capitulo 16

"Às vezes pensamos coisas, agimos de formas que acabam magoando os outros. Acreditamos que somos superiores a eles, mas só realmente descobrimos quem somos quando caímos e percebemos que estamos completamente errados. Não somos nada; somos apenas pó. Isso é suficiente para você?

Foi o pequeno texto que li em voz alta na sala de aula, um trecho de um autor desconhecido.

"Obrigado pela leitura, Sr. Schimutz." – disse meu professor de literatura, enquanto apontava para meu lugar. Era a minha deixa, eu deveria voltar para a minha cadeira.

Sento-me, tentando afastar os pensamentos perturbadores que vagueiam pela minha mente. As palavras do texto ressoam em mim de forma perturbadora, como um eco das minhas próprias inseguranças e dúvidas. Tento me concentrar, mas minha mente volta para o que aconteceu recentemente.

Lembro-me de Otávio entrando pela janela do meu quarto, a expressão determinada em seu rosto enquanto me prometia um gol no campeonato. O contraste entre aquela lembrança e o texto que li é marcante. A sensação de estar no fundo do poço, onde a vulnerabilidade e a dúvida se tornam mais evidentes, me atormenta.

Lembro-me também da preocupação de Nina e das mensagens de apoio que me enviou, e da maneira como Gael tentou me proteger. A frustração de ver Filipe potencialmente livre novamente, e a sensação de impotência que isso trouxe. Tudo isso me faz questionar o sentido de tentar manter uma fachada de controle e superioridade.

Olho ao redor da sala de aula, tentando focar na lição, mas é difícil. O sentimento de inadequação e a luta interna são avassaladores. A lembrança de como me senti quando Otávio entrou pela janela, a sua gentileza, e a conversa sincera que tivemos sobre ser amigos, tudo isso mistura-se com a realidade presente e me deixa inquieto.

O professor continua a aula, e eu faço um esforço para prestar atenção, mas os pensamentos persistem. É um momento de introspecção, um lembrete doloroso de que estamos todos buscando algo maior em meio às nossas fraquezas e erros. Todas aquelas memórias me levaram a um lugar...

A música de Roberto Carlos que saia da vitrola iam no compasso dos tapas que eu estava levando no rosto.

"Estupido!"– fala Ricardo, sua enorme mão faziam um arder no lugar, onde suas marcas ficavam.

"Chega, está machucado."– grita Diego.

Ricardo me põe de quatro, ele abre minha bunda e som delicadeza ele me soca com força.

"Isso, putinha!"– falou agarrando meu cabelo, puxando minha cabeça para trás.

Vejo do espelho meu rosto cheio de cortes, sangrando muito. Uma dor insuportável percorria meu rosto, meu nariz sangrando deixava pingar no chão. Naquele momento uma fúria percorreu meu corpo.
Lágrimas de dor percorreram meu rosto, e com elas se juntaram ao sangue. Algo dentro de mim adoraria se vingar deles, de cada um deles!

Mal percebo que estava gritando e chorando na sala. Com a visão turva, me levanto da cadeira, o professor me observando preocupado, assim como toda a sala. Saio pela porta correndo pelos corredores, esbarrando nos armários.

Sinto mãos firmes me segurando, não consigo levantar o rosto para ver quem era.

"Erick... Está tudo bem?"

Reconheço a voz. É Otávio.

"Elas voltaram," digo, apontando para a cabeça.

"Elas quem?" pergunta, ajoelhando-se no chão ao meu lado.

"As lembranças!"

Minhas vistas se escurecem...

Acordo com uma conversa irritante. A enfermeira da enfermaria estava conversando com Otávio. Sinto sua mão apertar a minha, seu sorriso aparece ao me olhar. Pongo a mão na cabeça, que estava doendo absurdamente.

"Bom, obrigado. Deixa eu levar esse garoto para casa," fala Otávio, ajudando-me a sair da maca.

Ele me puxa para perto do seu corpo musculoso e forte. Minhas pernas fracas não conseguem se manter firmes.

"Cuidado... Vem, eu te ajudo."

Caminhamos até onde está o carro dele. Ele me ajuda a sentar.

"O que aconteceu?" – ele pergunta, passando o cinto em mim.

"Não sei!"

Ele se senta atrás do volante e diz:

"Não se preocupe, vou cuidar de você!" – fala, sorrindo.

Somente amigos, somente amigos! – penso.

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