.Extra.

No aniversário de seis anos de Joaquim, a festa estava animada e cheia de vida no quintal. Todos estavam presentes: meus pais, Gael, a mãe de Renato, alguns parentes e os amiguinhos de Joaquim.

"Vem gente, está na hora do parabéns!"—eu chamei em voz alta, incentivando todos a se aglomerarem ao nosso redor.

As pessoas começaram a se reunir, batendo palmas e cantando a clássica música de aniversário:

"Parabéns pra você..."

De repente, alguém interrompeu a canção. "Cadê?"—uma voz familiar perguntou no meio da multidão.

Todos pararam de cantar e se viraram para ver quem estava falando. Para surpresa geral, era Otávio. Ele estava com a mesma aparência marcante de quando saiu da cidade.

"Quem é esse papai?"—perguntou Joaquim a Renato.

"Papai? Foi o que ouvi? Ele te chamou de pai..."—eu disse, surpreso.

Otávio avançou, seu tom de voz áspero contrastava com o jeito suave que costumava ter. "Vim ver meu filho, e ouço ele chamar meu irmão de pai."

"Filho, lembra quando conversamos sobre o amor do coração?"—perguntou Renato, tentando acalmar a situação.

"Sim, papai..."

"Então, eu sou seu pai."—Renato falou, abrindo os braços para que Joaquim corresse para ele.

Mas Joaquim, com um olhar confuso, simplesmente correu para dentro de casa. Otávio ficou com um sorriso forçado no rosto.

"Depois de tanto tempo, por que agora?"—eu perguntei, frustrado.

"Eu quero meu filho,"—Otávio declarou com uma firmeza que parecia forçada.

"É ele quem tem que decidir,"—eu disse, dando de ombros.

"E ele vai me escolher,"—Otávio afirmou, mas com um tom menos seguro.

"Não tenha tanta certeza!"—a mãe de Renato, Dina, se aproximou de mim e me apoiou. "É isso que vamos ver!"

Otávio saiu, deixando a festa tensa.

"Tudo bem, pessoal, vamos partir o bolo. Podem se sentar,"—eu disse, tentando retomar a normalidade.

A mãe de Renato, preocupada, se aproximou de mim. "Erick..."

"Está tudo bem, Dina. Ajude a cortar o bolo. Vou ver como ele está,"—eu respondi, seguindo Dina para a cozinha.

Subi rapidamente para o quarto de Joaquim e Renato. Encontrei Renato sentado ao lado da cama, alisando os cabelos de Joaquim, que estava com lágrimas nos olhos. Joaquim levantou a cabeça ao me ver, e Renato enxugou as lágrimas do garoto com um carinho silencioso.

"Como está, querido?"—perguntei, me sentando na cama.

"Estou bem!"—Joaquim respondeu, forçando um sorriso.

"Então vamos descer. Seus amigos estão te esperando para brincar."

"Vocês vão deixar de ser meus pais?"—Joaquim perguntou, sua voz carregada de insegurança.

"Nunca. Nada vai nos tirar de você. Está bem para você?"—perguntei a Renato, que respondeu com um sorriso encorajador.

"Estou ótimo."

Renato pegou Joaquim no colo, e juntos descemos para a festa. Ao chegarmos, parecia que nada havia acontecido. Os convidados estavam se divertindo, rindo e comendo alegremente.

"Vamos brincar?"—perguntou um amiguinho de Joaquim.

"Pique-pega!"—disse Joaquim, animado.

"Joaquim, como é ter dois pais?"—perguntou uma garota ruiva com um vestido rosa.

"É a melhor coisa do mundo!"—Joaquim respondeu, pulando do colo de Renato.

Troquei olhares com Renato, surpresos com o crescimento e a confiança de Joaquim. Apesar das complexidades e desafios que enfrentamos, nosso amor por ele era claro e inabalável. Ele estava crescendo feliz e seguro, e isso era o mais importante.

*

O juiz bateu o martelo, e o tribunal ficou em silêncio enquanto esperávamos o veredito. Otávio, com a ansiedade estampada em seu rosto, estava ao lado de seu advogado, ambos em expectativa. Olhei para Renato, que segurava minha mão com firmeza. A ansiedade também estava estampada em meu rosto.

O juiz começou a falar, seu tom solene preenchendo a sala:

"Apesar de o pai biológico da criança ser o senhor Otávio Salles Wruck, considerando o tempo que a criança foi cuidada pelos pais adotivos e o vínculo estabelecido, declaro que a guarda definitiva será concedida a Erick Schimutz e Renato Salles Wruck. O caso está encerrado, sem possibilidade de novas intervenções."

A felicidade transbordou em nós. Renato e eu nos abraçamos, a alegria e o alívio eram imensos. Joaquim seria oficialmente nosso filho.

Do outro lado da sala, Otávio e seu advogado pareciam desolados. Otávio havia mudado. O homem por quem me apaixonei anos atrás estava diferente, mais cruel e endurecido pelos anos no exército.

*

Mais tarde, à noite, fomos despertados por um barulho. Joaquim estava no batente da porta, a mantinha de frio arrastando pelo chão.

"Papai... Papai Renato..."

Renato e eu pulamos da cama, assustados.

"O que aconteceu, Joaquim?"—eu perguntei, acendendo o abajur ao meu lado da cama.

"Eu tive um pesadelo, e os trovões estão muito fortes. Posso dormir com vocês esta noite?"—ele pediu, seus olhos grandes e cheios de medo.

Renato, com um sorriso de ternura e um olhar paternal, confirmou com um gesto de cabeça. Joaquim se aproximou, e Renato o pegou no colo, colocando-o entre nós na cama.

"Papai..."

"Sim, querido?"—Renato murmurou, quase dormindo novamente.

"Como conheceu o papai Erick?"

Renato não respondeu imediatamente, seu cansaço evidente. Olhei para ele, que estava começando a roncar.

"Papai Renato... Papai."

"Shhh, vamos dormir agora, querido. Amanhã conversamos sobre isso,"—eu disse, aconchegando Joaquim entre nós.

Renato sorriu, e nós três nos acomodamos juntos na cama, os trovões parecendo mais distantes agora, enquanto Joaquim se aninhava em nosso abraço, encontrando conforto e segurança.

*

Como era nosso costume nos finais de semana, decidimos sair para um passeio. Escolhemos uma bela colina, onde Joaquim e Renato correram livremente. Renato estava tentando pegar Joaquim em um animado pega-pega. Enquanto isso, estendi uma toalha floral sobre a grama e coloquei a cesta de piquenique em cima dela.

"Meninos, venham comer!"—eu chamei, animado.

Renato me olhou, sussurrou algo para Joaquim e ambos correram em minha direção. Joaquim chegou primeiro, vindo em disparada, pulou em cima de mim e me derrubou, rindo com toda a energia de uma criança feliz.

"Olá, papai!"—ele exclamou, gargalhando.

Me levantei, segurando Joaquim nos braços e rindo junto com ele. Renato se aproximou, me beijou nos lábios e se sentou ao nosso lado, pronto para desfrutar do piquenique.

Após a refeição, Renato e eu observávamos Joaquim tentar capturar uma borboleta que parecia estar gostando da brincadeira.

"Ele está crescendo tão rápido,"—disse Renato, beijando meu pescoço e cheirando meu cangote com carinho.

"Espero que possamos acompanhá-lo ao longo de sua vida, ver ele formar uma família, ter filhos,"—respondi, deitando minha cabeça sobre o peito dele.

"Vamos ter muito tempo para isso,"—Renato disse, com um sorriso no rosto.

Ele então tirou algo do bolso e segurou minha mão com um gesto de ternura.

"O que foi?"—perguntei, curioso.

"Eu quero tê-lo ao meu lado para sempre. Prometo arrancar todos os sorrisos possíveis de você. Prometo dar toda a minha atenção, carinho e cuidado. Todos os meus beijos serão seus. Vou te proteger tanto quanto eu puder e, quando não conseguir mais, pedirei a Deus por força. Eu prometo todo o meu amor nesta vida e na próxima. Quer casar comigo?"—ele perguntou, mostrando uma aliança com uma pedra cintilante que brilhava à luz do sol.

"Renato, eu... Estou sem palavras,"—respondi, impactado pelas suas palavras que mais pareciam um voto de casamento. Afinal...

"Só me responda,"—ele disse, o nervosismo e a ansiedade visíveis em seu rosto.

Meu coração parecia querer saltar do peito. Já estávamos casados de coração, mas se um ritual formal fosse importante para ele...

"Sim, eu aceito!"—eu disse, a emoção tomando conta de mim.

Renato sorriu com uma felicidade radiante, e a aliança foi colocada em meu dedo. A colina ao nosso redor parecia refletir o amor e a alegria que sentíamos naquele momento, enquanto Joaquim continuava sua brincadeira, feliz e alheio ao mundo ao redor.

.Fim.

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