Capítulo Dezenove

Mauro pinheiros:

Meu coração se apertou com uma intensidade quase dolorosa ao testemunhar aquela reação de Clarice. Um turbilhão de emoções se abateu sobre mim naquele momento. Minha garganta se contraiu, como se estivesse tentando conter as palavras que ameaçavam escapar. Instintivamente, dei um passo para trás, afastando-me dela, temendo que algo ainda pior pudesse acontecer a minha amiga.

A expressão de Clarice era um misto de dor e desespero, mas também de coragem diante da adversidade. Seu sorriso era frágil, um vislumbre de esperança em meio à tormenta que a envolvia. Eu lutava para não desviar o olhar das mãos dela, que haviam sofrido as consequências da magia que ela acabara de realizar.

— Asc'inta Mulaf Hinto! — Clarice sussurrou as palavras, e sua mão se iluminou com uma intensa luminescência vermelha, enquanto os machucados e o vermelhão em suas palmas diminuíam gradativamente. — Isso vai aliviar um pouco da minha dor. É reconfortante poder usar a magia na sua frente, meu melhor amigo, ao invés de esconder essa parte de quem eu realmente sou.

Um sorriso se formou em meus lábios enquanto eu observava o milagre acontecer diante dos meus olhos. Fiquei surpreso quando Clarice pegou minha mão com delicadeza, unindo nossos destinos de uma maneira mais profunda.

— Amigo, não precisa ter medo. Eu só preciso absorver a magia quando a necessidade se faz presente, o resto do tempo eu não sou uma ameaça. — Ela falou com um sorriso reconfortante e gentilmente colocou a mão em minha bochecha.

Eu coloquei minha mão sobre a dela, sentindo o calor reconfortante de sua presença.

— Obrigado por ser a melhor amiga que alguém poderia desejar. — Eu disse com um sorriso sincero. — À medida que o tempo avança e as dificuldades surgem, eu sempre vou me manter firme e forte, porque sei que posso contar com você. Você é um presente inestimável na minha vida. Nossa amizade é verdadeira, e para amizades verdadeiras, o tempo não tem poder, a distância não existe. Elas são eternas, e a verdadeira amizade nunca morre. Obrigado por sua amizade e por me permitir chamá-la de minha amiga.

É nos momentos de dor que os verdadeiros amigos se destacam. Lealdade, fidelidade e companheirismo são as palavras que melhor descrevem as qualidades de uma amizade genuína.

São nos momentos mais difíceis da vida que os verdadeiros amigos se revelam. Eles abraçam os problemas como se fossem os seus próprios, nunca abandonando um ao outro.

Um amigo é alguém que oferece apoio, diz a verdade mesmo quando é difícil ouvir e está sempre pronto para ouvir. O verdadeiro amigo não espera recompensas; a amizade é a recompensa.

Entre todos os tipos de relacionamentos humanos, a amizade se destaca, pois os amigos não são impostos por convenções sociais ou laços familiares, mas sim escolhidos com base em uma conexão de corações.

Clarice sorriu, visivelmente tocada pelas minhas palavras, e então, no exato momento em que a campainha tocou, ela se levantou e me abraçou, demonstrando a profundidade do nosso laço de amizade.

Com passos cautelosos, me afastei de Clarice e me encaminhei em direção à porta. Quando a abri, meu coração deu um salto surpreso ao me deparar com o mesmo rapaz que tinha estado presente na noite anterior. Ele estava ali em pé, vestindo uma calça jeans, a mesma jaqueta e uma camiseta manchada com um pouco de pasta dental. Seus cabelos estavam bagunçados, dando-lhe um ar descuidado e intrigante ao mesmo tempo. A surpresa e o mistério pairavam no ar enquanto eu o encarava, tentando entender o motivo de sua presença naquele momento.

— Olá — disse eu, preocupado com a condição de Castiel. Ele ergueu seus braços com dificuldade, tentando se comunicar.

— Sim...— ele murmurou, visivelmente lutando para se mover. Preocupado, ajudei-o a se sentar no sofá. Ele parecia relutante em aceitar ajuda. — Não precisa fazer isso... Só vim... ver como... você... está — ele falou com uma voz trêmula e fraca.

No entanto, não pude ignorar sua condição visivelmente precária.

— Corte essa mentira. Vejo claramente que você não está bem— disse eu, começando a examinar seus braços em busca de ferimentos. — Andou brigando na rua? Quem diria que o rapaz que pensei ser um pouco gentil é na verdade um delinquente.—

Castiel tentou rir, mas acabou tremendo de dor, o que me deixou ainda mais preocupado. Foi então que olhei rapidamente para Clarice, esperando que ela pudesse oferecer alguma ajuda.

— Clarice, pode ajudar ele? — Pedi com urgência, virando-me bruscamente para minha amiga, que observava a cena com atenção.

— Não... preciso... de... ajuda...— disse Castiel, mas quando tentou se levantar, desabou para trás. Fiquei chocado ao vê-lo deslizar para o chão como se seu corpo fosse uma massa sem forças.

— Clarice, por favor— implorei, sentindo-me cada vez mais desesperado com a situação. Clarice colocou a mão no meu ombro e se ajoelhou diante de Castiel.

— Amigo, se acalme— disse ela, colocando ambas as mãos sobre o corpo frágil de Castiel. — Asc'inta Mulaf Hinto!

As palmas de Clarice brilharam, e imediatamente Castiel começou a parecer um pouco melhor. Seus olhos se abriram, espantados, e ele olhou ao redor, confuso, até fixar seu olhar em mim, oferecendo um sorriso tímido.

— Isso vai ajudar um pouquinho, mas me diga o que aconteceu com você?— perguntou Clarice, afastando-se dele. Nesse momento, Diana e Douglas entraram na sala, e a expressão animada de Diana indicava que eles estavam discutindo algo divertido.

— Olá, Castiel — cumprimentou Diana quando notou nossa visita. — O que veio fazer aqui?

Castiel se ajeitou no sofá e sorriu para Diana, embora o sorriso parecesse forçado demais para passar despercebido.

— Quem é esse cara?— perguntou Douglas a Diana.

— Ele nos ajudou ontem quando o Mauro desmaiou na frente da casa— explicou minha irmã, e sua expressão se tornou séria. — Castiel, posso te fazer algumas perguntas muito importantes para uma pesquisa do meu trabalho na faculdade.—

Clarice levantou uma sobrancelha, claramente surpresa com o abuso de poder de Diana.

— Douglas, pode pegar alguns comprimidos para o Castiel que ele estava reclamando de dor de cabeça. Eles estão no banheiro do Mauro— orientou Clarice, recuperando-se do choque inicial. Douglas, sem reclamar, foi até o meu quarto resmungando sobre como sempre sobrava para ele lidar com essas situações.

Diana me puxou para um canto, batendo no meu ombro para me fazer sair do recinto.

— Essa é a minha casa — protestei, mas Diana continuou.

— Você pode atrapalhar com suas respostas. Tudo será conduzido por mim, e a Clarice será a policial legal, enquanto eu serei a policial malvada e cruel — explicou Diana com um sorriso travesso. —Não precisa se preocupar, dessa vez não vou quebrar nada ou bater no Castiel.

— O quê? — exclamou Castiel, claramente confuso. Clarice tentou confortá-lo.

— Ela não vai te machucar. O Sr. Pinheiros e o Mauro a proibiram de fazer esse tipo de coisa— assegurou Clarice, e Castiel mordeu o lábio, parecendo um pouco mais aliviado.

— E o Douglas?— perguntei.

Diana tirou um frasco de remédio para dor de cabeça do bolso da calça.

— Ele não vai encontrar nada lá. Peguei um pouco, estava com dor de cabeça ontem e esqueci de colocar no lugar — explicou Diana, entregando-me o frasco. — Agora vá para a cozinha e me deixe fazer meu trabalho como investigadora.

Como não queria mais discutir, segui para a cozinha, observando com espanto como Diana estava se envolvendo cada vez mais em sua investigação pessoal, sentindo-se uma verdadeira detetive..

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Na cozinha, eu podia ouvir as perguntas que Diana e Clarice estavam fazendo a Castiel. Claro que ele parecia um tanto desconfortável e até mesmo um pouco assustado com as perguntas, e eu não pude evitar soltar algumas risadas diante de sua reação.

Era estranho ver alguém sendo questionado dessa forma, mas também era difícil não se divertir com a situação, considerando as circunstâncias peculiares que o trouxeram até aqui. Diana estava realmente abraçando seu papel de investigadora amadora, e Castiel parecia estar se divertindo, mesmo que involuntariamente, com toda a situação.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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