27."Summer Love"
- Bom dia. - John disse quando sentiu os raios de sol, que atravessavam a janela entreaberta, incomodarem seus olhos, a primeira imagem que viu foi Sherlock lhe observando com uma expressão plena e tranquila para ele.
Os dois estavam abraçados, deitados um de frente para o outro, nus com o lençol cobrindo parte de suas virilhas. Se olhavam, estavam felizes por estarem ali, mas agora completos, a noite havia sido estranha, diferente, cheia de surpresas e carícias, assim como Sherlock pedira, nenhum deles esqueceria daquela noite.
- Você está bem? - John encostou seu nariz no do moreno, sentindo seu cheiro e gostando daquilo. - Como se sente?
- Eu não sei explicar. - Sherlock disse após ficar um tempo olhando e apreciando o gesto de John. - Foi novo, confesso que em alguns momentos fiquei sem jeito, mas... - Travou.
- Mas? - John sorriu e mordeu os lábios.
- Mas foi bom, bom até demais. - Riram. - Você é incrível. - Acariciou o ombro de John e iniciou um beijo como forma de agradecimento.
Abraçaram-se e o beijo ficou mais intenso, o calor entre eles crescia, John passou a dar leves beijos no pescoço de Sherlock, que começava a soltar leves gemidos.
- Isso é um agradecimento. - John disse no ouvido de Sherlock, fazendo-o delirar de prazer ao sentir o corpo e as mãos de Watson o tocarem e sua respiração em seu pescoço, mas John tinha que ir, iria pegar o trem aquela tarde e não tinha nem arrumado suas malas ainda.
- Não queria que fosse. - Sherlock disse beijando a orelha de John e massageando sua virilha.
- Eu vou voltar. - Falou ofegante, sentindo a mão de Sherlock em seu membro. - Todo girassol volta para sua luz. - Beijou Sherlock, que agora tirara delicadamente sua mão de onde estava e levando-a para o rosto de John. - Quando menos esperar eu vou voltar. - John sorriu.
Os dois se olharam, o calor que sentiam estava equilibrado, mas a respiração ainda era ofegante. Um tocava o corpo do outro, era quase impossível imaginarem-se separados.
- Não quero que seja apenas um amor de verão. - John falou com lágrimas nos olhos.
- Como assim? - Sherlock perguntou.
- Um amor passageiro, uma aventura sabe? - Abaixou a cabeça. - E-eu não sei, eu vou para Cambridge, bem provável que morarei por lá e... eu vou para um lado e você vai seguir sua vida. - John recostou o ombro no amigo. Estavam agora sentados no meio da cama. - Não vou poder te ver nem tão cedo.
Sherlock acariciou por alguns minutos os cabelos do loiro e beijou sua nuca, esquivou-se um pouco e o encarou.
- Passamos por tantas coisas, eu tentei me recuar ao máximo mas foi impossível. Você me atraia cada vez mais. John, você me salvou diversas vezes até mesmo quando não fazia nada, apenas existia ao meu lado, me irritava com seus pensamentos e algumas lerdezas suas. - Sherlock revirou os olhos e John riu. - Você me salvou apenas por existir John. E se depois de tudo que nos aconteceu, nós estamos aqui, agora, fizemos o que fizemos e estamos bem, não se preocupe. - Passou a mão no rosto de John. - Nosso amor vale por todas as estações.
John não tinha palavras, era difícil ver Sherlock sendo tão carinhoso e poético daquela forma, afinal, era muito raro ver o cacheado sentimental e aquilo fascinou o loiro de uma certa forma que por alguns segundos pensou em largar tudo e ficar com Sherlock, tentar seguir uma vida com ele enquanto este aprofundava em suas deduções. Mas John queria seguir seus sonhos e não podia parar agora, como Sherlock dissera, o amor deles valia para todas as estações e isso já bastava para ter a certeza que o veria novamente.
- Você está bem? - Sherlock perguntou ao ver o loiro apenas o olhando.
-Eu te amo Sherlock Holmes. Eu te amo. Eu te amo do jeito que você é. Eu te amo com todas as minhas forças e nunca vou me cansar de dizer isso. - Beijou Sherlock, mas desta vez não tinha calor, euforia ou malícia. Era um beijo calmo e triste, um beijo de despedida que Sherlock retribuiu muito bem, um dos mais demorados que já haviam dado.
O beijo se misturava com as lágrimas dos dois e com muito custo separaram-se. Um silêncio se formou, eram seus últimos minutos a sós um com o outro, já que iriam correr para arrumar as malas de John e despachá-lo na estação, uma vez que o trem sairia mais barato do que o avião e o loiro estava polpando ao máximo a herança de seu pai, uma vez que sua mãe apenas havia deixado a casa em Lacock e a pequena floricultura e John pretendia cuidar da residência com o dinheiro, mas quando estivesse pronto para voltar para Lacock.
- Pego o trem as sete da noite. - John falou. - Pode me ajudar? - sorriu.
- Sempre. - Sherlock sorriu e acariciou as costas das mãos de John. - Mycroft vai te levar até a estação e não quero argumentos. - Olhou sério para o loiro. - Me deixe retribuir o bem que você me fez, por mais que eu nunca consiga pagar.
- Sherlock. - John sorriu e aproximou seu rosto do de Sherlock. - Sua existência já é o maior presente que eu posso ter. - E deu um breve selinho em seus lábios.
Passaram o dia arrumando as coisas de John, a mãe de Sherlock, que já aceitava mais a ideia de ter John em casa e conformada com o "desaparecimento" de Moriarty, pois foi essa a versão criada por Mycroft, havia preparado um farto café da tarde com bolos, torradas, chás, sucos e muito mais, como despedida e parabenizando o garoto por seu mérito em Cambridge.
O pai de Sherlock, que desde o início simpatizou-se com John, não parava de repetir a falta que o garoto iria fazer, estava feliz por ser o único amigo de seu filho, ou pelo menos, um dos poucos que havia conhecido.
Ambos não sabiam do relacionamento entre Holmes e Watson, mas já tinham pistas e desconfianças da amizade muito próxima dos dois, se descordavam de algo, ninguém sabia, mas em alguns momentos em que estavam na frente do Sr. e Sra. Holmes e passavam um pouco dos limites os dois se entreolhavam ou lançavam olhares desconfortáveis, mas nada disso barrava a relação dos dois.
- Está pronto? - foi a primeira pergunta de Mycroft ao chegar na casa e avistar John sentado na sala ao lado de Sherlock.
- Não. - John respondeu levantando-se do sofá. - Irei descobrir quando chegar lá.
- Por isso que gosto de você John. - Mycroft bateu em seu ombro. - Vou levar suas malas para o carro. - Disse olhando para seu motorista do lado de fora e fazendo sinal para pegar as duas malas ao lado do sofá. - Vou deixar os dois a sós. Não demorem. - Saiu.
- Bem... então é isto. - John falou, olhando para Sherlock, que agora se levantava.
- Por que tem que ser assim? - Sherlock disse.
- Assim como?
- Despedidas. Por que sempre tão demoradas e sentimentais? É só dizer tchau, virar-se e ir.
- Talvez porque as pessoas nunca sabem se irão realmente se reencontrar novamente. - John sorriu, mas desabava por dentro. - O que não é nosso caso.
- Não sei se vou te ligar. - Sherlock disse com a voz fraca. - Ou mandar carta. Estarei ocupado e não posso ser afetado por pensamentos alheios.
John queria bater em Sherlock, mas por outro lado, entendia o cacheado. Não é porque ele havia deixado sua arrogância de lado e se aberto com ele, chegando a um possível relacionamento, que Sherlock havia deixado de ser Sherlock Holmes, o menino ágil e dono das deduções e observações e John entendia isso.
- Tentarei fazer o mesmo. - Falou um pouco sem firmeza na voz.
Os dois sorriram e se olharam por mais alguns minutos, Sherlock estendeu a mão para John em um gesto de cumprimento, John correspondeu estendeu a outra mão e os dois se despediram com um aperto de mão, dois meninos cavalheiros, que agora seguiriam seu rumo, mas sem perder a ligação que haviam criado.
- Você esqueceu isso. - Sherlock pega a bengala, que John havia deixado em um canto na parede do quarto de Sherlock.
John, que já saia, olhou para trás, observou a bengala e o menino que a segurava. Em menos de segundos um filme passou por sua cabeça. Lembrou de quando havia caído na Notton School, seu pé torcido, sua ida para Londres, o encontro com Sherlock pela primeira vez, o aviso sobre a perna curada, a primeira vez que pisou na Harrow School, os conflitos e dificuldades que tiveram juntos até estarem ali e John perceber que Sherlock era a pessoa mais maravilhosa do muindo.
Uma lágrima cortou-lhe a face, lembrou de seu pai e tudo o que aquele objeto significava para ele, respirou fundo e apenas disse.
- Deixe-a aqui. Eu voltarei para buscar.
Viu Sherlock paralisado na sala com a bengala em mão. Ele sabia o peso que aquele objeto representava e não pode achar palavras para responder. John gravou com todas as suas forças a imagem do cacheado. Do anjo parado em meio a sala, o levaria para todos os lugares consigo. Virou-se e sem olhar para trás, desceu as escadas, entrou no carro e seguiu para Cambridge.
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