Capítulo 39 Noite de amor

Aquele dia tinha sido um verdadeiro pesadelo no trabalho. Eu estava exausta, sobrecarregada e com uma dor de cabeça que parecia que nunca ia passar. Na empresa estava uma loucura: telefonemas sem fim, clientes insatisfeitos, documentos desaparecendo misteriosamente... Se eu pudesse, teria tirado uma semana de folga naquele instante.

Quando finalmente consegui chegar em casa, já passava das nove da noite. Abri a porta de casa e fui recebida pelo cheiro reconfortante de comida caseira. Era como se o aroma fosse uma mão invisível acariciando meus sentidos. Entrei na cozinha e vi Otávio, de costas para mim, mexendo algo numa panela. Ele estava de moletom, cabelo bagunçado, e aquele sorriso fácil que sempre me deixava meio tonta.

— Oi, amor. — ele disse, sem nem precisar olhar para saber que eu estava ali. Ele tem esse tipo de percepção. — Como foi o seu dia?

Soltei um suspiro pesado e me joguei no sofá.

— Foi péssimo. Não sei nem como consegui sobreviver até agora.

Ele riu, se aproximando de mim, ainda com a colher de pau na mão.

— Bom, tenho algo que talvez melhore o seu humor. — ele disse, com aquele brilho nos olhos que sempre me intrigava.

Olhei para ele, curiosa.

— O que você está tramando?

— Você vai ver. Mas antes, que tal um banho quente? Prometo que a surpresa vai ser ainda melhor depois disso.

Eu mal conseguia pensar em qualquer coisa além de um bom banho relaxante. Então, aceitei a sugestão dele e fui direto para o chuveiro. A água quente começou a escorrer pelo meu corpo, levando embora o estresse e a tensão acumulados do dia. Me permiti ficar ali por uns bons quinze minutos, apenas sentindo a água massagear meus músculos cansados.

Quando finalmente saí do banheiro, com um roupão macio em volta de mim, percebi que a luz da casa estava mais suave. Otávio tinha apagado a maioria das luzes e acendido algumas velas por cada canto. A mesa de jantar estava posta de maneira simples, mas encantadora, com dois pratos de alguma coisa que cheirava maravilhosamente bem.

— O que é isso? — perguntei, sentindo um sorriso se formar no meu rosto.

— Jantar para a minha mulher favorita. — ele disse, puxando uma cadeira para mim. — Eu fiz lasanha. Do jeito que você gosta.

Me sentei e ele serviu uma generosa porção no meu prato. O cheiro estava divino e o sabor ainda melhor. Não sabia que estava tão faminta até sentir a explosão de sabores na minha boca. Otávio ficou sentado à minha frente, me observando com aquele olhar carinhoso que me fazia derreter por dentro.

— Você sabe que é perfeito, né? — eu disse entre uma garfada e outra. Ele riu, aquele riso baixo e quente que sempre me dava arrepios.

— Eu só quero te ver feliz, Lívia. Sei que seu trabalho pode ser bem estressante às vezes. Queria fazer algo para aliviar isso.

Eu sorri, sentindo uma onda de gratidão tomar conta de mim. Terminei de comer, e ele rapidamente se levantou para tirar os pratos. Quando voltou, suas mãos estavam levemente frias, e ele me puxou para ficar de pé.

— Ainda não terminamos, senhorita. — ele sussurrou no meu ouvido, me conduzindo até a sala. Ele colocou uma música suave, uma melodia lenta e romântica que preencheu o ambiente. — Você dança comigo?

Meus lábios se curvaram num sorriso involuntário, e eu acenei, sem palavras. Ele me puxou para mais perto, e começamos a balançar suavemente de um lado para o outro, no ritmo da música. Senti meu corpo relaxar ainda mais, se é que isso era possível. Estar nos braços de Otávio era o meu lugar favorito no mundo.

— Sabe — ele começou, enquanto suas mãos deslizavam suavemente pelas minhas costas —, eu estava pensando hoje sobre como sou sortudo por ter você na minha vida.

Olhei para ele, surpresa.

— E por que você está pensando nisso logo hoje?

Ele deu de ombros, com aquele sorriso de menino travesso.

— Às vezes, no meio da correria, a gente esquece de valorizar as coisas importantes. E você é a coisa mais importante para mim, Lívia.

Meu coração derreteu. Não sei se foi o cansaço, o jantar maravilhoso ou a melodia suave que tocava ao fundo, mas senti meus olhos se encherem de lágrimas.

— Eu também sou muito sortuda por ter você, Otávio. Não sei o que faria sem você.

Nosso olhar se encontrou, e naquele momento, parecia que o mundo inteiro havia desaparecido. Não havia mais cansaço, estresse ou preocupações. Só havia nós dois, naquela pequena bolha de felicidade.

Otávio se inclinou e me beijou, um beijo suave e terno, cheio de carinho. Quando ele se afastou, eu já estava com o coração disparado, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele me pegou no colo e me levou para o quarto.

— Hoje é só você e eu, meu amor. — ele sussurrou, me colocando delicadamente na cama.

Meus olhos fixaram nos dele, e eu sabia que aquela noite seria diferente. Não era só uma questão de desejo ou paixão; era algo mais profundo, mais intenso. Ele começou a me beijar de novo, dessa vez com mais urgência, como se quisesse apagar todos os resquícios do meu dia ruim. Suas mãos deslizavam pelo meu corpo, cada toque enviando ondas de eletricidade pela minha pele.

— Você é tudo para mim, Lívia. — ele murmurou contra a minha boca. E eu sabia que ele falava sério. Sentia isso em cada gesto, em cada toque.

Enquanto nossas roupas caíam ao chão, uma a uma, o quarto parecia se aquecer. A luz das velas dançava nas paredes, criando sombras que se moviam ao ritmo dos nossos corpos. Otávio me tocava como se estivesse redescobrindo cada pedaço de mim, como se quisesse me memorizar de novo, e de novo. E, naquele momento, eu senti como se todos os meus sentidos estivessem aguçados. Cada carícia, cada beijo, cada suspiro era amplificado.

Ele era gentil, mas também intenso. Havia uma necessidade em seus movimentos que me deixava ainda mais envolvida, como se ele quisesse me fazer esquecer de tudo que não fosse ele. E funcionava. Eu só conseguia pensar nele, sentir ele, querer ele.

— Você está bem? — ele perguntou, sua voz baixa e rouca, enquanto olhava nos meus olhos, buscando alguma confirmação.

Eu sorri, passando a mão pelo seu rosto.

— Nunca estive melhor, Otávio.

E era verdade. Aquela noite, tudo parecia perfeito. Não era apenas o ato em si, mas a conexão que tínhamos, algo tão profundo que palavras não conseguiam explicar. Era como se nossos corpos e almas estivessem em completa sintonia, movendo-se como uma só unidade.

Cada toque, cada beijo, cada movimento era feito com uma ternura e intensidade que me faziam sentir amada, desejada, valorizada. E à medida que a noite avançava, fomos nos perdendo um no outro, como se o tempo tivesse parado, e só existisse aquele momento.

Depois, quando estávamos deitados, nossos corpos entrelaçados, eu sentia meu coração ainda batendo rápido. O cheiro de velas queimando, o som da respiração dele, o calor do seu corpo contra o meu... Tudo era tão real, tão presente.

Ele se virou para mim, aquele sorriso doce que me derretia.

— Eu te amo, Lívia.

E, naquele instante, senti uma onda de emoção me invadir. Era uma felicidade pura, uma sensação de plenitude que eu nunca tinha experimentado antes. Passei meus dedos pelo cabelo dele, suavemente.

— Eu também te amo, Otávio. Mais do que palavras podem dizer.

Nosso olhar se encontrou mais uma vez, e ali, naquela troca silenciosa, sabíamos que aquele momento era inesquecível. Porque não era apenas mais uma noite de amor, mas uma celebração do que éramos juntos, do que compartilhávamos. Algo que, eu sabia, permaneceria conosco para sempre.

E assim, nos enroscamos mais uma vez, deixando o mundo lá fora, e focando apenas no que importava: nós.

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