Capitulo 29

-AMÉLIA! -Escuto a voz de Cris como se estivesse a quilômetros de distância. Me sinto meio zonza. O que acabou de acontecer? Olho para a janela do carro e vejo faróis se aproximando rapidamente.

-Cris! Acelera! -Nesse momento, por um milagre Cris consegue acelerar, mas o outro carro consegue atingir a parte traseira do nosso, nos desestabilizando por alguns segundos. Conseguimos nos controlar e Cris pisa mais fundo no acelerador nos arremessando adiante e colocando finalmente o carro em movimento.

Olho para trás e o carro está nos seguindo a grande velocidade, não posso ver quem está dentro, porque os vidros são totalmente fumês, totalmente fora do permitido.

Costuramos pelas ruas e avenidas em uma tentativa de despistar o outro carro. Ele nos alcança algumas vezes e chega até a bater na traseira do carro de Cris, mas conseguimos nos manter em caminho.

-Aonde estamos indo? -Grito em desespero.

-Não sei! Quem sabe alguma viatura nos vê correndo e nos para, assim podemos nos livrar daquele carro!

Posso sentir o mesmo desespero na voz de Cris. Tenho medo, não por mim. Por ele. Eu o amo, e como Pat disse, eu não quero que ele sofra.

Entramos por ruas desconhecidas, por avenidas e por becos, mas o carro não desiste e continua no nosso encalço. Merda! Quem diabos são? E o que querem?

Estamos quase ficando sem gasolina já, e nós nos olhamos entendendo a situação. Estamos ferrados.

Cris pega na minha mão, e imediatamente lágrimas começam a descer pela minha bochecha.

-Me desculpa Cris, eu deveria ter acreditado em você! -Esse não é um ótimo momento, mas preciso que ele saiba que eu o amo, independente do que passou. Preciso que ele saiba disso...

-Eu sou quem deve pedir desculpas, Amélia. -Ele me interrompe antes que eu possa dizer que o amo. -Fiz você sofrer e não vou me perdoar jamais por isso. Amélia, eu te a....

Nesse momento sinto a colisão e reboto como se fosse uma bolinha de borracha dentro do carro. Somos arremessados pelo ar e rodamos como se fossemos uma folha tão leve como o vento. Uma, duas, três... oito voltas e finalmente paramos.

Sinto meus olhos pesados e escuto novamente a voz de Cris como se estivesse distante. Mas ele está bem do meu lado como isso é possível? Fecho as pálpebras e volto a abrir novamente, como se alguma força estivesse me puxando para algum lugar desconhecido.

Cris continua gritando desesperado, tentando se livrar do cinto de segurança e dos escombros do carro que ficou destruído.

Posso ver pela janela agora sem vidro, passos se aproximando. São sapatos de mulher. Conheço aqueles sapatos. Vadia! Mas ela não está sozinha. Outro par de sapatos agora de homem se aproximam e ele abaixa a cabeça até chegar no meu nível.

-Você! -E nesse instante, recebo um soco bem no nariz e sucumbo à escuridão que me chamava tentadoramente.

-Mamãe? O que está fazendo aqui?

-Jonah? É você?

Vejo meu pequeno bebê sentado ao meu lado. Tento me levantar, mas não consigo. Quero abraça-lo, beija-lo sentir seu calor.

-Você não pode ficar aqui, mamãe. Tem que voltar!

-Mas eu quero ficar com você! Preciso ficar aqui!

-Não... ainda não é a hora de se reunir comigo, mamãe. Você está sendo muito teimosa!

Sinto suas pequenas mãozinhas acariciando meu cabelo. Nesse exato momento sinto uma paz tão grande. Toda a dor pela sua perda simplesmente se esvai, e somente ficam as lembranças dos muitos momentos que passamos juntos.

-Cris precisa de você mamãe, volta.

-Como você sabe sobre Cris?

-Fui eu que o mandei. Ele estava perdido, e você também, mamãe.

Escuto um estouro tão forte, que meus ouvidos começam a zunir.

Escuto alguns barulhos de longe também. Como se fossem.... Sirenes? Não estou segura.

-Volta mamãe, eu vou ficar bem, prometo.

-Eu te amo meu bebê!

-Eu também te amo mamãe. A vocês três.

Como assim três?

Nesse momento, Jonah coloca novamente suas mãozinhas agora sobre a minha testa e eu sou puxada por algumas mãos frias de volta para o carro.

-ME SOLTA! -Grito logo que saio daquele estado de inconsciência. Deus aquilo foi tão real.

-Tranquila senhora, está tudo bem! Somos da equipe médica.

-Cris! -Olho para o lado ignorando totalmente o homem que insiste em me dizer para ficar calma. O lugar do motorista está vazio e vejo uma enorme poça de sangue onde ele deveria estar.

-Aonde está Cris? Para onde vocês o levaram!

Sou tirada cuidadosamente das ferragens do carro e sinto uma dor lancinante na minha perna. E novamente sou puxada para a escuridão, mas dessa vez, não vejo Jonah por nenhuma parte.

[***********]

Meu corpo dói tanto que sinto vontade de morrer de uma vez e acabar com esse sofrimento. Tento mover minhas pernas, sou impedida por alguma coisa, não sei o que é. Levanto debilmente meu braço e toco meu nariz, a dor que sinto é aterrorizante. Percebo que praticamente quase toda a minha cabeça está envolta em faixas e gaze. Ainda de olhos fechados sinto a luz intensa perfurar minhas pálpebras e escuto o barulho insistente... bip...bip...bip.... Sou forçada a abrir só um pouquinho meus olhos, para ver o que está acontecendo.

Bip... bip... bip... o barulho continua. Onde estou? O que aconteceu comigo? CRIS!

Tento me levantar, mas uma tontura me obriga a deitar novamente na cama dura e fria.

O barulho começa a ficar mais rápido. Bip... bip... bip... uma enfermeira entra correndo no quarto e começa a checar tudo. Lógico! Estou em um hospital.

-O-onde... está Cris? -Tento falar o mais forte que posso. Minha garganta está seca. Ela me oferece um copo com agua fresa e diz para tomar em pequenos goles. Obedeço porque a agua tira essa sensação de espinhos ao falar.

-Onde ele está? -Insisto.

De repente um medo se instaura no meu coração. E tudo se confirma com o rosto triste da enfermeira.

-ONDE ELE ESTÁ! -Já não estou perguntando, estou implorando por uma resposta. Estou entrando em desespero.

-Fique calma senhorita Regins... -Ela claramente não quer me dizer nada.

-Eu só vou ficar calma quando você dizer onde malditamente está o meu namorado!

Seus olhos se enchem de pena. Mas que merda! Essa mulher não vai me dar nenhuma resposta?

Ameaço me levantar da cama, e é quando percebo que minha perna direita está engessada. Espera... essa deve ter sido a dor que eu senti quando fui tirada do carro, também foi por isso que não consegui me mexer quando acordei.

-Não tente se levantar! Você só vai se machucar mais! Olha, se você prometer ficar na cama, eu te digo onde está o seu namorado!

Pondero essa oferta, e percebo que de qualquer jeito não conseguirei andar nessa situação.

Assinto e a mulher que parece ter não mais de uns vinte e cinco anos, responde pesarosa.

-O seu namorado está... na UTI.

Sinto meus olhos se encherem de lagrimas e pisco para evitar que caiam. Não pode ser, isso não pode estar acontecendo comigo... não! Cris, meu Cris. O homem que eu amo.

-Ele vai... viver? -Quase engasgo ao dizer a última palavra.

-Eu... não sei. Olha, vou ser sincera com você. Ele teve que ser induzido a um coma. Ele perdeu muito sangue, e.... foi baleado no peito.

Nesse momento, tento puxar o ar, mas nem todo o oxigênio do universo seria suficiente para satisfazer esse ardor no meu peito. O Cris foi baleado! Porque não fui eu no seu lugar? Porque?

O que eu vou fazer sem ele? Sem seus beijos, seu carinho... seu sorriso travesso. Sem seu cheiro na minha pele? Ele entrou no meu coração, foi traçando seu caminho até ele, dia após dia, e quando finalmente aceitei abrir as portas para um novo amor, ele me é tirado como se eu não merecesse essa dadiva. Como se eu não fosse... digna.

Quando minha vida tomou esse rumo tão diferente, tão... triste?

Já não consigo segurar, e meu rosto se enche de lagrimas. Choro por tudo o que aconteceu hoje, me permito chorar por Cris, por Pat, Joe... por Jonah. Choro até por Martha, porque sinto pena dela, dessa sua maldade desenfreada. Ela sempre vai ser assim, interesseira e sempre vai procurar o seu benefício sobre o dos outros, mas uma coisa é certa. Ela nunca vai ser feliz, porque nunca vai amar alguém verdadeiramente, e isso é uma lastima.

De repente percebo que a enfermeira está sentada do meu lado e começa a acariciar o meu cabelo. Sinto um arrepio por todo o corpo, esse toque é muito familiar, é como se fosse... Jonah.

Fecho os meus olhos, e posso sentir o seu cheirinho de bebê, ouço sua voz, suas risadas doces...

"Tudo vai ficar bem mamãe, confia em mim" sinto um ar soprar pelo meu rosto e abro os olhos imediatamente. Olho para as janelas e todas estão fechadas. Procuro pela enfermeira, mas ela já não está na sala. Isso foi estranho.

Passo quase a tarde inteira pensando em como tudo aconteceu tão rápido, até que me entrego ao sono que insistiu em aparecer.

Não sonho nada. Acordo mais descansada e quando olho para o lado, quase grito de susto ao ver quem está dentro da sala.

-ENFERMEIRA! -Grito pedindo por ajuda.

Martha coloca sua mão sobre a minha boca antes que eu possa dizer algo mais.

-Cala essa boca, vadia! Eu vim aqui para terminar o que comecei ontem... ou você acha que vai sai dessa assim, só com uma perna quebrada, querida? -Ela dá um tapa na minha perna engessada e eu grito de dor. Lagrimas descem pela minha bochecha enquanto sua mão aperta minha mandíbula quase posso senti-la deslocando.

Ela finalmente tira a mão da minha boca, e puxo o ar com desespero.

-Porque? -Sussurro entre uma abocanhada de ar e outra.

Ela me olha por alguns segundos e depois começa a falar.

-O Cris não quis fazer o que eu pedi. Ele não quis comprar aquele chalé maldito e eu tive que resolver do meu jeito essa situação. Mas como sempre, você atrapalha tudo. Tudo! Ele não tinha que se apaixonar por ninguém... eu iria aparecer arrependida, pedir desculpas e ele ia correr de volta para mim como o cachorrinho tolo que é. Tive muito trabalho para matar aquele velho sem deixar rastros... mas com vocês, foi mais difícil. Tentei argumentar, tentei dar mais opções, eu não queria machucá-los, não mesmo, mas aquele idiota não me escutou. Ele terminou com você achando que eu não saberia quais eram suas intenções. -Ela solta uma risada diabólica -Mas não, querida, eu não sou burra. Eu tive ajuda é claro... os ameacei e mandei tirarem aquelas fotos... vocês não tinham nem ideia do que estava acontecendo... tão tontos, passeando para cima e para baixo, enquanto ele os seguia, bem debaixo dos seus narizes.

Ela fica quieta de repente, como se percebesse que estava perdendo tempo. Me olha de repente recebo um tapa na cara.

-Mas hoje, querida, você não vai sair dessa viva. Você me humilhou no dia da audiência, me bateu, e isso não vai ficar assim. Se o único jeito de ter acesso à herança daquele velho desgraçado é matando os três, eu vou fazê-lo, custe o que custar.

-Não! Não faça isso, Martha! Olha, eu posso conversar com Cris e Joe, pedir para eles renunciarem às suas heranças e elas automaticamente vão todas para você, não é assim? Podemos entrar em um acordo, mas por favor, não os machuque! Não faça algo que você possa se arrepender depois!

Tento convence-la, mas seu olhar insano não me deixa dúvidas. Essa mulher está completamente louca.

-Ah, Amélia... Amélia, Amélia. Você deve estar achando que eu sou idiota não é garota? Se eu sair por essa porta, o primeiro que você vai fazer é ligar para a polícia. E eu não quero ir para a cadeia... não de novo, você não sabe como aquilo é horrível!

Seu olhar parece perdido, como se ela tivesse lembrando de uma época da sua vida que não foi tão boa.

-Martha, me escuta! Eu prometo que não vou ligar para o polícia, só não... por favor!

Imploro tanto... mas ela não muda de opinião. De repente abre a bolsa e começa a tirar uma seringa e uma ampola de dentro. O que diabos é isso.

Parecendo ler meus pensamentos, ela responde enquanto vira a ampola de cabeça para baixo e começa a sugar o conteúdo de dentro dela com a agulha e eu vejo desesperada enquanto o liquido transparente passa do pequeno frasco de vidro ao de plástico.

-Isso é um perigo sabe... esse veneno produz um ataque cardíaco quase imediato, e o melhor de tudo, ele sai do organismo em alguns minutos. É quase impossível de detectá-lo... -Ela aperta o êmbolo dando pequenas batidinhas com os dedos no corpo da seringa e o liquido pula para fora da agulha. -Mas pode ficar tranquila, você não vai sentir nada, juro!

Ela se aproxima da maca onde estou deitada sem poder me mover e segura o tubo de plástico bem na parte aonde fica o controlador de gotas e sem dó enfia a agulha, começando a apertar a seringa, fazendo com que o liquido mortal entre dentro se misturando com meu soro. Começo a entrar em desespero e gritar o mais forte que posso pela enfermeira. Martha me bate algumas vezes pedindo para que fique em silencio, mas eu não vou desistir de lutar.

Nesse momento estou me sentindo zonza e minha respiração começa a falhar, a visão começa a ficar turva e vejo somente borrões.

Percebo que Martha já não está do meu lado, e alguém me sacode muito forte, mas eu não consigo voltar, não tenho forças para isso, não mais...

POR JOE

Depois que Amélia sai com Cris, tenho uma terrível sensação, um frio na barriga, um... aviso. Não sei como explicar, só sei que esse frio na espinha não é nada bom.

-Você acha que eles vão se resolver? -Pat me traz de volta para o aqui e agora.

-Olha, eu tenho quase certeza de que a biscate da Martha armou para Cris, eu acho que a Amélia vai ser sensata e vai perceber que ele não teve culpa de nada...

Coço minha nuca, me arrependendo das coisas que disse e dos golpes que desferi ao meu irmão. Amélia é como uma irmã para mim e eu não queria vê-la sofrer, quando ela chegou até a nossa casa, chorando, desesperada, eu fiquei sem reação. Não conseguia acreditar que meu irmão fosse capaz de uma coisa dessas, não depois de ter passado por tudo aquilo com a vadia-mor.

Estou tenso, não sei se foi pela surra que também levei -desde quando Cris ficou tão forte? -ou se é por essa sensação ruim que não deixa meu peito.

-Vamos, vou preparar um chá de camomila para você meu amor.

Pat não diz nada, e percebendo meu estado, pega na minha mão e me leva até a cozinha, empurrando levemente meus ombros até que estou sentado em um dos bancos que ficam ao lado do balcão de granito.

Ele prepara tudo em silencio e eu me perco em pensamentos, lembranças e arrependimentos. Quando percebo, há uma xicara fumegante bem na minha frente, exalando um cheiro delicioso de camomila fresquinha. Nós sempre odiamos os chás de saquinho, é por isso que sempre temos ervas frescas para qualquer ocasião.

Bebo o liquido quente, e sinto o sabor adocicado da camomila, e a calma entrando pelo meu organismo.

Pat me abraça por trás enquanto eu termino de beber o chá. Ele também está quieto, como se compartilhasse dessa mesma sensação que se aferrou a mim.

Viro minha cabeça e dou um beijo curto na sua boca, que aos poucos começa a se transformar em algo mais. Me levanto e subimos até o nosso quarto, despindo-nos pelo caminho, entre beijos e caricias.

Quando finalmente chegamos, estamos só de cueca boxer, e posso sentir sua enorme ereção me pedindo passagem.

Nos deitamos na cama, e Pat se coloca sobre mim, depois estica a mão e abre a primeira gaveta do criado mudo e pega o tubo de lubrificante. Minha boca seca em expectativa. O quero mais que tudo, preciso dele e do seu amor.

Ele tira lentamente minha cueca, acariciando meu mastro também já duro como pedra, depois ele tira a dele e como sempre me impressiono com o tamanho do seu membro.

Ele embebeda o pênis com o lubrificante e se coloca em cima de mim, sinto sua ponta na minha entrada. Ele me beija na boca, no pescoço, nos mamilos... sinto minha própria ereção pulsar com suas provocações.

-Vamos amor. Estou ficando doido aqui... -Ofego. Ele enfia dois dedos no meu ânus e eu reviro os olhos de prazer. Sinto que vou gozar só com os seus beijos.

De repente sem aviso prévio, ele enfia o grande pau na minha entrada apertada e eu gemo me deliciando com essa sensação de preenchimento.

Ele começa devagar, mas depois vai aumentando a velocidade me levando à loucura.

-Isso, mais rápido! -Suspiro.

Ele obedece e consegue ir ainda mais rápido. Não sei se pelo cansaço ou pela situação, ele goza minutos depois. Mas eu não ligo, também estou tenso emocionalmente. Pat tira o pênis de dentro do meu ânus, e imediatamente abocanha o meu, sugando e lambendo, me levando novamente à loucura. Ele me mama, até que eu libero o liquido quente em sua boca, e ele engole tudo, lambendo um pouco que ficou no seu lábio. Essa cena é tão quente, que eu quero fazer tudo de novo.

Estou quase sugerindo começar tudo de novo, quando de repente meu celular começa a tocar.

-Você não vai atender? -Pat me pregunta, fazendo carinho no meu peito.

-Não... deixa tocar, acho que quero um segundo round -o telefone para de tocar, finalmente- ... o que você acha?

-Eu acho que... -Ele começa a responder, mas o maldito aparelho recomeça a gritar a música que conheço de memória.

-Atende Joe. Pode ser algo importante.

Levanto da cama resmungando, e alcanço o telefone. Não conheço o número que aparece na tela, mas aquela terrível sensação volta a se apoderar de mim, e atendo aquela ligação apreensivo.

-Alô? -Minha voz sai falhada e espero que a pessoa do outro lado da linha comece a falar.

-Alô, senhor Swansen? -Escuto barulhos de sirene no fundo, isso me deixa ainda mais ansioso.

-Sim, e-ele mesmo.

-Senhor, lamentamos muito lhe informar, mas seu irmão acabou de sofrer um acidente de carro, já estamos os levando para o hospital, mas preciso que o senhor venha urgente! Precisamos de um doador de sangue compatível com o seu irmão e...

O homem continua falando um monte de coisas, mas a única coisa que paira na minha cabeça são as palavras "irmão" e "acidente de carro". Mas que droga!

Inúmeras imagens nossas brincando me vem à mente e as lagrimas começam a rolar uma substituindo à outra como se fosse uma corrida.

Pat percebe o meu desespero e tira rapidamente o telefone da minha mão. Não escuto o que ele diz, estou em estado de choque. Só sinto que ele me arrasta, coloca uma roupa em mim, e me leva para o carro.

Chegamos no hospital e uma enfermeira nos leva para o quarto onde Cris se encontra. Ele está na UTI. Meu irmãozinho está entre a vida e a morte. Eu não posso perder mais ninguém. Não posso!

Sou levado até uma cadeira, onde uma enfermeira tira uma amostra do meu sangue para fazer exames e ver se não tenho nenhuma doença, ela explica amavelmente que esse é um padrão sempre que fazem uma transfusão ou uma doação de sangue, mas eu sei bem que é pelo fato de sou homossexual. Depois de constatar que não tenho nenhuma doença, começam a tirar meu sangue. Tiram quase um litro e imediatamente colocam a bolsa em Cris.

Ele está pálido, vejo uma faixa enrolada no seu peito. Essa cena me dói tanto que eu quero desmaiar. Meu irmãozinho, meu bebê. A pessoa que jurei proteger para sempre. Eu não o protegi, eu briguei com ele, e não tive a oportunidade de dizer que o amava.

Meus olhos se enchem de lágrimas novamente e vejo que Pat está vociferando com a enfermeira. Oh por Deus! Amélia estava com Cris no carro!

Corro e paro ao lado de Pat que está muito alterado. Seguro na sua mão e ele se acalma só um pouco.

-Eu não quero saber se ela está dormindo, eu quero ver a minha prima!

Ele grita e a pobre mulher se assusta.

-Ela está bem, mas eu não posso deixar nenhuma visita entrar no momento, são regras do hospital!

-Eu não ligo para essas malditas regras! -Ele grita ainda mais alto. -Por favor! Ela é a única parente que tenho, é como uma irmã para mim!

Dessa vez, sua voz sai desesperada e vejo o olhar de pena no rosto da pequena mulher. Ela olha para os dois lados, e sussurra aproximando a boca do ouvido de Pat.

-Quarto 403, mas se alguém perguntar eu não disse nada!

Pat solta um "obrigado" e saímos correndo até o andar onde fica o quarto de Amélia.

Passamos pelo 400, 401, 402 e finalmente chegamos o 403. Eu também quero saber se ela está bem, mas quando percebo o que está acontecendo, vejo vermelho.

Praticamente arrombo a porta do quarto e jogo Martha longe da cama de Amélia, ela bate a cabeça no sofá e acaba desmaiando. A vadia estava injetando alguma coisa no soro dela.

Sacudo o corpo de Amélia várias vezes, mas ela não responde. Começo a entrar em desespero.

-Pat, chama um médico, JÁ! -Grito enquanto pego um lençol que estava em uma das cadeiras, e amarro os braços de Martha, se ela pensa que vai escapar dessa, está muito enganada. Eu seria capaz de matá-la se for preciso.

Pat entra correndo seguido de um médico. Ele traz sua equipe e me afasta da cama de Amélia. Eles revisam seu pulso e escuto frações da sua conversa com os enfermeiros.

-Traz o desfibrilador, rápido! Pega dois mililitros de adrenalina.... é uma parada cardíaca....

-Espera! -Grito

O médico olha para mim sem entender nada.

-Ela tinha uma seringa na mão! Acho que injetou alguma coisa no soro de Amélia! -Aponto para a vadia amarrada que começa a acordar.

O médico remexe na bolsa dela e encontra uma ampola vazia.

-Droga! -Ele começa a soltar um monte de palavrões e muda de estratégia. Ele começa a fazer vários procedimentos e injeta outra coisa direto no coração de Amélia.

Eu não entendo nada do que está acontecendo, mas depois de fazer várias tentativas de massagem cardíaca no corpo inerte na maca, seus batimentos finalmente começam a ficar estáveis.

Suspiro aliviado, mas sei que ela não está fora de perigo.

O médico chama a polícia logo após tirar Amélia da zona de risco, e eu ainda não entendo nada.

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