Capítulo 06
Eu estava no limite do bosque, onde a densa floresta começava a se estender à minha frente. O riacho de águas cristalinas fluía suavemente ao meu lado, enquanto eu me permitia um silêncio bem-vindo. A natureza ao meu redor parecia pulsar com vida, e a calmaria do lugar envolvia minha mente com uma sensação reconfortante.
Queria aproveitar um momento de tranquilidade, me afastar do turbilhão de emoções que me assombravam.
Enquanto me permitia relaxar ao som suave da água, um som estranho rompeu o silêncio da floresta.
Uma mistura de rosnados e gemidos ecoava entre as árvores, chamando minha atenção instantaneamente. Intrigada e curiosa, saí a procura da origem do som, permitindo que minha curiosidade me guiasse.
Adentrei o território da floresta com cautela, meus passos leves e rápidos, procurando manter minha presença oculta. Entre os raios de luz filtrados pelas copas das árvores, pude vislumbrar uma cena perturbadora.
Ali, à sombra das árvores, um homem se alimentava de um corpo inerte. Meu coração disparou diante da visão grotesca, e uma mistura de fascinação e repulsa se apoderou de mim. Eu sabia que deveria recuar, fugir dali o mais rápido possível, mas algo me impedia.
Fixei meus olhos na figura sombria, observando-o atentamente enquanto ele se saciava com avidez. Seus movimentos eram rápidos e precisos, revelando uma força e uma agilidade incomuns.
O homem se ergueu de repente, seu olhar vasculhando o ambiente. Por um breve instante, podia jurar que nossos olhos se encontraram, apesar deu estar escondida nas sombras.
O vampiro largou o humano no chão e se aproximou, seus passos firmes e confiantes. Eu permaneci imóvel, oculta nas sombras, observando cada movimento seu. Ele parecia ter notado minha presença, mas sua expressão não revelava muita coisa.
"Abscondito umbras et illusio" murmurei de forma quase inaudível o feitiço de ocultação.
Eu senti a energia mágica se espalhar ao meu redor, formando um véu invisível que me envolvia e me tornava imperceptível aos olhos do vampiro. Era como se eu me fundisse com as sombras, tornando-me parte do ambiente.
Enquanto o vampiro buscava com o olhar, sua expressão se transformou em uma leve franzida de sobrancelhas, indicando que algo lhe escapava. Ele parecia desconfiado, mas não conseguiu identificar minha presença.
Eu me mantive imóvel, consciente de que qualquer movimento em falso poderia revelar minha localização. Minha respiração estava controlada, meu coração batia acelerado, mas eu estava determinada a permanecer oculta.
— Eu ouvi você, bruxa — proferiu ele, sua voz envolta em um tom soturno e carregado de mistério, enquanto se apoiava casualmente em uma árvore robusta, a poucos passos do meu esconderijo.
Meus músculos se contraíram, meu corpo tenso diante daquele ser sobrenatural. No entanto, minha curiosidade vencia o medo, e eu me vi incapaz de recuar.
— Quem é você? — indaguei, com a voz trêmula, mas determinada a obter alguma resposta.
Uma risada suave escapou dos lábios do vampiro, carregada de um tom de desprezo e arrogância.
— Ah, uma bruxa corajosa e curiosa. Isso é algo que eu não vejo todos os dias — respondeu ele, ainda apoiado na árvore como se fosse uma extensão dela. Seus olhos sombrios brilhavam com uma intensidade enigmática.
Lentamente, emergi das sombras, revelando-me diante dele. Seu olhar penetrante percorreu meu rosto, como se estivesse tentando decifrar meus segredos mais profundos. Um sorriso irônico brincou em seus lábios, revelando um indício de fascinação diante do desconhecido.
Ele arqueou a sobrancelha, parecendo ter percebido algo além do óbvio.
— Bruxa, vampira... quais segredos mais você esconde? — questionou ele, sua voz carregada de um tom sedutor e misterioso. Seus olhos sombrios brilhavam com uma intensidade enigmática, transmitindo um misto de curiosidade e desafio.
As palavras dele ecoavam em minha mente, despertando uma inquietação intrigante. Meus olhos percorreram cuidadosamente cada traço do rosto dele, seus cabelos ruivos e sedosos caíam em mechas desalinhadas sobre sua testa, contrastando intensamente com a palidez de sua pele alva.
Os olhos dele eram como um poço profundo de escuridão, um breu intenso que parecia esconder um abismo.
Seu rosto era esculpido por traços marcantes, com uma mandíbula angulosa e lábios finamente desenhados. A barba por fazer realçava seu aspecto selvagem, conferindo-lhe um ar sedutor e perigoso.
Gotas de sangue ainda manchavam seus lábios, o tom rubro, ironicamente semelhante ao de seus cabelos.
Enquanto mantinha o olhar firme no dele, reuni toda a coragem que tinha e, com uma voz firme, respondi:
— O que fez com ele? — indiquei o homem caído com o queixo.
O vampiro inclinou levemente a cabeça, estudando-me com um brilho desafiador nos olhos. Um sorriso malicioso dançou em seus lábios antes que ele respondesse.
— O que fiz com ele? Oh, minha cara, não se preocupe. Ele não passa de um mero alimento, um simples recurso para saciar minha sede insaciável. Nada mais do que isso — ele disse com uma voz suave, porém carregada de um toque sombrio.
Percebendo minha inquietação, ele soltou um suspiro e revirou os olhos, claramente impaciente com a minhs preocupação em relação ao homem caído.
— Não se preocupe, ele está vivo. Eu apenas me alimentei, mas não o matei. Vou apagar sua mente para que não se lembre do que aconteceu. Não precisamos de um fardo desnecessário — explicou, parecendo indiferente ao destino do homem.
A resposta me deixou surpresa. A ideia de apagar memórias era algo novo, despertando um questionamento interno sobre minhas próprias habilidades ocultas. Seria possível que eu também possuísse tal poder? Essa possibilidade se abriu em minha mente, levantando inúmeras perguntas sobre a minha verdadeira natureza.
Afiei minha audição na direção do homem.... vivo, ele estava vivo. Respirava devagar, de forma quase inaudível.
Enquanto o vampiro estava ocupado com o homem caído, me aproximei cautelosamente dele, de forma atenta.
Conforme me aproximava, o cheiro do sangue finalmente atingiu minhas narinas, perturbando-me. Senti um formigamento em minha boca e a saliva ameaçou escapar, mas me esforcei para manter o controle.
Um leve tremor percorreu meu corpo enquanto lutava contra meus instintos mais primitivos. O vampiro percebeu a reação, captando a turbulência interior que eu enfrentava. Com um olhar perspicaz, ele me observava atentamente.
— Servida? — Perguntou com um sorriso sarcástico brincando em seus lábios.
Engoli em seco, tremendo levemente.
O desejo pelo sangue me assombrava, sua voz ecoando em minha mente. Eu sabia que estava no limite, em uma linha tênue.
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