Capítulo Seis
Castiel starys:
Voltamos para o lado das meninas, e uma luz intensa invadiu meus olhos quando atravessamos a porta. Em questão de segundos, várias formas começaram a surgir, e no centro da sala, emergiu algo imponente. Era uma figura que parecia ser metade homem, metade demônio. Seus olhos vermelhos brilhavam como poços profundos, e o olhar malévolo que lançava prometia uma morte terrível, uma sinfonia de gritos que parecia não ser ouvida por mais ninguém.
Ouvi Demitre cair para trás e o segurei firmemente quando a criatura emitiu um rosnado gutural de sua enorme boca.
— Olhem para a figura menor — Scarlett apontou sua chave brilhante. — O guardião aqui, pelo visto, era Asdroel.
Asdroel, um homem de pele clara, cabelos curtos e escuros, penteados para trás, exceto por uma mecha que pendia no centro de sua testa. Um pequeno ponto escuro adornava seu lábio inferior, logo acima do queixo. Ele usava uma túnica de manga comprida de cor escura, que brilhava na gola. Sobre ela, uma estola clara, e por baixo, um par de botas escuras.
Ferimentos marcavam seu rosto, e um corte profundo no peito manchava sua roupa. Os lábios da figura se moviam com dificuldade, como se tentasse falar. Ele ergueu o braço e apontou para a chave que brilhava em vermelho, enquanto a criatura avançava em sua direção, fazendo com que a luz que dava vida às imagens se dissipasse, como se um vento invisível as tivesse levado embora.
— Ele lutou até o fim e usou a chave como último recurso — Scarlett disse, e fizemos um minuto de silêncio, assim como os outros dois. — Mas a luta não começou aqui.
Ela apontou para a parede, manchada de sangue, e depois para uma janela prestes a desmoronar, como se algo colossal tivesse forçado sua entrada no local.
— Aconteceu lá fora, durante a noite ou madrugada. A criatura deve tê-lo surpreendido por trás — Scarlett continuou, subindo em uma caixa e apontando a chave para fora. — Revelação da névoa.
Nós seguimos na direção oposta, e, nos fundos do salão, encontramos uma destruição, com tudo quebrado.
Saímos do porão e, mais uma vez, nos deparamos com uma cena de destruição, que confirmava o que já sabíamos: a criatura havia atacado Asdroel por trás, jogando-o com violência. Uma luta se desenrolou, mas ficou evidente que o monstro tinha a vantagem.
Em certo momento, a criatura olhou na direção oposta, dando a Asdroel a oportunidade de atacar, o que pegou o monstro desprevenido por um momento. Porém, a criatura logo se recuperou, e a batalha continuou.
— Asdroel aproveitou essa chance e correu para o porão, onde se escondeu. Foi lá que tudo aconteceu — Scarlett concluiu. — Mas, pelo que vi, a criatura não é nenhuma das que um guardião já enfrentou ou conhece.
— Então, pode ser uma nova espécie — Janet sugeriu. — Mas por que atacaria justamente um guardião em vez de mundanos? E o que Asdroel estava fazendo aqui? Ele nunca gosta de vir para esta dimensão.
— Você estava certo ao dizer isso, mas talvez tenha sido atacado. No entanto, a agilidade da criatura é surpreendente. Isso pode indicar uma mudança drástica em uma espécie demoníaca ou em qualquer criatura de outra dimensão capaz de tal feito — Demitre opinou, olhando para mim. — O que você acha? Será que também está atacando mundanos e submundanos?
Dei de ombros, incapaz de formular uma resposta definitiva para o enigma que se apresentava.
— Talvez seja melhor irmos para algum lugar onde possamos descansar e, à noite, investigar mais sobre esse assunto — Scarlett sugeriu, lançando-me um olhar inquisitivo. — Você não tem alguma ideia?
— Que tal conversarmos com alguns membros do submundo da cidade e ver se eles sabem algo sobre essa criatura? — sugeri, apesar de perceber o olhar cético de Scarlett. — Lembro que, no império, antes de ser aprisionado, costumava obter informações através de vampiros e feiticeiros, que eram os fofoqueiros do submundo.
— E as fadas? — Demitre perguntou, visivelmente intrigado com minhas palavras, assim como Janet.
— Bem, as fadas gostam de brincar com os segredos das pessoas. Uma vez encontrei um elfo que fez um guarda imperial se humilhar publicamente para não revelar seu segredo. — Falei, lembrando-me de como aquela história não terminara bem para o guarda, que acabou sendo morto por quase prejudicar a reputação da família real.
— Isso pode nos ser útil. Vou verificar se consigo identificar os lugares onde os submundanos costumam se encontrar para conversar, e então iremos até lá — Janet disse, afastando-se da parede. — Pode levar um tempo para eu mapear a cidade, já que os submundanos são hábeis em esconder seus refúgios.
Scarlett assentiu, mas não demonstrou entusiasmo quanto à minha ideia.
— Pode ser uma boa abordagem — disse ela, apontando para a rua. — Vamos sair daqui.
Pulamos a cerca do local, e Scarlett retirou outra moeda de sua mochila.
— Venha a mim, carruagem de mula — ela disse, lançando a moeda na rua, que afundou e desapareceu. Por um momento, nada aconteceu, mas então, como um lampejo, a carruagem surgiu diante de nós. O cocheiro nos observou e sorriu quando Scarlett subiu a bordo.
— Senhora Scarlett, duas vezes no mesmo dia. É uma honra tê-la conosco novamente — ele disse, e Scarlett soltou uma risada
que a fez parecer uma dama dos tempos antigos.
Janet e Demitre me puxaram para dentro da carruagem, enquanto eu observava a cena estupefato.
— Castiel, precisamos ter cautela — Demitre alertou, enquanto observávamos a carruagem de Scarlett partir. — Essa criatura é uma ameaça desconhecida, e não sabemos o que mais pode estar por aí.
Janet assentiu, concordando com a preocupação de Demitre. Ela estava concentrada em seu dispositivo de mapeamento, tentando identificar os lugares onde os submundanos se reuniam na cidade.
— É importante que não subestimemos essa situação. Nossa missão é descobrir a verdade e proteger nosso mundo. — Janet disse, mantendo-se focada em sua tarefa.
Demitre continuou:
— Castiel, lembre-se de que nosso objetivo principal é garantir a segurança de todos os seres em nossa dimensão. Se essa criatura está causando estragos, não podemos ignorar o perigo que representa e nada de ser sarcástico com a Scarlet.
Eu assenti, ciente da responsabilidade que tínhamos sobre nossos ombros. A incerteza pairava no ar, e era claro que enfrentar essa nova ameaça seria um desafio complexo e potencialmente mortal. Enquanto a carruagem de Scarlett desaparecia no horizonte, sabíamos que nossa jornada estava apenas começando, e o futuro estava repleto de incertezas e perigos que teríamos que enfrentar juntos.
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A carruagem começou a se movimentar, seguindo na direção oeste. Olhei para Janet, que estava concentrada, lendo um mapa com sua chave brilhando no pescoço enquanto murmurava palavras mágicas em voz baixa.
Olhando pela janela, percebi que havíamos entrado em um bairro caracterizado por casas no estilo rancho, com irrigadores automáticos girando em pequenos gramados. Algumas das casas estavam em estado de deterioração, com a pintura descascando e o mato tomando conta de quintais e parte das estruturas.
Finalmente, paramos em frente a uma casa de dois andares, cujo gramado estava repleto de falhas. A parede exterior estava desbotada, pintada de um branco que há muito perdera seu brilho. Scarlett agradeceu ao cocheiro, e nós descemos da carruagem, com Janet ainda concentrada no feitiço e Demitre ajudando-a a se movimentar com cuidado para não colidir com nada.
Ao entrarmos na casa, percebemos que ela estava completamente mobiliada.
— O andar superior tem três quartos e dois banheiros. O primeiro andar inclui uma cozinha, uma sala de estar e uma sala de jantar. A maior parte do porão foi convertida em uma sala longa e acarpetada com uma televisão grande — Scarlett explicou, apontando para cada parte da casa. — Vou preparar algo para comer e, em seguida, ajudarei Janet com o feitiço.
No entanto, antes que Scarlett pudesse subir as escadas, eu a chamei, ansioso por uma tarefa.
— O que posso fazer? — perguntei, esperando contribuir de alguma forma.
Scarlett se virou para mim, sua expressão fria e determinada.
— Não atrapalhe nossos planos — ela respondeu de maneira incisiva, e eu me encolhi no lugar, percebendo a seriedade de nossa missão. — Entendido?
— Entendido — murmurei, reconhecendo minha posição e a importância de seguir suas instruções sem questionar.
Scarlett subiu as escadas rapidamente, deixando-me sozinho com Demitre e Janet na sala de estar. A tensão no ar era palpável, e eu sabia que tínhamos uma tarefa difícil pela frente.
Demitre olhou para mim, preocupado com a situação.
— Castiel, precisamos estar preparados para qualquer coisa — ele alertou. — Essa criatura que enfrentamos no porão é apenas o começo. Não sabemos o que mais pode surgir.
Concordei com um aceno, reconhecendo a gravidade da situação. Janet, que ainda estava absorta em sua tarefa de mapeamento, interrompeu por um momento para nos direcionar um olhar sério.
— Temos que descobrir o que está acontecendo e como isso afeta nosso mundo. Não podemos nos dar ao luxo de cometer erros — ela enfatizou, antes de voltar sua atenção para o feitiço.
Assenti novamente, sentindo a responsabilidade pesar sobre nós. Sabíamos que enfrentaríamos desafios desconhecidos, mas estávamos determinados a proteger nossa dimensão a qualquer custo.
Enquanto aguardávamos as próximas instruções de Scarlett e continuávamos nossa investigação, eu me preparei mentalmente para os desafios que estavam por vir,caso visse meu amor novamente.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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