4."Who are you?"
John seguiu para a sala, sentou-se no sofá e passou as mãos pelos fios loiros de seu cabelo. Seus pensamentos estavam a mil, seu coração disparado e a vontade de chorar era imensa. Toda a alegria da manhã e as lembranças da infância, que lhe traziam um pouco de aconchego, se transformaram em incerteza e medo.
Tudo que mais queria no momento era ver sua mãe feliz e curada da depressão, mas a possibilidade de ir para Londres, terminar seus estudos de uma maneira que nunca havia esperado, e o melhor, sabendo que isso agora era possível, não pensaria duas vezes antes de lutar por esse objetivo, por mais que uma parte dele ficasse em Lacock.
Permaneceu sentado, recostado no velho sofá azul, seu corpo afundava nas almofadas, sentia sua cabeça pesar, fechou os olhos, os sons dos pássaros haviam cessado, sua mãe estava trancada no quarto em silêncio, John adormeceu.
O tempo havia mudado, a porta e as janelas da cozinha batiam violentamente, o que fez o loiro acordar com o som da porta batendo contra o trinco e voltando em direção a parede.
John levantara abruptamente do sofá, andou mancando até a cozinha, seguiu em direção ao quintal, aonde a mesa com os pratos e parte do almoço ainda estavam lá, mas devido ao vento intenso, o vaso de flores havia caído e as folhas e gravetos lançados pelo vento, agora faziam parte do cardápio.
O loiro correu para levar as panelas e os pratos para dentro da cozinha, parecia um maluco correndo do quintal para a casa, após pelo menos umas seis corridas carregando pratos e talheres, sentou em uma das cadeiras próximo a mesa, sentia seus pulmões arderem e o ar sumir, corrida não era seu forte e agora seu pé torcido doía mais do que tudo, a torção já estava melhor, havia retirado a tala por conta própria durante o almoço.
Recostou na cadeira e fechou os olhos, tentou pensar em qualquer outra coisa para esquecer a dor, a imagem do Big Ben vinha em sua cabeça, lembrava das histórias de seu pai quando este havia ido para Londres, seu pai amava Londres. Lembrou de uma história que ele lhe contara uma vez, que quase havia sido assaltado em uma das ruas. John fechou ainda mais os olhos, de modo que rugas aparecessem em sua testa. "Baker Street", lembrou-se do nome da rua em que seu pai quase fora assaltado, mas um menino de cabelos negros cacheados, dera um murro no assaltante e devolveu os pertences a ele.
John gostava desta história, quem seria o menino que ajudara seu pai? Mas antes que pudesse criar teorias, ouviu a porta do quarto de sua mãe se abrir, seu coração disparou e seu corpo ficou ajeitando na cadeira.
– Mãe? A senhora está bem? – O garoto perguntou, antes mesmo que ela terminasse de andar pelo corredor que dava para os quartos e tinha acesso à cozinha e o encarasse com seu olhar morto.
Não houve resposta, a mulher se sentou na cadeira de frente para seu filho, o olhar fixo em John.
– Se não quiser falar nada... – Tentou falar, mas foi cortado pela mãe.
– Eu preciso. – Agarrou a mão do filho com uma determinada força que era quase impossível de ser produzida por uma mulher naquelas condições de saúde.
Permaneceu por mais alguns segundos, segurando a mão de seu filho até seu corpo perder força e ser obrigada a soltar. Pegou a carta que estava em seu colo e colocou sobre a mesa. John engoliu em seco.
– Por muito tempo vivi tentando preservar a memória de seu pai. – Ela parou abruptamente, um acesso de tosse a dominara, John correu para a pia e pegou um pouco de água. Ela o bebeu imediatamente. – Eu não vou suportar mexer na única lembrança que tenho dele. – Disse logo após engolir o último gole de água.
John sentia seus pulsos cerrarem, a vontade de socar a mesa era a única ideia que lhe passava pela cabeça. Mas respirou fundo e encarou a mãe, que engolia o resto de saliva restante na boca.
– Mas nunca morreria em paz se não te deixasse ir. – Passou a mão pelo pequeno bolso do vestido florido, colocando-a nas palmas das mãos de John logo em seguida. – Faça o seu melhor e dê orgulho ao seu pai.
Quando o loiro abriu a mão, havia um envelope com algumas notas de dinheiro e um cartão.
– A senhora tem certeza? – Perguntou ele com olhos lacrimejando.
– Não estaria sendo uma boa mãe se deixasse você aqui. – Abaixou os olhos. – Nunca fui, mas não quero parar sua vida.
John se levantou com um pouco de dificuldade e foi direto para os braços da mãe, envolvendo-a em um forte abraço. Lágrimas escorriam dos olhos de ambos.
– Você terá orgulho de mim um dia. – Disse ele, agora desfazendo o abraço e acariciando seu rosto.
– Eu sei disso.
Passaram a noite arrumando as roupas que ainda restavam de John pela casa, já que a maioria ainda estava na mala. Nem se deram conta quando o Sol apareceu e o ônibus que o levaria até a estação de Chippenham estaria passando em menos de trinta minutos.
Como o ponto era próximo de sua casa, conseguiu tomar uma xícara de chá e dar uma última volta pela casa antes de ir.
– Obrigada pelo almoço meu pequeno. – Disse sua mãe, quando John ultrapassara da saída da residência. – Saiba que eu sempre estarei com você.
O loiro sentia um nó formar em sua garganta, queria chorar e abraçar a mãe ou poder levá-la consigo, mas sabia que ela morreria em poucos dias se saísse de sua casa e sua floricultura, aquilo era sua vida, aquilo lhe mantinha viva, por mais que um pressentimento de perda dominasse o coração de John.
Seguiu a rua, sempre olhando para traz e vendo a imagem de sua mãe se distanciar, até virar a esquina e tudo não passar de apenas lembranças.
O ônibus não demorou muito, teve um pouco de dificuldade para subir, já que uma das malas ficara presa na porta e teve que descer os graus para pegar a bengala que caíra na calçada. Após alguns segundos de tentativas conseguiu entrar no ônibus e encarar a careta feia do motorista.
Desembarcou em Chippenham, estava completamente perdido, a última vez que havia ido até aquela estação, fora para esperar seu tio paterno, mas após sua visita nunca mais fora até lá, nem se quer vira seu tio.
Ficou parado no meio da multidão, uma mala em cada mão, exceto a mão direita, que disputava espaço com a bengala e uma pequena mochila nas costas. Tentava achar alguma placa que indicasse o caminho para Londres.
– Posso ajudar senhor? – Uma moça ruiva de cabelo com corte chanel e sardas, que lhe cobriam metade do rosto, veio a seu encontro.
– Preciso ir para Londres.
A moça lhe observou de cima a baixo, analisando-o por completo. John não estava com suas melhores roupas, havia vestido uma calça beje larga e um suéter marrom, para completar o look carregava uma bengala do começo do século 20, mas isso não o fazia parecer um mochileiro sem rumo, talvez só um pouco.
– Plataforma 2, sentido London Paddington. – Disse de maneira ríspida e observando John seguir em frente. Estava tão atordoado com a ação da moça que esquecera de agradecer.
Seguiu para a plataforma, o trem já estava lá, tentou correr para tentar pegar um vagão vazio, de modo que pudesse colocar as malas em um lugar que não atrapalhasse a passagem das pessoas. Sentou-se no último vagão, em um acento próximo a janela, recostou sua cabeça, estava cansado e seu corpo, assim como sua mente adormeceram.
A viagem durou cerca de 1h e 15 minutos, o suficiente para John descansar. Acordou com o toque da mão de um dos passageiros em seu ombro, anunciando que haviam chego.
John levantou meio cambaleando, pegou as suas malas e a mochila, que havia apoiado no chão junto com bengala, colocando-a em cima de uma das malas e tentando segurar a bengala com uma das mãos e seguiu para fora da estação.
O lugar era enorme, as pessoas andavam com mais pressa do que em Lacock, não havia só ingleses, pessoas de outros cantos e países também circulavam na estação. Ouviu uma moça mulata conversar em português atrás dele, em seguida uma outra mulher, que passara puxando uma mala ao seu lado, com cabelos negros encaracolado nas pontas falando ao telefone em francês.
Um sorriso surgiu no rosto do loiro, entendia porque seu pai adorava aquele lugar. Tudo era diferente. Sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Sim. Estava em Londres, uma das maiores capitais do mundo, seu novo lar.
Caminhou até o ponto e pegou um ônibus até o Hude Parck Corner, ficou surpreso quando descobriu que estava próximo ao Palácio de Buckingham, o qual só vira falar pela TV ou jornais, só podia estar em um sonho. Caminhou até um dos Hotéis que lembrara que seu pai havia ficado, o Double Treep by Hilton Hotel London. Era um Hotel relativamente caro, mas se sentia no direito de usufruir do dinheiro que sua mãe, com muito custo havia aberto mão, era parte da herança, mas que daria para John viver muito bem o resto da vida.
Passaria apenas uma noite no Hotel, as aulas começariam na próxima segunda, visto que ainda era quarta-feira e a semana ainda estava aberta para a chegada dos alunos se hospedarem nos quartos e tinha ainda dois dias para mostrar sua presença na escola, nada mais do que justo aproveitar um pouco a estadia em Londres e visitar alguns lugares que tanto almejava.
Seguiu para o hotel, fez a reserva em um dos quartos mais baratos que tinha, John não fazia tanta regalia e nem iria abusar da herança, mas mesmo pedindo um dos quartos mais baratos do hotel, o lugar parecia hospedar uma rainha. Apenas a parte de sua cama até a pequena estante, para colocar as roupas , era do tamanho de sua casa. As janelas faziam vista para a Lambert Bridge, uma das pontes famosas de Westminster.
Olhou pela enorme janela do quarto, analisou cada prédio, carro e as pessoas que passavam apressadas pela rua, juntamente com os enormes ônibus vermelhos. A ansiedade e pressa para explorar a cidade, que até então só conhecera nas histórias de seu pai, era tremenda.
Pegou o elevador e seguiu para a imensidão londrina. O primeiro lugar que vinhera em sua mente foi a Abadia de Westminster, a Westminster Abbey.
O lugar era maravilhoso, parecia com um castelo enorme, torres enormes compostas por janelas, portas e corredores, repleto de detalhes, que lembravam o estilo gótico. O jardim tanto o externo, quanto o que se localizava no meio da abadia, que formava um círculo ao redor deste, como uma clareira repleta por muros e janelas com vitrais. A grama verde contrastava com o sol refletido na abadia.
John adentrou em um dos enormes corredores do ambiente. O piso lustroso e as grandes pilastras, que traziam um tom de dourado e soberania para o ambiente, mais chamavam a atenção do loiro, que se sentia uma mera formiga em meio ao local.
Prosseguiu em direção a outro corredor, desta vez um pouco mais estreito, as janelas enormes causavam um contraste majestoso, que se misturavam com as abóbadas do teto.
Foi em direção a umas das janelas, que davam para uma das partes verdes externas. John parou fixo diante a vista, por alguns segundos sua mente vagou sem limites. Lembrou da mãe, da depressão que a destruía aos poucos e sentia que nunca mais iria vê-la.
Ao mesmo tempo seus pensamentos foram dominados por uma preocupação intensa que o fez paralisar, a preocupação do que lhe esperava futuramente em Londres, das pessoas que iria conhecer e dos novos desafios. Queria crescer na vida, se tornar um médico renomado. Sua consciência pesava, estava vivendo uma vida de determinado luxo, havia se hospedado em um hotel, agora estava vivendo em um lugar maravilhoso e iria estudar em uma das escolas mais cobiçadas de Londres, enquanto sua mãe chorava a morte do pai e seu irmão estava desaparecido, perdido em algum lugar no mundo.
Como queria não estar só. Nunca tivera sorte no quesito amizade ou namoro. Queria uma companhia, alguém para lhe abraçar e dizer que ficaria tudo bem.
– Shiiiuu! – Um garoto alto, de cabelos negros e um enorme sobretudo preto interrompera os pensamentos do loiro, que estava tão longe que nem se quer vira o menino ao seu lado.
– Mas eu não disse nada. – John virou para encarar o moreno, que permanecia olhando um ponto fixo no teto da abadia. John franziu o cenho, não estava entendendo a atitude do garoto.
– Está pensando, e isso está me atrapalhando. – O garoto permaneceu olhando para o teto. – Por favor, saia daqui ou pare de pensar, pessoas pensando perto de mim é uma coisa entediante.
Se John já não estava entendo o que aquele menino estava fazendo, agora suas respostas estavam piorando ainda mais a situação. Será que os londrinos eram malucos? Não lembrava disso nas histórias de seu pai.
– Quem é você? – Perguntou o loiro com medo da resposta que viria a seguir.
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Hello Guys!
Eaê John chegou em Londres, hora das tretas começarem...
Lógico né, porque se juntou com Sherlock as merdas acontecem né.
Obrigada por lerem. ❤️❤️
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