Epílogo
Narrador:
Meses depois…
Mauro se sentou cuidadosamente à beira da piscina, observando atentamente a casa do seu pai, que resplandecia com uma iluminação deslumbrante. Mesmo à distância, conseguia captar os risos animados e a música envolvente da celebração em andamento. Este evento marcava a comemoração da primeira e grandiosa exposição de Mauro, um marco em sua carreira artística.
No entanto, apesar do cenário festivo ao seu redor, não conseguia encontrar a mesma alegria em seu coração. Nos últimos meses, seu marido havia mergulhado nos recantos sombrios do submundo, dedicando-se a auxiliar outros seres submundanos. Ele aspirava não apenas a ser um bom professor, mas também a desempenhar um papel significativo na vida desses indivíduos.
Enquanto Mauro organizava meticulosamente sua primeira exposição, as complexidades e desafios da vida cotidiana tornavam-se mais evidentes. As coisas haviam se tornado tão desconcertantes depois de todo esse esforço que mal tinha tempo para refletir sobre como as coisas seriam com Castiel, seu marido, ao seu lado para ajudar a superar essas dificuldades.
No entanto, Mauro não podia se permitir culpar Castiel, afinal, fora ele mesmo quem sugerira a ideia inicial. Retirar tais palavras seria um ato contraditório e, certamente, não condizente com seus valores. Até mesmo sua irmã o encorajara a seguir adiante com a decisão, reconhecendo a importância do trabalho no submundo. No entanto, Mauro não conseguia ignorar a inquietação que pairava em sua mente, uma sensação de perigo que sua intuição de guerreiro alertava.
Ao promover essa iniciativa, ele tinha em mente crianças como Alice e Forest, habitantes do submundo que corriam o risco de perder suas famílias ou até mesmo as próprias vidas. Embora estivesse comprometido com essa nobre causa, Mauro não conseguia evitar a preocupação constante, ciente de que o submundo escondia ameaças desconhecidas e perigosas. Essa batalha era maior do que ele imaginava, e a responsabilidade pesava em seus ombros enquanto ele se esforçava para proteger aqueles que eram mais vulneráveis naquele ambiente sombrio.
***********************************
Ao envolver os braços ao redor dos joelhos, Mauro deixou escapar um sorriso pálido. Sentia-se contente pelo desejo de seu marido em contribuir para a causa de ajudar os indefesos diante do que estava por vir. A alegria preenchia seu coração ao perceber que finalmente as coisas estavam caminhando bem em sua vida. Os familiares também colhiam sucessos em várias empreitadas, e Mauro estava mais feliz do que jamais se permitira estar.
A presença constante de seu irmão mais novo, sempre visitando e oferecendo a perspectiva do cargo como ceifador de almas quando chegasse o momento de Mauro e Castiel, era uma oferta tentadora. Claro que seria uma oportunidade incrível, e ele consideraria seriamente aceitá-la quando chegasse o momento certo. Por ora, no entanto, Mauro desejava apenas aproveitar a nova vida que estava construindo. Queria saborear cada momento de tranquilidade e felicidade que a vida lhe oferecia, antes de mergulhar em novos desafios que o futuro pudesse trazer.
E Mauro tinha plena consciência da escolha que faria. No entanto, após 106 vidas repletas de tragédias, essa decisão envolvia a mortalidade como um pensamento distante para ele. Em todas as existências passadas, nunca experimentara uma felicidade tão profunda. Era um contraste notável com a pessoa que fora em cada vida, sempre subjugado pelo que lhe era imposto. Quando quebrou a maldição que o prendia, foi como se as amarras que o haviam limitado desde a primeira vida tivessem sido finalmente rompidas de uma vez por todas.
Mauro sentia-se genuinamente feliz por ter alcançado essa libertação. Era revigorante perceber que o amor tão forte que experimentava era real, e o conceito de "felizes para sempre" não era apenas uma fantasia de contos de fadas. A jornada tumultuada ao longo de suas muitas vidas o conduziu a um momento de serenidade e alegria que ele nunca pensou ser possível. Agora, ele abraçava a oportunidade de viver uma vida plena, livre das correntes do passado, e apreciava cada instante dessa nova realidade que ele mesmo forjara.
Mordendo o lábio, Mauro ergueu os olhos para a lua. A decisão de voltar para dentro provavelmente seria sensata, mas a exaustão de ser constantemente objeto de olhares piedosos e expressões preocupadas o dominava. Sentia-se como se estivessem tratando-o como um paciente terminal só por estar com saudades do marido e incapaz de pedir para ele retornar. Estava farto de assegurar a todos que estava bem, pois ninguém parecia acreditar sinceramente em suas palavras. A incompreensão ao seu redor era um fardo pesado, e Mauro ponderava se poderia encontrar uma forma de escapar desse ciclo de preocupações incessantes.
Mauro arrastou os olhos para longe, fixando-os na superfície lisa e escura da piscina. Uma nova explosão de gargalhadas ecoou de dentro da casa. Sua intuição insistia que uma tempestade se aproximaria em algum momento, adicionando uma camada adicional de preocupação em sua mente. No final das contas, a atmosfera festiva contrastava com a inquietação que sua intuição persistente lhe causava, criando uma dualidade desconcertante em sua noite.
Um galho se quebrou, fazendo Mauro ficar tenso, arrepios percorrendo sua espinha quando uma consciência peculiar o envolveu. Prendeu a respiração, sentindo seu coração bater contra suas costelas. Virou-se abruptamente, encontrando a espada agora firme em suas mãos. Quem seria tolo o suficiente para atacá-lo ou, ainda mais, se aproximar sem considerar as consequências?
Apesar de achar a ideia um tanto absurda, a experiência como guerreiro o alertava para a presença de pessoas imprevisíveis no mundo, capazes de ações impensáveis. Mauro permanecia vigilante, consciente de que a noite, que antes parecia festiva, agora carregava um tom de perigo iminente.
Uma mão foi posta sobre seu ombro, e seu corpo reagiu por impulso, virando-se rapidamente e agarrando o pulso da figura. Em uma ação instintiva, Mauro lançou a pessoa para dentro da piscina. O som do mergulho rompeu o silêncio da noite, deixando a água ser testemunha do repentino e inesperado confronto. Respirando fundo, Mauro manteve-se alerta, avaliando a situação enquanto a pessoa emergia da piscina, revelando sua identidade e intenções.
Engolindo em seco, Mauro prestou atenção na direção da figura que emergiu das águas da piscina. Olhos confusos encontraram os dele, e um misto de surpresa e incredulidade tomou conta de Mauro quando Castiel sorriu de maneira divertida.
— Sei que estive longe por muito tempo, e só nos comunicamos por celular ou mensagem de fogo, mas achei que estivesse ao menos sentindo minha falta — disse Castiel suavemente, quebrando o silêncio com sua voz calma e familiar.
Mauro sentiu uma mistura de emoções invadindo seu peito: surpresa, alívio e, admitia para si mesmo, um toque de alegria. A imagem de Castiel emergindo da piscina, com um sorriso nos lábios, era como um alívio para a tensão que havia se acumulado. A espada em sua mão de repente parecia excessiva e a espada desapareceu.
— Castiel! — exclamou Mauro, deixando escapar um suspiro. — Você poderia ter me avisado que estava voltando. Quase me deu um susto!
Castiel riu, a água escorrendo de seus cabelos enquanto se aproximava de Mauro.
— Surpresas são meu forte, lembra? — disse ele, lançando um olhar travesso. — Mas eu senti muito a sua falta.
Mauro não conseguiu conter um sorriso diante das palavras reconfortantes de Castiel. De repente, as preocupações e a solidão dos últimos tempos pareciam diminuir diante da presença do marido.
— Eu também senti sua falta, mais do que poderia expressar — admitiu Mauro, abaixando os braços e envolvendo Castiel em um abraço. — Bem-vindo de volta.
A noite que antes parecia carregada de inquietação, agora se transformava em um reencontro caloroso, iluminado pelo sorriso de Castiel e pela certeza de que, apesar das tempestades que a vida pudesse trazer, eles enfrentariam juntos.
Os dois se afastaram do abraço, mas o olhar de Mauro permaneceu fixo nos olhos de Castiel. A lua refletia na superfície da piscina, criando uma atmosfera mágica ao redor do casal.
— Eu prometo não desaparecer por tanto tempo de novo — disse Castiel, com um toque de sinceridade em seu olhar.
Mauro assentiu, sentindo uma onda de gratidão e renovada certeza. Não era preciso palavras para expressar a intensidade do que sentiam um pelo outro naquele momento. O silêncio foi quebrado apenas pelo som suave da música vindo da festa na casa.
Em um movimento instintivo, Mauro levou uma mão ao rosto de Castiel, acariciando suavemente sua bochecha. Os lábios dos dois se aproximaram lentamente, selando o reencontro com um beijo cheio de saudades e promessas. Era como se o tempo tivesse parado, deixando apenas a certeza de que, juntos, poderiam enfrentar qualquer tempestade que a vida lhes trouxesse.
Ao se afastarem, Mauro sorriu para Castiel, perdendo-se no brilho dos olhos do amado.
— Nunca duvidei de que você voltaria para casa — disse Mauro, e a expressão de Castiel mostrou que aquelas palavras eram exatamente o que ele precisava ouvir.
De mãos dadas, os dois caminharam em direção à casa, prontos para compartilhar as alegrias e desafios que a vida reservava para eles. O som das risadas e da música aumentou conforme se aproximavam, mas o coração de Mauro estava em paz, sabendo que o amor de Castiel era a luz que iluminava seu caminho.
___________________________________
Fim!
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top