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Por que eu fiz aquilo?

Ai que merda!

Eu vou ter que explicar que não foi por querer. Na verdade, foi, mas também não foi.

Aí.

É difícil de explicar.

–– Por que você me abraçou?

E agora?

— Marketing. Já ouviu falar?

Me sentei na cadeira.

–– Qual é, Jennie? Eu sei que não é só isso.

Como eu explico para ela que eu não controlei o meu corpo naquele momento?

–– Você não era hétero?

Era não, ainda sou.

–– Você nunca abraçou as suas amigas por trás, não? –– peguei um garfo para saborear aquele bacon com ovos que ela havia feito.

–– Você acha que eu nasci ontem?

Para ser sincera, ela tem uma carinha de bebê muito fofinha!

Eu preciso dar a volta por cima.

Já sei.

Ela ficou nervosa quando eu a abracei por trás, vou usar isso para sair ganhando.

–– Por que você ficou nervosa quando eu te abracei?

–– Eu não fiquei nervosa

Esta para cima de mim, Lalisa?

–– Vou fingir que eu acredito.

Um silêncio constrangedor caiu sob nós. Ela está inquieta, olhando para todo lado enquanto comemos.

–– Que foi?

–– Sua casa não é nada parecida com você. Não é a tua cara, sabe?

A minha casa é totalmente a minha cara... ela conhece o meu "eu famoso e metido", não o meu eu de verdade.

–– Tem muitas coisas que você precisa saber sobre mim, Lalisa.

–– Tipo? –– ela colocou seus cotovelos na mesa, entrelaçou seus dedos e apoiou seu queixo em suas mãos.

Olhei em volta.

–– Minha cor preferida é amarelo — ela pareceu se interessar pelo o que eu disse. –– E a sua?

–– Eu gosto de preto.

Interessante.

Parece que não temos muito em comum.

–– Continue. Me fala mais sobre você — ela disse.

–– Não tem mais nada na minha mente.

Pensa, pensa e pensa!!!

–– Que tal você me levar no seu lugar preferido hoje? — perguntei.

–– Como assim? –– ela parece interessada, mas não tanto.

–– Por exemplo: eu te levo pro lugar onde me sinto feliz, onde tem tudo que eu gosto, e... onde eu sou eu mesma.

Lalisa assentiu.

–– Tá bom! Eu começo.

Espero que ela me leve em lugar legal, ao ar livre. Não para a casa dela, ou sei lá. Eu não sou muito fã de ficar no ar condicionado quando eu posso relaxar debaixo de uma árvore.

Peguei minha bolsa e fomos para o destino que a garota escolheu.

***

Eu não acredito.

–– Chegamos!

Sério mesmo?

Eu estou... ela me trouxe para um evento de jogos.

O que eu fiz para merecer isso, Deus?

Eu sempre fui uma boa garota. Um evento de jogos não é uma boa recompensa.

Depois que ela estacionou seu carro, nos direcionando para a entrada do local, logo nos preparando para adentrar nele..

Tem muita gente aqui. Tipo, muita gente mesmo. Eu odeio lugares cheio de gente.

–– Você não era introvertida?

–– Eu sou. Mas, aqui eu não preciso me comunicar com ninguém. É só eu ficar na minha que é tudo garantido.

–– Bom pra você. Eu odeio lugares lotado de gente. Me dá falta de ar, sei lá.

–– Você tem asma?

Eu tenho?

–– Não... eu acho que não.

De repente, senti minha mão sendo puxada para o meio da multidão. Lalisa me levou até uma barraca de sorvete que havia lá por perto. Passamos por meio da multidão, trombamos em muita gente por conta do local cheio.

–– Senta aí! Qual é o seu sorvete preferido?

–– Alfajor sem sombra dúvidas –– endireitei minha coluna na cadeira.

–– Eu odeio esse sabor –– ela franziu o nariz.

Debochei dela.

Como assim existe alguém que odeia sorvete de alfajor???

Tipo, ela deve curtir sorvete de menta ao em vez de alfajor. Isso não é de Deus, não.

–– Está aqui, senhorita, Kim — ela me entregou o sorvete como se fosse um dos garçons.

A garota se sentou em minha frente. Ficamos nos encarando sem dizer uma palavra.

Que momento constrangedor.

–– Quem piscar primeiro perde –– eu disse, com um sorriso de canto sem mostrar os dentes.

O barulho das pessoas passeando por aí é bem alto, incomoda bastante os meus ouvidos. Muitas vozes conversando ao mesmo tempo, isso está começando a me deixar com dor de cabeça.

Eu e Lalisa continuamos na nossa competição ridícula. Ela parece ser bem competitiva.

Que cruel!

Tem algumas estátuas espalhadas por aí, uma delas são o Steve e a Alex, as únicas que eu conheço.

Quem nunca jogou Minecraft?

–– Pisca, Jennie! Eu sei que você quer piscar.

Ficamos nessa de: quem piscar por último perde, por um bom tempo!

Meu celular e o dela não paravam de vibrar, mas não demos a mínima, fingimos que não tinha nada em nossa volta.

Só agora, encarando os seus lindos olhos, eu percebi que eles são muito encantadores. Hipnotiza muito fácil.

Eles são maravilhosos.

Meus olhos estão lacrimejando, mas não desistirei tão fácil. Não perder para uma cantora de bar de esquina.

Uma lágrima escorreu em seu rosto e ela acabou piscando.

–– Game over! — disse em quanto sorria, me preparando para saborear o meu sorvete.

–– Não vale. Eu tô chorando, porra! –– ela limpou a lágrima.

Encarei-a friamente.

–– o que foi?

–– Eu não falo palavrão.

–– Problema teu, eu falo –– ela me olhou. –– E falo pra caralho.

–– Cada um com seus gostos, né? — dei de ombros e olhei em volta.

Meu Deus do céu, é muita gente aglomerada em um lugar pequeno.

Me puxa, senhor! Não aguento isso aqui, não.

–– Você tá bem?

–– Não. Eu odeio lugares lotados.

–– Você já me disse isso. Você é autista?

Da onde ela tirou que eu sou autista?

–– Não! Tá doida, garota?

–– Só perguntei — ela deu de ombros enquanto saboreava seu sorvete de chocolate.

Terminamos os sorvetes e fomos ver algumas estátuas.

Encontramos alguns fãs. Eles perguntaram se era verdade os boatos do nosso suposto relacionamento. Obviamente respondemos que sim.

–– Caralho! — ela parou no meio do caminho, fazendo eu bater nas costas dela com força. — Aquela é a Ellie? Eu não sabia que teria estátuas de The Last Of Us. –– ela saiu correndo para uma estátua muito realista.

Eu vou ter muita dor de cabeça com ela falando palavrão sem parar. É tão difícil controlar um pouco aquela a boca suja?

Aqui tem bastante cosplays de personagens de jogos. Os únicos que eu conheço é o Steve e a Alex. Eles parecem ser a atração do evento, tipo, quem quiser pode ir tirar foto com eles.

–– Ei, tira uma foto minha com a minha mulher — Lalisa me entregou seu celular e ficou ao lado da estátua.

— Eii! Eu sou a sua mulher — disse em uma entonação fria e brava, pois tinha alguns fãs por perto gravando a gente, por isso eu disse isso.

Só por isso.

Tudo pelo o marketing.

Ela me olhou com cara de espanto, mas logo percebeu os fãs e riu para mim, assentindo e levantando suas mãos na altura da cabeça.

— Perdão, meu amor! Mas você vai ter que aprender a me dividir. É a Ellie! — eu ri do jeito que ela falou e de seus movimentos patetas.

Ela até que é um pouco engraçada. Nem parece que é introvertida.

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