.Último Capitulo.

Dois meses haviam se passado desde a última visita de Otávio, e minha vida finalmente parecia voltar aos trilhos. Estava focado em mim, em viver o presente, e as coisas com Renato estavam fluindo bem, quase como se estivéssemos em um relacionamento sério. Entre os altos e baixos desses meses, a maior revelação veio quando Gael e o quartel da polícia civil concluíram as investigações sobre a morte do Sr. Wruck. Descobriram que o disparo que tirou a vida dele não era destinado a ele, mas a mim. Aquele tiro era uma encomenda que acabou matando a pessoa errada. O choque dessa descoberta foi grande, mas, de alguma forma, as coisas boas conseguiram prevalecer.

Eu e Renato também tivemos a oportunidade de conhecer Joaquim, o filho de Otávio com uma ex-modelo. Um garotinho de quatro anos, cheio de vida e de uma esperteza que não se podia ignorar.

"Tio Renato, posso tomar sorvete?"—perguntou Joaquim, sua voz infantil ecoando pela sorveteria.

Eu consegui ouvir a resposta de Renato de onde estava.

"Claro, pergunta se o Tio Erick também quer," disse Renato, sorrindo para o menino.

Joaquim correu até mim, esticando os bracinhos para que eu o pegasse no colo.

"Oi, querido, tudo bem?" perguntei, enquanto o levantava.

Ele me abraçou com força, e depois de um momento, perguntou:

"Quer um sorvete?"

Andei até onde Renato estava e dei um beijo rápido nele, que sorriu ao meu gesto.

"Olá," ele disse.

"Demorei?" perguntei, preocupado.

"Não, já estávamos fazendo nosso pedido. Joaquim estava ansioso," respondeu Renato, bagunçando o cabelo loiro estilo surfista do garoto.

"Olha, olha, Tio Renato. Eu vou contar pra minha mãe," disse Joaquim, rindo.

Eu e Renato rimos da inocência dele. Renato pegou Joaquim do meu colo e o rodou no ar, fazendo o menino gargalhar.

"Vamos tomar nosso sorvete?" perguntei, olhando para os dois.

"Vamos!"—respondeu Joaquim, animado, enquanto todos nos dirigíamos ao balcão.

Aquele momento simples, compartilhado entre nós três, me fez perceber que, apesar de tudo, eu estava onde precisava estar. E isso, naquele instante, era o suficiente.

Renato parou sem fôlego, ofegante após mais uma série de exercícios.

"Tudo bem?"—pergunto, rindo ao vê-lo se recompor.

"Só estou um pouco cansado,"—ele respondeu, soltando as barras de ferro na mini academia que montamos.

"Ah, está ficando velho,"—brinco, encostado no batente da porta.

Ele sorriu, aquele sorriso que sempre me derretia.

"Bonita essa sua blusa, onde você achou?"—perguntou, cruzando os braços, o que só ressaltou seus músculos.

"Estava sem roupa, aí achei essa jogada no chão do quarto do meu namorado,"—respondo, mordendo os lábios, provocando-o um pouco.

"Bonita mesmo,"—ele concorda, ainda sorrindo.

"Também achei. Acho que vou pegá-la pra mim."

Ele se aproximou e me beijou sem nem ao menos me tocar, aquele tipo de beijo que faz meu coração disparar.

"Você está todo suado, precisa de um banho,"—provoco, afastando-me um pouco.

"Não gosta de suor? Nem daquele que sai de nós quando..."

Olho ao redor e dou uma risadinha.

"Esse é diferente,"—digo, tentando manter a seriedade.

Ele sorri de volta, e antes que eu pudesse reagir, me pega no colo, me joga sobre o ombro e começa a correr pela casa comigo.

"Ah, Renato! Para!"—grito no meio de uma gargalhada.

"Quer que eu pare?"—ele grita de volta, ainda correndo e saindo para o quintal.

"Sim!"—respondo, ainda rindo.

Ele finalmente para, entra de volta comigo e me joga no sofá, caindo sobre mim logo em seguida.

"Agora estou cheio de suor seu,"—brinco, tentando fingir desagrado.

"Eu te amo, Erick,"—ele diz de repente, com uma sinceridade que me faz parar por um segundo.

Olho para ele e sorrio, sentindo o calor daquele momento.

"Também te amo."

~*~

Mais tarde, a notícia devastadora chegou: a mãe de Joaquim, Ella, havia sofrido um acidente gravíssimo. O carro dela havia colidido frontalmente com um caminhão, resultando em um estrago mortal. Renato, após a visita ao IML, confirmou a identidade da vítima.

A ligação entre Renato e a mãe de Ella estava carregada de tensão.

"Senhora... eu entendo a sua dor, mas como você não pode ficar com seu neto? Ele é fruto da sua filha... Eu sei que está em outro país, mas... Ela está morta, e você não pode sequer comparecer ao velório..."

O diálogo terminou abruptamente com a mãe de Ella desligando.

"O que ela está dizendo?"—pergunto, observando a discussão.

"Tudo bem, mas... Ela desligou,"—Renato diz, desanimado, sentando-se no sofá e jogando o celular para o lado.

Me aproximo e me sento ao seu lado, apoiando a cabeça em seu ombro.

"E ele?"—pergunto, preocupado.

"Está dormindo,"—ele responde, passando a mão pelos meus cabelos.

Renato se esparrama no sofá e me olha com um sorriso reconfortante.

"O que vamos fazer?"—pergunto, a ansiedade visível em minha voz.

"O que nos custa cuidar dele? Podemos fazer isso juntos,"—ele sugere, seus olhos brilhando com determinação.

Ele se ajeita no sofá, olhando para mim com um sorriso esperançoso.

"Erick, vem morar comigo. Assim poderíamos ficar mais juntos e cuidar dele também,"—ele propõe, seu olhar cheio de expectativa.

"Renato, e nossa renda? Crianças custam caro,"—respondo, preocupado com os desafios financeiros.

Ele balança a cabeça, negando minha preocupação.

"Isso não é o problema. Tenho alguns sócios, a academia onde sou dono está dando lucro, e logo, logo, estarei formado em Direito. Nossa renda será ótima. Isso não será um problema!"—afirma, com uma confiança tranquilizadora.

Dou um sorriso e puxo seu rosto para um beijo suave.

"Sim."

"Isso foi um sim de sim?"—Renato pergunta, sua alegria evidente.

"Sim!"

Renato me pega pela cintura e me coloca em seu colo, beijando minha boca e meu maxilar com ternura e paixão. O calor e a intimidade do momento trouxeram um consolo inesperado, enquanto planejávamos nosso futuro juntos e a responsabilidade de cuidar de Joaquim.

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