Capítulo I - Lembranças
Quarta feira, o relógio marca 14:15. Nada acontecendo, apenas mais um dia qualquer.
Estou muito sonolenta devido alguns remédios e também pelo fato de ter chorado à noite toda, sem motivos, mas como consequência me deixando com bolsas nos olhos.
O dia está ensolarado, o vento sopra a cortina, através da janela levantada, que balança a cortina fazendo um movimento de como se fosse as ondas do mar, me fazendo ter lembranças de minha vida até aqui. O quanto eu sorri e chorei, todas minhas amizades, todos os meus amigos que com o tempo perdi. Uns mudaram de cidade, outros morreram, outros não tenho mais contato. De todos somente sobraram o Júlio e a roberta. Os únicos que permaneceram em minha vida, que sempre que podem vêm me visitar.
Impressionante como a vida e o destino sempre nos surpreende. Até um dia desses, eu estava linda, saudável, com minha família completa e de repente tudo mudou. Eu e minha família fomos despejados da casa aonde moravamos, passamos por muitas dificuldades, mas quando estávamos conseguindo nos estabilizar na parte financeira, meu pai morreu em um acidente no trabalho.
Meu pai havia conseguido um trabalho como segurança noturno de um supermercado e estava começando a se adaptar com seus horários noturnos. Até que tentaram assaltar o seu local de trabalho e em uma troca de tiros ele foi atingido e morto!
Eram 04:53 da manhã, chegou uma viatura da polícia em nossa casa, nos acordando com o som da campanhia.
Eu e minha mãe fomos até a sala, eu deixei que minha mãe atendesse.
Ela abriu a porta e viu os guardas, eles puseram seus chapéus com o emblema da polícia na altura do umbigo e um deles deu a notícia à minha mãe, que logo se pôs em prantos, me deixando desesperada, com um buraco em meu coração!
Tempos depois, quando estava conseguindo um contrato com uma gravadora, descobri minha doença.
Meu mundo foi ao chão !
Não bastava perder a chance da minha vida de me tornar uma cantora de sucesso e respeito. A vida tinha que me dar uma doença como essa, que de repente poderia me levar à morte.
Me ver careca foi uma das piores experiências que tive.
Com lágrimas escorrendo por todo meu rosto, só podia lembrar de como eram meus cabelos.
Extremamente liso na raiz, loiros e com as pontas meio cachadas. .
Não conseguia acreditar que a partir daquele momento não teria mais meus cabelos. Que aquela era minha nova aparência.
Oque mais me deixou triste foi ver aquelas crianças doentes. Inocentes, não entendiam a verdadeira realidade daquilo. Porque estavam ali.
Senti uma lágrima escorrer, me tirando do meu momento de lembranças. Enxuguei a lágrima com meu dedo indicador e virei minha cabeça pro lado onde fica a porta. Eu fiquei olhando pessoas passando pra lá e pra cá naquele vai e vem dos hospitais. Naquele momento, para mim tudo tinha ficado em câmera lenta, ainda olhando para a porta eu vi uma maca com um rapaz deitado nela sendo levado, acho que era para o elevador que ficava logo à frente. Parecia que tudo ainda estava em câmera lenta, algo em mim me provocava ansiedade para saber quem arrastava aquela maca. Mas quando pude ver quem era, descobri que era apenas o Dr. Carlos. Ele olhou pra mim e piscou um olho. Esse era o sinal que ele logo viria em meu quarto, conversar comigo sobre meu problema.
Eu balancei a cabeça confirmando.
Me virei de volta para a janela, dessa vez eu tentei lembrar de minha infância, mas muito pouco eu conseguia lembrar. Por mais que eu tentasse.
Logo o doutor voltou..
Acabei me assustando um pouco com a entrada do doutor Carlos, que estava com trajes próprios para aquele ambiente, com sua roupa hospitalar, jaleco e um ténis preto, parecendo com os que meu pai usava.
O dr. Carlos foi e está sendo muito generoso comigo, pois minha mãe por si só não tem condições de pagar um hospital tão caro e tratamentos mais caros ainda. Por ser o diretor do hospital, me da tudo gratuitamente.
- Como está se sentindo, senhorita Hanson ? - Com sua lanterna ele foi abrindo meu olho e examinando.
- Sinceramente !? Estou solitária. - Ele solta um sorriso soprando pelo nariz.
- Sabe muito bem do que estou falando, Senhorita Hanson.
- Af, para de me chamar de Senhorita. Isso não é legal. - Ele pareceu assustado, mas logo entendeu que era uma brincadeira minha. - Bom.. Continuo me sentindo injuada, e muitas vezes é impossível segurar o vômito. - Fiz uma força e consegui me sentar. Agora olhando diretamente para ele.
- Hmm.. Você anda apresentando melhoras. Continue tomando seus remédios e já sabe, a quimioterapia pode parecer a pior coisa do mundo, mas com fé em Deus, será a quimioterapia que irá lhe trazer a cura. - Ele parecia me conhecer.. Pois, a cada sessão de quimioterapia, eu sentia vontade de morrer.
- Certo, Dr. Carlos, não irei desistir, se é isso que o senhor quis dizer.. - Coloquei um sorriso em meu rosto, ele olhou pra mim e beliscou minha buchecha, logo após tirou às luvas e as descartou em um sexto de lixo.
- Até a próxima consulta!
- Espera doutor.
- Pois não ? - Sempre educado, ele voltou até mim.
- Quando minha mãe poderá vim me visitar ? - Falei ansiosa, pois estava morta de saudade.
- Bom.. Como sua mãe e seu irmão estiveram aqui na quarta feira passada e suas visitas são semanais, ela já está liberada para a visita.
- Tabom, obrigada. - Tentei disfarçar minha ansiedade por minha mãe ainda não ter chegado, pois ela sempre chegava muito cedinho, era ela quem me acordava.
- É só isso ?
- Sim, obrigada. Até a próxima Dr. - Ele sorriu olhando para mim e saiu.
-----------------------------------------------
Oii, Oque acharam ? Espero que tenham gostado.
Gente, eu sinto que a história está um pouco sem graça, se vocês acharem isso também, por favor, me avisem!
Não parem de ler, logo acontecerá coisas emocionantes.
Bom, é isso.. Um beijo para todos(as) <3 :3
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top