Capítulo 28 Confissão de Otávio
Lívia Fontes
Era um fim de tarde como qualquer outro, mas com aquele toque especial que só o verão consegue proporcionar. O sol já estava se pondo, e a luz dourada invadia o ambiente, refletindo nas águas da piscina.
Eu estava sentada na borda, com os pés mergulhados na água morna, tentando ignorar o turbilhão de pensamentos que dominava minha mente. A cena do beijo que troquei com Otávio alguns dias atrás, não saía da minha cabeça. Aquele momento inesperado e cheio de intensidade mexeu comigo de uma forma que eu não sabia explicar. Desde então, eu evitava pensar demais sobre o que aquilo significava, mas era inevitável.
O barulho de passos se aproximando me tirou do transe. Olhei para o lado e lá estava ele, Otávio, com aquele sorriso meio torto que sempre me desarmava. Ele se aproximou devagar, como se estivesse avaliando cada movimento, e sentou-se ao meu lado, mantendo uma certa distância. O silêncio entre nós era palpável, mas não desconfortável. Era como se ambos soubéssemos que algo estava prestes a acontecer, algo que mudaria tudo.
— Lívia, a gente precisa conversar. — ele disse, quebrando o silêncio.
Meu coração deu um salto. Eu não sabia o que esperar, mas a seriedade na voz dele me deixou alerta.
— Claro, Otávio. — respondi, tentando parecer mais tranquila do que realmente estava. — O que foi?
Ele respirou fundo, como se estivesse reunindo coragem para dizer algo importante. O olhar dele estava fixo no horizonte, evitando me encarar diretamente. E então, finalmente, ele se virou para mim, com os olhos brilhando de uma intensidade que eu nunca tinha visto antes.
— Eu não consigo mais fingir que tudo estar como sempre esteve entre nos. — ele começou, e minha mente foi imediatamente para o beijo. — Aquele dia, na piscina... O beijo que a gente deu...
Meu coração acelerou, e eu senti meu rosto esquentar. A lembrança daquele beijo, da forma como ele me segurou, do jeito como nossos lábios se encontraram, tudo voltou com uma força que quase me fez perder o fôlego.
— O que tem aquele beijo? — perguntei, tentando manter a voz firme, mas sabendo que minhas mãos estavam começando a tremer.
— Depois daquele momento, eu fiquei pensando... Pensando muito, na verdade. Sobre nós, sobre o que eu realmente sinto por você.
Eu sabia que era sério. Otávio queria falar abertamente sobre seus sentimentos. Ele, agora, parecia que ele estava prestes a me mostrar um lado dele que eu ainda não conhecia.
— E o que você descobriu? — A pergunta saiu quase como um sussurro.
Ele deu um pequeno sorriso, como se estivesse aliviado por eu ter perguntado. Mas ao invés de responder de imediato, ele se inclinou para frente, pegou minha mão e a segurou entre as dele. O toque era quente, reconfortante, e, ao mesmo tempo, cheio de eletricidade. Era como se, naquele simples gesto, ele estivesse tentando me transmitir tudo o que sentia.
— Eu descobri que eu não tenho nenhuma dúvida sobre o que eu sinto por você, Lívia. Nenhuma. — A voz dele era firme, mas carregada de emoção. — Eu estava tentando negar, fingir que era só coisa da minha cabeça, mas... aquele beijo só confirmou o que eu já sabia há muito tempo.
Fiquei em silêncio, tentando processar as palavras dele. Era como se o mundo ao nosso redor tivesse parado, como se só existisse nós dois ali, naquela borda de piscina, com o sol se pondo ao fundo. Eu podia sentir a sinceridade nas palavras dele, mas, ao mesmo tempo, uma parte de mim estava em choque. Otávio estava abrindo seu coração de uma maneira que eu nunca esperei.
— De uns tempos pra cá, eu comecei a perceber que o que eu sinto por você vai muito além da amizade que construímos. Quando a gente se beijou, eu soube que eu não estava sozinho nisso. Eu senti que você também estava ali, comigo, naquele momento.
Aquelas palavras caíram sobre mim como um furacão. Eu sentia a intensidade da confissão dele, no entanto, minha cabeça girava, tentando entender tudo. Era como se eu estivesse em um sonho, e a realidade estivesse se desfazendo ao meu redor.
— Otávio, eu... — comecei, mas ele me interrompeu, apertando minha mão suavemente.
— Você não precisa dizer nada agora. Eu só queria que você soubesse como eu me sinto. Eu não esperava que isso fosse acontecer, mas agora que aconteceu, eu não consigo mais voltar atrás. Eu gosto de você, Lívia. E não é de um jeito qualquer. É de um jeito que eu nunca senti por ninguém antes.
Ele estava me olhando agora, diretamente nos olhos, e eu senti como se ele pudesse ver dentro da minha alma. Era assustador e, ao mesmo tempo, libertador. Era como se todas as barreiras que eu tinha colocado entre nos estivessem caindo, uma a uma.
Eu não sabia o que dizer. As palavras dele ressoavam dentro de mim, despertando sentimentos que eu tentava ignorar. Eu sempre soube que havia algo especial entre nós. E agora, ali estava ele, colocando tudo às claras, sem medo.
— Otávio, eu... eu também senti algo naquele beijo. Algo que eu nunca senti antes. — Minha voz estava trêmula, mas eu precisava dizer. — Mas eu estava com medo de que fosse só uma coisa de momento, que não significasse nada de verdade.
Ele sorriu, um sorriso genuíno, cheio de alívio. Parecia que um peso enorme tinha sido tirado dos ombros dele.
— Não foi só um momento, Lívia. Pelo menos, não pra mim. — Ele se aproximou mais, até que nossos rostos estavam a poucos centímetros de distância. — Eu sei que pode ser confuso, mas eu quero tentar. Quero descobrir o que isso significa, junto com você.
Eu sentia meu coração disparar, e, ao mesmo tempo, uma paz estranha começava a se instalar dentro de mim. Era como se, finalmente, eu estivesse aceitando o que sempre esteve ali, bem na minha frente. Olhei para ele, para aqueles olhos que sempre me transmitiram tanta confiança, e senti uma onda de coragem me invadir.
— Eu também quero tentar, Otávio. — As palavras saíram antes que eu pudesse pensar, mas eu sabia que era a coisa certa a dizer.
Ele sorriu, e antes que eu pudesse reagir, ele se inclinou e me beijou novamente. Dessa vez, o beijo foi diferente. Não havia mais hesitação, nem medo. Era cheio de certeza, de entrega. Era como se estivéssemos selando um acordo, uma promessa silenciosa de que, aconteça o que acontecer, nós iríamos enfrentar tudo juntos.
Quando nos separamos, ele encostou a testa na minha, ainda segurando minha mão.
— A gente vai descobrir isso juntos, tá? Sem pressa, sem pressão. Só... vivendo um dia de cada vez.
— Um dia de cada vez. — repeti, com um sorriso.
E ali, naquele momento, enquanto o sol desaparecia no horizonte, eu soube que minha vida estava prestes a mudar de uma forma que eu nunca imaginei. Mas, pela primeira vez em muito tempo, eu estava pronta para abraçar essa mudança, de mãos dadas com Otávio.
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