capitulo 13

"Ninguém vai me contar o que está acontecendo? Vou ter que arrancar isso de vocês? Gael..." – perguntei, tentando manter a calma, mas a frustração era evidente na minha voz.

Gael me lançou um olhar carregado de preocupação, enquanto Otávio parecia mais surpreso do que eu.

"Ele... Veio me procurar para saber se eu tinha alguma informação sobre você." – explicou Otávio, a voz um pouco tremula.

Voltei minha atenção para Gael, tentando entender o que estava se passando.

"De onde você pensou que eu iria ter alguma informação para ele? Um garoto que mal conheço?"

"Era isso que estava tentando explicar para ele..." – respondeu Otávio, visivelmente frustrado.

"Vamos para casa, Gael." – disse, tentando soar firme, mas sentindo um peso enorme nos ombros.

Gael caminhou à frente, claramente estressado, e eu o segui, meu coração pesado com uma mistura de raiva e tristeza.

"Erick, eu queria..." – começou Otávio, mas sua voz parecia falhar, carregada de emoção.

"Não me importa o que você tem para dizer agora. Eu avisei que uma hora ou outra você descobriria."

"Por que não me contou antes?" – perguntou ele, com um tom de dor na voz.

"Porque não somos amigos!" – retruquei, sentindo um frio na espinha ao ver a expressão ferida no rosto dele.

Ele hesitou e recuou, como se o peso das minhas palavras o tivesse atingido em cheio.

"Desculpe."

Eu olhei para ele, e o medo nos olhos dele me fez sentir uma mistura de culpa e confusão.

"Olha, me desculpe também. Você não tem culpa disso tudo. Eu só preciso de um tempo sozinho para pensar. Me dá esse espaço?"

Se sermos somente amigos era o que ele queria, teria que pensar. Ver se era de confiança!

Me despedi dele com um gesto rápido e entrei em casa. O silêncio na sala parecia opressor. Gael estava sentado no sofá, com a expressão perplexa e angustiada.

"O que deu em você?" – digo, a frustração se acumulando dentro de mim.

"Você desapareceu o dia todo, e acha que eu iria ficar bem? Já te perdi uma vez, não vou perder de novo." – respondeu ele, levantando-se do sofá com uma intensidade que me fez sentir a dor e a preocupação que ele carregava.

"Aí vai gritar com alguém que mal conheço!" – retorqui, sentindo a raiva e a tristeza se misturarem dentro de mim.

"Eu pensei que ele poderia saber algo, qualquer coisa que pudesse ajudar a entender o que está acontecendo." – explicou Gael, sua voz quebrando com a preocupação.

Sentei-me no sofá, cobrindo o rosto com as mãos, sentindo o peso emocional de tudo que estava acontecendo.

"Erick..." – disse Gael, sua voz mais suave agora, como se tentasse alcançar algo dentro de mim.

"Olha, Gael, você não é meu pai para se preocupar tanto assim. Nem ele é assim."

"Isso mesmo, eu não sou seu pai. Sou alguém que se preocupa genuinamente com você, que se preocupa se você está comendo, se dormiu bem, se está bem." – ele falou, sua voz carregada de sinceridade e preocupação.

Enquanto ele falava, pude sentir a profundidade de seus sentimentos, e a verdade em suas palavras me atingiu com um impacto doloroso. A preocupação dele, a maneira como ele expressava seu cuidado, fez com que eu me sentisse dividido entre a necessidade de espaço e a consciência de que havia alguém que realmente se importava.

"E que transa comigo toda noite!"– digo firme.

"O que você disse?" – uma voz feminina interrompeu o turbilhão de emoções. Virei-me e vi minha mãe, loira e mais magra do que eu lembrava. Seu semblante estava petrificado, como se tivesse visto um fantasma.

"Eu não estou bem..." – murmurei, a voz falhando enquanto olhava para ela, tentando encontrar algum alívio em seu olhar.

"O que aconteceu com você?" – ela perguntou, se aproximando de mim com uma expressão de preocupação genuína, as mãos tremendo levemente.

Lágrimas começaram a escorregar pelo meu rosto, e eu sentia um peso enorme no peito. "Filipe... Filipe..."

"Já entendi, mas o que aconteceu com Filipe?" – sua voz estava suave, quase desesperada para entender, enquanto me envolvia em um abraço protetor.

Respirei fundo, tentando organizar os pensamentos tumultuados. Gael se aproximou de nós, seu rosto uma mistura de raiva e dor.

"Tentou me tocar... me ameaçou!" – as palavras saíram em um soluço, meu corpo tremendo com a intensidade da lembrança.

"CANALHA!" – gritou Gael, a raiva e a indignação visíveis em sua expressão. Ele parecia pronto para explodir, mas minha mãe, com um gesto calmo, tentou intervir.

"Calma, querido." – disse minha mãe, sua voz suave, tentando apaziguar Gael enquanto ele estava à beira do descontrole.

As lágrimas escorriam com mais intensidade agora, e o desespero tomou conta de mim. "Nada vai ser resolvido com você assim. É melhor nos acalmarmos... Neuza, leve Erick para o quarto."

Neuza, uma figura gentil e compreensiva, me ajudou a subir as escadas, seus toques eram suaves, quase reconfortantes. Enquanto isso, minha mãe e Gael ficaram na sala, a conversa entre eles era um murmúrio distante, uma tentativa de encontrar alguma solução, algum entendimento.

Eu sentia uma mistura confusa de vergonha, alívio e angústia, e o quarto parecia ser um refúgio temporário, um lugar onde eu poderia me permitir chorar e tentar processar tudo o que havia acontecido...

Meus olhos se abrem lentamente, e o som rítmico da máquina de frequência cardíaca preenche o silêncio ao meu redor. Olho para todos os lados, tentando reconhecer onde estou, o ambiente ainda parece confuso.

"Acordou, que bom!" – disse o Dr. Samuel ao entrar no quarto, seu tom era ao mesmo tempo acolhedor e preocupado.

"O que estou fazendo aqui?" – pergunto, minha voz saindo arrastada e tonta.

"Não se lembra?" – ele pergunta, com um olhar que mistura curiosidade e apreensão.

"Não!"

Ele me olha com um semblante sério.

"Erick, você se medicou em excesso. Estava tentando se matar? Se houvesse tomado uma dose maior, poderia ter realmente morrido."

A notícia me atinge como um soco no estômago. "Faz quantas horas que estou aqui?"

"Erick, você está aqui há uma semana. Estava em coma."

A sensação de choque e medo me invade. "Cadê minha mãe?" – pergunto com urgência.

"Ela está no hospital, mas tem um garoto lá fora que não saiu nenhum momento desde que você chegou."

Antes que eu pudesse processar completamente, a porta se abre e vejo alguém me observando com preocupação. Ele sorri ao me ver.

"Erick..."

"Gael..." – sussurro antes de me sentir exausto e voltar a fechar os olhos, a força me abandonando mais uma vez.

Sinto a presença de Gael ao meu lado, sua preocupação evidente, enquanto o cansaço toma conta de mim e me puxa de volta para o sono.

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