Capítulo 07
O amor verdadeiro é raridade, mas sempre existe suas exceções, basta que a gente aprenda observar com cautela.
(Alguém disse)
Levi Martinelli
Eu andava de um lado para o outro como um animal enjaulado, sentindo a fúria me percorrer de cima abaixo, ainda me negando a acreditar na ousadia de Pietro. Há muito tempo ele pedia um corretivo e seria eu a lhe dar a lição que merecia e quando terminar com ele, irá desejar abitare in culo al mondo (morar no cu do mundo).
Esmurrar e bater nas coisas não diminui a raiva, ao contrário, só faz aumentá-la. Resolvo que vou à procura de minha noiva e entender o que se passou, mas uma gritaria chega aos meus ouvidos e Julianna irrompe o escritório, seus olhos vermelhos me dizem que esteve chorando.
— Fratello, você precisa ir atrás dela — respira fundo e continua. — Da Lindsey, mamãe falou que você já sabia de alguma coisa e que não queria vê-la e mais um monte de insultos horríveis...
— Dio Santo...
Não esperei que terminasse e saí do escritório o mais rápido que pude, encontrei com a nonna no caminho perguntando o que estava acontecendo, querendo saber o motivo de tanta gritaria. Não daria tempo de lhe explicar, eu precisava ver Lindsey, do jeito que ela é, deve estar se corroendo com uma culpa que não tem. Ela jamais seria capaz de algo tão baixo.
Subo as escadas de dois em dois degraus e assim que adentro o quarto, o encontro vazio, olho para o local onde estavam nossas malas e a dela não está lá.
— Lindsey... — chamo. Vou ao banheiro e está vazio.
Ela não pode ter feito isso, não vou permitir que vá embora dessa forma, ela precisa saber que não a culpo de nada e que ainda quero me casar com ela. Volto ao corredor e, assim como subi, desço as escadas o mais rápido que posso.
— Figlio — minha nonna chama assim que vê descendo. Sua expressão não é nada boa. Vejo algumas fotos em suas mãos, provavelmente Julianna viu espalhadas no chão do escritório e as pegou.
— Isso é uma mentira — aponto para os papeis em suas mãos. — Ela jamais faria isso. Não a Lindsey.
— Imagino que não, mio caro (meu querido) — ela olha para a foto em sua mão, exatamente a do beijo. Respiro fundo, para evitar me deixar dominar pela raiva. — Essa velha aqui tem idade o suficiente para saber interpretar as pessoas, e essa moça não faria o que essas fotos demonstram.
Suas palavras de certa forma me acalmam.
— Preciso encontrá-la — olho para minha irmã. — Onde ela está?
— Mateo foi levá-la ao aeroporto. Pedi que pegasse o caminho mais longo e que fosse devagar, ele vai cortar pela vinícola Passione, imagino que dará tempo de você interceptá-los no caminho, mas precisa se apressar.
— Vá figlio, vá buscar sua noiva — minha nonna fala.
— Não sei se ela vai querer voltar depois de tudo — digo. — Ela é tão teimosa que poderia brigar com uma porta e ainda vencer o embate.
— Duvido muito que ela resista ao seu charme italiano. Seja sincero em suas palavras — aceno com a cabeça. Beijo seu rosto e me volto para Julianna.
— Ti amo mia sorella (te amo minha irmã), vou ficar te devendo essa — também beijo seu rosto e saio correndo.
Imbuído de uma feroz determinação. Decido que faria o que fosse necessário para trazê-la de volta.
Percebo que não peguei as chaves do carro e me volto para buscar, mas, Julianna aparece e as joga para mim.
— Eu vou saber cobrar — grita.
Solto um beijo no ar em sua direção e corro para o veículo, mal fecho a porta e já estou dando partida. Saio em alta velocidade, fazendo o pneu produzir um som alto devido ao atrito com o solo.
Enquanto dirigia, sentia um mal-estar no estômago. E uma pressão na fronte, como se tivesse levado uma martelada na cabeça, sentia-me atordoado. O dia que tinha começado tão bem se transformara em algo terrível.
Com o carro em alta velocidade, penso em todo aquele sentimento bom que experimentei com ela e nada do que vivenciamos fora um desperdício. Preciso fazê-la entender isso, e, se mesmo assim, ela quiser ir, não sei o que farei.
A adrenalina faz o sangue correr por minhas veias a todo vapor, produzindo um calor insuportável.
Enquanto dirijo, imagino como ela deve estar se sentindo. Lembro das nossas loucuras juntos. E pensar que tudo começou por conta de uma bebedeira.
Pouco ou quase nada me lembro da primeira noite em que ficamos juntos, mas, de alguma forma, ela me marcou e, eu soube que aquela era a mulher certa para mim, mesmo sem lembrar de quem se tratava. Fiquei noites acordado imaginando quem seria ela, e os flashes só me mostravam o rosto de Lindsey, eu me recusava a acreditar que teria sido ela. Então, naquela manhã, na empresa, quando ela derrubou café em mim e eu fui ajudá-la, não estava preparado para as reações que a percepção causou em mim.
Primeiro senti o cheiro do amaciante de sua roupa, depois o shampoo de morango, e por fim, o que me fez ter certeza, o doce aroma de sua pele quente, emanando diretamente para minhas narinas, um aroma que era só dela.
Todas as outras noites, eu estava perfeitamente consciente e estava cada vez mais viciado no corpo dela, em seu toque, e em sua entrega apaixonada. Ela era minha.
Eu estava determinado a tê-la para mim, sua recusa estava me deixando louco, e quando soube do nosso filho, quase dei graças a Deus, pois, eu jamais permitiria que meu filho crescesse longe de mim ou que fosse criado por outro. Pensar nela com outro me deixava furioso, e eu ficava mal humorado.
Mesmo duvidando da gravidez e posteriormente me contando de seu problema de saúde, eu tinha certeza que teríamos um bebê nosso, e eles seriam minha família. A confirmação médica me encheu de esperança e quando ela disse sim ao meu pedido, quase explodi de alegria.
Ela é maluca, mas é a minha maluca. E é com ela que quero construir minha família.
Olho para fora, o céu em um azul cobalto, sem nuvens, logo estará tingido de vários tons de laranja, com o entardecer, dando lugar à noite, com suas; milhares de estrelas brilhantes. Acelero ainda mais o carro, estou perto da saída da estrada que Mateo pegou, preciso chegar antes deles e interceptá-los.
Pouco mais a frente, enxergo o carro e um medo me toma ao imaginar que não dará tempo, resoluto, piso no acelerador e começo a piscar os faróis para fazê-lo entender que deve parar. Para minha surpresa, o figlio de uma puttanna, também acelera como se entrasse em uma corrida comigo.
“Eu vou matar esse desgraçado quando tiver a chance.” — penso.
Aproveitando que ele reduziu a velocidade, pois, tem uma curva à frente, coloco a cabeça para fora e grito.
— Pare este carro seu bastardo — como estou contra o vento, acredito que não tenha ouvido. — O que esse idiota, pensa que está fazendo? — digo entredentes.
Faço a curva e sigo em seu encalço, agora mais perto. Será tudo ou nada, piso fundo e assim que emparelhamos o carro, o desgraçado mostra o dedo do meio para mim e começa a reduzir, eu o ultrapasso e cruzo a sua frente, forçando sua parada.
— Budiùlo (cuzão, idiota) — xingo, descendo do carro antes mesmo de desligá-lo. — Minha mulher grávida está dentro desse carro, cazzo.
— Mio cugino (meu primo), foi só para dar um pouco de emoção — o idiota aperta minha bochecha. — Vim o mais devagar que pude para ela não perceber e dar tempo para o lerdo vir resgatar a bella dama.
— Cazzo. Sei un asno (caralho. Você é um asno) — digo me soltando. — Saia da frente que quero ver minha mulher.
— Foi bom te ver também... E de nada.
Não respondo. Olho para o carro e Lindsey está lá, me olhando com os olhos arregalados.
Lindsey
O estado de choque em que me encontrava foi substituído pelo calor de momentos antes, não era possível que minha mente o estivesse projetando ali naquele momento. Sua aparência era tão bruta, crua, linda, quase como uma miragem, algo surreal.
Para ter certeza de que o que estou vendo é real, saio do carro sentindo minhas pernas tremerem, o nó em meu estômago se intensifica.
Ele olha-me de forma penetrante, não esboçando nenhuma reação, o semblante fechado e um vinco proeminente em sua testa, o deixando ainda mais austero. Por um momento me senti perdida e temerosa, não sabia o que pensar.
Eu tinha muito medo e incertezas, mas de repente, seu olhar mudou, ficou amistoso e me alcançou. Seus lábios estavam repuxados para um lado, para então transformar-se em uma linha fina, fazendo-me perceber que talvez, só talvez, ele fosse permitir que eu me explicasse, ou não.
“Ai minha nossa senhora das mulheres idiotas, que se colocam em situações ainda mais idiotas, coloque as palavras certas em minha boca.” — pensei.
— Vai demorar muito essa aproximação aí? Eu não tenho a noite toda — Mateo fala, nos tirando do momento contemplativo.
Levi olhou em sua direção, com a expressão fechada e numa voz grave disse.
— Você pode ir. Eu assumo daqui — apontou para o carro atrás de si, que ainda estava ligado.
Eu não tirei meu olhar de Levi, mas percebi Mateo se aproximar, com uma voz brincalhona, ele fala.
— Converse com o asno do mio cugino (meu primo), mas se ele falar alguma besteira, é só dá uma bela joelhada nelle parti inferior (nele nas partes baixas) e sair dirigindo.
— Stronzo (imbecil), vai agora — Levi fala entre dentes.
— Vá bene — Mateo acena, entra no veículo e sai, nos deixando em um silêncio quase ensurdecedor.
Subitamente, o ambiente tinha se tornado tenso e, eu estava começando a me arrepender por ter deixado Mateo ir, ele era minha chance de fuga, infelizmente era assim que reagia quando me sentia emocionalmente ameaçada.
A noite estava chegando e com ela, a temperatura ia caindo, um arrepio percorre meu corpo, senti vontade de me abraçar, mas não fiz. Em vez disso, levantei o queixo em desafio e disse.
— Lindsey...
— Levi... — falamos juntos.
Novamente o silêncio se interpôs entre nós, eu não estava disposta a esperar que ele começasse, na verdade estava admirada por vê-lo tão calmo, sendo que ele não é assim, ao contrário, explode fácil.
Ele se aproxima lentamente, para bem próximo a mim, mas não me toca, apenas me olha profundamente.
— Eu gostaria que você soubesse que eu não tive culpa... — começo, olhando bem dentro dos seus olhos.
— Eu sei... — diz me interrompendo e eu me calo na mesma hora, desarmada.
— Sabe?
— Sei! — afirma convicto.
Sem conseguir dimensionar o que ele falou, afirmo com uma voz quase rouca.
— Eu vou entender se você quiser que eu vá embora e não o culpo se cancelar nosso compromisso. Sua famíl...
— Vim fazer exatamente o contrário. Ainda quero me casar e construir uma vida com você. Como disse antes, não a culpo de nada...
Fico tocada com seu gesto. Mas nossa relação está fadada ao fracasso, não vou mais me iludir. Não posso!
— Levi, isso não vai dar certo. O melhor que fazemos é cada um seguir sua vida. Sua família nunca vai me aceitar e sempre vai haver situações em que minha integridade seja colocada em dúvida.
— O que está dizendo?
— É isso que você ouviu. Não a porque continuarmos, você sempre será o pai do nosso bebê e poderá participar de tudo o que quiser na vida dele, mas não podemos ficar juntos.
— Lindsey, isso não está em discursão aqui.
— Então o quê? — acabo me alterando e falo alto. — Se uma relação de amor é difícil de dar certo com tantas dificuldades, imagine a nossa que é baseada em sexo e nada além disso? Eu não quero mais isso, eu mereço muito mais...
Já estou chorando, eu queria parecer forte, mas é difícil quando se está sentindo uma dor profunda no peito. Estou indo por um caminho que não quero, que machuca a nós dois, mas é assim que tem que ser antes que seja tarde demais.
— É assim que pensa? — fala alterando a voz. — Tudo o que vivemos até aqui foi só sexo?
— É assim que é — respondo. — Levi...
Paro de falar quando ele me dá as costas, vejo quando passa a mão no cabelo. Acabou, posso sentir. Volto-me para o carro, mas paro quando o ouço chamar meu nome. Giro o corpo ficando novamente em sua frente.
— Lindsey — ele chega perto de mim e afasta uma mexa de cabelo para o lado. — O que temos nunca foi só sexo. Antes de tudo temos uma relação de admiração e respeito — ele toca meu queixo com a ponta dos seus dedos.
— Levi, eu...
— Não! Por favor, deixe-me terminar, ouça tudo o que tenho para falar.
— Está bem — concordo.
— Não é só sexo. Talvez no início sim, mas, eu sempre tive admiração por você, não só como profissional, mas como pessoa também. Adoro seu jeito de dizer o que pensa, sem se esconder atrás de meias verdades ou fazer joguinhos idiotas. E até as suas loucuras me encantam, e quando você não está por perto, eu sinto falta — abaixo a cabeça sentindo uma lágrima rolar, ele levanta meu rosto e enxuga com a ponta do dedo. Encosta sua testa na minha. Seus olhos estão cravados nos meus. — Sinto falta dos banhos de café que me dá, dos chutes nas canelas sem querer, falta de vê-la falando sozinha com suas rezas malucas — acabo sorrindo em meio às lágrimas. Ele também sorri, mas fica sério em seguida. — E sim, eu adoro fazer sexo com você, é maravilhoso e me marcou desde a primeira vez. Tanto que mesmo não lembrando, eu sentia, meu corpo sabia que era você.
Não sei o que falar, nervosa, eu acabo lhe dando as costas, incapaz de olhar de olhar em seus olhos e enxergar a verdade de suas palavras. Eu amo demais esse homem, mas tenho muito medo, e este, está me paralisando, deixando sem reação.
— Eu tenho medo... — digo em fio de voz.
Ele me abraça por trás e eu fecho os olhos desfrutando do calor muito bem vindo dos seus braços ao redor do meu corpo.
— Eu também tenho. Mas vamos superá-los juntos, por nós, por nosso filho e os outros que ainda vamos ter — ele faz com que me vire e fique de frente para ele.
— Não sei, Levi.
— Escute. O amor está sendo construído e com ele o compromisso e a lealdade vão se firmando de um para com o outro. Sei que partilhamos de momentos de muito sexo, isso bom. Não, é maravilhoso. Mas, também partilhamos de companheirismo, dúvidas e medos, isso faz parte e temos que aprender a conviver com eles. Mais do que um casal, somos o abrigo um do outro mia bella. E eu não vou permitir que me deixe, entendeu? Não desse jeito e muito menos por causa da minha família.
— Eu não sei... — repito insegura. Tenho medo de me entregar e acabar quebrando a cara, mais uma vez. Tenho bagagem demais nesse sentido para saber que de uma hora para outra tudo pode dar errado.
— Você vai se casar comigo, e não com a minha família. Foi um erro ter vindo nos casar aqui, eu só queria atender o pedido da minha nonna. Mas podemos ir embora amanhã mesmo se você assim quiser.
— Abriria mão da sua família por mim? — pergunto chocada. Eu jamais aceitaria isso. — Não quero que faça isso.
— Eles sempre serão minha família, temos laços indissolúveis, e eu os amo demais. Mas você é minha mulher, é com você que quero viver, e se, por ventura, não aceitam isso, não vou chorar se eles nunca aparecerem em nossa casa.
— Eu não sei. Agora parece tudo muito bonito, mas não quero que você se arrependa e jogue na minha cara mais tarde tudo que teve que abrir mão...
— Não dá para prever o futuro Lindsey, mas podemos nos esforçar hoje para que ele seja o melhor possível, mia bella. E eu jamais faria algo assim, porque não estou abrindo mão de nada, eles que fizeram a escolha deles quando resolveram se colocar contra nós.
— Sobre Pietro...
— Falamos sobre isso depois — coloca um dedo em meus lábios. — Agora quero saber se minha noiva vai voltar comigo?
Continua...
Eita que o capítulo tinha que acabar justo agora? Pois é meus amores... O que será que Lindsey vai responder? Ela me parece na dúvida.
Normal na situação dela. Mas, se ela souber interpretar, Levi praticamente gritou um EU TE AMO. Rsrsrsrs...
Bem, não esqueçam minhas estrelinhas e até o próximo capítulo.
Beijão!
Ah, este fim de semana, homenagem ao dia das mães, AMO-TE Desde sempre estará completinho na plataforma. Avisa as amigas...
Fui...
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