9. Odeio Ganhar Flores

No domingo de manhã eu estava com o humor péssimo. Meu pai ainda estava dormindo quando acordei. Ele costuma chegar pela manhã quando seu plantão é a noite. Enquanto escovava os dentes o som do maldito interfone soava por toda a casa.

Olho o relógio do celular e vejo que são dez horas da manhã. Quem em sã consciência bate na porta dos outros às dez da madrugada? Será que as pessoas não respeitam o sono dos outros!

Abro o velho portão da minha casa. Moro num bairro humilde, apesar disso aqui é bem tranquilo. A maioria se conhece desde sempre, é um bairro bem antigo também. Na minha rua algumas das casas foram reformadas e estão até muito bonitas.

A minha casa porém ainda tem o velho portão de madeira escura e sobre ele o pequeno telhado colonial. Olho pelo olho mágico e vejo um rapaz franzino, com certeza se enganou de casa. Abro o portão e tomo um susto.

O rapaz segura um enorme buquê de rosas, pelo tamanho exagerado já sei quem mandou...

_Pode voltar com isso de onde veio.

_Moça eu não posso voltar, tive ordens para entregar na sua mão, nós nem fazemos entrega aos domingos, ainda mais num bairro tão distante! Quem te deu essas flores está mesmo afim de impressionar!

_Me da logo isso! - Digo pegando sem o menor cuidado.

_Moça isso foi muito caro! - Dou de ombros. - Essas flores foram a metade do meu salário!

_Oh! Eu não sabia... - Respondo sem graça pegando o maldito buquê direito.

_Isabella Gonçalves?

_Sou eu. - Falo com o desânimo.

_Assina aqui por favor.

"Eu nem quero receber! Ainda tenho que assinar! É um absurdo!" Penso.

Assino o papel com má vontade, fecho o portão e vou para a cozinha. Jogo a porcaria das flores no cesto de lixo e fico ainda mais irritada por saber que ele não coube, decido empurra com o pé a porcaria das flores mas um dos espinhos cravou no pé quando o chinelo escorregou.

Tenho uma enorme vontade de xingar, gritar e chorar ou matar o Vitor com requinte de crueldade e depois jogar o corpo dele num buraco profundo! Que homem trai a namorada e depois manda flores!? Será que ele pensa que isso vai me comprar?

Frustrada me sentei no chão em frente ao cesto e tirei o espinho do pé, se já estava de mau humor agora estava intragável.

_Bom dia... - Meu pai disse me olhando tentando entender o que estava acontecendo. - Jack te mandou flores? - Ele perguntou franzindo a testa e fazendo careta. Acho que o olhar mortal que lancei ao meu pai foi suficiente. Ele levantou as mãos em sinal de rendição e deu de ombros.

_Não foi ele. - Bufei sentando no banco meu pé ainda sangrava, eu queria chorar e gritar com alguém até a perder a voz... Bater como eu queria poder dar um soco bem forte na cara de pau daquele...

Argh!!!!

_Algum admirador secreto? - Meu pai brinca?

_O babaca do Vitor, aquele filho da mãe! Ele deveria pegar a merda dessas flores e enfiar...

_OoolhAaaaaaa!!!!!!! Cuidado com a boca, mocinha! - Sou advertida pelo meu progenitor.

_Ele deveria come-las! - Respondo por fim. - Com espinho e tudo!

Meu pai me lançou um olhar daqueles que você sente que a pessoa está lendo seus pensamentos, daqueles olhares que só os pais dão. Depois me lançou um sorriso cínico e balançou a cabeça.

_O seu namorado vai vim aqui hoje? - Não sei de onde o meu pai conseguia a capacidade de enxergar onde estavam os meus problemas reais, aquilo me irritava as vezes.

Eu ia responder que não sabia e que nem queria saber, numa atitude infantil, mas fui interrompida pelo som que se espalhou pela casa avisando que mais alguém estava no portão.

_Eu não estou casa! Disse quando meu se levantou ainda segurando a caneca de café.

Olhei para o chão, havia um rastro de sangue da lixeira até o lugar onde eu estava. Parecia que alguém havia sido extripado ali, só o pensamento de ter que limpar aquilo me irritava ainda mais! Como se fosse possível!

Se a raiva fosse ar e eu um balão com certeza estaria prestes a explodir!

Tudo bem! Foi exagero meu. O fato é que para um pequeno furo meu pé havia sangrado muito. Ouvi que meu pai falava com alguém no cômodo ao lado. Mas não fui capaz de distinguir de quem era voz. Ouvi um "boa sorte" sendo proferido pelo pai e fiquei ainda mais irritada.

Eu pensei em me levantar e dizer a Vitor que fosse embora e levasse as malditas flores, porém o corpo que passou pela porta foi outro. Ele caminhou em silêncio pela cozinha, seu olhos caíram no buquê jogado na lata do lixo.

_Anda ganhando rosas? - A expressão de espanto, curiosidade e... Ciúmes!? Estampava o seu rosto.

_Que diferença faz!? - Respondi com raiva.

_Quem enviou?

"Papai Noel" penso!

_Não importa! - Disse olhando em minhas mãos.

_Claro que importa, minha namorada recebeu flores e não fui eu que enviei...

_Não sei se percebeu, as flores estão no lixo! - Aponto para as flores. - Ainda tentei empurrar elas para caberem todas na droga do cesto, mas acabei furando o pé. Aponto para sangue no piso branco da cozinha.

_Isso quer dizer que não devo me preocupar? - Percy levanta uma de suas sombrancelhas e me dá um meio sorriso.

_Com certeza! - Respondo tentando soar séria, mas acabo tendo que segurar um sorriso.

_Você fica ainda mais linda quando está nervosa... - Ele diz se enquanto dá pequenos passos até onde estou.

_O que está fazendo aqui!? - Olho nos olhos dele.

Apesar de gostar muito dele ainda estou chateada com a forma que ele falou comigo. Eu não estava me metendo no espaço dele ou sendo insensível com a irmã dele. Eu apenas estava... É eu estava bancando a curiosa e intrometida e eu sei que poderia ter perguntado a ele...

_Estou tentando me redimir...

_Então você admiti que foi ogro?

_Admito que fui grosseiro...

_Muito ignorância da sua parte, eu só fiz uma pergunta, você nunca me contou o que aconteceu! Eu não sabia que não podia perguntar sobre a sua cicatriz...

_Você pode perguntar, pode perguntar o que quiser, eu só ainda não estou pronto para te contar... ele me dá outro meio sorriso só que dessa vez mais triste.

_Será que um dia você irá me contar? - Meu namorado da de ombros. - Enquanto isso, esse é um assunto proibido?

_Tudo bem pra você?

_Sem perguntas?

_Por favor.

_Não sei posso viver fazer isso!

_Por favor, não faça isso comigo. - Ele faz uma cara de cachorro que caiu do caminhão da mudança, é ridículo, é fofo. _É só um tempo... Eu só preciso arrumar isso aqui. - Ele aponta para cabeça.

_Estou lidando com doidos agora!? Esse é tipo de coisa que se diz antes... - Digo com a intenção de fazê-lo ficar com raiva tanto quanto eu mas, ele sorri como idiota.

_Pensei ter deixado claro que era completamente louco por você.

"Como ele pode usar uma frase tão clichê?"

Sorrio.

_Idiota!

_Linda! Vamos lá me perdoa, não vou fazer isso de novo.

_Tá que seja! - Digo tentando me fazer de difícil mas ele já tinha conseguido melhorar meu humor e me fazer perdoa-lo.

Então vejo os olhos verdes que estavam fixos em mim brilharem como estrelas e um sorriso lindo, o mais lindo que vi tomar conta do rosto do Percy. Eu não sei porque, talvez fosse porque vi um sorriso realmente sincero vindo dele, um sorriso daqueles que chegam aos olhos e são capazes de iluminar todo o rosto.

Eu sempre achei ele bonito, independente da cicatriz, ele tinha o rosto muito bem desenhado, qualquer garota que olhasse o lado sem cicatriz dele seria capaz de enlouquecer.

O fato é que aquele foi o exato momento em que realmente me apaixonei. Senti as famosas borboletas no estômago aquele frio na espinha e um calor estranho. Sensações típicas de quem se apaixona.

Não posso dizer que estava bem com isso, porque não estava, me apaixonar de novo poderia ser um passo para o sofrimento. Eu sabia que isso poderia acontecer, no entanto lá estava eu me apaixonando por Percy Jackson. Quando ele me beijou dei graças por estar sentada, porque minhas pernas com certeza teriam cedido.

Tinha sentimento naquele beijo e pela primeira vez eu desejei de verdade que alguém fizesse mais que me beijar.

_Foi o Vitor que meu deu as rosas.

_O seu ex? - Balanço a cabeça em afirmação. - Tem certeza que não devo me preocupar?

_Absoluta.

_Se eu soubesse que ele mandaria rosas para minha namorada eu teria batido com mais força!




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