, você tem que acordar cedo amanhã.

- Ok.

Fiz o que minha mãe mandou e fui dormir, diferente de muitos dias consegui dormir rápido e com calma, mesmo sem estar ao meu lado, Sophie ainda assim conseguia me trazer paz.

Yeeey, finalmente saiu capítulo novo, pelo menos esse tá grande, até o próximo capítulo ✌😗

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