Capitulo 6

Arrg! Eu achei que gostava de Cristopher mas olha ele está dificultando muito! Primeiro me chama de empregada dele e logo de amiga. Quem entende esse homem?
Ele come tranquilamente o seu almoço enquanto eu perdi totalmente a fome. 

É engraçado, o observo comer e lembro de quando compartilhava os almoços com o Alex, antes de ser traída pelo cafageste. Ele só comia calado ou mexendo no celular e quando terminava de comer, simplesmente saía e me deixava sozinha na mesa. Quando eu soube que estava grávida, ele nem sequer demostrou um pingo de felicidade e depois que Jonah nasceu, ele sumiu e nunca mais o vi nem recebi nenhuma ligação dele. Até aquele dia. Só fui descobrir que ele me traía quando o idiota colocou na sua rede social algo como "feliz 2 anos de namoro amor" e ele tinha sumido a apenas alguns meses. 

-Amelia? - sou tirada do meu devaneio pelo meu chefe.
-Sim?
- Não gostou da comida? Se quiser peço outra coisa.
-Ah, não se preocupe, está deliciosa, é que me perdi em alguns pensamentos.

A essa altura, Cris já sabia o que se passa pela minha cabeça afinal, contei tudo a ele quando não sabia que ele viria a ser meu chefe, e agora me arrependo de haver dito até a ultima palavra.
- você estava pensando nele não é? - ele diz com certo receio, talvez com medo da minha reação.
-Sim, senhor Swansen, estava pensando no meu filho e em como as coisas aconteceram. Eu... eu não consigo evitar.

-Por favor Amélia, quando estivermos sozinhos me chame apenas de Cristopher, ou Cris, o que você preferir. Não consigo me acostumar com você me chamando de senhor.
-Sinto muito sr. Swansen, mas como o senhor mesmo disse, nossa relação na empresa é estritamente profissional.

Rá! Por essa ele não esperava! Eu sei que pode parecer infantil, e que ele tinha toda a razão quando me disse aquilo, mas eu não consigo segurar o meu ego.
-Tudo bem, se é assim que você prefere senhorita Amélia. -responde ele tentando esconder um pequeno sorriso. 

Continuamos comendo em silêncio até que alguém bate na porta. Imagino quem seria a essa hora já que todos deveriam estar almoçando também. Cristopher parece não saber tampouco quem é porque consigo identificar seu olhar de dúvida.

-Quer que eu abra a porta senhor? - pergunto ja me levantando.
-Humm... sim, sim por favor. -Cris responde meio estranho.

Me levanto e caminho a passos lentos até chegar na bendita porta, quem sabe se demoro a abrir a pessoa vai embora, mas quem quer que seja, continua ali esperando, posso ver sua sombra pela fresta de luz.

Giro a chave lentamente procurando não fazer barulho. Seria no mínimo complicado explicar porque eu estava na sala do meu chefe com a porta trancada. Uma vez destrancada, giro a maçaneta e abro a porta o suficiente para que a pessoa veja somente a mim. Tal é a minha surpresa quando descubro que quem esta do outro lado é ninguém menos que ela: Bianca.
-Oh! Amélia! Que... surpresa te encontrar aqui! - a loira exclama e posso ver o medo nos seus olhos. Ela sabe que a qualquer momento posso abrir minha boca. Ela não seria despedida nem nada, mas só pelo fato de falar daquele jeito do próprio chefe já a colocaria em saia justa.
-Em que eu posso te ajudar, Bianca?

Minha pergunta sai mais seca que o deserto do saara e vejo sua expressão mudar de medo a raiva em dois segundos.
Bianca é uma mulher linda, porém seu mal caráter opaca tanta beleza. Uma vez ela saiu com dois caras ao mesmo tempo. Até ai eu não achava nada de mais, afinal uma mulher solteira pode fazer o que bem entender da vida, porém o que me fez ficar com um pé atrás foi o fato de que os dois caras eram melhores amigos e não sabiam que saíam com a mesma pessoa, e ela ainda cobrava deles presentes e jantares caros nos melhores restaurantes. Quando eles ficaram sabendo com quem namoravam, brigaram feio e deixaram de ser amigos. Eu fiquei triste com os rapazes, mesmo sem conhecê-los, eles perderam anos de amizade por uma mulher gananciosa.

  -Eu queria falar com o Sr. Swansen, tenho um assunto pendente com ele. - ela responde séria.
-Eu vou perguntar se ele está disponível. - digo fechando a porta sem nem esperar sua resposta. Ela deve estar muito brava.
Cris me olha com curiosidade e eu lhe explico que Bianca está esperando pra tratar de um "assunto pendente".
-Que eu me lembre, não tenho nenhum assunto a tratar com a senhorita Bianca. Nunca nem conversei com ela...

-Então o que devo dizer senhor?
-Diga a ela que qualquer assunto que ela queira tratar comigo, terá que marcar uma reunião e não vir na hora que quiser, ainda mais em meu horário de almoço.
Caramba, não sabia que Cris era tão restrito, acho que ele só me chamou realmente pra almoçar porque como disse não conhece mais ninguém na empresa.

Fico parada por uns segundos observando meu chefe. Ele volta a comer tranquilamente com toda sua elegância e assim sentado com esse terno feito à medida, parece ser muito mais velho.
Eu me pego imaginando como era a vida dele antes de se mudar para cá, se ele tinha namorada, esposa, filhos... Ele não me contou muita coisa e eu não quis forçar a barra, o único que eu sei, é que ele não se dá muito bem com os pais por alguma desavença familiar.

- Você vai deixar a moça esperando até que horas, Amélia?
-O-o que? Ah, Bianca!

Droga, de novo me perdi em pensamentos. Ando de volta até a porta, um pouco mais rápido do que antes, e quando a abro, a mulher ainda está lá parada e esperando. Ela realmente deve estar muito desesperada pela atenção do chefe.

- O senhor Swansen disse que não se lembra de nenhum assunto pendente com você, porém também disse que se quiser tratar com ele, tem que reservar uma hora com a Marcela, sua secretária, para que ele anote na sua agenda.

O olhar de raiva da loira cresce tanto enquanto eu transmito o recado, que chega a ser engraçado. Eu gostaria de saber qual o plano que ela vai utilizar para "conquistar" o coração do chefinho, porque ai eu me prepararia e até pegaria umas pipocas e um refrigerante para assistir ao fiasco, se possível na área vip.

- Você se acha né Amélia? Fique sabendo que eu não me importo com o que você ouviu no banheiro, pode ir e contar pro Cristopher, de qualquer maneira, ele nunca se interessaria por uma garota sem graça igual você. 

Auch! Essa doeu. Eu nunca fiz nada para essa mulher. Sempre mantive distância dela e das suas amigas barbies/nerd. Elas se acham demais e pensam que todos tem que agradecer à elas por estar no mesmo ambiente e respirando o mesmo ar que elas. 

-Ele prefere ser chamado de Senhor Swansen, só pra você saber. Que eu saiba ele não deu essa intimidade a nenhum empregado até agora. - Respondo com cara de paisagem mas por dentro querendo arrancar os cabelos sedosos e bem penteados dela, fio por fio até não sobrar nenhum.
Bianca só falta soltar fumaça pelo nariz. Eu acho que até ela se surpreendeu com minha resposta, já que nunca respondi assim a ninguém. O que menos queria na empresa era ser notada, ao contrário de certas pessoas. 

Depois de alguns segundos, a loira simplesmte bufa e dá meia volta, seus saltos batendo forte contra o piso de mármore, como se quisesse assassiná-lo.
E eu decido que pra mim já deu por hoje.
Entro novamente na sala e percebo que Cris já até terminou o almoço, ele devia estar com muita fome mesmo. 

-Senhor, já terminei de almoçar - digo em um tom sério - acho que é melhor eu voltar para meu trabalho, muito obrigada, estava delicioso.
-Mas você nem tocou na comida!

É verdade, quase não comi nada, mas não quero arranjar mais confusão por hoje e muito menos ser motivo de fofoca na empresa, porque eu sei que a Bianca irá correndo contar a todos que eu estava sozinha com meu chefe na sua sala e também sei que ela vai aumentar alguns detalhes.
-Eu não estava com muita fome. 

Tá, essa desculpa não foi muito convicente, reconheço. Cris também não se convence muito, mas se levanta pra me acompanhar até a porta de todos modos. 

Coloco minha mão na maçaneta, e quando estou quase abrindo a porta, uma mão enorme e quente se coloca sobre a minha. Sinto como se o lugar onde ele está tocando estivesse pegando fogo. Sua mão não é macia como imaginei, ao contrário, é cheia de calos. Eu não consigo me mexer, há muito tempo não era tocada por um homem, não desse jeito, é óbvio que tive que apertar mãos de alguns clientes e chefes mas sempre foram toques rápidos, frios e profissionais, nada comparado a isso.

-Obrigada por me acompanhar no almoço Amélia.- diz ele ainda com a mão sobre a minha.
-De... quer dizer, de nada Senhor Swansen, estou à sua disposição.
Mas o que acabei de dizer? Droga!
-Sempre? - ele diz e posso notar que seus olhos dão uma leve escurecida.
-Claro, o senhor sabe, como sua empregada e tal.
Se ele estava tentando flertar comigo de alguma forma, eu acabei de cortá-lo pela raiz. Não quero arriscar meu emprego por um estranho, ainda que esse estranho tenha dormido na minha casa e seja muito lindo.

-Tudo bem, Amélia. Pode ir, não se esqueça que temos uma reunião daqui 3 horas. Seja pontual, preciso das planilhas de pagamento para saber como andam as coisas.
Ele ainda está com a mão em cima da minha, eu olho pra baixo e ele segue meu olhar, quando percebe, a retira rapidamente como se pudesse se queimar. E no mesmo instante sinto um frio, não físico, mas na alma.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top