Capítulo 46 Romance na roda-gigante

Otávio Guimarães 

A gente estava no meio de uma tarde de sábado quando a Lívia me olhou com aquele sorriso que derrete qualquer coração. Ela tinha esse brilho no olhar, sabe? E, do nada, veio com a ideia:

— Vamos ao parque de diversões hoje? — perguntou, com um entusiasmo que eu não conseguia resistir.

— Bora! — respondi, já imaginando como seria legal.

O parque de diversões não era muito longe. Pegamos o ônibus a pedido da minha namorada claro! Devo confessar que nunca tinha andado em um transporte publico, foi bem emocionante. E quando chegamos, a vista das luzes coloridas e a música alta já me fez sentir que aquele ia ser um daqueles dias especiais. A Lívia segurou minha mão e me puxou pra dentro, como uma criança entrando numa loja de doces. Ela sempre teve esse efeito sobre mim, como se cada momento com ela fosse uma aventura.

Primeiro, a gente foi no carrossel. Parece bobo, mas é divertido! Ela escolheu um cavalo branco que tinha um sorriso esculpido, e eu subi num cavalo preto ao lado dela. Cada vez que a gente dava uma volta, nossos olhares se cruzavam e a gente ria. Era como se o mundo inteiro estivesse girando em câmera lenta, e a única coisa que importava era aquele momento.

Depois, fomos numa barraca de jogos. Sabe aquele jogo que tem que acertar a bola nos potes? Decidi tentar para ganhar um ursinho pra Lívia. Acertei uma, duas, mas na terceira, a bola bateu na borda e saiu voando. A Lívia riu tanto que quase caiu no chão.

— Não tem problema, amor. Eu prefiro você a um ursinho de pelúcia! — disse, com aquele sorriso que iluminava tudo ao redor.

Continuamos andando pelo parque, provando algodão-doce, pipoca, e até um churros que tinha mais açúcar do que eu esperava. Cada pedacinho de comida vinha acompanhado de risadas e histórias engraçadas do nosso passado. A gente era feliz, sabe? Simplesmente feliz por estar juntos.

Foi então que a gente viu a roda-gigante. Alta, imponente, e brilhando contra o céu já escurecido.

— Vamos? — ela perguntou, apontando.

— Claro, mas só se você prometer não me fazer pular lá de cima. — brinquei, mesmo sabendo que a roda-gigante era o passeio mais tranquilo do parque.

Ela riu e me puxou pela mão. Compramos os ingressos e entramos na fila. Eu sentia meu coração acelerar, mas não era de medo. Era de expectativa. Aquele momento tinha tudo pra ser perfeito.

Quando chegou nossa vez, sentamos no banco e a trava de segurança desceu sobre nós. A roda começou a se mover devagarinho, levando a gente pra cima. A Lívia se inclinou pra frente, olhando a vista com um brilho nos olhos.

— Olha isso, Otávio! Que lindo! — disse, maravilhada.

— É mesmo. Mas nada é mais bonito que você. — respondi, meio sem pensar.

Ela me olhou, surpresa, e depois riu, corando um pouco.

— Você sempre sabe o que dizer. — comentou, se encostando no meu ombro.

À medida que a gente subia, a cidade inteira se abria diante dos nossos olhos. As luzes, as pessoas, os carros lá embaixo, tudo parecia tão pequeno, tão distante. E ali estávamos nós, flutuando acima de tudo isso, como se o mundo inteiro tivesse parado só pra gente.

Quando chegamos ao topo, a roda-gigante parou. Olhei pra Lívia e ela estava olhando pra mim, com aqueles olhos que sempre me deixavam sem palavras.

— Eu amo você, sabia? — disse, quase sussurrando.

— Eu também amo você, Lívia. Mais do que qualquer coisa. — respondi, segurando sua mão.

Ela sorriu e se inclinou pra perto, fechando os olhos. Eu também fechei os meus e, quando nossos lábios se tocaram, foi como se o tempo tivesse parado. Foi um beijo doce, terno, cheio de promessas e de amor. Aquele tipo de beijo que faz tudo valer a pena, que faz o mundo inteiro sumir ao nosso redor.

Quando nos afastamos, ficamos ali, olhando um pro outro, sem precisar dizer mais nada. Só existia a gente naquele momento. A roda começou a se mover de novo, mas eu não queria que aquele instante acabasse. Eu queria ficar ali pra sempre, com ela nos meus braços, olhando aquele sorriso que era a coisa mais linda que eu já tinha visto.

— Você é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida, Lívia. — falei, sinceramente.

Ela encostou a cabeça no meu ombro de novo e suspirou feliz.

— E você é a minha, Otávio. — E me olhou com aquele brilho que só ela tinha.

Enquanto a roda-gigante nos levava de volta pro chão, eu sabia que, não importava o que acontecesse, eu sempre ia ter aquele momento gravado na minha memória. Um momento em que o mundo inteiro desapareceu e só existia eu e ela, lá em cima, no topo do mundo.

Quando finalmente descemos da roda-gigante, a Lívia estava com aquele sorriso bobo que eu tanto amava. E eu sabia que o meu rosto devia estar com a mesma expressão. A gente continuou andando pelo parque, mãos dadas, aproveitando cada segundo.

— Vamos de novo? — ela perguntou, rindo.

— Quantas vezes você quiser, amor. — respondi, já puxando ela de volta pra fila.

E assim foi o resto da noite, entre risos, brincadeiras e um monte de amor. A roda-gigante acabou virando nosso passeio favorito, e cada vez que subíamos, era como se a gente estivesse vivendo aquele primeiro beijo de novo.

No final, eu percebi que não era só o parque, ou a roda-gigante, ou qualquer outra coisa que fazia aquele dia especial. Era a Lívia. Era estar com ela, ver aquele sorriso, sentir o calor da sua mão na minha. Era saber que, não importa onde a gente fosse, ou o que a gente fizesse, enquanto estivéssemos juntos, tudo ia ser perfeito.

Eu era um homem de sorte, afinal de contas, jamais imaginaria que ao atropelar alguém encontraria o amor.

E naquele momento, enquanto a gente caminhava de volta pra casa, com as luzes do parque se apagando ao longe, eu sabia que tinha encontrado o meu lugar no mundo. E era bem ali, ao lado dela.

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