Capítulo 32 Algo especial

Lívia Fontes

A feira estava lotada. Gente pra todo lado, luzes piscando, música alta, o cheiro delicioso de comidas típicas misturado com o perfume das flores de todos os cantos. Eu e Otávio decidimos vir para essa feira por pura curiosidade, sem imaginar que isso viraria uma aventura daquelas.

— Onde você quer ir primeiro, Lívia? — Otávio me perguntou, segurando minha mão firmemente enquanto caminhávamos pela multidão.

Olhei ao redor, tentando decidir entre as várias opções de barracas. Tinha uma de algodão-doce que parecia ser uma boa ideia para começar.

— Vamos ali, na barraca de algodão-doce! — sugeri, apontando para o lugar.

— Boa ideia! — ele concordou, me puxando com entusiasmo.

Acho que Otávio gosta tanto de algodão-doce quanto eu. A fila estava enorme, mas, para a nossa sorte, se moveu rápido. Logo estávamos com um algodão-doce gigante nas mãos. Otávio pegou um pedaço e me ofereceu com um sorriso no rosto.

— Para você, minha dama. — disse, tentando parecer sério, mas falhando miseravelmente.

Eu ri e aceitei o pedaço, me deliciando com o doce que derretia na boca. À medida que caminhávamos pela feira, fomos nos distraindo com todas as cores e sons ao nosso redor. Passamos por uma barraca de jogos e, claro, Otávio quis tentar ganhar um urso de pelúcia para mim.

— Tenho certeza de que posso ganhar esse urso para você, Lívia. — disse ele, convencido.

— Ah é? Vai lá então, senhor confiante. — provoquei, cruzando os braços e dando um sorriso desafiador.

Otávio se posicionou para o jogo, onde precisava acertar três argolas em garrafas. Ele estava focado, o olhar fixo nas garrafas. Eu tentei não rir enquanto ele jogava, torcendo para ele realmente conseguir.

Primeira tentativa: falha. Ele bufou, mas não desistiu.

— Calma aí. Isso foi só aquecimento. — ele disse, com uma piscadela.

Na segunda tentativa, quase acertou. Ele fez uma careta engraçada, e eu não consegui conter o riso.

— Você tá se divertindo com a minha derrota, né? — ele perguntou, fingindo estar ofendido.

— Claro que não, tô torcendo por você! — respondi, tentando conter o riso.

Na terceira e última tentativa, ele conseguiu acertar uma das argolas. Não foi o suficiente para ganhar o urso, mas foi o bastante para o rapaz da barraca dar um prêmio de consolação: uma pequena tartaruga de pelúcia.

— Pra você, madame. — Otávio disse, fazendo uma reverência exagerada enquanto me entregava o brinquedo.

— Ah, obrigada! — respondi, segurando a tartaruga com um sorriso. — Ela é perfeita.

Continuamos andando pela feira, aproveitando o clima de descontração. Mas, em algum momento, nos distraímos tanto que acabamos nos perdendo. Quando percebemos, estávamos longe das barracas principais e cercados por uma área que eu não reconhecia.

— E agora? Para onde vamos? — perguntei, olhando ao redor meio perdida.

— Não faço ideia. Acho que viramos na esquina errada. — Otávio respondeu, coçando a cabeça.

— Deveríamos ter pego aquele mapa na entrada. — comentei, meio frustrada.

Ele me olhou com um sorriso reconfortante.

— Não se preocupa, Livia. Vamos aproveitar que estamos perdidos e explorar um pouco. Quem sabe o que mais vamos encontrar por aqui?

Decidi confiar nele. Otávio sempre teve um jeito de transformar qualquer situação em algo divertido. Continuamos andando, rindo e brincando, aproveitando cada momento. Encontramos uma barraca de pinturas faciais e, por algum motivo, Otávio decidiu que era uma boa ideia fazer uma pintura de tigre.

— Você vai mesmo fazer isso? — perguntei, tentando não rir enquanto ele escolhia o desenho.

— Claro! Por que não? — ele respondeu, animado.

Quando o artista terminou, Otávio estava com o rosto todo pintado de laranja com listras pretas. Ele fez uma pose de "tigre feroz", e eu quase chorei de tanto rir.

— Você tá parecendo um gatinho assustado! — falei entre risos.

— Ah é? Pois saiba que esse tigre aqui é bem feroz! — ele disse, fingindo me atacar com suas "garras".

Depois de mais algumas brincadeiras, finalmente encontramos o caminho de volta para a parte principal da feira. Mas, de alguma forma, acabamos em frente a uma barraca de adivinhações.

— Vamos dar uma olhada? — Otávio sugeriu, já se dirigindo para a tenda.

Entramos na barraca e fomos recebidos por uma mulher vestida com roupas coloridas e cheia de pulseiras nos braços. Ela nos olhou com um sorriso misterioso.

— O que traz vocês aqui, jovens? — ela perguntou, sua voz suave e convidativa.

— Estamos só explorando a feira, mas eu adoraria saber o que o futuro nos reserva. — Otávio respondeu, parecendo bastante interessado.

A mulher nos convidou a nos sentarmos e começou a embaralhar um baralho de cartas de tarô. Ela puxou uma carta e a colocou na mesa, olhando para nós com olhos penetrantes.

— Vejo um futuro cheio de amor e risos para vocês dois. — disse ela, com um sorriso enigmático.

Olhei para Otávio, que estava com um sorriso bobo no rosto. Eu senti meu coração acelerar um pouco. 

— Obrigado pela leitura. — Otávio disse, colocando alguns trocados na mesa antes de nos levantarmos para sair.

Enquanto saíamos da barraca, ele segurou minha mão e a apertou levemente. Caminhamos em silêncio por alguns minutos, até chegarmos a uma área mais tranquila, longe da multidão.

Otávio parou de repente e se virou para mim. Eu o olhei, curiosa para saber o que ele ia dizer. O silêncio entre nós estava carregado de algo que eu não conseguia definir.

— Lívia, eu... — ele começou, parecendo um pouco nervoso.

— O que foi, Otávio? — perguntei, tentando parecer calma, embora meu coração estivesse batendo forte.

Ele respirou fundo, como se estivesse se preparando para algo importante.

— Eu queria te dizer que... essa noite, aqui na feira, foi uma das melhores da minha vida. Eu adoro passar tempo com você, me divertir com você... e percebi que quero isso pra sempre — ele disse, olhando diretamente nos meus olhos.

Fiquei sem palavras por um momento, meu coração acelerando ainda mais. Ele continuou, sem desviar o olhar.

— Lívia, você quer namorar comigo?

Eu senti meu rosto ficar quente, uma mistura de surpresa e felicidade. Sorri, sem conseguir conter a emoção.

— Sim, Otávio, eu quero namorar com você! — respondi, sentindo meu coração explodir de alegria.

Ele sorriu amplamente e me puxou para um abraço apertado. Eu me senti segura e feliz nos braços dele, como se fosse exatamente onde eu deveria estar.

— Mal posso acreditar que você finalmente me pediu em namoro. — eu disse, rindo.

— Ah, é? — ele perguntou, com um sorriso brincalhão. — Então você já estava esperando por isso, é?

Dei de ombros, fingindo estar indiferente.

— Talvez um pouco. — respondi, sorrindo.

Nos beijamos ali, no meio da feira, rodeados pelas luzes e pela música. Foi um beijo doce, cheio de promessas e novas aventuras. Quando nos separamos, ele olhou para mim com aquele olhar carinhoso que eu tanto amava.

— Acho que essa foi a melhor feira que já fui na vida. — ele disse, com um sorriso terno.

— Concordo. Acho que não poderia ter sido melhor. — respondi, segurando a mão dele, enquanto caminhávamos juntos pela feira, agora como namorados.

E assim, de mãos dadas, seguimos explorando a feira, aproveitando cada momento como se fosse o primeiro. Porque, de certa forma, era. Era o começo de algo novo, algo lindo. E eu não poderia estar mais feliz por estar vivendo isso com ele.

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