46 Resgate
E logo depois uma bomba, minha audição some por um breve momento. Quando abro os olhos vejo Moisés no chão, o tiro foi nele, começo a escutar Davi gritando.
- Não! Não! Acorda filho da puta, você jurou me matar...cumpra sua promessa, você não pode morrer! Você... não pode.
Ele chora, vejo uma pessoa ir soltar seus braços enquanto se debatia ao ver o irmão no chão. Mas logo sinto minha boca ser coberta novamente, eu tento me livrar daquela mão mas os meus olhos começam a pesar. A última coisa que vejo é Moisés e Davi serem levados por um rosto familiar, mas não associo direito se é realmente um rosto conhecido.
Acordo com um dos policiais me ajudando. Assim que eu abro melhor os olhos vejo uma poça de sangue, eu mal entendia o que tinha acabado de acontecer. Tudo o que eu vi... flashes passam em minha mente: Moisés estava quase morto no chão, o tiro foi... ele estava perdendo sangue. Davi estava desesperado, mas foi retirado de cima do corpo do irmão. Eu não vi direito quem o tirou de cima de Moisés. Um dos policiais me ajuda a levantar e me faz parar de pensar no que aconteceu. Quando começo a subir as escadas percebo que a bomba serviu para arrombar a porta.Assim que saio do porão vejo Lucas que logo me abraça.
-Eu estava tão preocupado...
Ele diz baixinho em meu ouvido enquanto me aperta em um abraço forte.
-Você tá bem? Eles fizeram alguma coisa com você? Te machucaram? Quer ir para o hospital?
Ele começa a examinar meus braços e meu rosto a procura de alguma ferida.
-Não, Lucas ele não me machucou. E a verdade é que só servi de isca para o maluco do Moisés poder me mostrar seu "poder".
Eu me sentia enojado com aquilo. Era por inveja? Era bem provável.
-Que bom que não te machucaram.
Não, mas em troca me fizeram passar pela situação mais traumática da minha vida.
- Eu senti tanto medo, medo de morrer, de nunca mais ver minha família, ver você.
Quando percebo meu rosto está encharcado de lágrimas.
-Agora tudo vai ficar bem.
Ele me dá um beijinho nos meus cabelos e eu deito a cabeça em seu ombro enquanto sinto meu coração finalmente voltar ao normal.Ele estava acelerado, mesmo depois de eu ser desmaiado. Eu acabei de ver dois caras quase morrerem, um dos meus melhores amigos na adolescência e meu ex namorado acabou de quase morrer. Mas e se eles morreram? Eu não vi nada depois que fui apagado.
-Precisamos do seu depoimento senhor Jean.
Os policiais começam um interrogatório, eu mal consegui depor. Lucas e eu finalmente voltamos para seu apartamento. Eu me mantive calado o caminho inteiro, e por sorte Lucas não me fez nenhuma pergunta. Com certeza essa ocasião vai me render um bom tempo de terapia. Assim que chego tomo um bom banho, o fato daquele rosto ter me parecido familiar me assustava.
Quebra de tempo
Eu vou para o quarto e me deito tentando me lembrar de onde conhecia aquele rosto.
-Quer conversar?
Ele me pergunta se sentando ao meu lado na cama.
-Não, mas você pode me abraçar?
-Claro!
Ele sorri e me abraça.
-Eu quase presenciei um assassinato...
Minha voz saí fraca.
-Eu sinto muito.
Ele diz enquanto faz carinho em minha cabeça.
-Achei que me xingaria por ter ido me encontrar com um assassino.
Digo e ele abre um pequeno sorriso.
-Eu vou, pode ter certeza. Mas não agora, não é o momento.
Eu sorrio, eu não sei porque mas me sentia muito bem para uma pessoa que tinha passado a madrugada como refém.
-Lucas quer ir a um encontro comigo?
Ele arregala os olhos e eu rio.
-Por...
Eu o corto antes de terminar de falar.
-Há coisas na vida que faz nós perceber que devemos aproveitar ao máximo a vida. Ver meu antigo amigo da adolescência e meu ex quase morrerem- respiro fundo- me fez querer aproveitar antes que tudo acabe.
-Eu aceito.
Ele segura meu rosto e me beija, era isso que eu precisava, me sentir seguro novamente e com ele eu sentia isso.
-Agora já que estamos numa vibe de aproveitar, eu quero aproveitar para te punir por ter saído no meio da madrugada encontrar um assassino e o maluco do irmão dele.
Eu rio.
-Eu não sabia que o irmão dele era tão problemático.
-Mas você foi se encontrar com um assassino.
-Esse erro eu assumo.
-E principalmente por quase me fazer ter um infarto, deve assumir isso também.
-Me desculpa meu bem.
Ele ri.
-Eu passei a madrugada com a polícia tentando te achar.
-E achou.
Ele concorda. Sei que provavelmente ele queira me xingar muito, mas ele se contém.
-Que tal a gente dormir?
Eu já ia confirmar, mas sou interrompido pelo som do meu celular.
Eu me levanto e vou atender.
-Jean?
Era Davi, ele está bem. Mesmo que ele tenha sido horrível comigo, fico feliz por saber que está bem.
-Oi como você está? E Moisés? Você também está com ele? Ele está bem?
Antes que eu pudesse lançar mais uma pergunta ele me corta.
-Calma, eu estou...
Ele parece pensar ao responder, aquilo era estranho.
-Bem?
Pergunto curioso, Lucas aparece em minha frente com uma expressão preocupada.
-Jean você conhece um tal de urso e guaxinim?
Naquele momento minha boca seca, por que bulhufas ele os conheceria. Mas eles também são figuras públicas.
-Tá tudo bem?
É a voz de Lucas que me faz voltar a mim.
-Talvez, mas porquê?
Mas por que ele me perguntaria isso.
-Acho que eles levaram o meu irmão.
Eu arregalei os olhos. Lucas segura minha mão, antes que eu falasse mais alguma coisa a ligação é interrompida.
-O que foi? Parece preocupado.
-Aconteceu que nossos ex, são malucos.
-Nossos?
Lucas parece não entender o que quero dizer, nem eu mesmo entendo.
-Sim, parece que o problema é mais sério que imaginei.
Continua...
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