Sobre Padrões Estéticos e Saúde Mental
Estrias, celulites, uma gordurinha extra.
Tem dias que eu acordo amando meu corpo, tem dias que não consigo me olhar no espelho.
Eu, que vos escrevo agora, já fui magra. Com catorze anos eu tive anorexia e nada do que eu quisesse comer passava pela minha garganta. Estava começando o ensino médio e perdi um peso considerável. Cheguei a pesar 45 quilos, quando meu normal e saudável beira os 70.
A parte mais doente de tudo isso foi ver que eu ganhei certa popularidade por todo o peso perdido. Ninguém queria saber se eu estava bem, apenas acharam que esteticamente eu estava perfeita. Isso transtornou meu psicológico.
Hoje, com vinte e um anos, voltei a pesar meus 70 quilos. Deveria estar feliz por minha saúde ter voltado, mas não estou.
Vez ou outra me pego voltando no tempo e desejando ter o corpo de antes.
A que custo? Eu quase morri. Eu fiz minha família sofrer. Ouvi meus pais chorando à noite, minha avó ligando desesperada e aos prantos e eu só conseguia pensar o quanto queria ser magra.
Esse texto é mais que um desabafo. Vim aqui oferecer socorro.
Padrões estéticos adoecem. O corpo photoshopado da revista não existe, mas nós queremos ser iguais.
Eu, bailarina formada, queria pesar o mesmo de antes em muitas ocasiões, principalmente quando me vi sendo deixada de fora de oportunidades grandes por conta de um peso que é meu natural.
Sou saudável. Sou forte e feliz com quem sou.
Esse breve texto é para me lembrar - e a você, caro leitor que se interessou - que somos muito mais que corpos físicos e padrões estéticos.
Nosso corpo é nossa casa. Nós escolhemos como adereçá-lo, como iremos consertar suas paredes e quem convidar para ficar uma noite ou uma vida.
Nosso corpo é nossa casa e nossa mente é nosso lar.
Lembre-se que cinco quilos não valem sua saúde mental.
A beleza está nos pequenos - e grandes - detalhes da vida.
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