Capítulo 23

Passamos o domingo todo na cama, comendo guloseimas e vendo filmes (de ação escolhidos por Cris e de ficção cientifica escolhidos por mim). Volta e meia, as lembranças do que fizemos no banheiro na noite anterior me açoitavam tal como eu tinha previsto. Isso me fazia querer experimentar coisas novas com Cris. Coisas excitantes.

A noite chegou trazendo um sentimento de solidão. Cris teria que voltar para o seu apartamento para se preparar para o trabalho e para a audiência de amanhã. Eu sei que por enquanto ninguém pode saber que estamos juntos, mas como eu gostaria de poder acordar com ele todos os dias...

Cris veste sua roupa lentamente um sinal de que ele tampouco quer ir embora, isso me traz sensações já conhecidas no estomago. Quero trancá-lo no meu quarto e não deixar que saia por um bom tempo.

Depois de colocar a calça e os sapatos, ele pega sua chave e vai até a porta caminhando com a cabeça baixa como se estivesse indo a um lugar terrível.

-Não quero ir embora. -Ele se vira de repente e me segura pelos ombros.

-Eu também não quero que vá...-seu rosto se ilumina.- mas você precisa se preparar para amanhã, falando nisso, vou mandar uma carta dizendo que estou doente, assim podemos ir juntos. Espero que o chefe aprove e me dê uns três dias de folga. -Pisco para o homem emburrado na minha frente e vejo um esboço de um sorrisinho de canto de boca.

-Vamos ver, se você se comportar bem, pode ser que ele te dê algumas coisinhas a mais.- Ele beija minha têmpora, depois meu nariz e finalmente minha boca. -Espero que amanhã ocorra tudo bem. -Ele encosta sua testa na minha.

-Vai dar tudo certo, é só uma audiência de leitura de testamento o que pode dar errado?

-Bom, tenho que ir, ou vou acabar dormindo aqui de novo.

Cris me dá um último beijo e sai disparado pela porta. Aproveito para trancar tudo e encosto na porta como uma adolescente apaixonada. Toco a boca com os dedos e sinto a maciez da sua língua fazendo maravilhas na minha cabeça.

Depois de alguns minutos decido que já fiz demasiado papel apaixonada e subo até o quarto para tentar dormir. Me posiciono no lugar que Cris ocupava e sinto seu cheiro inebriante. Quase que imediatamente pego no sono.

Estou em uma praia... não conheço o lugar, mas é tão lindo. É cheio de pequenas pedrinhas brilhantes. Tão brilhantes que não deixam ver nada a mais de um metro de distância. Meus pés estão descalços, mas não sinto nada debaixo deles, é como se eu estivesse flutuando. Visto uma camisola branca de cetim bem solta da cintura para baixo, ela é tão linda, muito parecida com uma camisola que minha mãe costumava vestir. Caminho tentando descobrir mais desse lugar, mas a cada passo que dou, parece que algo me puxa de volta. Sinto um toque no meu braço, me viro e não encontro ninguém. De repente uma brisa sopra pelo meu pescoço e meus cabelos e pelos do braço se eriçam.

-Tenha cuidado... - o vento diz.

-Porque? - Pergunto olhando para o nada.

-Tenha cuidado...

De repente caio em um buraco escuro. Me debato como Alice quando cai no tronco da arvore. Tento me segurar em algum lugar. Quero voltar para aquela praia tão linda, mas por mais que eu tente, não paro de cair...

-Merda! -Acordo assustada. Que diabos de sonho foi esse? Sinto um frio na espinha, olho para a janela para ver se a deixei aberta, mas ela está bem fechada e trancada. Será que foi outro sonho com Jonah? Esse era diferente, era algo mais... místico.

Olho para o relógio de cama e já passa das sete horas. Me levanto, tomo uma ducha bem quente e demorada e depois preparo meu café da manhã com calma, já que não irei trabalhar hoje.

Enquanto como, aproveito para escrever a carta pedindo permissão para faltar, decido colocar que estou me sentindo muito mal, e que iria até o médico para ver o que está passando. Quando termino, envio para o e-mail de Cris e espero sua resposta.

O expediente começa as oito da manhã, porém Cris me responde somente ás nove, de certo para não levantar suspeitas. Ele me diz formalmente que posso faltar por hoje, mas que se preciso faltar mais dias, terei que entregar um atestado médico. Quando leio o texto tão formal, quase sinto como se ele fosse outra pessoa. Mas lembro que para todos os efeitos na empresa somos somente chefe e funcionaria.

A audiência é as onze e meia, Cris virá me buscar ás onze, mas eu já estou pronta ás dez. Devo estar mais ansiosa que eles. Ando pela sala, tento ler um livro, tomo outra xicara de café, mas a hora continua passando lentamente. Já estou quase à beira da loucura contando quantas "linhas" tem o teto, quando escuto a campainha tocar. Me levanto correndo, pego minha bolsa e vou até a porta. Cris está impecável com um terno preto, camisa branca e gravata azul escura. Ele está ainda mais sério do que de costume. Uma sombra escura cobre seu rosto e vejo também algumas olheiras. Pelo visto eu fui a única que dormi bem essa noite. Me inclino levemente e dou um selinho na sua boca, não quero fazê-lo perder tempo, mas parece que ele não pensa assim, por que me segura apertado e me presenteia com um beijo daqueles de fazer ver estrelinhas.

Tranco a porta e entramos no seu carro em silencio. Parece que hoje não será um dia normal.

Cruzamos toda a cidade e finalmente chegamos no lugar onde será realizada a audiência de abertura de testamento.

-Você vai ficar bem aqui fora? -Cris pergunta, falando pela primeira vez desde que nos encontramos.

-Sim, pode ficar tranquilo. Esperarei aqui. Vai dar tudo certo amor. -Aproximo o seu rosto do meu e beijo suavemente sua bochecha. É um risco que vale a pena correr, com tal de fazer ele sentir que o apoio.

Ele me olha por alguns segundos e depois balança a cabeça como se estivesse querendo voltar à realidade.

-Hum, eu vou entrar então. Joe me escreveu dizendo que já estava lá dentro, combinarei algumas coisas com ele. Por favor, se cuida, ok?

-Ok, vou me cuidar, e você, fica calmo lá dentro, ok?

Ele assente com a cabeça e entra na sala me deixando sozinha com meus botões. Se só o Joe está dentro, isso quer dizer que...

-Eu não acredito que ele trouxe sua foda para a audiência. -A voz da vaca loira penetra meus pensamentos e olho para cima a tempo de vê-la passando pelo umbral da porta, com sua habitual roupa elegante e sua bolsa de marca. Os saltos fazendo barulho enquanto ela caminha até mim.

-Pois é. Para você ver né querida? Ele prefere a companhia da foda, do que de você. -Digo sem nem olhar para a vaca, limpando puxando um fio inexistente da minha blusa.

-Vadia.

-Obrigada, sempre soube que gostar de transar com Cris tinha que significar algo.

Seu rosto fica vermelho de raiva ao perceber que seus xingamentos não estão tendo o efeito que ela esperava. E para ser sincera, até eu fiquei surpreendida com minha resposta calma. Devo estar vermelha igual um pimentão. Tomara que mais ninguém tenha escutado o que acabo de dizer.

-É melhor você não se meter no meu caminho, garota, ou vai arcar com as consequências.

Ela ameaça e posso ver que não mente. Mas isso não é o suficiente para me abalar.

-Estou pagando para ver, vaca loira, ops Senhora Martha. Já passei por muita coisa nessa vida para me assustar com ameaças vindas de uma pessoa como você. Boa sorte tentando.

A vaca não responde. Simplesmente da meia volta e entra na sala fechando a porta tão forte que o vaso ao lado da minha cadeira quase cai, não fosse por eu segurá-lo a tempo.

Agora resta esperar até a audiência terminar para saber o que vai acontecer.

POR CRIS

Deixo Amélia sentada na cadeira, um pouco relutante. Não gosto da ideia dela encontrando com Martha. Aquela mulher é uma cobra, destila veneno nas palavras. Entro na sala e encontro Joe sentado em uma das três grandes cadeiras de couro e um senhor que suponho seja o advogado.

-Pensei que tinha desistido, mano. -Joe brinca enquanto me abraça.

-Você sabe que mesmo que quisesse não posso faltar a essa maldita audiência, com todo respeito senhor...

-Johnson. -O advogado responde me cumprimentando com sua mão enrugada. Pelo visto o homem tem experiência nesse tipo de coisas.

-Bom, esperemos que a senhora Swansen chegue para que possamos proceder com a abertura do testamento.

Não é possível que a vadia use o sobrenome do meu pai. É muita cara de pau mesmo.

-Ela é VanDyke. -Respondo sério e Joe solta uma risadinha.

-Mas ela bem que quer continuar sendo uma Swansen. -Meu irmão brinca novamente, pelo visto alguém veio de bom humor hoje.

-Nos sonhos dela. Joe você não diz nada, por favor, aceite o que quer que pa... Erick tenha escrito nessa porcaria para que possamos ir embora o quanto antes.

-Tranquilo, irmão, eu também não quero tocar no dinheiro daquele homem. Só estou aqui por você e por Amélia.

Joe sabe das ameaças de Martha e quando disse o que ela faria caso não viéssemos, ele aceitou na hora. É por isso que eu o amo com todas as forças. Assinto em aprovação e bem na hora em que sento em uma cadeira ao lado de Joe, Martha passa como um furacão pela porta e a fecha tão forte que alguns quadros da parede por pouco não caem.

-Pelo visto, alguém acordou de mal humor hoje. -Joe sussurra nem tão baixo.

-Cala a boca Joe, comecemos logo essa palhaçada. -Martha praticamente ordena sentando na última cadeira livre, que lamentavelmente é ao meu lado. -Espero que a vadia que você trouxe hoje, saiba que você está prestes a ficar sem nada de herança. -Ela completa.

-Se você ousar falar mal da Amélia mais uma vez, eu vou desfigurar essa sua cara de vagabunda barata na porrada. -É Joe quem defende minha namorada, me deixando perplexo.

-Ai, cuidado para não quebrar uma unha, querida. -Martha provoca.

-Já chega! -Resolvo colocar ordem, não quero ficar um segundo a mais do que o necessário na presença dessa cobra. -Senhor Johnson, peço desculpas pela atitude desses dois, por favor comecemos.

Praticamente imploro ao homem que até o momento permaneceu calado.

-Muito bem. Como vocês sabem, seu pai, Erick Swansen, deixou um testamento selado e especificou que ele deveria ser aberto somente na presença dos três, sem testemunhas, no entanto, precisamos constar em ata todo o atuado, de tal maneira que minha secretaria se encarregara de escrever tudo o que aconteça a partir do momento em que eu abra o envelope. Reservem palavras de baixo calão e mantenham a calma.

Claudia, pode entrar, por favor. -Ele aperta um botão na mesa e alguns segundos depois, a secretaria entra com um computador, se senta na mesa e começa a escrever. Quase ao mesmo tempo em que o advogado começa a falar.

-Ao dia 15 de abril de 2018, a horas onze e trinta e quatro minutos, damos início à audiência de abertura de testamento, solicitado por Erick Swansen, falecido em data 30 de outubro de 2017, e dando comprimento ás normas legais, procedemos com a leitura do mesmo. -Johnson fala tudo como se fizesse isso todos os dias.

Ele pega um envelope que estava dentro de uma gaveta na sua mesa, e com cuidado abre a tampa colada, retira duas folhas e imediatamente começa a ler.

"Ao dia 25 de janeiro de 2017, eu Erick Swansen, casado, com cédula de identidade nº 234532, residente em Sweet Pines, gozando de plena capacidade mental, livre de qualquer sugestão, e em presença das testemunhas... subscrevo esse testamento.

Mas antes, gostaria que o advogado leia a carta anexa, para que todos entendam minha decisão.

Johnson obedece, como se Erick fosse saber se ele realmente leu a maldita carta.

"Querido Joe, primeiro de tudo, quero pedir desculpas por como te tratei. Eu não tinha nenhum direito de ficar bravo com você por sua escolha sexual, menos ainda, de expulsa-lo da própria casa. Eu sei que isso trouxe consequências ruins para você, e peço verdadeiramente que me desculpe. Saiba que eu nunca vou me perdoar, mas preciso que você o faça, porque eu sou muito covarde para isso. A primeira vez que o vi, você era apenas um bonequinho enrolado em uma manta azul, sua mãe o segurava com tanta devoção e eu não entendia isso, somente quando o peguei no colo, entendi o que era o amor incondicional. Nós ainda estávamos começando com a empresa, então não tínhamos muito dinheiro. Eu estava muito assustado, não sabia o que faria para conseguir cria-lo, alimentá-lo, mas então, você segurou meu dedo e eu senti um choque por todo o meu corpo, como se você estivesse me dizendo que tudo iria ficar bem.

Conforme você foi crescendo, fui querendo moldar seu comportamento, suas escolhas, e sem querer acabei perdendo o melhor de você. Sua personalidade amável, seu jeito simples de ser, seu amor aos que te amam. Quando eu fiquei sabendo que você era homossexual, meu mundo caiu. Naquele momento eu não pensei em você, em como seria difícil para VOCÊ ter que lidar com toda essa discriminação. Eu pensei em mim, no que os OUTROS iam dizer de mim. Sobre o meu filho gay.

Eu, Erick Swansen, um homem com tanto poder, com um filho gay, era inaceitável. Aí foi quando decidi te expulsar, para que os que diziam ser meus amigos, pudessem ver que eu ainda tinha algum controle sobre algo. Mas os dias foram passando, e eu percebi que a família sempre deve vir em primeiro lugar. Percebi que o que eu fiz foi tão errado e eu tive vergonha. Vergonha de como atuei, de como me senti, do meu egoísmo. Quando Cris disse que você iria se mudar para outra cidade, eu corri até o aeroporto para te trazer de volta, mas já era tarde. Saiba que esse arrependimento me corrói todos os dias. Tenho pesadelos e quase sempre acordo de madrugada sem conseguir dormir pelo resto do dia. Você foi e sempre será meu bebê, meu primogênito. Não espero que me desculpe, mas espero que entenda e saiba como me senti depois de tudo.

E nunca se esqueça de que te amo e sempre vou te amar,

- Com amor, Papai. "

Olho para o lado, e Joe está chorando silenciosamente. Nesse momento percebo que já o perdoou por tudo. Pego sua mão, e ele coloca a sua por cima, em um sinal de apoio. Começo a dizer a ele que há muitas pessoas que o amam, quando o advogado começa a ler outra carta. Já estou cansado de tudo isso, mas o nome que ele lê, me chama a atenção.

-Essa está dirigida a Cristopher Swansen.

Ele me olha pedindo permissão para continuar a ler o documento. Balanço a cabeça em resposta e ele continua.

"Cris... meu Cris. Você foi o segundo melhor presente que sua mãe pode me dar. Estávamos tão felizes quando você nasceu. Lembro que Joe ficou tão ciumento ao saber que teria um irmãozinho, mas quando te viu, seus olhinhos brilharam como se tivessem visto a coisa mais linda do mundo. E nesse dia, ele levantou sua diminuta mão e colocou sobre o seu coração e como se fosse um cavaleiro medieval, declarou que seria seu guardião para sempre..."

Aperto a mão de Joe, agradecendo por ele haver cumprido sempre sua promessa. Tenho certeza que ele entendeu o gesto.

"Quando sua mãe nos deixou, eu senti um vazio enorme, mas tive que superar tudo para dar a melhor vida para vocês. Afinal, vocês eram o presente que ela me deixou antes de partir. Eu a amava, não tenham dúvida disso. Mas bem essa parte da nossa história não vem ao caso agora...

Você era tão diferente do seu irmão. Enquanto ele era alegre e espontâneo, você era calculista e sério. Mas os dois se completavam de uma maneira tão linda. Eu sempre soube que seriam além de irmãos, grandes amigos. Você foi crescendo e se interessando pelo negócio, foi ficando cada vez melhor no que fazia, e eu percebi que você seria meu sucessor. Algumas vezes eu brigava com você, porque por mais que eu quisesse te ensinar a ser responsável, você ainda era um adolescente. Fez algumas coisas bobas e se meteu em problemas, mas sempre soube se sair bem. Joe sempre foi muito inteligente também, mas ele se interessava por outras coisas, então eu me dediquei a te ensinar tudo o que sabia e você como o melhor aluno, aprendeu rápido. Até que você amadureceu. Começou a sair com uma garota por ali, outra por aqui, mas sempre mantendo o foco na empresa. Até que ela chegou. O amor da sua vida. Aquela que seria sua mulher, sua esposa, sua companheira. Se eu não a tivesse tirado de você. Eu sinto tanto... tanto. Martha me enganou, me seduziu, disse que havia brigado feio com você e que queria conversar comigo, ver como podia solucionar o problema. Ela veio até minha casa, com uma roupa tão sensual. No começo eu conversei com ela, disse até algumas coisas para que ela melhorasse sua relação com você. Em um momento, ela disse que queria beber algo, e eu ofereci uma taça de vinho. Conversa vai, conversa vem, acabamos terminando duas ou três garrafas de vinho. Eu não estava bêbado, mas estava um pouco afetado pelo álcool. De repente ela subiu até o andar de cima, e eu fui procura-la, a encontrei no meu quarto, deitada na minha cama, nua. Ah, Cris. Se você soubesse o que senti. Eu sabia que estava errado, sabia que ela era sua namorada, mas eu sentia tanta falta da sua mãe... fazia tanto tempo que eu não... enfim, eu perguntei o que ela estava fazendo e ela disse que já não queria estar com um adolescente imaturo, que queria alguém mais experiente. Eu caí na sua armadilha filho. O corpo falou mais alto que a razão e eu sucumbi no seu encanto. Depois de alguns dias ela veio com a história de que estava gravida e eu me casei com ela. Não queria criar um filho separado dele. Mas como era de se esperar, não existia nenhuma gravidez. Alguns meses depois ela inventou um aborto, mas aí o estrago já havia sido feito.

E bem o resto você já sabe. Eu juro para você que essa foi a primeira e única vez que fizemos isso. Depois de casados, eu nem sequer cheguei a tocar nela e por isso ela me odiou. Esses anos foram horríveis. Nos só nos tratávamos bem diante dos amigos, entre quatro paredes, dormíamos em quartos separados. Entrei com processo de divórcio várias vezes, mas ela sempre me enganou com ameaças e promessas absurdas. Eu não vou pedir que você me desculpe por isso, porque sei que o que eu fiz, não tem perdão, eu só queria que você soubesse o que aconteceu em verdade. Eu quero me redimir, sinceramente. É por isso que estou fazendo esse testamento. A Martha não sabe, mas ao casarmos, fiz ela assinar um papel, dizendo que era parte da papelada do casamento, mas era um acordo pré-matrimonial, onde ela não tinha direito a nada que eu tivesse construído antes do nosso matrimonio. Fiz isso para garantir a herança de vocês. Ela deve estar muito brava nesse momento, mas eu vou partir com a certeza de que fiz o correto pelo menos uma vez na minha vida.

Sua mãe ficaria decepcionada com as coisas que eu fiz para meus próprios filhos, mas eu finalmente posso descansar em paz, e pedir perdão a ela lá no céu, se é que eu irei para lá.

E não se esqueça, filho. Apesar de tudo, eu o amo e sempre vou amar.

- Com amor, Papai. "

Joe está novamente com lágrimas nos olhos e eu sinto a umidade nas minhas próprias bochechas. É difícil perdoar, mas eu farei o possível. Erick, papai, não teve cem por cento de culpa nessa história. Martha sempre foi uma interesseira e sempre será assim. E tal como papai previu, ela está com o rosto torcido de raiva. Mas surpreendentemente ela ainda não irrompeu em gritos.

-Agora lerei o listado de bens de cada um. -Johnson interrompe meus pensamentos.

-"Para Joe, além da herança que corresponde, deixo a casa de campo e a casa da cidade. Sei que não posso fazer com que me desculpe em troca de bens, mas na minha condição é o máximo que posso fazer.

Para Cris, também além do que corresponde legalmente, deixo o apartamento a beira mar em Sweet Pines e o Mercedes. O resto será doado a uma entidade que apoia o movimento LGBT, eu sei que é tarde, mas como dizem "antes tarde do que nunca", portanto espero que com esse grão de areia, mais pessoas possam ter onde viver se seus pais são uns idiotas como eu e o expulsam de casa. E bem, não pensem que esqueci de Martha... bem, para Martha, deixo o pequeno chalé em Street Ville, porque apesar de haver sido uma completa megera, não pretendo deixar mais ninguém na rua. E isso é tudo. Espero que vocês sejam muito felizes e que me perdoem por tudo. Eu os amo e sempre vou lembrar daquele dia em que nasceram e trouxeram luz ao meu mundo.

Amo vocês. "

-MAS QUE MERDA É ESSA? -Estava demorando. Agora sim, a verdadeira Martha apareceu. Ela está gritando e manoteando para todo lado.

-Senhora VanDyke, por favor se acalme. -Acabei de gostar desse advogado.

-É SENHORA SWANSEN! Velho idiota! O que foi que ele fez? Depois de todos esses anos, é assim que ele me deixa? Com um mísero chalé caindo aos pedaços? Isso vai ter volta!

-Já chega, Martha. Isso é mais do que você merece. -Agora sou eu que perco a paciência.

-Deixa eu ver esse testamento! Isso deve estar errado! -Ela praticamente arranca o testamento das mãos do pobre advogado.

-Fique tranquila, que todos receberão uma cópia do testamento para fins de tramites com o banco e afins.

Martha lê o testamento uma, duas vezes e seu rosto se contorce como se tivesse chupado mil limões.

-Como seja. De qualquer forma, já tirei muitos dólares desse velho.

Ela joga os papeis em cima da mesa e sai como entrou: como um furacão, deixando a mim, Joe, o senhor Johnson e a secretaria boquiabertos.

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Boa noite amores!! Aqui estou eu a meia noite escrevendo esse capitulo especial pra vcs!! Eu AMEI escrever ele, então espero que vocês curtam! E calma, que ainda falta, mas estou muito cansada, então dividi em dois capítulos, amanhã postarei o resto!! Vem muitas emoções por ai! Aguardem!!

Bjssssss BF!

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