lago mágico> extra
Yang Jeongin
Já se passaram 3 anos.
Tenho tanta coisa pra contar que eu nem sei por onde começar!
Adotei um ouriço logo após terminar a faculdade, fui expulso de três empregos por ser um completo desastre, Felix, o cara que foi um "cúmplice" de me juntar com o Hyunjin a três anos atrás se mudou para os Estados Unidos com Chan, seu marido. Jeongin se tornou modelo após terminar a faculdade e por incrível que pareça, é o único hétero do nosso grupinho de cinco. Sim, Chan e Felix se tornaram nossos melhores amigos.
E por último, mas não menos importante, terminei com o Hyunjin duas vezes por causa da nova cor de seus cabelos.
Sim gente, foi por bobeira.
Os lindos cabelos loiro de Hwang Hyunjin que se assemelhavam ao mar, não existem mais. No lugar dessa obra de arte, habita um vermelho chamativo que precisa ser retocado de mês em mês, mas eu admito, o vermelho fez com que ele ficasse ainda mais encantador e atraente e, no meio da multidão, se houver um pontinho vermelho, saberei imediatamente que se trata do meu namorado.
Apesar de ser um desastre em todos os empregos que consigo, recentemente estou indo super bem em uma loja de discos. Sempre fui fascinado por músicas, então acho que encontrei o lugar perfeito.
Bem, já o grande Hwang Hyunjin, se tornou professor de inglês e ainda é dono de um clube de corrida de moto. Acho que se houver chance de eu terminar com ele por coisa boba de novo, será por medo dele se ralar todo naquela pista.
── Falando na margarida. ─ Disse após a porta da loja ser empurrada e eu avistar cabelos vermelhos.
── Bom dia pra você também, amor. ─ Sorriu e se aproximou depressa, me roubando um selinho e deixando um carinho tímido na minha bochecha.
O dono da loja, o Seo Changbin, quase nunca está na mesma, então eu cuido de tudo e mais um pouco desse lugar, me sinto um tipo de "dono sem autoridade", se é que me entendem.
── Sabe o que me perguntaram hoje na sala de aula? ─ perguntou Hyunjin, enquanto me acompanhava entre as prateleiras de discos, que no final acabou apoiando seus braços por cima da bancada, analisando meus movimentos.
── Não faço nem ideia. Talvez perguntaram porque você tem esse cabelo vermelho parecendo o foguinho daquele jogo do friv no computador, fogo e água. ─ Eu não perco nenhuma oportunidade pra implicar com ele.
── Há três anos atrás você não era abusado assim. Pelo contrário, se sentia nervoso só de estar perto de mim, já agora? Agora você zoa o meu lindo cabelo, Innie.
── Ficou tão chateado que não vai me chamar de amor? ─ Perguntei sorrindo pela atitude do mais velho. Coloquei minhas mãos ao redor de seu rosto e então o puxei levemente, olhando no fundo de suas orbes. ── Os tempos mudaram, meu foguinho, agora eu não fico nervoso com a sua presença porque sou eu quem mando em você.
── E eu sou um grande apaixonado obediente graças a Deus. ─ Sorriu fitando meus olhos. ── Mas voltando ao assunto, a Alice do sexto ano, a baixinha loirinha, me perguntou se eu sou casado.
Um silêncio estranho se apossou do ambiente e eu fiquei paralisado, ainda com meu rosto perto do dele.
── E o que você respondeu? ─ Perguntei, fingindo indiferença.
── Respondi que estou providenciando coisas pra conseguir esse status.
Não estou vendo o meu reflexo agora, mas tenho a leve certeza que estou totalmente vermelho e com o peito subindo e descendo em uma velocidade avassaladora.
── E quem será o louco ou a louca que vai te dar esse status de casado?
── É um louco, um louco extremamente lindo, você o conhece muito bem. ─ Respondeu e então me deu um beijinho na testa, logo me deu um selinho tímido e depois partiu pra um beijo mais profundo, me deixando com o coração ainda mais rápido.
── Preciso ir. ─ Murmurou após fazer seus lábios entrarem em contato com os meus por uma última vez e então saiu sorrindo.
── Senhor, quanto custa esse disco aqui? ─ Uma garotinha ruiva com sardinhas e que aparentava não ser coreana, me tirou daquela bolha de imaginação e então voltei aos meus afazeres, ajudando a mais nova.
O movimento da loja não estava lá aquelas coisas, então passei quase que a tarde toda conversando ao telefone com minha mãe.
A senhora Irene parece amar mais o genro do que o próprio filho, já que, a cada 10 palavras, 8 se tratavam de Hyunjin.
── Se prepare seu idiota, ele já deixou na cara que está planejando isso! ─ Proferiu do outro lado da linha, após eu ter falado sobre o ocorrido de mais cedo com o de cabelos vermelhos.
── Mamãe, se for um pedido brega, eu tenho o direito de recusar, não é? ─ Perguntei aflito. Imagina se ele me pede em casamento em um shopping, cheio de gente desconhecidas, com alguma criança berrando no fundo e com pessoas aleatórias filmando todos os nossos momentos? Ou então, me chamar pra um restaurante e eu engasgar com uma aliança enfiada na sobremesa?
── Estamos falando de Hwang Hyunjin, meu filho. Ele sempre acerta em tudo. ─ Como eu havia imaginado, minha mãe finalizou a chamada deixando claro o seu favoritismo.
O relógio estilo vintage pendurado em cima da porta marcava exatamente 19h, indicando que o meu momento de trabalhador já havia chegado ao fim.
Apaguei as luzes, organizei alguns discos em seu devido lugar e então saí, trancando a porta logo em seguida e guardando as chaves no bolso.
── Ora, ora, como um rapaz lindo desse jeito não tem medo de andar a noite assim? Não tem medo de ser sequestrado, gracinha? ─ Era a voz de Hyunjin. O mesmo se encontrava do outro lado da rua juntamente com a sua moto de estimação.
── Sou faixa preta em taekwondo, querido. ─ Pronunciei rindo e correndo para atravessar a rua. Me aproximei rápido do mais velho e então o abracei, sentindo o cheiro gostoso do seu perfume e fazendo um carinho no seu cabelo macio. Na minha cabeça, já fazia muito tempo desde que eu não o via, mas na verdade, só se passaram 2h.
── Vamos pra casa, amor. ─ Sussurrou após me deixar um carinho nas costas e me ajudar a subir na moto alta.
Eu e Hyunjin já moramos juntos, em um apartamento aconchegante no centro da cidade e não demorou muito para chegarmos até o local.
Com a ajuda do mais velho novamente, desci da moto e entrei no prédio, aguardando somente alguns segundos para que o Hwang guardasse sua moto. No fim, selecionei no elevador o penúltimo andar e entramos no apartamento juntos.
── Que tal pedirmos alguma coisa pra comer? Você deve estar cansado, vida. ─ Sugeriu o avermelhado ao passo em que retirava sua jaqueta de couro.
── Tudo bem, eu vou tomar um banho rapidinho. ─ Disse tranquilo.
── Não vai me esperar? Você tá chateado comigo? O que eu fiz? ─ A birra do gato surgiu somente porque eu não o chamei para tomar banho comigo, vai entender uma coisa dessas.
── Eu preciso de privacidade, Hyunjin.
── Senhor jesus, olha que tipo de relacionamento abusivo que eu fui me enfiar. ─ Soltou de maneira exagerada e se jogou no sofá.
── Você tem exatos trinta segundos pra levantar desse sofá e vir logo então, sua criancinha birrenta.
(...)
Duas horas se passaram e nós já nos encontrávamos deitados. Minha cabeça se encontrava confortavelmente em cima do peitoral do outro, enquanto ele fazia transinhas no meu cabelo que estava um pouco grande. Lentamente me vi em um sono pesado, e então fechei os olhos, aproveitando os últimos segundos antes de dormir.
Remexi um pouco na cama e me estressei com a claridade entrando no quarto, mesmo que eu ainda me encontrasse de olhos fechados. Levantei com o edredom na cabeça, feito um fantasma e acabei tropeçando no mesinha do quarto.
Bem que eu falei com o Hyunjin que lugar de mesa é na cozinha, mas graças a dor na canela que eu comecei a sentir, me abaixei e pude ver melhor que meu diário da adolescência se encontrava em cima do pequeno móvel.
Nem lembrava onde eu havia guardado aquilo, mas voltei e me sentei na cama, abrindo o diário a fim de relembrar o que eu havia escrito naquelas páginas.
Eu era, e continuo sendo, um tremendo boiola em Hwang Hyunjin, aquelas palavras me trouxeram uma nostalgia incrível, e no final, um sentimento de estranheza, já que havia uma última folha escrita com uma caneta vermelha e chamativa. Assim como o cabelo do outro Hwang. Parece que a história está se repetindo.
Bom dia senhor "dono de mim"!
Acredito que, assim como eu, você se encontra sensível após se lembrar de tudo que esse diário passou para sermos o que somos hoje. A rua fechada, a chuva molhando nossas cabeças e aquela cafeteria aconchegante. Tudo isso faz parte da nossa história, e eu quero que ainda mais coisas possam fazer parte da mesma, pois quero prolongar meus dias ao seu lado.
Às 9h um carro preto irá te esperar na entrada do prédio, relaxa pois não será um sequestro, eu estarei de esperando.
Me apressei em me arrumar e fiz justamente o que aquele texto dizia, desci o elevador ansioso, já desconfiando do que se tratava.
Avistei o carro e percebi o motorista me encarando, logo depois o mesmo fez um sinal com a mão. Caminhei nervoso até o veículo e então entrei no banco de trás.
── Bom dia, senhor Jeongin. ─ Disse o homem que aparentava estar na casa dos 40.
Fiz um leve sinal com a cabeça e esperei que o mesmo desse a partida. Se passaram uns 20 minutos aproximadamente e então o carro parou, em um local deserto, estou bem longe de casa.
── Não precisa ter medo, siga esse trilha ─ Se referiu um caminho em nossa frente ─ e você encontrará o senhor Hyunjin.
── Certo, obrigado senhor. ─ Desci com velocidade do carro e então segui a estrada, não era uma trilha largada e assustadora, pelo contrário, era um caminho com rosas vermelhas do início ao fim.
De longe pude ver um lago e, próximo dali, o famoso Hyunjin.
── Pensei que te encontraria de terno com um buquê de flores na mão. ─ Murmurei ansioso, crente de que eu já sabia o que estava por vir. Ah, e vejam crianças, não é em um shopping.
── O que disse? ─ Perguntou sem entender.
── Oh, nada amor. Mas e então, por que estamos aqui? ─ Me aproximei mudando de assunto e então me posicionei em sua frente. Reparando em como ele estava ainda mais bonito do que nos outros dias.
── Vamos sem enrolação, meu amor. Você deixou de ser lerdinho a uns meses atrás. Sabe exatamente porque estamos aqui. ─ Sorriu e agarrou minha mão, me puxando levemente para sentar de frente para o lago.
O local era calmo, com árvores, flores e pássaros cantando.
── Boiola. ─ Não me contive em dizer.
── Você que deixa. ─ Entrou na brincadeira.
Comecei a observar atentamente seus movimentos e de forma inesperada, Hyunjin pegou uma pedrinha do chão e me encarou.
── Sabia que esse lago aqui é mágico? ─ Perguntou, convicto de que eu acreditaria. ── Você pensa em um desejo e joga a pedrinha, pronto, desejo realizado. ─ Sorriu tranquilo.
── Espera que eu acredite nisso? ─ Disse, ainda sentado.
── Há motivos para não acreditar no que o seu namorado está dizendo?
Como eu sabia que o outro não iria desistir tão fácil, me levantei e peguei uma pedrinha também.
Fechei os olhos, e apenas para não passar em branco, desejei que meus dias com Hyunjin sejam repletos de alegria, e por fim, joguei a pedrinha.
── Recebi uma atualização do universo exatamente agora. Ele me contou que na verdade, só vai acontecer aquilo que precisa e deve acontecer, entendeu amor?
── Hmm, entendi sim. ─ Respondi como se tivesse acreditando na fantasia de alguma criança.
── Acha que o seu desejo deve se realizar?
── Acho sim, sem sombras de dúvidas.
── Ótimo amor, então é a minha vez. ─ O mais velho fechou os olhos por longos segundos e então jogou a pedrinha.
── E então, você também acha que o seu desejo vai se realizar? ─ Perguntei, realmente curioso pela resposta.
── Só depende de você.
Hyunjin retirou uma caixinha do bolso e então se aproximou ainda mais. Pude perceber sua pupila dilatando e a respiração pesada de suas narinas, totalmente ansioso, assim como eu.
A caixinha foi aberta revelando dois anéis, tudo exatamente como imaginei.
Os olhos do avermelhado deram passagem para que algumas lágrimas escorresse por sua face, e sem aguentar eu me vi entrar no mesmo estado que ele.
Eu estava em choque profundo. Não estávamos mais na fase doce da adolescência, não éramos mais um casalzinho bobo de namorados, nós dois iríamos subir ao altar e fazer disso tudo uma relação ainda mais firme e especial.
── Seu desejo vai se realizar sim, meu amor. Aqui e em todos os universos.
Fim.
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