Capítulo 16 - Até quando vai fazer papel de trouxa?

Vanessa Schneider

Era a segunda vez na semana que eu matava aula para por as séries em dia. Me sinto culpada? Sim. Me arrependo? Não. Mas entendam, eu já não tinha mais cabeça para aturar duas aulas de Direito Constitucional, sendo que a única coisa que eu conseguia pensar, era se o João estava com a Fabiana ou não.

No mesmo dia daquele episódio do parque com Helena, o embuste me mandou uma mensagem dizendo que estava tudo bem, e que a enteada parecia estar convencida de que eu era apenas uma amiga, o que era bom, se não fosse pelo fato de que agora, ele parou de me encontrar com a mesma frequência.

Minha cabeça funcionava dentro de um puta complexo de paranóias, e eu já havia colocado dentro dela a ideia de que João estava considerando a ideia de me deixar novamente, e aquilo não me ajudava muito.

-Olha, você não pode ficar assim, quer dizer, você é amante dele, ele não pode dedicar vinte e quatro horas do dia a você. - Bia me encarava sentada no chão do quarto.

-Eu sei, mas faz tanto tempo, quer dizer, depois daquela mensagem nos encontramos uma vez e isso faz duas semanas, até o sexo parecia uma despedida. - Choraminguei.

-Não seja brega, Vanessa Schneider, você já passou dessa fase. - Bia me ralhou.

Joguei meu corpo sobre a cama macia e bufei. Eu não deveria estar parando a minha vida por causa de macho, mesmo que ele seja lindo e gostoso.

-Preciso falar com ele. - Peguei meu celular pronta pra dar uma de Shakira Loca Loca e mandar uma mensagem arrasadora.

-Você não precisa disso, me dá essa droga. - Bia interceptou meu momento crazy. - Até quando você vai se submeter ao papel de trouxa? 

-Não estou fazendo papel de trouxa. - Levei minha mão ao peito fingindo estar ofendida.

-Tem certeza? Vamos recapitular algumas coisinhas. - Bia assumiu a postura de mãe de todos e me olhou severa. - A quanto tempo você não beija na boca?

-Duas semanas. - Dei de ombros.

-Não vale ser o João, quero saber quantas bocas alheias você beijou?

A pergunta era boa, não me lembro exatamente de quanto tempo fazia desde que eu havia ficado com outra pessoa, uns dois meses, talvez? Eu não me lembro. A maioria dos caras com os quais troquei saliva, me pegaram em momentos em que minha dignidade não existia, ou seja, eu estava bêbada em cima de uma mesa gritando igual uma lunática enquanto rebolava ouvindo Mc Lan.

O que foi? Não me julguem, tenho certeza que no passado, vocês rebolaram bastante ao som do bonde das maravilhas.

-Viu, nem você sabe, deve ser porque você é exclusiva do João, e isso pra mim é ser trouxa. - Bia sorriu triunfante.

-Não sou trouxa. - Revirei os olhos.

-Ah é sim, você é linda, solteira, desimpedida, super carismática e está sozinha porque quer, sabe que não te julgo por ficar com o embuste, mas isso não quer dizer que você não possa conhecer outras pessoas. - Bia insistiu.

-Mas eu conheço outras pessoas. - Cruzei os braços, irritada.

-Você conhece os seus ex's namorados, acho que você poderia sair comigo e com a Roh e encontrar outras pessoas, beijar na boca, sexo casual... - Ela sugeriu.

No fundo eu sabia que ela tinha razão, eu estava presa a um cara que tinha uma namorada e que nem de longe falava em se separar dela para ficar comigo. Eu realmente precisava beijar outras bocas, principalmente para me ajudar a entender que não posso continuar amando um cara que não poderia ser meu, nunca!

Vamos lá, Vanessa! Solte sua piranha galinhuda interior!

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Capítulo bem curtinho, mas necessário para ajudar na próxima fase da história que está bem próxima, e devo dizer que, é a última!

Nos vemos nos próximos <3

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