Capítulo 4

O castelo estava cheio de nobres. Todos se reuniram para comemorar a passagem do ano e Alex sabia que alguns desses nobres forçaram uma reunião em sua ausência, para o conselho decidir se poderiam continuar esperando uma escolha sua.

Alex já tinha dezesseis anos e o peso de uma coroa, todos queriam um futuro assegurado, isso significava, herdeiros.

Da janela da biblioteca, Alex observava as crianças que estavam brincando juntas nos jardins. Meninos e meninas de diversas idades corriam livres independente de hierarquias.

Alex os invejava, não podia dizer que tinha amigos, os mais jovens lordes com quem frequentemente se encontrava eram mais um estorvo em sua vida que amizades. Quando tinha pouca idade, Alex passava a maior parte do tempo dentro das paredes do castelo, nem conseguia contar as vezes em que ficou daquela janela se perguntando porquê não podia brincar com os demais. Entendia o motivo, mas ninguém conseguira lhe convencer dele quando era criança. Isto fez com que sua solidão lhe corrompesse a alma a um nível em que preferia a solidão.

Alex ouviu passos na biblioteca silenciosa e se virou imediatamente para ver quem se aproximava. Uma garota de cabelos ruivos observava as estantes com curiosidade. Ela olhava a parte de romances.

Quando fora a última vez em que leu algo por interesse próprio? Alex se viu questionando-se. Os olhos da jovem se voltaram para a janela e ela percebeu que Alex a estudava.

A garota se curvou e se levantou lentamente falando:

— Eu peço seu perdão, majestade. Disseram que eu poderia usar a biblioteca, jamais me intrometeria se soubesse que o senhor estava aqui.

— Não se incomode comigo, pode pegar o livro que quiser — ofereceu.

Alex olhou novamente pela janela e ouviu os passos da lady se aproximando, ela parou a mais de dois passos de distância, como era exigido.

— Se me permite questionar, majestade. O que há de tão curioso em crianças brincando? O senhor pensa nos seus próprios filhos? — Alex voltou os olhos para a mulher e viu as bochechas vermelhas.

— Eu os invejo, na verdade — comentou ignorando a vontade de suspirar em frustração.

— Os inveja, senhor? — indagou.

— Parece estúpido, um rei dizer isto, mas olhe só para eles, são livres para correr e se preocupam apenas em parar quando estão com fome— Alex sussurrou.

— Vossa majestade não costumava brincar muito quando éramos crianças — ela lembrou. — Eu costumava brincar nos jardins como essas crianças, mas não me lembro de tê-lo visto fazendo o mesmo.

— Um rei não tem tempo para brincadeiras.

— Mesmo quando vossa majestade sequer sabia o peso de seus fardos? — ela inquiriu.

— Eu fui coroado após o meu nascimento — retrucou. — Eu sempre soube o peso dos meus fardos. Essa janela, me dava uma boa visão das brincadeiras lá fora.

— O senhor parece triste, majestade— comentou a garota se aproximando mais.

Alex voltou a encará-la e a garota estava perto demais. Ela segurou seu antebraço e ficou ajoelhada perto de Alex que estava sobre a mesa de canto. A outra mão da garota acariciou sua coxa do joelho ao meio.

— O senhor não sente falta de companhia, majestade? — a voz da garota estava estranha.

Alex saltou da mesa e ficou de pé desviando-se do toque da garota. A ruiva levantou-se e se aproximou novamente, Alex a contornou fazendo com que a garota ficasse colada a parede e apoiou uma de suas mãos na parede ao lado da cabeça dela.

Quando a ruiva tentou tocar-lhe o peito, Alex lhe segurou o pulso e sussurrou encarando os seus olhos:

— Deveria tomar mais cuidado, milady.

— Se estou com o senhor majestade, por que eu teria de me preocupar?

— Porque há homens que não sabem limitar seus instintos — avisou.

— Mas o senhor... — Alex segurou o queixo da garota e aproximou o rosto do dela.

— Eu sou o rei, minha palavra é a lei. Se eu a machucasse, a senhorita nada poderia fazer contra mim. Lembre-se disso na próxima vez que quiser oferecer companhia a um nobre — alertou.

Alex ouviu os passos que entravam na biblioteca e se afastou, a ruiva estava ofegante. Moran observou a cena e ficou de queixo caído, Alex se afastou da mulher e caminhou para fora da biblioteca.

— Majestade?! — Moran chamava desesperado enquanto Alex caminhava a passos largos.

Alex não parou até que o lorde interrompeu seu caminho. Suspirando Alex encarou o homem.

— Não sei o que interrompi, mas peço o seu perdão — falou a contragosto.

— Não estava acontecendo nada, então não há motivos para desculpas — Alex revidou e tentou passar pelo lado, mas o homem voltou a se colocar em seu caminho.

— Não sei o que vossa majestade fez, mas lady Caly estava chorando agora pouco — avisou.

— Não que eu lhe deva explicações, lorde Moran, mas apenas dei a Lady Caly um aviso — Alex disse. — Agora se me der licença.

O homem saiu da frente de seu rei temendo o pior.

Alex vagou pelo castelo lembrando-se do que lhe aconteceu e do que ameaçou fazer com a lady. Certamente Caly jamais tentaria de aproximar novamente. E com sorte ela avisaria sobre aquilo a outras ladies.

A rainha mãe lhe esperava no quarto quando finalmente chegou lá. A mulher lhe lançou um olhar completamente exausto e logo em seguida como se Alex não tivesse se atrasado de propósito, ela lhe ajudou a aprontar-se.

— Deslumbrante, como sempre — a mãe elogiou.

Alex apenas forçou um sorriso em resposta, não se sentia deslumbrante, não quando tudo parecia estar ao avesso.

— Sem reclamações para esta noite? — questionou rindo enquanto lhe cutucava a barriga.

Alex não pôde deixar de sorrir.

— Seja o mais forte dos homens, mesmo que sua batalha envolva danças e música— repetiu o mantra de seu pai que sua mãe lhe dissera tantas vezes na infância.

— Você cresceu tanto — suspirou a mãe.

— Até mesmo parei de reclamar de bailes — comentou.

Alex estendeu o braço para a mãe que o segurou e ambos seguiram para fora do aposento, o castelo estava agitado, a cada novo baile, o povo ficava em expectativa, esperando o momento em que o rei anunciaria que estava noivo.

— Tenho uma coisa para lhe contar — Alex avisou quando viu os olhares assustados de algumas ladies.

— Eu espero realmente que você não tenha feito coisas inconsequentes... — ela comentou.

— Lady Caly tentou... Me seduzir na biblioteca mais cedo — explicou num sussurro para que apenas a mãe ouvisse.

— O que ela fez? — indagou a rainha apertando mais o braço de Alex.

— Ela tentou... Mas eu me afastei e posso dizer que lhe dei um susto. Acho que algumas ladies não terão mais interesse em sedução e em oferecerem companhia para mim. Ao menos por um tempo — Alex sussurrou.

— Que tipo de susto?

— Apenas lhe disse que se eu fizesse algo para machuca-la, nada me aconteceria, pois como rei, minha palavra é a lei — esclareceu.

— Tenha mais cuidado... — implorou a rainha.

— Ela só tocou em minha coxa — rebateu.

— Sim, mas em um momento de descuido poderia ter feito mais que isso — a rainha lhe lançou um olhar de aviso e Alex assentiu.

Para irritação de Alex, poucas garotas desistiram de lhe dar atenção. Era óbvio que algumas delas sabiam do que acontecera mais cedo, mas isso não as repeliu como ele gostaria. Até mesmo Lady Caly estava na fila de moças esperando por uma dança com o rei.

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