XVII; A noite mais fria do ano
17| 𝖠 𝗇𝗈𝗂𝗍𝖾 𝗆𝖺𝗂𝗌 𝖿𝗋𝗂𝖺 𝖽𝗈 𝖺𝗇𝗈
JULIE ACORDOU COM O TELEFONE TOCANDO. Totalmente confusa, ela se levantou lentamente e olhou pela janela por um segundo. Ainda estava escuro como breu lá fora, e tão frio quanto gelo. Julie dormiu com seu suéter, estava com todos os aquecedores do quarto colocados e ainda tremia de frio. Ela então se lembrou de seu pai mandando uma mensagem para ela ontem, avisando-a de que seria a noite mais fria do ano.
— Stiles? Você está acordado?- Julie se levantou e olhou para sua cama.
Mas sua cama estava vazia. Julie não entrou em pânico no início, ela presumiu que ele estava no banheiro ou no andar de baixo assistindo a um filme.
— Olá? -Julie finalmente atendeu ao telefone.
— Julie? -A voz em pânico de Isaac falou.
— Onde você está?
Julie esfregou os olhos, tonta.
— Ainda estou dormindo na casa de Stiles, lembra? -Ela bocejou, surpresa por estar com tanto sono quando acabou de acordar.
— Isaac, estamos no meio da noite, o que há de errado?
— Stiles sumiu.
Se ela não estava totalmente acordada antes, ela estava agora.
— Do que você está falando? Ele provavelmente está lá embaixo.
— Estamos indo verificar, mas não temos tanta certeza. Ele ligou para Scott, dizendo-lhe que o telefone está quase descarregado e que ele precisa encontrá-lo. Ele disse que está em uma espécie de porão e que está muito frio.- Isaac explicou.
— Scott diz que às vezes é sonâmbulo, então quer que você verifique se ele está embaixo da cama e apenas tendo alucinações ou algo assim.
Julie acendeu as luzes e soltou um pequeno suspiro.
— O que, o que é?- Scott perguntou do outro lado da linha.
Era uma cadeia de fios vermelhos, espalhando-se por todos os cantos da sala.
— Ele prendeu um monte de cordas vermelhas em uma corrente e as prendeu na parede e no teto.- Ela disse, e ela poderia dizer o quão confuso ele deve estar.
— Isso deve ter levado pelo menos uma hora e ele não poderia ter feito isso no escuro- Não entendi, não entendo como não acordei.
— Estamos a caminho.
Antes de chegarem, Julie olhou por toda a casa, verificando cada esconderijo, cada armário. Quando ela examinou a casa inteira, ela começou a andar pela vizinhança em nada além de calças de pijama e um suéter, tremendo de frio, mas querendo ter certeza de que ele não estava ao ar livre, ou em seu carro. Quando ela voltou para casa, ela encontrou Aiden, Lydia, Scott e Isaac em seu quarto.
— Que diabos... -Lydia murmurou enquanto entrava no cômodo, olhando para os fios vermelhos.
Julie tirou o moletom azul do chão e o vestiu, tentando se aquecer no frio.
— São as cordas vermelhas que ele usa em sua prancha.- Julie explicou a eles.
— Vermelho é para casos não resolvidos.
— Talvez ele pense que é um caso não resolvido. -Aiden encolheu os ombros.
— Espere um minuto, você ainda não o encontrou?- Julie não pôde deixar de erguer a voz preocupada.
— Ninguém sabe onde ele está ainda?
— Ele diz que está em um porão industrial em algum lugar. -Disse Isaac.
— Viemos aqui para pegar um cheiro melhor.
Julie sentou-se na cama dele, enterrando o rosto nas mãos.
— O que mais ele disse?- Lydia perguntou.
— Algo está errado com a perna dele. Está sangrando e ele está congelando.
— É a noite mais fria do ano!- Aidan exclamou.
— Vai cair nos 20° negativos.
Ela começou a andar ao redor da sala, examinando as cordas, procurando por alguma pista.
— E o pai dele? Ele não está em casa, ele está tentando encontrá-lo?
— Nós meio que não contamos a ele ainda... -Scott suspirou quando viu a expressão revoltada de Julie.
— Podemos encontrá-lo pelo cheiro. Se ele era sonâmbulo, não poderia ter ido longe, certo?
Julie balançou a cabeça.
— O jipe dele também sumiu. Andei pela vizinhança, porque pensei que se ele estivesse dormindo ao volante não teria ido muito longe, mas não está aqui. Procurei em todo o quarteirão.
— Em sua calça de pijama?
Ela não se preocupou em pensar em uma resposta, ela estava muito preocupada e ansiosa para isso.
— Você prometeu não ligar para o pai dele, mas eu não liguei. -Lydia pegou o telefone e começou a discar.
— Não- Lydia, podemos conseguir ajuda. Derek, Allison, qualquer um-
— Todos, exceto os policiais! -Ela exclamou.
— Boa ideia.
Aidan acenou com a cabeça.
— Vocês sabem que ela só tem esses sentimentos quando alguém está prestes a morrer, certo? Ela ouviu a voz dele no rádio, quando eu estava apenas ouvindo música, e ele estava sussurrando por ajuda.
— Sussurrando?- Julie perguntou.
— Por que ele estava sussurrando?
Scott suspirou.
— Eu não queria te preocupar mais do que isso, mas... ele diz que acha que há alguém com ele.
Julie sentiu seu coração cair no estômago. O pulso dela acelerou, o que ela sabia que levaria a um ataque de pânico.
— Isso não faz sentido, quem faria isso com ele?!
— Ele pode estar alucinando também. -Scott engoliu em seco.
— Lydia, você não precisa ligar para o pai dele. Faltam cinco minutos para a estação, vamos embora.
Lydia impediu que Aidan o seguisse. — Não, nós vamos alcançá-lo.
— O que? Por que?
— Há algo aqui. -Lydia disse, olhando em volta.
— Sim, evidência de insanidade total.
Julie lutou contra o pânico crescente, ignorando o coração disparado.
— Podemos descobrir o que há de errado com ele depois de encontrá-lo e impedi-lo de congelar até a morte.
— Vamos.- Isaac acenou para Julie, estendendo a mão para ela.
— Não!- Lydia disse abruptamente.
— Desculpa.- Ela suavizou a voz.
— Julie o conhece melhor do que ninguém, ela deveria ficar. Ela poderia ajudar a encontrá-lo.
— Tire o mudo do seu telefone, certo? -Isaac disse ao seu melhor amigo.
— Não quero ligar para você mais mil vezes só para você não atender.
Julie examinou seu telefone para verificar.
— Não estava no modo mudo, eu só... dormi durante o toque.
— Desde quando você dorme com alguma coisa? Suspirei uma vez na aula de geometria e você acordou.
Franzindo as sobrancelhas, ela afastou a sensação em seu peito.
— Os comprimidos que tomo agora funcionam, eu acho.
Julie jogou para Isaac um dos moletons de Stiles, na esperança de mantê-lo aquecido o suficiente para quando o encontrassem. Eles observaram enquanto Scott e Isaac desciam as escadas correndo e saíam da casa. Ela não queria ficar, ela queria ir com Scott e Isaac para ajudar a encontrá-lo, ela queria estar lá quando eles o encontrassem, mas ela sabia que não devia ignorar o sentimento de Banshee de Lydia. Se Lydia acha que Julie pode ajudar a encontrá-lo em seu quarto, então ela tem que estar certa.
— Você ainda está de pijama. -Aidan notou.
As mãos de Julie tremiam e seu silêncio era um sinal óbvio de seu estresse, porque desde que Lydia conheceu Juliette, ela nunca a viu em um estado de silêncio.
— E?
— Eu sabia que vocês dois estavam curtindo.- Aidan sorriu.
— Não, seu pervertido.- Julie olhou para ele e apontou para o colchão no chão.
— Estou dormindo aqui desde que meu pai está fora, mas ele estará de volta pela manhã. -Ela explicou.
— Lydia, sinto muito, mas acho que não posso ajudar.
Lydia balançou a cabeça, olhando para o telefone.
— O jipe dele está estacionado perto do hospital, mas não há sinal dele em lugar nenhum. -Ansiosamente, a loira avermelhada se virou para Julie.
— Você o achou agindo estranho ontem? Antes de ir dormir?
— Não, ele era o mesmo de sempre. Compramos sorvete, depois chocolate quente porque estava muito frio, e adormecemos assim que chegamos em casa.
A loira caminhou pela sala.
— E aquela noite na festa? Você nos disse que há algo que precisamos saber sobre Stiles, mas depois desmaiou.- Lydia continuou.
— Da última vez que ouvi, você não se lembrava do que você queria dizer.
— De jeito nenhum.- Julie se sentiu oprimida pelo pavor, até que se sentou no chão, abraçando os joelhos.
— Só me lembro de algumas coisas, lembro-me de falar com ele também, mas não posso dizer do que foi ou o que aconteceu, porque não me lembro.
— Espere, nós vimos você.- Aidan se levantou.
Julie estreitou os olhos.
— O que?
— Sim, eu e Lydia estávamos parados no bar e vimos você e Stiles- logo antes de Lydia sair e ser marcada pelo Oni. -Aidan explicou.
— Nós poderíamos contar a você o que vimos? Talvez isso ajude a desencadear uma memória?
Julie balançou a cabeça.
— Desde que acordei daquela noite, tenho tentado me lembrar. O que percebi é que provavelmente não é nada, e eu estava apenas muito bêbada e divagando.
Aidan franziu as sobrancelhas.
— Espere, então você mora aqui e dorme ao lado da cama dele, então quando você acordou?
Julie verificou a hora.
— Vinte minutos, mais ou menos.
— E você dormiu durante tudo isso? Lydia perguntou.
— Eu pensei que você tivesse insônia.
Julie acenou com a cabeça.
— Eu tinha– ainda tenho, quero dizer, tenho um sono muito leve, não sei como dormi durante tudo isso. Ele teria levado mais de uma hora para fazer tudo isso com as luzes apagadas. -Ela apontou para as cordas.
— Eu juro, meus comprimidos escolheram um momento ruim para começar a trabalhar. Eu os tomo há anos e eles só me ajudam a ter três horas de sono todos os dias, como pode--
Mas. Que. Porra
Julie olhou ao redor do quarto o pânico surgindo nela.
— Julie? O que é?
Não respondendo às preocupações de Lydia, ela correu para o colchão em que dorme e se ajoelhou para a pilha de coisas que mantém ao seu lado; uma garrafa de água, seu telefone, seu carregador, colírio, sua carteira e, finalmente, seu frasco de comprimidos.
Julie tirou os comprimidos e os jogou no chão para examinar.
— Tenho tomado essas pílulas todas as noites desde que saí de Eichen para ajudar com meu sono. -De perto, em cada comprimido havia um código de qual droga era. Julie pegou seu telefone, copiando o pequeno número da pílula em seu telefone, e começou a olhar os resultados.
— Isso está errado- tem uma quantidade tripla de difenidramina e sedativos que eu posso tomar.
— Julie... -Aidan disse cuidadosamente.
— O que isso significa?
Significa que ele trocou meus malditos comprimidos. Stiles a drogou, está drogando-a há dias, e Julie não teve a menor suspeita de sequer verificar se seus comprimidos estavam certos. Por dias, ela não questionou por que suas horas de sono aumentaram drasticamente e, pela primeira vez em sua vida, voltou a ter um ciclo de sono saudável. Se ela estava certa, isso vem acontecendo há pelo menos uma semana, uma semana desde que ela tem dormido uma noite inteira depois de tomar os comprimidos.
Mas por que? Por que Stiles, alguém em quem ela confiou todo o seu ser, faria isso?
Eu tinha razão. Julie não se lembrava do que viu na festa de halloween, mas fosse o que fosse, ela estava certa ao pensar que era uma informação vital.
O que quer que tenha sido, o que quer que ela tenha descoberto sobre Stiles naquela noite, ela acha que pode ajudar a descobrir o que está acontecendo com ele agora.
— Preciso que vocês dois me digam exatamente o que viram de mim e de Stiles naquela noite na festa. Preciso me lembrar de tudo.
Lydia e Aidan viram, por causa do terror dela, que precisavam se lembrar de cada detalhe, então os dois andavam ansiosos para lembrar.
— Nós vimos você o afastando de uma garota, então aposteu com Lydia que você iria gritar com ele, e ela apostou que você finalmente...- Aidan parou, envergonhado.
— Por que você parou? Não temos tempo!
— Confessar.- Ele suspirou.
— Ela apostou que vocês finalmente iriam confessar seus sentimentos um ao outro.
Julie deu um passo para trás, castigando-se por tornar seus sentimentos por ele tão fáceis de ler.
— E então?
— Então ele te mostrou algo, eu não pude dizer o que era, no entanto.
Julie começou a se lembrar do que ele estava dizendo a ela naquela noite; 'Lembra daquela chave que apareceu do nada? Ela brilha no escuro porque está misturado com produtos químicos. Eu preciso ir, para a escola, para descobrir algo.'
— Você está começando a se lembrar?- Lydia julgou com base em como Julie parecia ter se afastado por um segundo.
— Então você pareceu em pânico por um segundo, e então você...- Ela engoliu em seco.
— Você o beijou.
Stiles? Ela se lembrava de ter falado a ele. Me beija.
— Isso é tudo que eu vi, eu desviei o olhar quando vocês começaram a se beijar.- Lydia confirmou.
Aidan cruzou os braços e sorriu.
— Bem, eu não fiz.- Então ele recebeu um olhar de desgosto de Lydia.
— O quê? Apostei dinheiro que ela gritaria com ele, então eu não desviei o olhar caso ela gritasse com ele.
— O que você viu? Dê-me todos os detalhes de que você se lembra, Aidan.
Aidan coçou a cabeça, tentando se lembrar.
— Eu acho que ele se afastou para te dizer algo.
Eu gosto de você Julie, você não tem ideia de quanto, mas eu preciso descobrir algo.
— Então ele começou a se afastar e você parecia que ia chorar, e acho que ouvi você gritando para ele não ir. Aidan explicou.
— Mas não foi por raiva, foi quase como se fosse por preocupação.
É por isso que você me beijou? Porque você não quer que eu vá? Por que não devo ir, Julie? O que você sabe?
— Eu acho que foi quando você realmente começou a chorar.
Não vá, Stiles. Não o torne mais real do que já é. Você não vai gostar do que descobrir, então não vá, ok? Fique comigo.
— E então ele foi embora.- Aidan suspirou.
— Isso é tudo que eu me lembro.
Sinto muito, Julie. Ela se lembrou dele dizendo com a voz mais suave. Eu tenho que descobrir por mim mesmo.
Por um momento, Julie desejou poder voltar a esquecer. Porque esquecer era tanto quanto aceitar a verdade, uma verdade tão grande como esta, tão assustadora como esta.
— Não.- Julie balançou a cabeça.
— Não, não, não, não pode ser.
— Julie, nos diga o que está acontecendo!
Mas como ela deveria dizer a eles que Stiles é o Nogitsune?
Então seu telefone começou a tocar.
O terror atingiu Julie ao ver o nome de quem ligava.
— É ele. -Sua voz saiu trêmula.
— É Stiles.
— Atenda a chamada! Coloque no viva-voz.
Hesitante, Julie aceitou o telefonema, colocando-o no viva-voz quando eles pediram a ela.
— Stiles? -Julie falou ao telefone, uma única lágrima dançando em sua bochecha, e ela esperava que nem Lydia nem Aidan notassem seus olhos marejados.
— Stiles, você pode me ouvir?
— Jules?- Se Juliette pensasse que sua própria voz era trêmula, ela não estava pronta para a voz trêmula dele.
— Stiles, por favor, nos fale onde você está.- Julie tentou manter a voz firme, não querendo que ele temesse.
— Nós vamos encontrar você, mas precisamos de sua ajuda. Eu sei que você está em um porão, mas me diga o que você vê.
Stiles demorou um pouco antes de responder.
— Há... há luz vindo do teto.
Julie não achava que isso os ajudaria a encontrá-lo, mas ela sabia que eles poderiam usar qualquer informação que conseguissem, então o encorajou a explicar mais adiante.
— Ok, o que parece?
— Pequenos círculos alinhados como um quadrado...
Não. Julie balançou a cabeça em negação. Não pode ser.
— Stiles, há lixo no porão? Está cheio de caixas? Talvez até um sofá?
Stiles fez uma pausa.
— Como você soube disso...
Julie deixou cair o telefone, mas felizmente, devido aos instintos sobrenaturais de Aidan, ele o pegou antes que caísse.
— Stiles, vamos encontrar você, certo?- Foi Lydia quem falou com ele desta vez.
— Acho que sabemos onde você está, então espere até lá, ok?
— Jules, ele diz que conhece você.
Com isso, os três caíram em silêncio. Julie piscou, suprimindo um arrepio. Julie imediatamente pegou o telefone e saiu da sala. Ela ouviu a voz fraca de Lydia perguntando a Aiden;
— Você puxou uma dessas cordas?- Mas quando ela saiu da sala, ela abafou suas vozes, focando na respiração pesada de Stiles.
— Quem me conhece? Stiles, quem está com você?
— Não sei... não sei por que disse isso. Stiles engoliu em seco.
— Meu telefone está descarregando, preciso desligar, mas prometa que me encontrará, Jules. Prometa.
Julie hesitou, mas finalmente falou;
— Eu prometo.
Assim que abriu a boca para dizer mais alguma coisa, ela viu na tela que ele encerrou a ligação para economizar bateria. Por um momento, Julie se encostou na parede antes de voltar para a sala com o casal. Ela esfregou os olhos, evitando que mais lágrimas viessem.
Caminhando de volta para o quarto, ela jogou o telefone na cama.
— Eu sei onde ele está.
Ela viu Lydia encostada nas cordas, seu ouvido contra elas.
— Lydia também.- Aidan gesticulou para a loira avermelhada.
— As vozes estão dizendo algo sobre uma casa. -Lydia disse.
— Está vindo desta corda.
Julie caminhou até as cordas, e a corda que Lydia alegou estar fazendo um som. Na outra ponta da corda, estava uma foto de Eichen House.
— É onde eu acho que ele está. Você o ouviu quando ele disse que havia pequenos círculos de luz vindo do teto, e a tosse, as caixas- é exatamente assim que o porão da Eichen House é. Eu costumava entrar lá às vezes- para tentar escapar.
— Ele tem que estar lá.
— Eu ouvi as vozes, você conhece o lugar- não pode ser uma coincidência.
Julie acenou com a cabeça.
— Eu direi ao Scott.
QUANDO CHEGARAM A EICHEN HOUSE com uma força policial completa e o próprio xerife, ela tinha certeza de que ele estaria aqui. Em sua cabeça, não havia como eles darem errado; uma banshee que ouvia vozes que diziam que ele estava aqui, e uma garota clinicamente louca que sabia por experiência própria que este era o porão que ele descreveu para ela.
Julie se superestimou em como ela pensou que seria fácil voltar aqui. Para o lugar em que ela ficou por meses, o lugar que constantemente a torturava tanto física quanto mentalmente. O lugar que ela deixou com cicatrizes nas pernas e pulsos de quando ela tentaria escapar, apenas para acabar se machucando. O lugar onde ela teve que suportar os gritos de outros pacientes todas as noites, já que eles não se preocuparam em tornar todos os quartos à prova de som.
Lydia percebeu como os braços de Julie tremeram ao ver o hospício.
— Você não tem que entrar aí, Julie, você provavelmente tem transtorno de estresse pós-traumático desta parte do inferno, e eu não quero que você entre e ative a si mesma. -Ela disse cuidadosamente.
Por um segundo, ela debateu seriamente.
— Não, eles provavelmente não vão te mostrar onde fica o porão, porque eles guardam segredos lá, então eu vou mostrar a eles. -Ela disse.
— E eu quero estar lá quando você o encontrar.
Enquanto eles entravam no hospício, onde Julie olhava para o chão a maior parte do tempo para evitar flashbacks, ela os direcionou para o porão.
— É aqui.
O xerife abriu a porta com um chute e todos correram escada abaixo.
— Stiles?
— Scott, há algum cheiro, alguma coisa?
— Lydia?
Lydia olhou em volta, confusa.
— Eu não entendo, tem que ser isso. Ela sussurrou.
— Não entendo.
Enquanto eles procuravam mais ao redor, os pés de Julie acidentalmente chutaram uma caixa, e ela olhou para baixo para encontrá-la aberta, cheia de fotos, e no topo, uma foto em preto e branco que ela conhecia um pouco bem. A pasta dizia CASO ESQUECIDO com uma data dos anos 90 no final. Ao se ajoelhar, viu que se tratava de uma pasta de um dos pacientes. E Julie não precisou ler o nome para descobrir quem era; a imagem disse tudo.
Era a mãe dela. A boca de Julie se abriu, chocada por sua mãe estar em Eichen House e nunca chegar ao seu conhecimento.
— Vamos.
Rapidamente, Julie empurrou a pasta para baixo de seu moletom, esperando que não aparecesse.
— Eles o encontraram. -Scott disse, checando seu telefone.
— Meus pais o encontraram na floresta.
Julie queria se sentir aliviada, mas ela não podia deixar de pensar que algo pior estava por vir.
Jules, ele diz que conhece você.
———— • ° ✩: *. ☯︎ . * :✩ ° .————
Acho que esse é meu capítulo favorito até agora...
Tem tanta coisa vindo para vocês nos próximos capítulos, então apertem os cintos, crianças... Muahahahaha
Nome do próximo cap: Hospital atordoado 🤔
Saindo de fininho... Bye bye
3420.20.08.21
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