Capítulo 45 Queda divertida

Lívia Fontes

Tudo começou num dia qualquer, desses que parecem ser feitos só pra gente tropeçar no próprio pé. E, no meu caso, foi literalmente isso. Tinha acabado de chegar do mercado e estava organizando as compras na cozinha. Comprei mais laranjas do que o necessário, confesso. Acho que a promoção de "leve dez, pague nove" fez minha mão coçar. Ou talvez fosse só uma tentativa inconsciente de começar uma dieta saudável.

Depois de guardar tudo, decidi atravessar a sala para pegar meu livro preferido que estava em cima da mesinha de centro. Só que, claro, eu tinha que fazer isso na velocidade de um foguete. Não sei por que a gente sempre acha que precisa correr quando está dentro de casa. O resultado? Um tapete estrategicamente mal posicionado que resolveu brincar de "tropece-me se for capaz".

E lá fui eu, esbarrando no tapete como uma bailarina desajeitada. Só que, ao contrário das bailarinas, eu não estava nem um pouco graciosamente ensaiada. Na minha cabeça, aquilo parecia uma cena de filme em câmera lenta, com direito a música dramática de fundo. Meus braços balançaram no ar, tentando encontrar algo para me segurar, mas não havia nada.

— Ai, meu Deus! — gritei, já sentindo a queda iminente.

Só que, no exato momento em que eu ia beijar o chão com meu rosto, senti duas mãos firmes me segurando pela cintura. Olhei para cima e lá estava Otávio, o meu herói de plantão, com um sorriso no rosto e aquele olhar que mistura alívio com diversão.

— Peguei você! — disse ele, tentando não rir.

Fiquei ali, meio pendurada nos braços dele, piscando e tentando processar o que tinha acabado de acontecer.

— Meu Deus, Otávio! — falei, voltando finalmente a mim. — Você é o salvador da pátria!

Ele riu, e, como sempre, o som da risada dele era contagiante. Não consegui evitar de começar a rir também. A situação toda era tão absurda que não tinha como não achar graça.

— Você não ia se machucar. No máximo, ia ficar com um tapete estampado na cara. — Ele disse, me colocando de volta de pé.

Empurrei o peito dele de leve, fingindo estar ofendida.

— Muito engraçado, senhor! Não é você que está aqui com o coração na boca!

— Ah, mas o seu coração já é meu, então tá tudo certo. — Ele respondeu com aquele sorriso maroto.

Não consegui conter uma gargalhada. Otávio tinha essa habilidade incrível de transformar qualquer momento numa piada, e eu amava isso nele. Na verdade, acho que é por isso que eu tropeço tanto. É só uma desculpa para que ele me segure assim, bem perto.

— Bom, pelo menos eu sei que se precisar, você vai estar sempre lá pra me segurar. — Falei, tentando recuperar a compostura.

— Sempre. — Ele respondeu, olhando nos meus olhos com aquele olhar sério que ele faz às vezes, só pra me deixar desconcertada.

Mas é claro que esse momento dramático não durou muito. Do nada, senti uma cosquinha na minha barriga e percebi que ele tinha enfiado a mão por baixo da minha blusa.

— Ah, não! Amor! — gritei, começando a rir desesperadamente. — Para com isso!

— O quê? Estou só conferindo se você está bem. — Ele disse, com a cara mais inocente do mundo, enquanto continuava a me fazer cócegas.

Eu tentei me afastar, mas ele segurou minha cintura com mais força. Era uma batalha perdida. Eu estava rindo tanto que mal conseguia respirar, e isso só fazia ele rir mais também.

— Tá bom, tá bom! — implorei entre risadas. — Eu me rendo!

Ele finalmente parou, mas não sem antes me dar um beijo rápido no nariz, só pra me provocar. Eu estava sem fôlego, mas feliz.

Nos sentamos no sofá, ainda rindo. Encostei a cabeça no ombro dele, tentando recuperar o fôlego. Otávio passou o braço por trás de mim, me puxando mais perto.

— Você realmente não consegue ficar longe de confusão, né, Lívia? — Ele comentou, ainda rindo.

— Acho que a confusão gosta de mim. — Respondi, dando de ombros. — Ou talvez eu goste de dar motivos pra você me resgatar.

Ele riu de novo, e eu senti o peito dele tremer debaixo da minha cabeça. Era um som tão familiar e reconfortante que eu não conseguia imaginar minha vida sem ele.

Ficamos ali por alguns minutos, só aproveitando o momento. Era incrível como a presença dele conseguia transformar qualquer situação em algo especial. Mesmo um tropeço idiota como aquele.

— Você tem que parar de querer bancar a super-heroína em casa. — Ele disse, quebrando o silêncio.

— E você tem que parar de me salvar toda vez que eu tropeçar. — Respondi, sorrindo.

— Nunca. — Ele disse, olhando para mim com aquele sorriso de canto que faz meu coração disparar.

Eu ri, mas dessa vez foi uma risada mais suave, mais tranquila. Porque, no fundo, eu sabia que ele estava falando sério. E isso fazia meu coração derreter ainda mais.

Então, eu me levantei de repente, fazendo ele se assustar um pouco.

— O que foi? — Ele perguntou, olhando para mim com uma mistura de curiosidade e preocupação.

— Acho que tem uma coisa que você precisa fazer agora. — Falei, tentando manter um rosto sério.

— Ah, é? E o que seria isso? — Ele perguntou, levantando uma sobrancelha.

Eu apontei para o tapete, que ainda estava todo amassado no chão.

— Você precisa ajeitar esse tapete. Não quero correr o risco de tropeçar de novo.

Ele olhou para o tapete, depois para mim, e riu.

— Tá bom, dona Lívia. Vamos ajeitar o tapete então.

E lá fomos nós, juntos, ajeitar aquele maldito tapete. Enquanto ele o esticava no chão, eu fiquei de pé, segurando as pontas e tentando não rir.

— Agora sim. — Falei, olhando para o tapete esticado e sem rugas. — Missão cumprida.

Otávio se levantou e olhou para o trabalho que fizemos.

— Ótimo, agora você está salva do tapete assassino. — Ele disse, fazendo uma reverência exagerada.

Eu ri e fiz uma reverência de volta.

— Muito obrigada, meu cavaleiro de armadura brilhante. — Respondi, entrando na brincadeira.

Ele se aproximou de mim e me puxou para perto, me abraçando forte.

— De nada, minha dama em perigo. — Ele sussurrou no meu ouvido.

E assim, ficamos ali, abraçados no meio da sala, rindo da nossa própria bobeira. Porque, no final das contas, eram esses momentos simples e engraçados que faziam tudo valer a pena.

— Acho que a gente deveria patentear isso. — Falei de repente.

— Patentear o quê? — Ele perguntou, curioso.

— Esse nosso jeito de transformar qualquer coisa em uma grande aventura. — Respondi, sorrindo.

Ele riu e me beijou na testa.

— Eu acho que a gente já é um par perfeito assim, sem precisar de patentes. — Ele disse.

Eu sorri, concordando. Porque ele tinha razão. Não precisávamos de nada além um do outro e de um tapete estrategicamente colocado para tornar nossos dias mais interessantes.

E assim, naquele dia comum que começou com um tropeço, acabei percebendo que às vezes, é nas quedas e nos risos que encontramos o nosso verdadeiro equilíbrio. E que, com Otávio ao meu lado, eu estava pronta para tropeçar quantas vezes fosse necessário.

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