Capítulo 11
Depois de ser praticamente expulsa da sala de Cris, volto para meu escritório e começo a trabalhar. Reviso os livros de contas e os de pagamentos. Graças a Deus tudo está em ordem, senão muita gente seria despedido, incluindo a mim. Continuo revisando por mais algumas horas, são muito livros, e quando percebo, faltam alguns minutos para o horário de almoço. Me levanto, estico os braços, o pescoço, tiro meus óculos de leitura e resolvo dar uma volta para alongar as pernas.
Nem bem passo pela porta, sou atropelada por alguém.
-Meu Deus, Amélia! Me desculpa. Não te vi, juro! - me diz Rafael totalmente envergonhado.
Rafa é um dos TI's e cada vez que me vê, não perde a chance de flertar comigo, e eu como sempre, levo na brincadeira. Um dos motivos é que obviamente não quero um relacionamento sério por enquanto, e o outro é que ele é quase três anos mais novo que eu. Eu sei que pode parecer tabu e etc, mas eu não me vejo com alguém mais novo, fora que ele é como se fosse um priminho mais novo, sempre me tratando normalmente como se nada tivesse acontecido ou me pedindo conselhos sobre sua nova namorada.
A pior coisa que pode passar depois que você perde um ser querido, é que te tratem como se a qualquer momento você fosse desabar em lágrimas. E praticamente todo mundo aqui na empresa me trata assim. Lembro quando Rafa disse algo como "queria ter conhecido Jonah, eu acho que gostaria muito dele!"
O pessoal que estava na sala de reuniões parou de falar na mesma hora, esperando minha reação, mas eu somente disse "e ele com certeza teria amado você!" e dei um tapinha no seu ombro. Todo mundo se surpreendeu, mas ninguém disse nada.
-Bom, pra te compensar, vem jantar comigo hoje! - ele não perde tempo mesmo.
-Quem sabe um dia desses Rafinha... -respondo evasiva.
-Almoça comigo então? -ele não desiste.
-Eu até almoçaria, mas preciso ir até minha casa... amanhã almoçamos juntos, prometo!
-Você quer me matar mesmo né Mel... com esse jogo duro, mesmo assim ainda te amo! -diz ele piscando um olho e depois ficando sério de repente.
-O que foi Rafa, viu um fantasma? - pergunto rindo, a cara dele é hilaria.
-Amélia, se não estiver ocupada, preciso que você vá até meu escritório.
-Cri...senhor Swansen!
Droga esse homem parece um gato que caminha sem fazer barulho! Com razão a cara de susto do Rafa.
-Bom Rafa, nos vemos mais tarde. Bom almoço...
Me despeço do rapaz com um beijo na bochecha e sigo Cris até sua sala. Meu chefe está com uma cara de que quer matar alguém, algo parece ter acontecido e suspeito que tenha a ver com aquela vaca loira.
Entramos no escritório e ele se senta na sua grande cadeira de couro.
-Você sabe que as relações afetivas entre membros da empresa está proibida, não é Amélia?
Cris me solta logo de cara, o que deu nele hoje?
-Estou ciente, senhor. Mas que eu saiba as amizades não estão proibidas. -Respondo seca.
-Aquilo não me pareceu uma amizade. Pelo menos não para o senhor Rafael...
-Porque estou aqui senhor Swansen?
Corto ele, não quero ninguém se metendo na minha vida. Por mais que seja meu chefe super gato, e que tenha dormido com ele, isso não lhe dá o direito.
-Eu... eu fiquei preocupado, você me disse hoje de manhã que precisava ir para casa na hora do almoço, queria saber se posso ajudar em algo...
-A menos que você tenha uma calcinha nova e limpa no seu armario, não, não pode.
Droga! Quando percebi, ja tinha falado. Pela cara de espanto de Cris, ele não gostou nada do meu atrevimento. Por mais que tenhamos feito coisas tão íntimas, aqui ele continua sendo meu chefe.
-Vo...você está sem calcinha?
Cris me pergunta, engolindo com certa dificuldade.
-Sim, eu não ia vestir a mesma que ontem...
Agora estou sussurrando, não posso nem sonhar em alguém descobrindo que dormimos juntos.
-Porque não comprou uma no shopping? - diz ele quase gritando.
-Fala baixo! -o repreendo- Alguém pode te ouvir... e eu não ia colocar algo que um monte de gente pegou na mão, eca!
Agora o homem está...rindo? Ele só pode ser bipolar.
-Bom, sinto muito senhorita, mas não poderei te dar permissão pra sair na hora do almoço.
-Como... permissão? Você está de brincadeira né?
-Estou falando muito serio, Amélia. Qualquer empregado precisa de uma permissão pra sair da empresa, e adivinha quem assina essas permissões. Agora, te faço uma proposta, me deixa te levar na tua casa, e depois vamos a um restaurante almoçar... já me cansei da comida daqui. O que acha?
Cris não sabe, mas ele acaba de provocar uma fera que a muito tempo estava dormindo.
Me levanto simplesmente e vou em direção à porta, Cris me acompanha pegando suas chaves e carteira de cima da mesa.
Antes de chegar na porta, me viro lentamente, estou a centímetros dele.
-Sabe senhor Swansen, tem uma coisa sobre mim que não lhe contei...-digo o mais sedutora possível.
-E o que seria? - pergunta ele já respirando pesado.
-Ninguém me diz o que fazer. Tenha um bom almoço.
Passo pela porta e praticamente a fecho na sua cara. Gostaria de ter visto sua reação, quem esse homem acha que é? Prefiro ficar sem calcinha o dia inteiro a cair na armadilha de Cristopher.
Vou até o banheiro e lavo meu rosto pra me refrescar um pouco. Quando olho no relógio, já é hora de almoçar, parece que vou comer com Rafa no final das contas.
Desço até o restaurante e procuro os cabelos loiros do meu amigo. O avisto sentado sozinho em uma mesa distraído com o celular. Ando bem devagar e me sento na cadeira vazia em frente à sua, ele nem percebe.
-O que será que tem nesse celular de tão interessante? -pergunto de repente e o loiro dá um pulo de susto.
-Amélia, que susto! Quando chegou? Você foi e voltou tão rápido da sua casa?
-Eu nem fui, Rafa. O chefe não me deu permissão, então vou almoçar com você hoje, posso?
-Claro que pode! Isso lá é coisa de se perguntar?
Dou risada dele, o Rafa é um fofo, pena que é um mulherengo.
-Bom, então vou pegar minha comida e já volto.
Me levanto e vou até o buffet. Hoje havia lasanha e outras massas. Sirvo uma porção de lasanha e salada. Não estou com muita fome. Pego um suco de laranja, pago tudo e volto para a mesa, só que quando chego, vejo que Rafa não está mais sozinho.
-Senhor Swansen, pensei que almoçaria fora hoje... -Pergunto cínica.
-Pois é senhorita Regins, mas eu... mudei de idéia, hoje o almoço está muito bom pelo visto.
-Sim. Hoje tem lasanha e pastas, mas eu não sei se o senhor vai gostar dessa comida, como disse que queria comer fora porque estava cansado da comida daqui...
Eu não sei o que me deu, se foi raiva pelo que ele me disse mais cedo, ou por ele ter ficado e vindo sentar justamente na minha mesa. Enquanto trocamos farpas, Rafa olha de mim para Cris, como se estivesse vendo uma partida de tênis.
-Vou dar uma chance à nossa cozinheira, afinal, um bom chefe é aquele que conhece o seu pessoal não é mesmo?
Eu não estou acreditando nisso.
Me sento e começo a comer meu almoço em silêncio. Rafa está super nervoso, ele nunca tinha falado com o chefe, nem quando era o senhor Medeiros.
-Então Rafael, você trabalha a quanto tempo na empresa? - pergunta Cris de repente.
-A quatro anos, senhor.
-Faz tempo em rapaz. Você começou cedo então?
-Sim, fiz o estagio aqui e quando acabei, o senhor Medeiros me efetivou.
-Que bom! E você Amélia, a quanto tempo está aqui?
-Três anos. -respondo somente.
-Hummm... e não foi promovida nenhuma vez?
-Não.
Cris percebe que não estou de humor pra conversar e muda o foco para Rafa de novo. Eles falam sobre um monte de coisa, até de futebol, e no final do almoço, meu amigo já está mais a vontade com o chefe. Eu não sei qual é a intenção de Cris nisso tudo, mas posso garantir que não é conhecer o "pessoal" que trabalha pra ele.
-Bom, se me dão licensa, tenho que voltar a trabalhar.
Digo já me levantando da mesa.
-Eu te acompanho, Mel. - me diz Rafa todo cavalheiro.
-Na verdade, eu precisava rever com você alguns livros de contas, Amélia. Tem algumas coisas que não entendo muito bem e preciso que você me explique antes de jogá-los no sistema.
Rafa olha curioso pra mim, já é a segunda vez que o chefe me chama para sua sala de reuniões na frente dele, mil coisas devem estar passando por sua cabecinha nesse momento.
-Tudo bem senhor Swansen, mas primeiro preciso passar na minha sala se não se importar.
Estou muito curiosa para saber o Cris quer agora, mas primeiro preciso ir no banheiro!
-Tudo bem, eu te acompanho, vamos.
Nos despedimos de Rafa, que continua me olhando com curiosidade e vamos até o elevador. Subimos em silêncio e quando a porta abre, vou direto para minha sala, sem nem esperar o meu chefe. Pego minha escova de dentes e o creme dental e vou para o banheiro feminino que fica no final do corredor.
Cris espera pacientemente enquanto escovo os dentes e quando saio, quase me arrasta para sua sala. Sorte que o resto do pessoal ainda não voltou.
Quando estamos do lado de dentro, ele fecha a porta com chave e me olha de um jeito estranho. Quase como se estivesse com raiva.
-Onde estão os livros que não entende senhor Swansen? - pergunto me fazendo de boba.
-Você sabe que não te chamei aqui por isso, Mel.
Mas o que?
-Por que me chamou assim?
-Ue, não posso? O senhor Rafael a chama assim, pelo que vi vocês se conhecem bem, não é?
-Olha aqui Cristopher, eu não sei aonde você quer chegar com isso, mas só pra esclarecer (de novo), eu e Rafa somos apenas amigos, eu não sei pra quê toda essa implicância com o menino, fora que não devo nenhuma explicação pra você, não somos nada!
Me arrependo um pouco de dizer isso ao ver o olhar magoado que ele lança pra mim, mas ai me lembro que ele mesmo sugeriu sexo sem compromisso, e o arrependimento passa.
-Você ainda está sem calcinha?
Cris me pergunta de repente. O que deu nesse homem hoje?
-Caso não tenha percebido, você mesmo me disse que não poderia sair, então respondendo à sua pergunta, sim ainda estou sem calcinha.
-Que bom. - ele diz, e me agarra ali mesmo no meio do seu escritorio.
-O quê você está fazendo Cris? E se alguém entrar?
-Eu tranquei a porta, lembra?
Ele começa a me beijar no pescoço e por um momento lembro que estou brava com ele.
-Para Cris, isso é errado!
Digo em um momento de lucidez.
-Melhor ainda...
Cris me coloca em cima da mesapuxa minha saia pra cima e começa a beijar minhas pernas, enquanto passa a mão por debaixo da minha camisa, apertando meus seios.
Estou quase entrando em combustão e quase implorando a Cris qualquer coisa, quando ele abre o zíper e me penetra finalmente. A sensação de que estamos fazendo algo errado, me deixa mais excitada e sem querer, começo a gemer. Cris tampa minha boca com sua mão e aumenta a velocidade das estocadas. Quando ele me olha, percebo que seus olhos estão mais escuros e vejo algo selvagem neles, algo distante...
-Vamos, não para por favor! -Sussurro ao homem.
-Você quer que eu meta com mais força? - ele pergunta quase rosnando.
Eu só consigo balançar a cabeça fazendo sinal de positivo.
Cris aumenta mais ainda a velocidade e me leva à beira da loucura até que ambos alcançamos o orgasmo ao mesmo tempo.
Mas eu perco mesmo o fôlego quando ele pronuncia as seguintes palavras:
-Só não se esqueça que não somos nada, Amelia.
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