6."I'm your new roommate"


John acordou com o som dos carros, não acostumado com todo aquele barulho de cidade grande e sempre acordar com o canto dos pássaros ou do despertador, teria que se acostumar com aquela agitação.

Levantou-se, uma ansiedade lhe dominava, mal sentia fome, suas mãos soavam e tremiam. Olhou para o lado esquerdo da cama onde havia colocado sua bengala. Passou a mão por seu rosto e voltou a fitar o objeto, por mais que já soubesse de sua melhora, se sentiria mais confiável se levasse ela consigo.

Foi em direção as malas, seus passos já estavam mais firmes e não sentia absolutamente nenhuma dor no pé.l Bem aquilo já era um bom começo para o grande dia que teria pela frente. Pegou sua mochila para ver se estava tudo certo e repor algumas coisas que havia retirado, como havia passado apenas uma noite no hotel, não mexera nas outras malas, queria fazer isso quando chegasse em um dos quartos da escola.

Não demorou muito para arrumar suas coisas. Procurou uma de suasroupas mais apresentáveis para causar uma boa impressão. Acabou por vestir uma camiseta branca com uma blusa social de manga longa preta por cima, colocou uma calça jeans escura e um sapato preto, que ganhara de aniversário de sua mãe, nunca os havia usado e decidiu fazer uso deles em um momento importante.

Após vestir-se e verificar se tudo estava nos conformes, seguiu para a saída, mas antes voltou para a cama e pegou a bengala de seu pai, talvez não causasse uma boa impressão andando com ela por aí, muito menos ao se apresentar na escola, abriu sua mochila e guardou-a fechando o zíper, de modo que a parte curvada ficasse para dentro e o resto da madeira ficasse para fora, dando a impressão de que carregava um bastão nas costas.

Pegou o elevador, sua barriga roncava, havia ficado tão preocupado com a mala e como colocar a bengala na bolsa que esquecera da preocupação de chegar no colégio. Estava faminto e do Double Treep by Hilton Hotel London até a Harrow School era um pouco longe e de certo teria que pegar um ônibus, que levaria cerca de 15 à 20 minutos para chegar até lá e a última coisa que queria era desmaiar na frente dos diretores em sua primeira estadia.

Lembrou-se que o hotel oferecia café da manhã incluso na hospedagem, o que fez seu apetite aumentar, nunca havia comido em um hotel, muito menos em um hotel em Londres e com toda certeza não iria desperdiçar seu dinheiro e aproveitaria a oportunidade.

A mesa de café estava cheia de variedades, dentre elas pães, doces, sucos e bolos que nem John sabia que existiam entre outras iguarias que compunham a mesa. O loiro voltou pelo menos umas três vezes na mesa para pegar um pouco de cada coisa, mas como já estava satisfeito e se demorasse mais um pouco chegaria atrasado para se apresentar, teve que se retirar e deixar para trás muitos outros petiscos que nem saberia se iria ter a chance de come-los um dia.

Pegou o ônibus, já estava pegando o jeito com as malas, seu problema agora era o cabo da bengala que batia em todos os lugares, mas tentou não se importar com isso, muito menos com a cara feia das pessoas quando parte do cabo batia em suas cabeças no momento em que o loiro passava, iria fazer de tudo para não estragar seu dia.

Desceu no ponto, que ficava na rua atrás da escola, caminhou alguns minutos quando se deparou com um enorme casarão, repleto de portas e janelas, grandes escadas que ocupavam os dois lados da entrada, ao redor um jardim com algumas gramíneas e pequenos arbustos.

John adentrou nas enormes portas da recepção, a sala era enorme com algumas cadeiras. Andou em direção a um pequeno balcão que se localizava na entrada da enorme sala. Um homem de terno e gravata estava do outro lado e recebeu John com um meio sorriso, aquilo já era um sinal de que pelo menos as coisas haviam começado bem.

- Bom dia, posso ajudá-lo? - O homem de cabelos loiros se inclinou para observar as malas de John.

- Bom dia, me chamo John Watson. Eu fiz a prova para concorrer a bolsa. - Fez uma pausa. - Bem... eu recebi uma carta a dois dias atrás, informando que eu deveria comparecer a Harrow School para me matricular.

O moço sorriu ainda mais, John não estava entendendo aquela animação. Será que ele era mais um maluco?

- Seja bem vindo! Você deve ser John Hamish Watson. - Disse, agora abaixando a cabeça para pegar alguns papéis. - Falaram que sua nota na prova e na entrevista foram ótimas, estão todos ansiosos para te receberem no colégio.

O nervosismo do loiro e a estranheza inicial que tivera perante o homem estavam diminuindo, estava começando a se sentir acolhido por toda aquela receptividade, mas sua alegria acabou quando um senhor alto de terno marrom apontou no corredor.

O homem aparentava ter cerca de 47 anos quase beirando os 50, cabelo preto e uma postura exemplar. Sua pose mostrava um ar de superioridade e respeito, era como se qualquer movimento que John fizesse a sua frente pudesse ser punido. Aquela figura provocava calafrios no garoto.


- Semhor Watson? - Disse se aproximando e estendendo a mão para o loiro.

- S-Sim. - Disse nervoso estendendo a mão para o homem. - Prazer em conhecê-lo senhor... - John começava a se lembrar daquele rosto, era um dos diretores chefes da escola, que o havia avaliado durante a entrevista online.

- Jim Hawkins - Apertou a mão do garoto, antes mesmo que John se lembrasse do nome dele. - E você deve ser um dos bolsistas certo? - John fez um sinal positivo com a cabeça, estava sério e tenso. - O que fez a prova e a entrevista online, se não estou enganado.

- Isso mesmo senhor.

- Venha para minha sala. - Disse o diretor já dando de costas. - Vamos organizar sua estadia aqui no colégio.

John olhou para trás, o rapaz que lhe havia atendido permanecia olhando para ele com um meio sorriso e um brilho no olhar, começava a achar que aquele rapaz havia conhecido o tal menino maluco que ele conhecera na Westminster Abbey no dia anterior e sua loucura o havia atingido.

Fechou os olhos, tentando se livrar daqueles pensamentos e seguiu o diretor, que já estava no fim do corredor.

- Sente-se por favor senhor Watson. - Disse o diretor, sentando-se em sua cadeira e indicando a outra que estava do outro lado da mesa para John. - Fiquei muito animado com o resultado de seu teste. Quase chegou perto de uma das notas de um aluno aqui da Harrow School.

- Muito obrigado. - John se sentou em uma das cadeiras, como as malas haviam sido levadas para seu quarto, estava mais livre para se locomover, carregando apenas a mochila com parte da bengala para fora. - Qual aluno o senhor está falando? - John percebeu que a pergunta havia sido direta demais. - Quero dizer... Bem... já pesquisei muito sobre a Harrow School e sei de alguns nomes em destaque devido às notas altas.

- Creio que esse aluno você ainda não conhece. - O senhor Hawkins recostou na enorme cadeira giratória e encarou John. - Mas não se preocupe, vai encontrá-lo por aí, é bem provável que estudem juntos.

- Acho que vou gostar de conhecê-lo. - John falou um pouco inseguro, não sabia se estava ansioso para vê-lo ou gostaria de manter distância. Em sua antiga escola em Lacock os alunos que tiravam notas boas eram discriminados, muito menos conversavam entre si, se sentia um peixe fora d'água e não queria se sentir assim em Londres, e se fosse pior?

- Creio que vai achá-lo... - O diretor demorou para achar as palavras certas. - Um pouco peculiar. - Deu ênfase na última palavra.

- Isso não será um problema. - Disse o loiro com uma confiança que não existia a cinco minutos atrás.

- Sei que não. Bem agora vou te passar algumas instruções sobre os dormitórios, o resto você irá aprender com o tempo.

O diretor puxou uma pequena pasta com algumas anotações, passou as regras mais importantes e urgentes que John deveria saber sobre o colégio, explicou sobre os quartos, horários de aulas e os esportes e atividades extracurriculares que ofereciam.

Após todas as informações serem passadas e já com as coordenadas de seu novo dormitório, despediu - se do diretor e seguiu para a ala dos quartos.

Os quartos se localizavam atrás do enorme casarão, pequenas torres de tijolos do período Elizabetano que totalizavam 12 casas, que abrigavam os 800 estudantes do local. John se surpreendeu com o tamanho do colégio, principalmente como os quartos eram distribuídos.

Ficou meio perdido para achar seu quarto, que se localizava na terceira casa ao lado do campo de golfe. Andou pelos corredores procurando o número do quarto, o qual só achou com a ajuda de um aluno que passava por ali por perto.

- Nossa, meus pêsames. - Disse o menino de cabelos castanhos, quase ruivos, ao ver o número do quarto.

- O que? Por que? - John não entendera o aviso do garoto.

- Te deram esse quarto porque você é novato e não conhece os riscos de dormir neste local. - O menino falava quase paralisado temendo pela vida de John.

- O que você quer dizer com isso?

- Amigo. - O garoto colocou a mão no ombro de John. - Em menos de um dia vai querer mudar de quarto, isso não é uma prevenção, é um aviso. - Seus olhos arregalaram e olhou fixo para o quarto. - Meu nome é Patrick, se precisar de um quarto para passar a noite pode vir para o meu, lá só dorme eu e meu amigo Anderson, há uma cama sobrando se quiser.

John não entendia o desespero do menino, mas já estava ficando com medo do que poderia encontrar no quarto. Será que o haviam colocado junto com o tal aluno nerd e ele iria matá - lo por quase ter batido seu record? Se John já ficara apreensivo para saber qual era seu quarto e com quem iria ficar, agora queria fugir e pegar o primeiro trem que partisse para Lacock.

- Obrigado. - Disse se afastando do menino. - Irei sim, caso precise de ajuda.

- Boa sorte e tente sobreviver aos primeiros minutos. - Disse o garoto, olhando fixo para John e saindo logo em seguida, sumiu rapidamente no corredor como se estivesse com medo de que o dono do quarto abrisse a porta e atirasse em quem estava no corredor.

John permaneceu paralisado de frente para a porta, suas mãos suavam e tremiam quando sua mão tocou a maçaneta. Abriu vagarosamente o quarto, tudo estava escuro, exceto por uma luz que entrava por uma brecha da janela que havia ficado aberta.

Tudo estava no mais perfeito silêncio, o loiro se sentia em um filme de terror e quando menos esperasse seria atacado por uma fera e morreria ali mesmo.

Engoliu em seco, seu corpo todo tremia. Pensou em acender a luz, mas preferiu não ver o que estava ao redor do quarto por enquanto e aproveitar enquanto a luz iluminava uma cama vazia, que presumiu ser a dele, já que a outra estava repleta de livros e outros objetos que não decifrara, levando a conclusão de que seu companheiro tinha um apresso pelos estudos.

Colocou sua mochila na cama e olhou em volta, o quarto estava empoeirado, o pó podia ser visto pela fresta de luz e um cheiro fortíssimo de tabaco predominava o ambiente. Pelo que John sabia, era proibido fumar na Harrow School ou consumir qualquer tipo de droga ou álcool. Mas aquele menino parecia burlar todas as regras, se esse era o menino nerd, este tinha hábitos bem estranhos.

Andou mais um pouco pelo quarto e viu algumas garrafas vazias em baixo da cama, se aproximou dos livros e teve a certeza de que não eram tocados ou abertos a muito tempo, estavam completamente empoeirados quando John passou o dedo em um deles.

- NÃO TOQUE! - A voz veio instantaneamente de um lugar que John não conseguira descobrir, mas que o fez paralisar.

- Quem está aí? - ninguém respondeu. Para quebrar o medo tentou puxar assunto. - Eu sou o novo... eu sou seu novo colega de quarto. - Sua voz saia trêmula. - Vo-Você sabia que não pode deixar esse lugar empoeirado? - Mas o que estava fazendo? O que aquela pergunta vinha a calhar naquele momento? Não conhecia seu colega de quarto, havia sido amedrontado antes mesmo de entrar no quarto e agora estava dando ordens. Realmente John queria morrer.

- E você sabia que 80% da poeira é composta por pele humana? - Desta vez a voz estava atrás dele. Um arrepio lhe correu a espinha. Como essa pessoa chegou atrás dele sem fazer o menor barulho se quer?

John permaneceu parado de costas para seu companheiro de quarto, respirou fundo e tomou coragem para se virar. Ao fazer isto, a luz que insidia pela janela, iluminava parte do rosto do garoto a sua frente, era fraca mas conseguiu decifrar o rosto. Não podia ser. John teve um pequeno sobressalto, seus membros paralisaram. Como essa criatura estava a sua frente? Por que essa pessoa? Por que ele? Só podia ser uma praga ou alguma macumba para seu ano letivo terminar maravilhosamente bem.

- Sherlock Holmes? É você?

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Hello pessoas!!
Olha que encontro top esse em. haha

Obrigada por lerem ;-)





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